Austregésilo Carrano Bueno

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Austregésilo Carrano Bueno (Curitiba, 15 de maio de 1957São Paulo, 27 de maio de 2008) foi um escritor brasileiro, integrante do Movimento da Luta Antimanicomial. Autor do livro Canto dos Malditos onde conta sua experiência nos hospitais psiquiátricos e denuncia os absurdos cometidos diariamente nessas instituições. Foi o livro em que se baseou o premiado filme Bicho de Sete Cabeças.

História[editar | editar código-fonte]

Em 1974, então com 17 anos, era usuário de maconha e outros medicamentos de uso restrito. Quando o pai de Austregésilo encontrou alguns cigarros de maconha no bolso de uma jaqueta do filho, resolveu interná-lo em um hospital psiquiátrico para tratar de seu vício.

Em um período de três anos, Austregésilo foi transferido de um hospital a outro com supostos problemas comportamentais sem ao menos ter sido examinado, tendo sido submetido a torturas e eletrochoques (totalizando 21 sessões). Isso durou até que, desesperado, ateou fogo em sua própria cela, sendo retirado a tempo. O ato despertou seu pai, que o tirou do manicômio. Desajustado pelos eletrochoques, pela sedação pesada e pelas torturas variadas, ele acabou sofrendo também nas mãos da polícia, que lhe proporcionou doses extras de humilhação e espancamento. [1]

Foi o representante nacional dos usuários na Reforma psiquiátrica do Brasil. Homenageado em 28 de Maio de 2003 pelo Ministério da Saúde e pelo Presidente da República Sr. Luiz Inácio Lula da Silva, por sua Luta e Empenho na Construção da Rede Nacional de Trabalhos Substitutivos aos Hospitais Psiquiátricos no Brasil.

Morte[editar | editar código-fonte]

Morreu em São Paulo, no dia 27 de maio de 2008, aos 51 anos. Estava internado no Hospital das Clínicas e faleceu em razão de uma infecção generalizada resultante de um câncer no fígado.

O livro[editar | editar código-fonte]

O autor foi a primeira pessoa no Brasil a mover uma ação indenizatória por erros de diagnóstico, tratamentos torturantes e crimes contra médicos psiquiatras, em 13 de maio de 1998. Porém, foi condenado pelo Tribunal de Justiça do Paraná a pagar a médicos psiquiatras e seus familiares 60 mil reais de indenização por danos morais devido a críticas aos médicos contidas em seu livro.

Uma segunda ação, agora por parte das famílias dos médicos mencionados em seu livro, conseguiu que O Canto dos Malditos fosse retirado de circulação das lojas e livrarias de todo o país. Foi a primeira obra a ser censurada no país desde a ditadura militar. Entretanto,recentemente a decisão pela proibição foi revista e a circulação novamante permitida.

Filme[editar | editar código-fonte]

O livro Canto dos Malditos [1] serviu de inspiração para o filme Bicho de Sete Cabeças, do ano de 2000, dirigido por Laís Bodanzky e com roteiro de Luiz Bolognesi [2]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Carrano, Austregésilo (1990). Canto dos Malditos. [S.l.]: Scientia et Labor 
  2. «Bicho de Sete Cabeças: Co-produção». Consultado em 3 de novembro de 2013