Berne

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Berne, tapuru ou dermatobiose é uma infecção produzida por um estágio larval, tipo de doença conhecida da mosca Dermatobia hominis, popularmente conhecida no Brasil como mosca-varejeira, que infecta diversos animais, principalmente bovinos.[1][2][3]

Dermatobia hominis , é um díptero cujas larvas são parasitos obrigatórios, que tem os bovinos como principais hospedeiros, podendo também parasitar o homem e outros animais domésticos como caninos, suínos, caprinos, ovinos, felinos e raramente ocorre em eqüinos. Suas larvas desenvolvem-se no tecido cutâneo do hospedeiro, determinando uma miíase primária do tipo nodular, conhecida no Brasil como "berne".

O berne atua nos países das regiões tropicais e subtropicais da América Latina,que por sua vez, tem forte influência na espécie bovina, onde é responsável por perdas econômicas na pecuária, principalmente na depreciação do couro e pela queda na produção de carne e leite.

Na espécie humana existem relatos de vários casos de dermatobiose em todo o mundo, inclusive na Europa e Asia. Na Itália, relata-se um caso de D. hominis no couro cabeludo de um homem que esteve em viagem pela Guatemala e no Brasil um caso fatal de miíase cerebral numa criança de cinco meses de idade causada pela larva dessa mosca.

[4]

Dermatobia hominis em fase adulta.

Berne em humanos[editar | editar código-fonte]

A berne em humanos surge quando a larva da mosca varejeira entra debaixo da pele, através de feridas ou arranhões, causando o surgimento de uma ferida na pele que pode coçar, provocar dor ou inchaço e vermelhidão na pele.

Geralmente, as larvas surgem no interior da pele dos indivíduos porque a mosca varejeira deposita seus ovos sobre feridas existentes na pele e, ao fim de algum tempo, as larvas nascem e começam a se desenvolver, alimentando-se da "carne" do indivíduo.

A berne em humanos tem cura e o tratamento deve ser orientado por um clínico geral para remover a larva do interior da pele. Caso a berne em humanos não seja devidamente tratada, pode levar a agravamento dos sintomas, já que a larva tem capacidade de sobreviver a mais de 1 mês dentro da pele de um certo indivíduo.

Sintomas da berne em humanos[editar | editar código-fonte]

Os sintomas da berne em humanos surgem alguns dias após a infecção pela larva da mosca e incluem:

  • Formação de feridas na pele, com vermelhidão e inchaço local;
  • Liberação de um líquido amarelado ou com sangue, pelas feridas na pele;
  • Dermatobia hominis ( em seu estágio larval). estágio onde a infecção é introduzida no ser que possui a larva.
    Dor ou coceira no local da ferida.[5]

Ciclo de vida[editar | editar código-fonte]

O ciclo de vida do berne se inicia vinte e quatro horas após sua emergência quando a mosca do berne copula. Logo após a cópula a mosca Dermatobia Hominis (conhecida como varejeira) procura uma outra mosca denominada forético (transportador), para ser o hospedeiro de seus ovos. São exemplos de foréticos a mosca do chifre( Haematobia irritans), e a mosca doméstica ( Musca domestica). A D. hominis pousa sobre os animais e procura um hospedeiro, logo após ela o captura lentamente e deposita uma massa de ovos sob seu abdômen. Após oito dias quando esse forético pousa sobre o animal com a massa de ovos em seu abdômen já incubada as larvas emergem e se transferem para o animal a ser parasitado com muita rapidez. Já no animal as larvas conseguem penetrar através dos folículos pilosos provocam um ferimento muito parecido com um furúnculo chamado miíase nodular cutânea. O período larval é de 25 a 30 dias. Quando prontas às larvas abandonam o seu hospedeiro optando pelo período da noite, onde estão menos susceptíveis a predadores e a ação dos raios solares, após abandonarem seu hospedeiro eles caem no solo para pulpar. Segundo (Moya-Borja, 1966) o período pulpal dos machos e das fêmeas a 25°C e 80% de úmidade relativa é de 30 a 32 dias. [6]

Sintomas[editar | editar código-fonte]

As larvas nos seus diferentes estágios possuem espinhos ao longo do corpo e ao se movimentarem de forma retrátil, alcançando constantemente o orifício de abertura para respirarem, provocam dores e irritação, em que o animal se torna irrequieto e estressado. Em infestações altas, há um emagrecimento, perda da capacidade produtiva e eventualmente a morte, principalmente se for jovem. Processos inflamatórios com pústulas acontecem com frequência, em alguns casos oriundos de uma reação inflamatória do próprio organismo animal, geralmente após estabelecida a larva ou quando ela morre dentro do nódulo. Em casos raros pode acontecer a instalação de miíases associada a mosca Cochliomyia hominivorax, complicando o quadro de parasitismo com processos infecciosos.

Tratamento[editar | editar código-fonte]

Há especialistas médicos com o intuito da prevenção das doenças do homem causadas por parasitos. O livro Bases da Parasitologia Médica , busca aprofundar o estudo dessas doenças.No caso de hospedeiro humano, a remoção da larva baseia-se em impedir a respiração da larva (por exemplo, com vaselina sólida ou com a colagem de esparadrapo na área do nódulo) e fazer a sua retirada cirúrgica. O berne deve ser morto antes de ser removido.[7] Após, normalmente são procedidas a aplicação de éter iodoformado e a cobertura da lesão. É indicado o uso de vacina antitetânica.

A extração do parasita pode ser feita de várias formas, entre elas a asfixia do parasita, cortando o acesso de oxigênio. É comum o uso de um plástico sobre o local em que se encontra a erosão causada pelo parasita, assim, uma vez coberto o local, a larva projeta sua cabeça para fora da pele do hospedeiro em busca de oxigênio, facilitando assim a detecção da larva e a remoção dela.

Em animais, é recomendado o uso de antiparasitário, para facilitar a extração mecânica. A berne é muito encontrada em animais de fazenda que vivem em meio a muita sujeira e moscas contraindo assim o parasita.

Cuidados[editar | editar código-fonte]

Ao notar a presença de tal parasita no corpo de um animal ou de uma pessoa, existem alguns cuidados a serem tomados. É fundamental a procura de ajuda médica para a remoção da larva; caso, em uma tentativa caseira de remoção, o parasita acabe por não ser totalmente removido, é provável a ocorrência de complicações (infecções, por exemplo). A retirada desse parasita em animais tem que ser feita por um médico veterinário.

Infecções em humanos[editar | editar código-fonte]

No caso de hospedeiros humano a remoção da larva baseia-se em impedir a respiração dela (por exemplo com vaselina sólida ou colar um esparadrapo na área do nódulo) e fazer a retirada cirúrgica; depois, passar éter iodoformado e cobrir a lesão. Está indicado o uso de vacina antitetânica. Não é indicado espremer manualmente a região lesionada, mas este pode ser um recurso válido quando em zonas rurais longe de assistência médica. Neste caso, limpe bem a área machucada e cole um esparadrapo de forma que tampe bem o nódulo, isso impede a respiração da larva. Deixe este esparadrapo colado na área de um dia para outro, cerca de 24 horas. Passado este tempo, tire o esparadrapo e esprema a larva, observe que o parasita vai colocar o rabo (cauda) para fora do orifício, continue espremendo a mesma com toda a força, o rabo sai ainda mais e então a larva pode ser puxada para fora firmemente coFontem o auxílio de um algodão.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências:[editar | editar código-fonte]

  1. Intervet. [http://archive.is/aHD7P «Berne - Introdução»] Verifique valor |url= (ajuda). Consultado em 15 de fevereiro de 2015 
  2. GOMES, Alberto (1998). «Berne» (PDF). Campo Grande: Embrapa Gado de Corte. Gado de corte divulga (27). Consultado em 27 de outubro de 2015 
  3. Arq. Bras. Med. Vet. Zootec. vol.59 no.4 Belo Horizonte Aug. 2007. «Geoprocessamento aplicado à observação da sazonalidade das larvas da mosca Dermatobia hominis no município de Seropédica - RJ». Consultado em 25 de outubro de 2009 
  4. Junior, Da Silva; Pereira, Virginio; De Souza Leandro, André; Borja, Moya; Efrain, Gonzalo (1 de julho de 1998). «OCORRÊNCIA DO BERNE, Dermatobia hominis (DIPTERA: CUTEREBRIDAE) EM VARIOS HOSPEDEIROS, NO RIO DE JANEIRO, BRASIL». Parasitología al día. 22 (3-4): 97–101. ISSN 0716-0720. doi:10.4067/S0716-07201998000300007 
  5. Viana, Dra. Aleksana. «Berne em Humanos». Tua Saúde 
  6. BORJA, GONZALO M. B. Controle biológico do berne, Dermatobia hominis e de seus foréticos: Crise e perspectiva. In: Xll Congresso Brasileiro de Parasitologia Veterinária e l Simpósio Latino Americano de Ricketisiones, Ouro Preto, MG 2004.3p
  7. NEVES. David Pereira. Parasitologia Humana. 10.ed. São Paulo:Atheneu, 2000.
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