Calunga

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Kalunga
População total

5 000

Regiões com população significativa
Municípios de Cavalcante, Teresina de Goiás e Monte Alegre de Goiás, no estado de Goiás, no Brasil
Línguas
Português
Religiões
Capela do Vão do Moleque, na comunidade calunga Vão do Moleque, em Cavalcante, em Goiás, no Brasil

Calunga ou Kalunga é o nome atribuído a descendentes de escravos fugidos e libertos das minas de ouro do Brasil central que formaram comunidades autossuficientes e que viveram mais de duzentos anos isolados em regiões remotas próximas à Chapada dos Veadeiros, no atual Estado de Goiás, no Brasil.[1]

QUILOMBO FLORES VELHA, ESQUECIDOS NA HISTÓRIA KALUNGA

Flores de Goiás é remanescente de um dos primeiros quilombos da história do Brasil.

Comprovado pelo registro paroquial de Nossa Senhora do Rosário em Flores de Goiás e história do seu povo, relata que chegaram as margens do rio Paranã negros fugitivos das lavouras de cana de açúcar do litoral, Sertão baiano e das minas de ouro por volta do século XVI. No registro paroquial mostra a fundação de uma Vila por nome de Flores em 1653 pelo bandeirante Manoel Rodrigues Tomar e sua comitiva de homens brancos e escravos em seu poder. Nesta época, já se encontravam famílias africanas instaladas ali. O Quilombo tinha o nome de Conceição composto por negros e indígenas. Com a chegada dos homens brancos da comitiva e fazendeiros que também fugiram de um grande período de seca no sertão baiano formaram o Arraial Vila de Flores em homenagem ao filho do bandeirante Manoel Rodrigues Tomar apelidado de Flores. Tomar era amigo pessoal de Bartolomeu Bueno da Silva. Em 1939 o Arraial já era pertencente a Comarca de Sítio D’abadia onde nesta época o executivo municipal  era comandado por um sub prefeito nomeado, Santino Campelo de Miranda.

Com  o nome de Urutágua o Arraial  precisava de representantes para tramitação dos documentos da emancipação Político Administrativo, por essa razão foram nomeados três vereadores: Deusdezino de Sousa Ferreira, Raimunda Alves Rosa e Francisco das Chagas Carvalho para nortearem os destinos de Urutágua.

Em 1963 com a emancipação política administrativa a pequena Urutágua que era ainda considerada um quilombo, sofreram diversas mudanças políticas, mudaram se os nomes, e Flores de Goiás, continuou até 1990 uma população com 99% de Negros remanescentes do quilombo da conceição.

Calunga ou Kalunga é o nome atribuído a descendentes de escravos fugidos e libertos das minas de ouro do Brasil central que formaram comunidades auto-suficientes e viveram mais de duzentos anos isolados em regiões remotas.

Os Calungas de Cavalcante tem a mesma descendência do povo florense. As diferenças, é que Flores de Goiás foi vítima da grilagem de terras, e exploração de madeira das suas densas matas de madeira de lei como: os Ipês, as Aroeiras, os Jatobás, as Perobas, as Braúnas, as Cerejeiras e outras, que chegaram a chamá-la de Rainha das Aroeiras. Muitos homens brancos se misturaram ao povo quilombola e indígenas ali existente

Os povos de Cavalcante viveram em região com maior dificuldade de acesso. Os exploradores da madeira e grileiros só queriam riquezas, e na época o único turismo era exploração e por não possuírem interesse “cachoeiras e estudos científicos” então invadiram sem piedades o onde tinha dinheiro fácil que era obrigar os quilombolas a venderem suas terras a preço insignificante ou tomariam na marra tudo que eram deles.

Flores de Goiás e seu território quilombola equipara a demarcação do território emancipado. Chamada de cidade de preto Flores Velha vive a discriminação política dos governos passados e atuais pelo baixo número do eleitorado e consequentemente em alguns anos anteriores era de alto índice de analfabetismo que para os políticos  não seria interessante por interessarem no voto.

Diante dessas circunstâncias eram povos segundo sua linhagem cultural e costumes, de pessoas  vindas da África especificamente dos povos Bantus, Angola, Congo e Golfo da Guiné que é origem do povo negro de Flores de Goiás. Os pesquisadores só apontam Chapada dos Veadeiros como povo  Kalunga sem ao menos imaginar que Flores de Goiás foi um dos pontos da rota dos escravos fugitivos das minas de ouro e do sertão baiano, seguiram o vão do Rio Paranã até chegar exatamente na curva do rio, fizeram parada acamparam e viram que era um lugar seguro e com farta alimentação. Outros seguiram rumo às serras das chapadas. Portanto faz-se de Flores de Goiás uma das primeiras comunidades negras do Brasil.

Com datas comprovadas em registros Flores de Goiás equipara as datas de  Palmares.

Até o período de 1950 só existia um povoado cercado pelas matas e rios. O primeiro contato com outras civilizações eram feita pelos representantes da comunidade que fizeram a primeira estrada na década de 60 pelo machado, foice e enxadão.

Segundo a história, os Negros fugiram da escravidão do litoral baiano, entraram em terras goianas e instalaram-se à margem direita do Rio Paranã, por volta do século XVI. Viveram ali isolados, sem contato com outras civilizações por alguns anos passando por inúmeras dificuldades como: pestes, doenças contagiosas, epidemias e transtornos causados pelas enchentes do Rio Paranã.

Mesmo assim sempre foram alegres, de boa capacidade intelectual e revolucionária. Cantavam e tocavam seus tambores agradecendo a Santa de devoção, Nossa Senhora do Rosário, construíram um templo com argila e cal, tijolo cru (adobe), madeira de aroeira, peroba e ipê coberta por telhas feitas artesanalmente, que existe até os dias atuais em fase de desintegração. Anos depois se juntou à descendência indígena. Vieram Bandeirantes e fazendeiros brancos e comitiva fugindo de uma estiagem prolongada no sertão baiano, se juntaram aos negros e indígenas formando assim um povo que cultivavam a paz entre ambos em manter costumes já praticados por negros ali instalados.

A festa tradicional de Nossa Senhora do Rosário acompanha a linha de registros históricos da comunidade tendo sua autenticidade explicitada em sua vivência, costumes e tradição pela dança do Batuque, Roda de São Gonçalo, Lamentação das Almas, Festejos de Rei e Rainha e outras atividades relacionadas aos costumes afro intercruzado com costumes ibéricos. Inspirou no seio desse povo uma filha remanescente a escrever o Hino desse quilombo, professora Deuzimar de Sousa Ferreira, que em uma frase expressa: “Trazes o Sangue Africano”. Por esses motivos históricos de vida e mesmo com a emancipação política do quilombo, 99% dos nativos eram negros e vivem ainda dentro dos costumes quilombola.

A festa quilombola da Flores Velha nasceu em meio ao quilombo que chamavam de Conceição. Anos passaram e esse quilombo foi mudando e teve em seus registros histórico como Vila de Flores, Urutágua, é hoje Flores de Goiás. Certificada como Quilombo Flores Velha pela Fundação Cultural Palmares em 2014. Um povo africano com influência ligado ao catolicismo que continuam nos dias atuais, mesmo que um pouco apagada devido falta de recurso e incentivo financeiro de gestão municipal. São muitas atividades inerentes a cultura local durante o ano.

Antes eles tinham como produzir em suas terras e praticarem sua cultura. Uma negra do quilombo doou suas terras para a santa Nossa Senhora do Rosário com intenção de proteger o quilombo e mais tarde foi vendida pela Diocese de Formosa – Goiás. Hoje, há a necessidade em conciliar o resgate desse patrimônio, pois era nessas terras o palco de apresentação das caçadas da rainha. Feitas as Cavalgadas de retorno, a rainha é recepcionada pelos mascarados  e pela comunidade que esperam em frente o templo na praça do quilombo. Dali são feitas brincadeiras com os mascarados por nome de Caretas que tentam proteger a rainha com uma chibata feita de couro trançado, com a chegada da rainha a comunidade, visitantes, romeiros e turistas dançam ao som do tambor o batuque, tradição que em 2018 completa 278 anos. A praça do Quilombo é palco de shows com bandas da atualidade como: Bandas baianas, Forró e Duplas Sertanejas.

Os festejos em Louvor a Nossa Senhora do Rosário acontecem nos dois primeiros finais de semana do mês de julho de cada ano, sendo 9 dias de ladainhas e missas no Templo de Nossa Senhora do Rosário, seguido do giro da folia em louvor ao Divino Espírito Santo nas fazendas e chácaras, encerrando no segundo sábado com as festividades do Imperador  e no domingo com a coroação de rei e rainha, abrilhantados por quatro dias de show ao vivo com bandas da atualidade e show sertanejos.

Flores de Goiás Hoje ainda preserva boa parte dessa história. O antigo quilombo é sede do poder executivo municipal, seus quilombolas se espalharam por toda área rural do município contando com comunidades a mais de 130 km de distancia da sede como Chapada, Canabrava, Brejo e Santa Maria. Sua Cultura é preservada pelos eventos na semana Santa com ritos de Lamentação das Almas, Via Sacra, Cortejo do Senhor Morto e os festejos dos meses de Julho e Outubro. No mês de Julho existe uma festa que reúne as raças em uma fé católica entre brancos, índios e negros começando com o Giro das Folias, Coroação do Imperador, Caçada da Rainha, Batuque e Coroação de Rei e Rainha. No mês de Outubro a Nossa Senhora do Rosário dos Negros com ritual de Batuques africanos.

Quilombo é uma palavra africana originada do quimbundo (ki lombo), ou do umbundo (ochilombo), línguas faladas por povos bantus da região de Angola e designava lugar de pouso ou acampamento. O que são os quilombolas? Segundo estudos, quilombolas é designação comum aos escravos refugiados em quilombos, ou descendentes de escravos negros cujos antepassados no período da escravidão fugiram dos engenhos de cana-de-açúcar, fazendas e pequenas propriedades onde executavam diversos trabalhos braçais para formar pequenos vilarejos chamados de quilombos.

Registra-se mais de duas mil comunidades quilombolas espalhadas pelo território brasileiro que mantêm-se vivas e atuantes, lutando pelo direito de propriedade de suas terras consagrado pela Constituição Federal desde 1988. No Brasil, o termo passou a designar comunidades autônomas de negros, constituídas a partir de diversos processos.

Estudos históricos que reviram o período escravocrata brasileiro constatam que os quilombos existentes não se limitam apenas à história de ‘negros rebeldes e fugidos’, como também não necessariamente se encontram isolados e distantes de grandes centros urbanos. As comunidades quilombolas se constituíram a partir de processos diversos, que incluem as fugas com ocupação de terras livres e isoladas, as heranças, doações, recebimentos de terras como pagamento de serviços prestados ao Estado, simples permanência nas terras que ocupavam e cultivavam no interior de grandes propriedades, bem como a compra de terras, tanto durante a vigência do sistema escravocrata quanto após sua abolição. Esses são os vários tipos de inicio de comunidade que encontramos na pesquisa.

Atualmente, a legislação brasileira adota o conceito de comunidade quilombola e reconhece que a determinação da condição quilombola advém da auto-identificação, ou depende de como aquele grupo se compreende, se define. Este reconhecimento é fruto de uma luta árdua dos quilombolas e seus aliados que se opuseram às várias tentativas do Estado de se atribuir a competência para definir quais comunidades seriam quilombolas ou não.

Foi principalmente com a Constituição Federal de 1988 que a questão quilombola entrou na agenda das políticas públicas. Fruto da mobilização do movimento negro, o Artigo 68 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) diz: “Aos remanescentes das comunidades dos quilombos que estejam ocupando suas terras é reconhecida a propriedade definitiva, devendo o Estado emitir-lhes os respectivos títulos”.

Estima-se que existem mais de três mil comunidades quilombolas no país. Cada quilombo se organiza, no geral com os terrenos familiares, e tem uma Associação, entidade civil representante do conjunto e reconhecida juridicamente, que formalmente negocia e acompanha o processo de regulação e pode acessar programas governamentais ou projetos de financiamentos junto a outras instituições. Atualmente existe uma articulação nacional, a CONAQ – Coordenação Nacional das Comunidades Quilombolas, com representações em nível de alguns estados, que se empenham na disseminação de informações, na organização dos quilombolas e dos debates e intervenções para o acesso aos direitos.

É um longo processo para obter esse reconhecimento legal como quilombo e mais ainda a obtenção de titulo definitivo de posse (coletiva) da terra, que demanda uma quantidade de encaminhamentos burocráticos e ha a sempre alegada falta de técnicos para dar conta de todos processos. E ainda, no geral, envolvem inúmeros conflitos, pois as terras foram ocupadas por fazendas e empresas, ou são muito visadas pela especulação imobiliária.

Além disso, apesar de diversas políticas públicas destinadas a estas comunidades, direitos, as informações são fragmentárias, dispersas, e raramente chegam aos principais interessados

Luta dos Filhos remanescentes.

Domingos de Sousa Ferreira, Barbara Aparecida da Cruz Ferreira, Deumar de  Souza Ferreira, Deuzimar de Sousa Ferreira lutaram onze anos junto ao governo Federal pela Fundação Cultural Palmares pela Certificação como remanescente de quilombo. Tempo esse concretizado pela Associação dos Foliões de Flores de Goiás pelo então Presidente João Edson (Japão) e coordenador Ildemar Soares da Silva.

Flores de Goiás hoje se tornou alvo dos olhares do mundo pela sua certificação e pede a todas as famílias quilombolas do território florense para se juntarem a nós na Associação que é o nosso patrimônio.

(Domingos de Sousa Ferreira)

Generalidades[editar | editar código-fonte]

São três as comunidades calungas: nos municípios de Cavalcante, Teresina de Goiás e Monte Alegre de Goiás.[2] A mais populosa comunidade está situada no município de Cavalcante, com pouco mais de duas mil pessoas, distribuídas nas localidades do Engenho II, Prata, Vão do Moleque e Vão das Almas, sendo esta última a mais recente a se integrar no seio do município (cerca de trinta anos).

Mais recentemente, alguns estudos têm indicado a presença de calungas também em regiões do estado do Tocantins, nos arredores de Natividade e regiões isoladas do Jalapão. Durante todo este período, houve miscigenação com índios, posseiros e fazendeiros brancos. Houve, também, forte influência cultural de padres católicos, dando lugar a uma cultura hibridizada, característica que se manifesta na alimentação e no forte sincretismo religioso da mistura do catolicismo e de ritos africanos.

Nome[editar | editar código-fonte]

Calunga ou Kalunga significa "Tudo de bom" nas línguas bantas; no kimbundu significa "eminente, grande".[3] Significa também "necrópoles" em quicongo. Dentro do espiritismo, pode significar "grande mar", e também o nome de uma falange (grupo de seres do mundo espiritual). Nas religiões afro-brasileiras também significa "cemitério" e "Calunga Grande" significa "beira do mar". Na mitologia banta, é o nome de uma divindade secundária.[4]

Referências

  1. NEIVA, Ana Cláudia Gomes Rodrigues; et al. (12 a 17 de outubro de 2008). «Caracterização socioeconômica e cultural da comunidade quilombola Kalunga de Cavalcante» (PDF). II Simpósio Internacional Savanas Tropicais. Consultado em 5 de julho de 2011  Verifique data em: |data= (ajuda)
  2. CÂNTIA, Aline; BOLONI, Leonardo. «Kalunga, uma remanescente de quilombo no sertão de Goiás». Rota Brasil Oeste. Consultado em 5 de julho de 2011 
  3. A. de Assis Junior, «Kalúnga», Dicionário kimbundu-português, p. 89 
  4. FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 323.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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