Carlos Duarte Costa

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
São Carlos do Brasil
Bispo de Maura
Nascimento 21 de julho de 1888 em Rio de Janeiro
Morte 26 de março de 1961 (72 anos) em Rio de Janeiro
Veneração por Igreja Católica Apostólica Brasileira
Canonização 4 de julho de 1970
Gloriole.svg Portal dos Santos
Carlos Duarte Costa
Bispo da Igreja Católica

Título

Bispo Emérito de Botucatu
Atividade Eclesiástica
Diocese Diocese de Botucatu
Sucessor Antonio Colturato, OFM
Mandato dezembro de 1924
até 22 de setembro de 1937
Ordenação e nomeação
Ordenação presbiteral 1 de abril de 1911
Rio de Janeiro
por Joaquim Cardeal Arcoverde
Nomeação episcopal 4 de julho de 1924
Ordenação episcopal 8 de dezembro de 1924
Rio de Janeiro
por Sebastião Cardeal Leme
Brasão episcopal
BishopCoA PioM.svg
Dados pessoais
Nascimento Rio de Janeiro
21 de julho de 1888
Morte Rio de Janeiro
26 de março de 1961 (72 anos)
Títulos anteriores Bispo Titular de Maura (1937-1945)
dados em catholic-hierarchy.org
Bispos
Categoria:Hierarquia católica
Projeto Catolicismo

Carlos Duarte Costa (Rio de Janeiro, 21 de julho de 1888 — Rio de Janeiro, 26 de março de 1961) foi um bispo católico excomungado pela Santa Sé e, posteriormente, fundador da Igreja Católica Apostólica Brasileira.

Seus seguidores o chamam de São Carlos do Brasil.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Nascido no Rio de Janeiro, na freguesia de Santo Antônio, em 21 de julho de 1888, concluiu seus estudos primários no Colégio Salesiano Santa Rosa, em Niterói.

Em 1897, aos nove anos, seu tio Dom Eduardo Duarte Silva, bispo de Goiás, enviou-o a Roma para estudar no Colégio Internato Pio-Latino Americano. Retornou ao Brasil e estudou no Seminário Filosófico e Teológico em Uberaba, sendo ordenado padre no dia 1 de abril de 1911, pelo Cardeal Dom Joaquim Cavalcanti.

Ministério[editar | editar código-fonte]

Foi pároco em várias igrejas no Rio de Janeiro e em 1923 foi nomeado Vigário Geral da Arquidiocese do Rio de Janeiro. Em 1924 o Papa Pio XI nomeou Dom Carlos como o segundo bispo da Diocese de Botucatu, sendo sagrado bispo pelo cardeal Dom Sebastião Leme.

Dom Carlos foi um bispo polêmico: defendia o socialismo, o fim celibato obrigatório para o clero e divórcio. Em 1932 organizou o Batalhão do Bispo para lutar na Revolução Constitucionalista; possuía uma ação social em defesa aos "sem terra" da diocese. Devido a suas posições revolucionárias e controversas, foi investigado pela Cúria Romana, a qual afirmou sua má administração diocesana na Diocese de Botucatu. Em 1937 renunciou a seu cargo, recebendo o título de Bispo de Maura, uma diocese extinta no Norte da África, e mantendo o de Bispo Emérito de Botucatu.

A renúncia[editar | editar código-fonte]

Dom Carlos mudou-se para o Rio de Janeiro, onde continuou sua crítica ao regime de Getúlio Vargas.

Também iniciou a pregar contra a doutrina da infalibilidade Papal e outros temas polêmicos para a Igreja de então, como o ecumenismo.

Em 1944 foi preso, e pressões internacionais encabeçadas pelo presidente norte-americano Franklin Delano Roosevelt e pelo primeiro-ministro britânico Winston Churchill fizeram que o governo federal o libertassem.

Para difundir suas ideias e polemizar com a Igreja Católica, com o governo brasileiro e com a intelectualidade em geral, enquanto esteve na Igreja Romana, manteve uma revista chamada Mensageiro de Nossa Senhora Menina, depois, na igreja que fundara, Igreja Católica Apostólica Brasileira, a revista A Luta.

Sua reflexão teológica e atividade pastoral voltada para a práxis sem prescindir das ciências sociais para a compreensão da realidade, o coloca como um dos precursores da Teologia da Libertação, combatida até mesmo nos dias atuais por setores conservadores da Igreja Católica Romana, por seu cunho marxista e materialista. Alguns teólogos da igreja fundada por Carlos Duarte Costa, reivindicam sua condição de precursor desta escola teológica.

A excomunhão[editar | editar código-fonte]

Em 1945 Dom Carlos expôs como denuncia, conhecida como Operação Odessa, onde afirmou ter sido organizada pelo Vaticano para permitir a fuga de oficiais nazistas. Tal posição carece de realismo, conforme desmentido por diversas fontes históricas. Esta atitude do bispo Carlos Duarte Costa rendeu-lhe a excomunhão formal por parte da Igreja Católica, assinada pelo Papa Pio XII excomungou-o. Carlos Duarte Costa ignorou a excomunhão, e em 06 de julho, erigiu a Igreja Católica Apostólica Brasileira. No dia 18 de agosto do mesmo ano, num evento em São Paulo, redigiu e tornou público o seu "Manifesto à Nação" que se tornou o credo social e político da igreja que acabara de fundar.[1]

A ICAB[editar | editar código-fonte]

Dom Carlos, no período compreendido da sua saída da Igreja Católica Apostólica Romana e a organização por ele da Igreja Católica Apostólica Brasileira, aos 15 de agosto de 1945 ordenou como bispo, o então Bispo-eleito da Igreja Católica Livre Dom Salomão Barbosa Ferraz[2], que, em 1959 abandonou a sua jurisdição para unir-se à Igreja Católica Apostólica Romana, onde foi recebido pelo Papa João XXIII e reconhecido como válido bispo, sem receber nova sagração (mesmo sub conditione). Tecnicamente falando, Carlos Duarte Costa, ordenara validamente, embora ilícita. As demais ordenações não são confirmadas em virtude da mudança da forma (rito), e falta de intenção.

Dom Carlos, em outubro de 1945, fundou o "Partido Socialista Cristão" registrado no Tribunal Superior Eleitoral por meio da Resolução 211[3].

Após a sua morte, ocorrida em 26 de março de 1961, Carlos Duarte Costa foi canonizado pelos membros da instituição que fundara, em 1970 como entre os quais é conhecido como São Carlos do Brasil.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. de Freitas, Dom Geraldo Albano (1987). Igreja Brasileira: Abençoada Rebeldia. São Paulo: CET-ICAB (Centro de Estudos Teológicos). p. 70  Parâmetro desconhecido |de Freitas, Geraldo Albano Dom= ignorado (ajuda)
  2. FERRAZ, Hermes. Dom Salomão Ferraz e o ecumenismo. São Paulo: João Scortecci Editora, 1995. Pgs.78s
  3. Brasil. Tribunal Superior Eleitoral. Resoluções do Tribunal Superior Eleitoral. Vol. 1. Rio de Janeiro, 1950. Pg.129
Ícone de esboço Este artigo sobre Episcopado (bispos, arcebispos, cardeais) é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.