Cais do Valongo

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Pix.gif Sítio Arqueológico Cais do Valongo *
Welterbe.svg
Património Mundial da UNESCO

Cais do Valongo e da Imperatriz.jpg
Sítio arqueológico do Cais do Valongo e da Imperatriz
País  Brasil
Critérios vi
Referência 1548
Região** Brasil
Coordenadas 22° 53' 49.6" S 43° 11' 14.62" O
Histórico de inscrição
Inscrição 2017  (41 sessão)
* Nome como inscrito na lista do Património Mundial.
** Região, segundo a classificação pela UNESCO.

O Cais do Valongo é um antigo cais localizado na zona portuária do Rio de Janeiro, entre as atuais ruas Coelho e Castro e Sacadura Cabral.[1] Recebeu o título de Patrimônio Histórico da Humanidade pela UNESCO em 9 de julho de 2017 por ser o único vestígio material da chegada dos africanos escravizados nas Américas.[2]

Construído em 1811, foi local de desembarque e comércio de escravos africanos até 1831, com a proibição do tráfico transatlântico de escravos. Durante os vinte anos de sua operação, entre 500 mil e um milhão de escravos desembarcaram no cais do Valongo.[1]

Em 1843, o cais foi reformado para o desembarque da princesa Teresa Cristina de Bourbon-Duas Sicílias, que viria a se casar com o imperador D. Pedro II. O atracadouro passou então a chamar-se cais da Imperatriz.[3]

Entre 1850 e 1920, a área em torno do antigo cais tornou-se um espaço ocupado por negros escravos ou libertos de diversas nações. - área que Heitor dos Prazeres chamou de Pequena África.[4][5]

História[editar | editar código-fonte]

Até meados da década de 1770, os escravos desembarcavam na Praia do Peixe, atual Praça XV, e eram negociados na Rua Direita (hoje Rua 1º de Março), no centro do Rio de Janeiro, à vista de todos. Em 1774, uma nova legislação, estabeleceu a transferência desse mercado para a região do Valongo, por iniciativa do segundo Marquês de Lavradio, dom Luís de Almeida Portugal Soares de Alarcão d'Eça e Melo Silva Mascarenhas, vice-rei do Brasil, alarmado com "o terrível costume de tão logo os pretos desembarcarem no porto vindos da costa africana, entrarem na cidade através das principais vias públicas, não apenas carregados de inúmeras doenças, mas nus".[5]

O mercado foi transferido, mas ainda não havia o ancoradouro, e a alternativa encontrada foi desembarcar os escravos na alfândega e imediatamente enviá-los de bote ao Valongo, de onde saltariam diretamente na praia. Em 1779 o comércio de escravos finalmente se estabeleceu na área do Valongo e, onde teve seu auge entre 1808, com chegada da família real portuguesa, e 1831, quando o tráfico negreiro para o Brasil foi proibido, passando a ser feito clandestinamente.[5]

A partir de 1808 o tráfico quase dobra, acompanhando o crescimento da cidade que, após a transferência da corte portuguesa para o Brasil, passa de 15 mil para 30 mil habitantes. Todavia só em 1811 o cais foi construído, passando o desembarque a ser feito diretamente no Valongo.[5] De 1811 a 1831, entre 500 mil e um milhão de escravos ali desembarcaram.[1] No fim dos anos 1820, o tráfico de escravos para o Brasil vive o seu apogeu. O Rio de Janeiro era então um importante entreposto comercial de escravos, e o Valongo era a principal porta de entrada dos negros vindos de Angola, da África Oriental e Centro-Ocidental - enquanto no Maranhão e na Bahia, chegavam navios vindos da Guiné e da África Ocidental, respectivamente.[5]

Em 1831, o tráfico transatlântico de escravos foi proibido, por pressão da Inglaterra, e o Valongo foi fechado. Os traficantes passaram, então, a fazer o desembarque em portos clandestinos.

Em 1843, foi feito um aterro de 60 centímetros de espessura sobre o cais do Valongo para a construção de um novo ancoradouro, destinado a receber a princesa Teresa Cristina, futura esposa de D. Pedro II. O cais foi então rebatizado 'cais da Imperatriz'. Mas este também acabaria por ser enterrado em 1911, durante a reforma urbana empreendida pelo prefeito Pereira Passos.[5][3]

Redescoberta[editar | editar código-fonte]

Em 2011, durante as escavações realizadas como parte das obras de revitalização da zona portuária do Rio de Janeiro, foram descobertos os dois ancoradouros - Valongo e Imperatriz -, um sobre o outro, e, junto a eles, uma grande quantidade de amuletos e objetos de culto originários do Congo, de Angola e Moçambique.[5][6] O IPHAN e a prefeitura do Rio de Janeiro elaboraram um dossiê para a candidatura do sítio arqueológico do cais ao título de Patrimônio da Humanidade da Unesco.[7][3][8] O sítio foi declarado patrimônio da humanidade na 41ª sessão do comitê da Unesco, em 2017.[9]

Referências

  1. a b c «Cais do Valongo: a história da escravidão no porto do Rio de Janeiro». Globo.com Educação. Globo.com. Consultado em 9 de Janeiro de 2015 
  2. «Cais do Valongo, no Rio, é declarado Patrimônio Histórico da Humanidade». g1 rio de janeiro. Consultado em 9 de julho de 2017 
  3. a b c «Cais do Valongo é candidato a Patrimônio da Humanidade». Ministério da Cultura do Brasil. 30 de setembro de 2014. Consultado em 9 de Janeiro de 2015 
  4. Moura, Roberto. Tia Ciata e a Pequena África no Rio de Janeiro. 2ª ed.. Rio de Janeiro: Secretaria Municipal de Cultura, Dep. Geral de Doc. e Inf. Cultural, Divisão de Editoração, 1995 (Coleção Biblioteca Carioca), p. 13
  5. a b c d e f g Saiba tudo sobre o Cais do Valongo - o local por onde entravam os africanos escravos no Brasil no século XIX. Por Flávia Ribeiro. Aventuras na História, 18 de janeiro de 2013
  6. Daflon, Rogério (01 de Março de 2011). «Escavações de obra de drenagem da Zona Portuária encontram restos dos cais da Imperatriz e do Valongo.». O Globo Rio. O Globo. Consultado em 9 de Janeiro de 2015  Verifique data em: |data= (ajuda)
  7. «Valongo Wharf Archaeological Site». World Heritage Convention. Unesco. Consultado em 9 de Janeiro de 2015 
  8. Vídeo: Cais de Zona Portuária pode virar patrimônio da humanidade. TV Uol, 9 de maio de 2014.
  9. «Unesco declara Cais do Valongo Patrimônio da Humanidade - Notícias - Cotidiano». Cotidiano 
O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Cais do Valongo

Ligações externas[editar | editar código-fonte]