Barragem do Roxo

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Barragem do Roxo
Barragem do Roxo - Portugal (14494503641).jpg
Localização
Município Aljustrel, Beja
Bacia hidrográfica Sado
Rio Ribeira do Roxo
Coordenadas 37°55'47.5"N, 8°4'52"W
Barragem do Roxo está localizado em: Portugal Continental
Barragem do Roxo
Localização em Portugal Continental
Dados gerais
Uso Rega, Abastecimento
Data de inauguração 1967
Características
Tipo Barragem mista betão/aterro, Contrafortes+Gravidade (betão) /Terra homogénea (aterro)
Altura 34 m
Cota de coroamento 139,5 m
Fundação Pórfiros, Xistos e Grauvaques
Dados da albufeira
Capacidade total 96.311.000
Capacidade útil 89.511.000
Pleno armazenamento 136 m

A Barragem do Roxo situa-se nas imediações da localidade de Ervidel, no concelho de Aljustrel, no Baixo Alentejo.

Descrição[editar | editar código-fonte]

É uma barragem de estrutura mista, sendo de betão na parte mais profunda do vale, e de aterro na margem direita da ribeira.[1] A albufeira tem uma capacidade total de 96,311 hm³ e uma capacidade útil de 89,511 hm³, o volume morto é de 6,800 hm³, e a superfície inundável à cota de pleno armazenamento é de 1378 ha.[1] Represa a ribeira do Roxo, que está integrada na bacia hidrográfica do rio Sado.[2]

Armazena água quase exclusivamente para fins agrícolas,[3] abastecendo os concelhos de Aljustrel e de Beja.[4]

História[editar | editar código-fonte]

O plano para a barragem foi elaborado em 1958 pela Direcção-Geral dos Serviços Hidráulicos.[2] Foi construída entre 1963[1] e 1967 pela firma Amaro & Mota,[2] tendo sido inaugurada em 30 de Junho de 1958.[5] Em Março de 1969, a barragem foi visitada pelo presidente do Conselho de Ministros, Marcello Caetano, como parte de um roteiro pela região Sul do país.[6] Em Junho desse ano também foi visitada pelo chefe de estado, Américo Tomás, tendo então sido renomeada para Barragem Arantes e Oliveira, em homenagem ao Ministro das Obras Públicas, que tinha demonstrado um especial interesse pelo Plano de Rega do Alentejo.[5] Durante os primeiros dois anos a exploração foi feita pela Direcção-Geral dos Serviços Hidráulicos, tendo depois sido passada para a Associação de Regantes e Beneficiários do Roxo, sedeada na localidade de Montes Velhos, na freguesia de São João de Negrilhos.[1] Esta associação foi oficialmente criada por um alvará de 26 de Junho de 1968, e mudou de nome em 1994 para Associação de Beneficiários do Roxo.[1]

Em 7 de Julho de 2010 a estrutura ficou ligada à Barragem do Alqueva, permitindo um considerável aumento na área de regadio, de 5 mil para 30 mil ha.[1] De forma a aproveitar esta nova capacidade, foi planeado um ambicioso conjunto de empreendimentos, principalmente ao nível da agricultura, onde iriam ser iniciadas novas culturas, mas também em bioenergias e na instalação de um entreposto comercial em Aljustrel, para o armazenamento a frio, a escolha e o embalamento de produtos hortofrutícolas.[1] Porém, só em Junho de 2016 é que foi feita a primeira transferência do Alqueva para o Roxo, numa cerimónia que contou a presença de Phil Hogan, Comissário Europeu da Agricultura e Desenvolvimento Rural, e de Capoulas Santos, ministro da Agricultura.[7] Mesmo apesar de ser abastecida pelo Alqueva, a Barragem do Roxo continuou a estar em situação crítica em períodos de seca, tendo por exemplo atingido apenas cerca de 10% da sua capacidade em Novembro de 2017.[4] Em Abril de 2019, a albufeira estava a 36,7% do seu máximo, sendo uma das situações mais preocupantes, em conjunto com a Barragem do Monte da Rocha.[8] Em Março de 2020, o deputado Pedro do Carmo anunciou que a Barragem do Roxo iria ser ligada à do Monte da Rocha, como parte do alargamento do perímetro de rega do Alqueva.[9] A barragem foi muito atingida pela seca no Inverno de 2021 para 2022, encontrando-se a sua albufeira em níveis muito baixos em Dezembro de 2021,[3] tendo atingido o limite mínimo em Fevereiro do ano seguinte, pelo que foi necessário o transporte de água a partir do Alqueva no sentido de garantir o abastecimento dos campos agrícolas.[10]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e f g «Água de Alqueva traz novas perspectivas de futuro ao Concelho de Aljustrel» (PDF). Boletim Municipal de Aljustrel (213). Aljustrel: Câmara Municipal de Aljustrel. Outubro de 2010. p. 13. Consultado em 28 de Outubro de 2022 
  2. a b c «Barragem do Roxo». Comissão Nacional Portuguesa de Grandes Barragens. Agência Portuguesa do Ambiente. Consultado em 28 de Outubro de 2022 
  3. a b CASACA, Maria Augusta (30 de Dezembro de 2021). «Chuva que caiu na última semana não chegou para encher barragens do Sul». TSF. Consultado em 28 de Outubro de 2022 
  4. a b «Barragem do Roxo está a 10 por cento da capacidade». Rádio Televisão Portuguesa. 27 de Novembro de 2017. Consultado em 28 de Outubro de 2022 
  5. a b «A Barragem do Roxo visitada pelo chefe do estado» (PDF). Diário Popular. Lisboa: Sociedade Nacional de Imprensa. 8 de Junho de 1969. p. 1. Consultado em 28 de Outubro de 2022 – via Hemeroteca Municipal de Lisboa 
  6. «A visita ao sul do País do Presidente do Conselho» (PDF). Diário de Lisboa. Lisboa: Renascença Gráfica. 8 de Março de 1969. p. 2. Consultado em 28 de Outubro de 2022 – via Hemeroteca Municipal de Lisboa 
  7. «Água de Alqueva chega ao Roxo na 5ªfeira». Rádio Voz da Planície. 7 de Junho de 2016. Consultado em 28 de Outubro de 2022 
  8. «Barragem do Roxo a 36,7% do limite». Rádio Pax. 4 de Abril de 2019. Consultado em 28 de Outubro de 2022 
  9. «Ligação da Barragem do Roxo à Barragem do Monte da Rocha vai ser uma realidade diz Pedro do Carmo». Rádio Pax. 13 de Março de 2022. Consultado em 28 de Outubro de 2022 
  10. «Barragem do Roxo com escassez de água». Rádio Televisão Portuguesa. 17 de Fevereiro de 2022. Consultado em 28 de Outubro de 2022 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


Ícone de esboço Este artigo sobre Hidrografia de Portugal é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.