Bagrate III da Geórgia

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Bagrate III
ბაგრატ III
Rei da Abecásia
Rei da Geórgia
Pintura de Bagrate III no Mosteiro de Ghélati
Reinado 9681008 (Abecásia)
10081014 (Geórgia)
Consorte Marta
Antecessor(a) Teodósio III (Abecásia)
Gurgen (Geórgia)
Sucessor(a) Jorge I (Geórgia unificada)
Dinastia Bagrationi
Nascimento c. 960
  Kutaisi
Morte 7 de maio de 1014 (54 anos)
  Castelo Panaskerti, Tao-Clarjétia
Enterro Catedral Bedia
Filho(s) Jorge I
Basílio?
Pai Gurgen
Mãe Gurandukht da Abecásia

Bagrate III da Geórgia (em georgiano: ბაგრატ III; transl.: Bagrat III), da dinastia georgiana Bagrationi, foi um rei dos abecásios a partir de 978, como Bagrate II da Abecásia, e rei da Geórgia a partir de 1008. Assim como os demais monarcas georgianos, era geralmente conhecido por seu título monárquico ("mepe"), Bagrate III Mepe. Ele foi o responsável por unificar os dois títulos por herança dinástica e, através de conquistas e diplomacia, ampliou seus domínios até tornar-se efetivamente o primeiro rei do que é hoje conhecido como "Reino da Geórgia". Antes de ser coroado rei, Bagrate governou Cártlia entre 976 e 978.

Bagrate supervisionou a construção da Catedral Bagrati em Cutaisi, na Geórgia ocidental, cujas ruínas são um Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO.

Primeiros anos e o governo de Cártlia[editar | editar código-fonte]

Bagrate nasceu por volta de 960, filho do príncipe bagrationi Gurgen de Cártlia e sua esposa Gurandukht, que era filha do finado rei Jorge II, do Reino da Abecásia (Aphkhazeti). Ainda menor de idade, foi adotado pelo seu parente sem herdeiros David III Curopalata (r. 960–1000), o príncipe presidente de Tao/Taique e o mais poderoso monarca de todo o Cáucaso.

O Reino da Abecásia estava, na época, sendo governado por Teodósio III, o Cego, um rei fraco e pouco auspicioso, que era tio materno de Bagrate. O reino se viu mergulhado num caos completo e diversos conflitos feudais irromperam. Aproveitando-se da situação, o príncipe Kvirike II (r. 939–976), da Cachétia (Kakheti), que é hoje a região mais oriental da Geórgia, atacou Cártlia, que até então estava dominada pelos reis abecásios, e cercou sua principal fortaleza, Uplistsikhe, esculpida na rocha. Ioane Marushis-dze, eristavi de Cártlia, urgiu, em 976, David de Tao a assumir o controle da província ou entregá-la a Bagrate como herança. David respondeu vigorosamente e os cachétios tiveram que se retirar para evitar um confronto direto. David deu Cártlia a Bagrate e instalou Gurgen como seu regente. Os cachétios rapidamente retomaram a ofensiva e aprisionaram Bagrate e seus pais. Novamente David interveio e restaurou seu enteado em Cártlia.

Rei dos abecásios[editar | editar código-fonte]

Em 978, Ioane Marushis-dze, apoiado por David, forçou Teodósio, o Cego, a abdicar o trono em favor do sobrinho Bagrate. Este deixou a mãe, Gurandkht, governando Cártlia e seguiu para Cutaisi para ser coroado rei dos abecásios. A desordem ainda era enorme por todo o reino, mas o fato de Bagrate descender tanto de dinastias bagrátidas quando abecásias o tornou uma escolha aceitável para os nobres do reino, cada vez mais cansados das disputas dinásticas intermináveis.

No espaço de dois anos, Bagrate conseguiu assumir completamente seus poderes. Ele se mostrou um monarca muito capaz e conseguiu restaurar a lei e a ordem em seu reino. Quando ele ainda estava em Cutaisi, a oposição aristocrática de Cártlia, liderada por Kavtar Tbeli, ignorou a autoridade de Gurandukht e passou a governar seus feudos como senhores semi-independentes. Quando Bagrate retornou a Cártlia para lidar com a situação, os nobres se levantaram em revolta, mas o rei venceu uma batalha em Mogrisi e forçou a submissão dos rebeldes. Depois, Bagrate se voltou para o Ducado de Kldekari, na Baixa Cártlia (Kvemo Kartli), cujo duque, Rati, continuava a ignorar a autoridade real e ainda governava de forma independente.

As preparações para esta expedição, em 989, causaram muita confusão, pois David de Tao não sabia exatamente quais eram as verdadeiras intenções do enteado. Convencido de que ele estaria tentando depô-lo e matá-lo, David lançou um ataque surpresa e dispersou as forças arregimentadas por Gurgen, o pai biológico de Bagrate, antes que ele próprio pudesse chegar para esclarecer a situação. De acordo com as "Crônicas Georgianas", "Bagrate em seguida foi sozinho [até David], caiu aos seus pés e jurou que atacaria Rati. Ele [David] acreditou e o libertou em paz".

Depois da reconciliação com seu pai adotivo, Bagrate conseguiu finalmente receber o juramento de fidelidade de Rati, que abandonou seu ducado pela força e se retirou para suas terras em Argveti, na Geórgia ocidental. David foi assassinado por seus nobres em 1000 e suas posses, segundo um acordo anterior, passaram para o imperador bizantino Basílio II. Bagrate e Gurgen, este último agora reinando como "rei dos reis dos georgianos" na porção sudoeste das terras de Cártlia (994–1008), encontraram com Basílio e, sem conseguir evitar a anexação do reino de David, foram forçados a reconhecer as novas fronteiras. Na mesma ocasião, Bagrate recebeu o título de curopalata e Gurgen, o de magistros, sendo que o título conferido ao filho era mais prestigioso que o do pai. Segundo as "Crônicas", teria sido um ato calculado pelo imperador para lançar pai contra filho, mas o plano fracassou, "...pois Gurgen era honesto e verdadeiro e ele [Basílio] não conseguiu incitar a inveja em seu coração e ele [Gurgen] não caiu na armadilha".

No final do mesmo ano, Gurgen tentou tomar os antigos domínios de David à força, mas foi forçado a recuar perante as forças de Nicéforo Urano, o duque (doux) de Antioquia.

Unificação[editar | editar código-fonte]

Em 1008, Gurgen morreu e Bagrate o sucedeu com "rei dos reis dos georgianos", tornando-se o primeiro rei de um reino unificado da Abecásia e Cártlia[nota 1].

Depois de assegurar sua posição, Bagrate começou reivindicando seus direitos ao principado oriental da Cachétia e o anexou em ou logo depois de 1010, depois de dois anos de combates e agressivas trocas diplomáticas. Esta formidável aquisição criou uma fronteira da Geórgia com o emirado xadádida da Albânia, no que é hoje o Azerbaijão. O emir Alfadal I ibne Maomé (r. 986–1031) atacou logo depois, mas foi repelido por Bagrate que, aliado ao rei armênio Cacício I (r. 989–1020), contra-atacou cercado a cidade xadádida de Shamkir, extorquindo-lhe um tributo. Apesar de tudo, a política externa de Bagrate foi, no geral, pacífica e o rei conseguiu manobrar com sucesso para evitar conflitos com bizantinos e muçulmanos, mesmo estando parte de Tato nas mãos daqueles e Tbilisi, destes.

O reinado de Bagrate, um período de grande importância na história da Geórgia, marcou a vitória final do Bagrátidas georgianos depois de séculos de disputas de poder. Ansiosos para criar uma monarquia mais estável e centralizada, Bagrate eliminou ou diminuiu a autonomia dos príncipes dinásticos. Ele acreditava que o perigo interno mais real era a linhagem dos Bagrationi de Clarjétia, cujos representantes maiores eram seus primos Simbácio e Gurgen. Embora eles pareçam ter aceitado a autoridade do rei, continuaram ambos a se auto-proclamar "reis e soberanos de Clarjétia". Para assegurar a sucessão de seu filho, Jorge (Giorgi), Bagrate atraiu os primos ao Castelo Panaskerti para uma suposta reunião conciliatória e os jogou na prisão em 1010. Os filhos dos dois conseguiram escapar para Constantinopla, mas ambos já estavam mortos, ainda presos, em 1012.

Bagrate era também conhecido por ser um grande patrocinador da cultura ortodoxa georgiana. Ele não apenas encorajou o ensino e patrocinou as artes, como também mandou construir igrejas e mosteiros por todo o reino, principalmente a Catedral Bagrati, em Cutaisi, a Catedral Bedia, na Abecásia, e a Catedral Nikortsminda, em Racha.

O rei Bagrate III morreu em 7 de maio de 1014 no Castelo Panaskerti em Tao e foi sepultado na Catedral Bedia, na moderna Abecásia.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Bagrate III da Geórgia
Nascimento: 960 Morte: 1014
Precedido por:
Teodósio III
Rei da Abecásia
978–1014
Sucedido por:
Jorge I
Precedido por:
Gurgen
Rei da Geórgia
1008–1014

Notas[editar | editar código-fonte]

  1. Num sentido mais amplo, Abecásia e Cártlia incluíam a Abecásia propriamente dita (Abásgia), Egrisi/Samegrelo, Imereti, Svanécia, Racha-Lechkhumi, Guria, Ajaria, Cártlia propriamente dito, Tao, Clarjétia, Chavchétia, Meschétia e Javachétia. Em conjunto, um domínio que passou a ser conhecido como "Sakartvelo" ("Toda Geórgia").

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Bagrate III da Geórgia
  • Eastmond, A (1998), Royal Imagery in Medieval Georgia, Penn State Press, ISBN 0-271-01628-0 (em inglês)
  • Lordkipanidze, Mariam (1967), Georgia in the XI-XII centuries, Ganatleba, ed. George B. Hewitt. Disponível online em inglês
  • Rapp, SH (2003), Studies In Medieval Georgian Historiography: Early Texts And Eurasian Contexts, Peeters Bvba ISBN 90-429-1318-5 (em inglês)
  • Suny, RG (1994), The Making of the Georgian Nation (2nd Edition), Bloomington and Indianapolis, ISBN 0-253-35579-6 (em inglês)