Plectranthus barbatus

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Plectranthus barbatus (boldo).

Plectranthus barbatus (boldo).
Classificação científica
Reino: Plantae
Clado: Angiosperms
Clado: Eudicots
Clado: Euasterids I
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Magnoliopsida
Ordem: Lamiales
Família: Lamiaceae
Género: Plectranthus
Espécie: P. barbatus
Nome binomial
Plectranthus barbatus
Andrews
Sinónimos
Plectranthus barbatus em flor.
Inflorescência de Plectranthus barbatus.
Estrutura química da forskolina.

Plectranthus barbatus, conhecido pelo sinónimo taxonómico Coleus forskohlii[1] e pelos nomes comuns de boldo-da-terra, boldo-de-jardim e tapete-de-oxalá, é uma espécie de arbustos perenes da família Lamiaceae (labíadas), originária da região Paleotropical (da África à Índia).[2] A espécie é utilizada como planta ornamental nas regiões tropicais e subtropicais e como planta medicinal, sendo uma importante fonte de forskolina, um diterpeno com forte actividade biológica e usos farmacológicos.

Descrição[editar | editar código-fonte]

Plectranthus barbatus, também conhecido pelo sinónimo Coleus forskohlii é uma planta perene tropical filogeneticamente muito próxima das espécies típicas de coleus, muito utilizada em medicina tradicional e com considerável interesse comercial e científico. É uma planta perene que atinge de 1 a 2 metros de altura, formando um arbusto (microfanerófito) de hábito arredondado.

As folhas são aveludadas, opostas, relativamente grandes, com margem serrilhada.

Produz flores azuladas, agrupadas numa inflorescência do tipo racemo (cacho) que se desenvolve ao longo de uma ráquis aprumado com cerca de 25 cm de comprimento.

A área de distribuição natural de Plectranthus barbatus estende-se desde a África tropical pela Península Arábica até à Índia.

Fitoquímica[editar | editar código-fonte]

As tisanas feitas com Plectranthus barbatus contém ácido rosmarínico e flavonóides glicuronídeos e diterpenoides.[3][4] Os constituintes químicos de Plectranthus barbatus mostraram ter actividade biológica in vitro, tendo acção antioxidante e inibidora da acetilcolinesterase.[3][4]

Forskolina, ou forscolina, cujo o nome deriva do anterior nome binomial da espécie, Coleus forskohlii, é um importante constituinte de Plectranthus barbatus,[5] a única fonte comercialmente significativa daquele composto, um diterpeno com forte bioactividade. A forskolina é utilizada em bioquímica e farmacologia como activador não específico das adenililciclases, enzimas amplificadoras que transformam ATP (adenosina trifosfato) em AMPc (adenosina monofosfato cíclico). O termo «forskplina» tem como base o nome de Peter Forsskål, epónimo de Coleus forskohlii.

Sistemática[editar | editar código-fonte]

A primeira descrição científica da espécie data de 1810, publicada pelo botânico britânico Henry Charles Andrews na sua obra The Botanist’s Repository for new, and rare plants, vol. 10, t. 594[6]. A espécie tem diversos sinónimos taxonómicos, entre os quais Coleus barbatus (Andrews) Benth.,[7] designação ainda frequentemente usada comercialmente.

A longa lista de sinónimos taxonómicos inclui:[2]

  • Coleus barbatus (Andrews) Benth.
  • Coleus coerulescens Gürke
  • Coleus forsskaolii (Poir.) Briq.
  • Coleus grandis L.H.Cramer
  • Coleus kilimandschari Gürke ex Engl.
  • Coleus penzigii Dammann ex Baker
  • Coleus speciosus Baker f.
  • Coleus vestitus Baker
  • Germanea forsskaolii Poir.
  • Majana forsskaolii (Poir.) Kuntze
  • Ocimum asperum Roth
  • Ocimum cinereum R.Br.
  • Orthosiphon asperus (Roth) Benth. ex Sweet
  • Plectranthus asper (Roth) Spreng.
  • Plectranthus coerulescens (Gürke) R.H.Willemse
  • Plectranthus comosus Sims
  • Plectranthus forsskaolii (Poir.) Willd. nom. illeg.
  • Plectranthus grandis (L.H.Cramer) R.H.Willemse
  • Plectranthus kilimandschari ( Gürke ex Engl.) H.I.Maass
  • Plectranthus monadelphus Roxb.
  • Plectranthus pseudobarbatus J.K.Morton

A espécie Plectranthus barbatus compreende duas variedades:[7]

  • Plectranthus barbatus Andrews var. barbatus.
  • Plectranthus barbatus var. grandis (L.H.Cramer) Lukhoba & A.J.Paton

Etnobotânica[editar | editar código-fonte]

Indicado como analgésico, estimulante da digestão e para combater azias. Quando usado por longos períodos, pode causar irritação gástrica. Seu uso é eficaz no combate a males hepáticos. O boldo deve ser evitado durante a gravidez, pois pode ter propriedades abortivas. Os praticantes da medicina popular consideram que estimula as funções digestivas, aumentando a secreção biliar, e é diurético. Atua sobre o sistema nervoso ocasionando sono e leve torpor, por ser também hipnótico. As folhas de boldo têm demonstrado seu poder curativo em diferentes patologias como problemas gastro-intestinais, espasmos e dispepsia.

A planta é usada na homeopatia no tratamento de desordens digestivas, como laxante, diurético e para todos os tipos de problemas hepáticos.

Na medicina ayurvédica (Ayurveda) espécies de Coleus são usadas para tratar doenças cardíacas, convulsões, dores espasmódicas e dor ao urinar.[8]

Em língua marata a raiz da planta é conhecida por mainmula (माइनमुळा) e especialmente usada para a confecção de pickles. Os pickles assim confeccionados são considerados como capazes de fortalecer o músculo cardíaco. No Quénia a espécie é conhecida por papel higiénico Kikuyu, pois em áreas rurais as suas folhas são usadas para esse fim.

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. "The Plant List: A Working List of All Plant Species".
  2. a b «The Plant List: A Working List of All Plant Species» 
  3. a b Falé, P.L., Borges, C., Madeira, P.J.A., Ascensão, L.; et al. (2009). «Rosmarinic acid, scutellarein 4′-methyl ether 7-O-glucuronide and (16S)-coleon E are the main compounds responsible for the antiacetylcholinesterase and antioxidant activity in herbal tea of Plectranthus barbatus ("falso boldo")». Food Chem. 114: 798–805. doi:10.1016/j.foodchem.2008.10.015 
  4. a b Porfírio S, Falé PL, Madeira PJ, Florêncio MH, Ascensão L, Serralheiro ML (2010). «Antiacetylcholinesterase and antioxidant activities of Plectranthus barbatus tea, after in vitro gastrointestinal metabolism». Food Chem. 122: 179–187. doi:10.1016/j.foodchem.2010.02.044 
  5. Pizzorno, Joseph E.; Murray, Michael T. (2012). Textbook of Natural Medicine 4th ed. Edinburgh: Churchill Livingstone. p. 686. ISBN 9781437723335 
  6. Henry Charles Andrews: The Botanist’s Repository for new, and rare plants. Containing coloured figures of such plants … botanically arranged after the sexual system of … Linnæus, in English and Latin. To each description is added, a short history of the plant …. Bd 10, London 1810 (t. 594).
  7. a b Plectranthus barbatus in Suchmaske eingeben bei World Checklist of Selected Plant Families, Kew, UK.
  8. Dubey MP, Srimal RC, Nityanand S, et al. (1981). «Pharmacological studies on coleonol, a hypotensive diterpene from Coleus forskohlii». J Ethnopharmacol. 3: 1–13. doi:10.1016/0378-8741(81)90010-6 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]