Castelo Rodrigo

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 Portugal Castelo Rodrigo  
—  Freguesia  —
Castelo Rodrigo está localizado em: Portugal Continental
Castelo Rodrigo
Localização de Castelo Rodrigo em Portugal
Coordenadas 40° 52' 32" N 6° 57' 50" O
País  Portugal
Concelho FCR.png Figueira de Castelo Rodrigo
 - Tipo Junta de freguesia
Área
 - Total 32,94 km²
População (2011)
 - Total 517
    • Densidade 15,7/km2 
Código postal 6440
Orago Nossa Senhora de Rocamador

Castelo Rodrigo é uma freguesia portuguesa do concelho de Figueira de Castelo Rodrigo, com 32,94 km² de área e 517 habitantes (2011). Densidade: 15,7 hab/km².

Entre 1209 e 1836, foi sede de concelho, até a mesma ter sido transferida para a povoação de São Vicente Mártir, entretanto redesignada "Figueira de Castelo Rodrigo".

Castelo Rodrigo é considerada aldeia histórica de Portugal desde 1991.

História[editar | editar código-fonte]

Historicamente, falar de Figueira de Castelo Rodrigo implica remontar muitos séculos na história. Desde a Pré-História até ao século XXI, muitos são os testemunhos existentes, permitindo-nos viajar pelo tempo à descoberta das raízes históricas de toda uma região.

Ocupado sucessivamente pelos túrdulos, romanos e mouros, o actual concelho de Figueira de Castelo Rodrigo foi integrado na Coroa por D. Sancho I. Até ao século XIX chamava-se apenas Castelo Rodrigo, em homenagem ao alcaide D. Rodrigo, que defendeu a fortaleza em 1296. A freguesia de Figueira pertencia então ao concelho de Castelo Rodrigo. Com a elevação de Figueira à categoria de Vila, a sede do concelho foi para aí transferida e passou à denominação actual.[1]

Da primitiva ocupação deste território pouco se sabe, mas há vestígios que apontam para épocas muito remotas, entre os quais se destaca a gravura de arte rupestre de Vale de Afonsinho, que representa um motivo zoomórfico do estilo Magdalense.

Os Túrdulos - povo que ocupavam a Bética - deve ter sido a primeira comunidade organizada a habitar a região. Da ocupação romana, que foi bastante intensa, há vestígios da provável existência de pelo menos nove “villas”, duas pontes, Vermiosa e Escalhão e restos de calçadas romanas. A “Torre das Águias”, cuja construção se situa no século II d.C. e que teria sido um templo romano, adaptado mais tarde a atalaia militar.

Em Escalhão, na margem esquerda do rio Águeda, ter-se-ia situado a antiga cidade romana de “Caliábria” de que há bastantes vestígios. Os árabes legaram-nos as tradicionais casas agrícolas, a cisterna do castelo e outros vestígios.

Em 1170, Castelo Rodrigo foi conquistada aos Mouros por D. Afonso Henriques. Voltou a cair nas mãos dos árabes anos mais tarde, aquando do seu contra ataque, para ser definitivamente reconquistada por D. Sancho I. que lhe outorgou foral a 11 de Setembro de 1209. D. Dinis, mandou reconstruir Castelo Rodrigo e reforçar as suas muralhas.

Durante as guerras da Independência, foi novamente bastante danificada chegando mesmo a atingir um estado de grande despovoamento. D. João I, em virtude dos seus habitantes terem mantido fidelidade a D. Beatriz, legítima herdeira do trono português, mandou por castigo que Castelo Rodrigo passasse a ostentar as suas armas reais com o elmo invertido. D. Manuel I, mandou reedificar o castelo e em 1508 atribuiu-lhe novo foral elevando-a a sede de concelho.

Durante o século XVII e pelas características do aglomerado populacional, ruas estreitas, íngremes e sinuosas e as casas espartilhadas pelas muralhas da velha fortaleza medieval, Castelo Rodrigo começou a perder a sua importância, que se tornaria fatal, já que a sede de concelho viria a passar para a povoação de Figueira, que se desenvolvia cada vez mais na planície mais abaixo.

Por esta altura foi construída a Igreja Paroquial de Figueira, uma vigararia alternada da Santa Sé e do Bispo de Lamego. A 25 de Junho de 1836, recebeu Figueira o seu primeiro foral que a elevou à categoria de vila e sede de concelho em substituição do de Castelo Rodrigo e passando a chamar-se Figueira de Castelo Rodrigo.[1]

Heráldica[editar | editar código-fonte]

Antigo brasão de armas de Castelo Rodrigo

Castelo Rodrigo usava um brasão de armas de características raras, o qual consistia nas armas de Portugal de cabeça para baixo. Em termos heráldicos este tipo de brasão é designado como "difamado", sendo este um dos raros exemplos no mundo e por isso frequentemente referido em obras sobre heráldica. Segundo a tradição, este brasão foi-lhe dado pelo Rei D. João I em castigo por a vila ter tomado partido por Castela na crise de 1383-1385.[2]

Modernamente, a freguesia de Castelo Rodrigo adoptou um novo brasão, bastante diferente do tradicional, cuja descrição é: escudo de prata, castelo de negro lavrado de prata aberto e iluminado de ouro, acantonados em chefe dois abrolhos de vermelho, em campanha monte de três cômoros de verde firmado nos flancos; como elementos exteriores ao escudo tem uma coroa mural de prata de quatro torres e um listel de prata com a legenda de negro "Castelo Rodrigo".

Património[editar | editar código-fonte]

  • Igreja e Convento de Santa Maria de Aguiar - a Igreja e Convento de Santa Maria de Aguiar terá sido edificado no Século XII pelos beneditinos transitando, posteriormente para a Ordem de Cister. De notar, que embora seja conhecido como "convento", era na verdade um mosteiro, pois a regra vigente era do tipo monacal (exercida por monges), ou seja, vivendo e trabalhando em locais afastados dos povoados. Predominam os estilos romântico e gótico. A igreja, cisterciense, tem planta em cruz latina, três naves e transepto saliente, cabeceira escalonada e duas absidíolas de planta rectangular.
  • Igreja Matriz - a igreja matriz foi fundada no século XIII pela confraria dos frades da nossa senhora de Rocamador, uma congregação que se dedicava à assistência aos peregrinos compostelanos. A igreja foi restaurada no final dos anos 90 no âmbito do programa Aldeias Históricas de Portugal.
  • Muralhas - Castelo Rodrigo conserva ainda o plano medieval de praça circular com cintura de muralhas, as quais teriam sido, inicialmente construídas pelos romanos, quando ali teriam edificado um grande forte.
  • Ruínas do Palácio Cristóvão de Moura - foi residência oficial de Cristóvão de Moura (séculos XVI e XVII) que auferiu de grandes privilégios por parte de Filipe II de Espanha (Filipe I de Portugal), pelo seu apoio na crise dinástica. Recuperada a independência nacional este palácio foi incendiado pela população jazendo hoje em dia em avançado estado de ruína.
  • Janelas manuelinas - alguns edifícios de fachada quinhentista possuem ainda hoje, bonitas janelas manuelinas de avental, com molduras e rematadas em arco canopial, que atestam a importância desta povoação do século XVII.
  • Poço-Cisterna - esta cisterna apresenta duas estruturas arquitectónicas diferentes, visíveis no plano mural e nas duas portas, uma em arco quebrado, ao estilo gótico e outra com o arco em ferradura, que terá supostamente sido construída no século XIII e poderá ter pertencido à cisterna existente na sinagoga judaica.

Demografia[editar | editar código-fonte]

Lendas[editar | editar código-fonte]

  • SERRA LENDÁRIA: “AMAR OFA”

Zacuto, um rico judeu que viajava com a sua única filha Ofa, decidiu comprar o alto da serra de Castelo Rodrigo e a sua encosta até ao rio Côa, para aí construir a sua habitação e iniciar o cultivo dos terrenos e a pastorícia. Ouvindo falar da rara beleza da jovem, o filho do fidalgo das Cinco Vilas fez por conhecê-la e por ela se apaixonou. Inicialmente, esta paixão trouxe grandes dor aos pais do jovem Luís dadas as diferentes religiões que os separavam.

Nessa altura, D. Manuel I ordena a expulsão de todos os judeus que não se convertessem ao cristianismo e Zacuto e Ofa tornam-se cristãos-novos. Essa nova condição permitiu a Luís obter dos pais autorização para frequentar a casa de Zacuto e pedir a mão de sua filha. O novo fidalgo sempre que ia ao alto da encosta dizia a sua mãe: «Vou amar Ofa». Era também esta a resposta que os seus amigos recebiam quando lhes perguntavam das intenções dos seus passeios, pelo que todos já afirmavam quando Luís passava pela povoação em direcção à encosta: «Vai amar Ofa». Os jovens vieram a contrair matrimónio na Igreja do Mosteiro de Santa Maria de Aguiar.

Foi assim que à serra de Castelo Rodrigo se passou a chamar Serra da Marofa (…).

Festas e romarias[editar | editar código-fonte]

Artesanato[editar | editar código-fonte]

Na carta de foral concedida a Castelo Rodrigo, no ano de 1209, vêm referenciadas as actividades artesanais praticadas no Concelho. Apesar da reduzida produção ainda é possível encontrar no concelho de Figueira de Castelo Rodrigo alguma actividade artesanal, como a cestaria, a latoaria, a olaria, a ferraria, as miniaturas em madeira e a tecelagem.

Turismo[editar | editar código-fonte]

O Concelho encerra potencialidades turísticas variadas, que vão desde a beleza paisagística a valores históricos, arqueológicos e arquitectónicos, desde a diversidade artesanal e gastronómica a festas e romarias bem características, passando por capacidades piscícolas e cinegéticas.

Os vales profundos dos rios Águeda e Côa, o Douro internacional e o seu cais fluvial, a serra da Marofa que oferece magnificas vistas, constituem, não raras vezes, a motivação para a deslocação dos visitantes, mobilizados pelo deslumbramento de uma paisagem única, onde a existência de miradouros, quer naturais quer construídos, lhes proporciona um quadro de grande qualidade e rara beleza.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b Paróquia de Castelo Rodrigo Arquivo Distrital da Guarda. Visitado em 24 de Janeiro de 2014.
  2. Castelo Rodrigo, Aldeias Históricas de Portugal