Línguas bantas

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A expansão bantu espalhou as línguas bantus pela África.

As línguas bantu formam um ramo do grupo benue-congolês da família linguística nígero-congolesa, com mais de 600 línguas. São faladas sobretudo nos países africanos a sul do Equador, por cerca de 300 milhões de pessoas, principalmente por bantus.[1][2][3][4]

O idioma bantu com o número maior de falantes é o suaíle. Outras línguas bantus importantes incluem o lingala, o luganda, o quicongo, o quimbundo, o umbundo, o chócue, e o nianja na África central e oriental, e o xona, o ndebele do norte, o tsuana, o sesoto, o zulu, o xhosa, o ovambo, o sepedi, e o suázi na África Meridional.

História[editar | editar código-fonte]

Os idiomas bantu foram classificados por Malcolm Guthrie em 1948 em grupos de acordo com zonas geográficas. Guthrie também reconstruiu o protobantu como a protolíngua deste grupo de idiomas. A atual abrangência do grupo linguístico deve-se à expansão bantu, que provavelmente ocorreu há aproximadamente 2000 anos.

A palavra bantu foi primeiramente usada por W. H. I. Bleek (1827-75) com o significado de povo como é refletido em muitos dos idiomas deste grupo - em muitas destas línguas, usa-se a palavra ntu ou dela derivada referindo-se a um ser humano; ba- é um prefixo que indica o plural para seres humanos em muitas destas línguas. Bleek e mais tarde Carl Meinhof fizeram estudos comparativos das gramáticas dos idiomas bantus.

Localização aproximada das 16 zonas bantus (com a zona J incluída)

Existe alguma controvérsia sobre a identidade de alguns idiomas bantu, que alguns linguistas consideram dialetos de uma língua. Em Moçambique, por exemplo, a língua principal do sul do país é a língua tsonga, embora os seus dialetos, changana, ronga e xitswa sejam muitas vezes considerados línguas.

Estrutura[editar | editar código-fonte]

A característica gramatical mais proeminente dos idiomas bantus é o uso extensivo de prefixos. Cada substantivo pertence a uma classe e cada idioma pode ter aproximadamente dez classes, um pouco como gêneros em idiomas europeus. A classe é indicada por um prefixo no substantivo, como também em adjetivos e verbos que concordam com aquele. O plural é indicado por uma mudança de prefixo.

O verbo tem vários prefixos. Por exemplo, em suaíli "Mtoto mdogo amekisoma" significa "A criança pequena leu isto" (um livro). Mtoto, "criança", governa o prefixo do adjetivo m - , e o sujeito do verbo com o prefixo a - . A seguir vem o tempo do verbo (perfeito) -me - e um marcador de objeto -ki - concordando com kitabu (implícito), livro. O plural desta frase é: Watoto wadogo wamekisoma; se usarmos o plural para livros (vitabu ), a frase torna-se: Watoto wadogo wamevisoma.

O idioma bantu com o número maior de falantes é o suaíle; analisando a história deste idioma, alguns linguistas acreditam que os idiomas bantus formam um contínuo desde línguas tonais até idiomas sem nenhum tom.

Outros idiomas bantus importantes incluem o lingala, o luganda, o quicongo, o quimbundo,o umbundo, o chócue, e o nianja na África Central e Oriental, e o xona, o ndebele do norte, o tsuana, o sesotho, o zulu, o xhosa, o ovambo, o sepedi, e o suázi na África Meridional.

Denominações[editar | editar código-fonte]

Alguns idiomas bantus são vulgarmente conhecidos pelos não-africanos pelo nome sem o prefixo que funciona como um artigo definido (Swahili para Kiswahili, Zulu para isiZulu, etc.), mas a forma nua não acontece tipicamente no idioma: no Botswana as pessoas são batswana, uma pessoa é um motswana, e o idioma é sempre setswana.

Referências

  1. "Narrow Bantu". Ethnologue.
  2. «Bantu Languages on the Net». www.bantu-languages.com. Consultado em 2016-11-06. 
  3. «AfricanLanguages.com - African Languages info». africanlanguages.com. Consultado em 2016-11-06. 
  4. Lopes, Nei (2003-01-01). Novo dicionário bantu do Brasil: contendo mais de 250 propostas etimológicas acolhidas pelo dicionário Houaiss Pallas [S.l.] ISBN 9788534703482.