Brigitte Helm

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Brigitte Helm
Brigitte Helm
Nome completo Brigitte Eva Gisela Schittenhelm
Nascimento 17 de março de 1906
Berlim,  Alemanha
Nacionalidade Alemã
Morte 11 de junho de 1996 (90 anos)
Ascona. Suíça
Ocupação Atriz
Atividade 1927-1978
Cônjuge Rudolf Weissbach
(1928 - 1934)
Dr. Hugo von Kuenheim
(1935 - Desconhecido)
IMDb: (inglês)

Brigitte Helm (Berlim, 17 de Março de 1906 (de acordo com outras fontes 1908) – Ascona, 11 de Junho de 1996) foi uma atriz de cinema alemã. Seu mais importante trabalho foi interpretando Maria e Falsa Maria no filme Metrópolis (1927), de Fritz Lang, que também foi sua estréia no cinema.

Vida pessoal e carreira[editar | editar código-fonte]

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Nascida Brigitte Eva Gisela Schittenhelm em Berlim, era filha de Edwin Alexander Johannes Schittenhelm (1871-1913), e de Gertrude Martha Tews (1877-1955). Foi a última de quatro irmãos: Elisabeth (Lisa, 1900-1989), Adelheid (Heidi, 1901-1987) e Heinz (1903-1906). Seu pai era um militar, que morreu em 1913, deixando sua mãe com o cuidado das crianças. Foi precisamente ela quem introduziu Brigitte ao mundo da atuação, em um momento considerado como o começo do cinema, a Era de Prata do Cinema.

A estréia: Metrópolis[editar | editar código-fonte]

Como Falsa Maria em Metrópolis (1927).

Helm foi descoberta por Thea von Harbou, que estava trabalhando em um filme com seu marido, Fritz Lang, desde 1925. Este filme foi Metrópolis, cuja filmagem começou em 1926, e cuja história foi baseada exatamente de um livro de mesmo nome escrito pela própria von Harbou. Para seu papel, como protagonista, a jovem Helm de apenas 18 anos teve de interpretar duas personagens totalmente opostas: Maria, filha de um trabalhador dos subúrbios de Metrópolis, cujo principal dever era de manter a paz entre os trabalhadores, explorados por seu chefe, Joh Fredersen (interpretado por Alfred Abel) e Falsa Maria, robô criado por Rotwang, o cientista (Rudolf Klein-Rögge) sob as ordens de Fredersen, e cujo objetivo era promover a desordem entre os trabalhadores, para evitar uma revolta contra o governante da própria Metrópolis. No entanto, Maria acaba se apaixonando por Freder (Gustav Fröhlich), filho de Fredersen.

A filmagem do filme envolveu um grande esforço para Brigitte: o fato de interpretar duas personagens muito diferentes, além de usar o traje pesado e quente do famoso robô, significava várias horas de gravação e cansaço para a jovem. O filme, considerado um dos mais emblemáticos da história do cinema, implicou o lançamento à fama de uma atriz que, no entanto, não teria uma longa duração na tela.[1]

Década de 1920: Mandrágora, Crise e L’Argent[editar | editar código-fonte]

Brigitte Helm em As Deliciosas Mentiras de Nina Petrowna (1929).

Além de Metrópolis, Helm gravaria mais dois filmes em 1927: Traição e O Amor de Jeanne Ney. Neste último, dirigido por George W. Pabst, interpreta uma garota cega, prima do protagonista (Edith Jéhanne, como Jeanne Ney), deixando claro seus talentos de atuação. Em 1928, os personagens de Helm se afastariam daquela inocente Maria de Metrópolis, assimilando-se mais a Falsa Maria, uma mulher sedutora, determinada, paqueradora e desafiadora, qualidades bem representadas aproveitando suas características físicas, como seus olhos claros e outros aspectos faciais, além da sua expressividade e desenvolvimento. E assim com O Iate dos Sete Pecados (de Jacob e Luise Fleck), Crise (também de Pabst), Mandrágora (de Henrik Galeen) e O Dinheiro (de Marcel L'Herbier), Brigitte Helm termina consagrada como uma das atrizes do momento. Em 1929, seus filmes mais destacados foram Manolesco (de Viktor Tourjansky) e As Deliciosas Mentiras de Nina Petrowna (de Hanns Schwarz). O drama, a sedução e o amor são temas importantes em todas essas produções: Assim como em Crise, a história gira em torno de um casal em crise, em As Deliciosas Mentiras de Nina Petrowna, a protagonista se apaixona por um soldado, sendo a esposa do coronel. Em Mandrágora, a filha de um criminoso e uma prostituta fica em dúvida entre ser boa ou má, e em O Dinheiro, o mais reconhecido de Helm nesta fase, o dono de um banco se apaixona pela esposa de um aviador, que desencadeia a fúria de sua ex-amante, neste caso encarnado pela atriz alemã.

Década do dia 30, declínio: Mandrágora, Atlântida e Ouro[editar | editar código-fonte]

Como a Rainha Antinéa em Atlântida (1932).

Em 1930, Brigitte Helm voltou a dar vida a Alraune em Mandrágora, mas desta vez em sua versão falada e dirigida por Richard Oswald. A história é basicamente a mesma, e se pode ver também Helm cantando a música Wenn Männer mich betrügen (Quando os homens me enganam). Em 1931, ela compartilharia o protagonismo mais uma vez com Gustav Fröhlich, Freder Fredersen de Metrópolis, mas desta vez em Gloria. E em 1932, filmaria talvez seu filme mais reconhecido da era sonora do cinema: Atlântida. Neste último, interpreta a rainha Antinéa, que com seu poder sedutor faz com que um dos oficiais perdidos na Atlântida sinta ciúmes de seu melhor amigo, por quem a rainha sente um grande amor, desencadeando a tragédia. Mas os anos seguintes não podiam ser comparados aos últimos anos da década de 1920. A chegada do regime nazista começou a censurar várias produções nacionais, algo que naturalmente afetou a carreira da atriz. Entre 1933 e 1935, no entanto, ocorreu a fase mais produtiva de Helm, considerando a realização de filmes tanto nas versões francesa quanto nas alemãs, destacando os filmes Adieu les Beaux Jours, A Estrela de Valencia (de Serge de Poligny), De Jogador a Príncipe (de Arthur Robison) e Ouro (de Karl Hartl). Seu último filme, de 1935, se chamava Um Marido Ideal (de Herbert Selpin), e significava o fim da carreira de uma estrela em ascensão, que começou a atuar com menos de duas décadas de vida e se aposentou sem ter atingido os 30 anos.

Aposentadoria[editar | editar código-fonte]

O motivo principal do fim da carreira de Helm foi a intervenção nazista no cinema, que condicionou grande parte dos filmes alemães. Brigitte não queria censura em suas produções e optou por se aposentar. Mas, além disso, talvez como um desafio para o regime, ela se casou com um industrial de origem judaica, Hugo von Kunheim (1900-1984), com quem também teria quatro filhos: Matthias, Pieter, Victoria e Christoph. Anteriormente, ela esteve casada com Rudolf Weissbach, de quem ela terminaria se divorciando em 1934. Helm também esteve envolvida em vários acidentes de trânsito nos anos 30, e foi presa brevemente.[1][2] O sensacionalismo dos jornais pesou muito na decisão de aposentar. De acordo com o livro de Otto Dietrich "The Hitler I Knew", o próprio Adolf Hitler viu as acusações de homicídio culposo contra ela após um acidente automobilístico serem abandonadas.[3] No entanto, outro motivo de grande importância foi a rejeição à Hollywood. Brigitte não queria deixar a Alemanha, e isso fez que ela não aceitasse o papel principal no filme A Noiva de Frankenstein (1935), que acabou ficando com Elsa Lanchester.[4] Sua residência na Alemanha permitiria que seus principais rivais, Greta Garbo e Marlene Dietrich, fossem muito mais reconhecidas do que ela.

Exílio e morte[editar | editar código-fonte]

Helm mudou-se com a família para a Suíça, onde ele retornaria à Alemanha em 1942 e no final da guerra. Sempre incógnita, desde sua aposentadoria evitou as aparições públicas e se recusou a dar qualquer tipo de entrevista. Sua evitação aos meios impediu que já pudesse ser fotografada nos últimos anos, algo que Garbo não conseguiu evitar. Ela morreu em 11 de junho de 1996 aos 88/90 anos depois de um choque circulatório em Ascona, na Suíça.

Prêmios e honras[editar | editar código-fonte]

Em 1968 ganhou o Filmband in Gold do Festival Federal de Cinema Alemão por muitos anos de excelente trabalho nas telas da Alemanha.

Filmografia[editar | editar código-fonte]

Ano Título Título original e em inglês Papel
1927 Metrópolis Maria/Falsa Maria
Traição (deu: Am Rande der Welt)

(en: At the Edge of the World)

Magda, seine Totcher
O Amor de Jeanne Ney (deu: Die Liebe der Jeanne Ney)

(en: The Love of Jeanne Ney)

Gabrielle
1928 Crise (deu: Abwege) (en: The Devious Path) Irene Beck, seine Frau
Mandrágora (deu: Alraune) (en: The Daughter of Destiny) Alraune ten Brinken
O Iate dos Sete Pecados (deu: Die Yacht der sieben Sünden)

(en: Yacht of the Seven Sins)

Marfa Petrowna
Segredos do Oriente (deu: Geheimnisse des Orients)

(en: Secrets of the Orient)

Desconhecido
O Dinheiro (fr: L'Argent) (en: Money) Baroness Sandorf
1929 Os Três Amantes (deu: Skandal in Baden-Baden)

(en: Scandal in Baden-Baden)

Vera Kersten
As Deliciosas Mentiras de Nina Petrowna (deu: Die wunderbare Lüge der Nina Petrowna)

(en: The Wonderful Lies of Nina Petrowna)

Nina Petrovna
Manolesco (deu: Manolescu - Der König der Hochstapler)

(en: Manolescu - The Prince of Adventures)

Cleo
Rund um die Liebe Desconhecido
1930 Mandrágora (versão falada) (deu: Alraune) (en: The Daughter of Destiny) Alraune ten Brinken/Alma
Die singende Stadt The Singing City Claire Landshoff
1931 Gloria Maria, seine Frau
Serviço Secreto (deu: Im Geheimdienst)

(en: In the Employ of the Secret Service)

Vera Lanskaja
1932 A Condessa de Monte Cristo (deu: Die Gräfin von Monte-Christo)

(en: The Countess of Monte-Christo)

Jeanette Heider, Filmkomparsin
Danúbio Azul The Blue Danube Countess Gabrielle
Hochzeitsreise zu dritt Three on a Honeymoon Anita Berndt
Atlântida (fr: L'Atlantide) (en: The Mistress of Atlantis) Rainha Antinéa
Eine von uns Gilgi: One of Us Gisela Kron, Gilgi
1933 Voyage de noces Honeymoon Trip Anita Paglione
Cuidado! Espiões... (deu: Spione am Werk) (en: Spies at Work) Marchesa Marcella Galdi
Der Läufer von Marathon The Marathon Runner Lore Steinkopf
A Estrela de Valência L'étoile de Valencia Marion Savedra
A Princesa dos Milhões (deu: Die schönen Tage von Aranjuez)

(en: Happy Days in Aranjuez)

Olga
Inge und die Millionen Inge and the Millions Inge, seine Sekretärin
Adieu les beaux jours Olga, la belle aventurière
1934 Ouro (deu:L'or) (en:Gold) Florence Wills
Na Voragem da Vida Die Insel Karin, seine Tochter
Vers l'abîme Karine
De Jogador a Príncipe (deu: Fürst Woronzeff) (en: Count Woronzeff) Diane Morell
1935 Um Marido Ideal (deu:Ein idealer Gatte) (en: An Ideal Husband) Lady Gertrud Chiltern
1978 Wie im Traum Desconhecido

Referências

  1. a b Sudendorff, Werner (18 de junho de 1996). «Obituary: Brigitte Helm». The Independent (em inglês) 
  2. Staedeli, Thomas. «Portrait of the actress Brigitte Helm by Thomas Staedeli». www.cyranos.ch (em alemão). Consultado em 28 de julho de 2017 
  3. Dietrich, Otto (2010). The Hitler I Knew: The Memoirs of the Third Reich's Press Chief (em inglês). [S.l.]: Skyhorse Publishing Inc. ISBN 9781602399723 
  4. Curtis, Robin; Fenner, Angelica (2014). The Autobiographical Turn in Germanophone Documentary and Experimental Film (em inglês). [S.l.]: Boydell & Brewer. ISBN 9781571139177 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]