Ataúro

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Ataúro
Ataúro visto de Díli
Ataúro no Distrito de Díli

Ataúro (também conhecida como Pulau Atauro ou Atauro) é uma pequena ilha situada a aproximadamente 25 km ao norte de Dili, capital de Timor-Leste, no extinto segmento vulcânico do Arco Interno de Banda, entre as ilhas Indonésias de Alor e Wetar. Politicamente perfaz um dos subdistritos do Díli, em Timor-Leste. Apresenta aproximadamente 25 km de extensão por 9 km de largura, o que compreende uma área de cerca de 105 km², habitada por uma população em torno de 8.000 pessoas. A capital da ilha é o aglomerado urbano de Vila (antiga Maumeta).

Nome[editar | editar código-fonte]

Ataúro significa 'cabra' na língua local, mas a ilha é também conhecida como Ilha Kambing (Pulau Kambing) pelos Indonésios (Kambing significa 'cabra' em Indonésio bahasa). Seu nome vem em virtude da grande quantidade de cabras encontradas por lá.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Localidades da ilha de Ataúro

A ilha é dividida em cinco distritos, cada um com sua respectiva vila: Bikeli e Beloi no norte, Macadade (antes Anartutu) no sudoeste, e Makili e Vila no sudeste, sendo esta última a maior aglomeração. Outros povoados importantes incluem Pala, Uaroana, Arlo, Adara, e Berau. Uma estrada asfaltada liga Vila a Pala, enquanto as outras aglomerações possuem estradas de terra que as ligam. Há uma pista de pouso em Ataúro.

O monte Manucoco é o ponto mais alto da ilha, e está a 995 m de altitude. O estreito que separa Ataúro de Timor emerge a 3.500 m abaixo do nível do mar. Inversamente, o lado que separa Ataúro de Wetar é muito mais raso. Geólogos da Universidade de Melbourne estão, junto com a Diretoria Timorense de Energia Mineral e Recursos (EMRD) e o Instituto Politécnico de Díli, trabalhando para fazer o primeiro mapa geológico de Ataúro, em parte para melhorar a infra-estrutura da ilha, ainda muito carente. [1]

Ataúro é pequena e instável, tem terreno escarpado e freqüentemente sofre em virtude de deslizamentos de terra e carência de água potável, especialmente durante a estação seca. As fontes de água potável estão presentes a aproximadamente 2 km a norte de Berau, com pequenos reservatórios nas proximidades de Macadade e dos declives orientais do Monte Manucoco. Poços de água no litoral suprem água de qualidade ruim para a maior parte das vilas costeiras. Portugal está financiando um novo projeto para melhorar a disponibilidade de água e infra-estrutura de distribuição na ilha.[2]

Ataúro apresenta duas estações definidas - chuvosa e seca. A vegetação consiste de florestas de Eucalyptus sp. (o que demonstra uma proximidade com a Australásia), em terrenos íngremes e morros, habitualmente onde pedras calcárias afloram. Já as florestas tropicais se mostram presentes nos vales. A ilha vem sofrendo com extensivo desmatamento desde que Portugal começou a colonizá-la, no começo do século 16.

Um ferry-boat liga Ataúro à capital do país, Díli, e a conexão leva em torno de duas horas. Pode-se chegar à ilha também por barcos pesqueiros. Ataúro tem recentemente se tornado um destino para o ecoturismo, o que tem tornado seus corais conhecidos entre os amantes do mergulho. [1]

Cultura[editar | editar código-fonte]

Ataúro é algo incomum em Timor-Leste, visto que a maioria dos habitantes de sua parte norte é Protestante, e não Católica. Eles foram evangelizados pela missão da igreja Calvinista holandesa de Alor no começo do século 20. Há também alguns protestantes entre a população que vive ao sul da ilha.

O povo de Ataúro fala três dialetos wetarenses, que é principalmente falado em Wetar e Liran na Indonésia.

História[editar | editar código-fonte]

Veja também: História de Timor-Leste

Colonizada junto com Timor-Leste por Portugal no século XVI, Ataúro foi usada como ilha-prisão logo após a chegada dos portugueses.

No tempo do Timor português, a ilha de Ataúro foi colocada com parte do município de Díli. Quando Timor-Leste se tornou independente, houve uma proposta para reorganizar os distritos e fazer de Ataúro uma área autônoma. Entretanto, isso não foi feito e a ilha continua como um subdistrito do distrito de Dili.

Em 11 de agosto de 1975, quando a UDT organizou um golpe em uma tentativa de interromper a crescente popularidade da Fretilin, o governador português Mário Lemos Pires abandonou Díli e foi para Ataúro, de onde ele mais tarde tentou firmar um acordo entre os dois grupos. Ele foi instado pela Fretilin a voltar e retomar o processo de descolonização, mas ele insistiu que esperava instruções do governo de Lisboa, então com pouco interesse na questão. O caos por fim levou à ocupação indonésia. Após décadas de luta, em 20 de maio de 2002, Ataúro se tornou parte do Timor-Leste independente.

Veja também[editar | editar código-fonte]

Fonte[editar | editar código-fonte]

  1. http://www.smh.com.au/news/Asia/Ethical-tourism-on-an-untouched-island/2005/04/16/1113509964786.html

Ligações externas[editar | editar código-fonte]