Bernardo Clesio

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Bernardo Clesio
Bernardo Clesio em pintura de Bartholomäus Bruyn
Nascimento 11 de março de 1484
Cles
Morte 30 de julho de 1539 (55 anos)
Bressanone
Alma mater Universidade de Bolonha
Ocupação padre
Título Príncipe-bispo
Religião Igreja Católica
Sua efígie em uma medalha de Ulrich Ursenthaler, o Velho.

Bernardo Clesio (Cles, 12 de março de 1485 - Bressanone, 30 de julho de 1539), também conhecido como Bernardo de Cles, Bernhard von Cles ou Bernardus Clesius, foi um nobre, diplomata e clérigo italiano, cardeal e príncipe-bispo do Principado Episcopal de Trento.

Nasceu na família dos senhores de Cles, filho de Ildebrando, marechal de Sigismundo do Tirol e conselheiro do Sacro-Império, e Dorothea Fuchs von Fuchsberg. Seu pai faleceu quando ele ainda era um jovem, sendo confiado a um tutor, e quando tinha doze anos foi enviado para estudar Retórica em Verona. Em 1504 matriculou-se na Universidade de Bolonha nos cursos de Direito e Teologia, e pouco depois já assumia funções civis como sindaco e procurador imperial. Recebeu as Ordens Menores em 7 de agosto de 1509 e em 1511 laureou-se com distinção na universidade. No mesmo ano foi investido de um canonicato na Catedral de Trento e no ano seguinte foi nomeado protonotário apostólico. Em seguida foi nomeado conselheiro de Georg III von Neydeck, príncipe-bispo de Trento, a quem representava em períodos de ausência, e em 1513 foi indicado pelo imperador para tomar um assento na Dieta de Innsbruck. Com a morte de Neydeck em 12 de junho de 1514 foi eleito pelo Capítulo da Catedral para sucedê-lo, e em setembro de 1515 recebeu as Ordens Maiores, foi sagrado bispo e tomou posse. Neste ínterim, foi nomeado governador de Verona, permanecendo no cargo até 1517, quando a cidade, através de um tratado, foi entregue para o domínio francês.[1][2]

Permaneceu fiel aos sacro-imperadores, de quem o principado era Estado vassalo, e desenvolveu intensa atividade diplomática em seu nome. Foi conselheiro de Maximiliano I, em 1525 foi nomeado núncio plenipotenciário junto ao condado do Tirol, e em 1526 Fernando I tornou-o seu conselheiro secreto, vindo a adquirir grande influência sobre o monarca. Dois anos depois foi feito grande chanceler (magnus cancellarius), o que aumentou suas responsabilidades diplomáticas, sendo considerado um hábil e bem intencionado negociador mesmo por seus oponentes. Em 1530 foi elevado ao cardinalato e com a morte de Clemente VII foi um dos candidatos à sua sucessão, mas não foi eleito. Em 1539 foi investido também da diocese de Bressanone, mas faleceu durante as preparações para sua posse.[1][2]

Sua atuação como governante tem sido reconhecida como notável, e é tido como quem verdadeiramente consolidou a soberania do principado e o projetou no cenário político europeu.[3] Seu maior desafio ocorreu nos anos imediatamente anteriores e posteriores à Revolta dos Camponeses de 1525, causada pelas crescentes dificuldades enfrentadas pelo campesinato, agravadas por episódios de fome e peste. Clesio reprimiu a revolta com grande severidade e a crise econômica e social que o conflito desencadeou levaria alguns anos para ser ultrapassada.[1]

Tinha uma ampla cultura sacra e profana, manteve amizades com artistas, humanistas e literatos, destacando-se entre eles Erasmo de Roterdã, a quem insistentemente mas sem sucesso convidou para sua corte, e foi um típico príncipe renascentista, desenvolvendo um ativo mecenato artístico e cultural. Ordenou reformas e embelezamentos na Catedral de Trento e transformou o antigo Castelo del Buonconsiglio em um suntuoso palácio, dotando-o de rica biblioteca e galerias de obras de arte. Mandou erguer o Palazzo delle Albere e reconstruir as igrejas de Santa Maria Maggiore em Trento e Santa Maria Assunta em Civezzano, tornando-as joias de arquitetura. Reformou vários castelos, palácios e fortificações, abriu estradas, construiu habitações populares, pontes e aquedutos, regularizou o curso de rios, fomentou a agricultura, a indústria, a mineração e o comércio em todo o seu território, saneou as finanças do principado, protegeu os pobres, promulgou leis contra a usura e os Estatutos de Trento, organizou arquivos históricos e implementou amplas melhorias urbanas e paisagísticas na capital. Como esteve quase sempre envolvido em missões para o Império, passava muito tempo ausente, mas soube encontrar delegados eficientes e confiáveis, como Antonio Quetta, seu chanceler, Michele Jorba, bispo de Archusa, Cipriano de Charis, bispo de Sidone, e Vincenzo Negusanti, entre outros, a quem dava, não obstante, constante orientação por correspondência.[1] [3]

Em termos pastorais e doutrinais procurou moralizar os costumes do clero e foi um grande defensor da ortodoxia católica, opondo-se firmemente à Reforma Protestante, iniciando os preparativos para a realização do Concílio de Trento, levado a cabo pelo seu sucessor, Cristoforo Madruzzo.[3][1]

Referências

  1. a b c d e Rill, Gerhard. "CLES, Bernardo". Dizionario Biografico degli Italiani, Volume 26, 1982
  2. a b Grazioli, Diomira. Bernardo Clesio e il suo tempo I — Retrospettive. Gruppo Culturale Nereo Cesare Garbari
  3. a b c Bernardo Clesio 2 marzo 1485 - 30 luglio 1539 Il Vescovo Innovatore e Mecenate Rinascimentale. Trentino Cultura

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