Cedofeita

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Portugal Cedofeita 
  Freguesia portuguesa extinta  
Antiga junta de freguesia de Cedofeita
Antiga junta de freguesia de Cedofeita
Brasão de armas de Cedofeita
Brasão de armas
LocalFregPorto-Cedofeita.svg
Cedofeita está localizado em: Portugal Continental
Cedofeita
Localização de Cedofeita em
Coordenadas 41° 9' 21" N 8° 37' 24" O
Concelho primitivo Porto
Concelho (s) atual (is) Porto
Freguesia (s) atual (is) Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória
Extinção 2013
Área
 - Total 2,66 km²
População (2011[1])
 - Total 22 077
    • Densidade 8 299,6 hab./km²
Orago São Martinho

Cedofeita é uma antiga freguesia portuguesa do concelho do Porto que, pela Lei n.º 11-A/2013 de 28 de janeiro,[2] foi integrada na União das Freguesias de Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória.

População[editar | editar código-fonte]

População da freguesia de Cedofeita [3]
1864 1878 1890 1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011
11 614 16 244 22 677 25 999 30 792 33 020 36 520 41 835 42 796 40 196 35 179 36 841 32 066 24 784 22 077

Pelo decreto nº 40.526, de 08/02/1956, foram-lhe fixados os actuais limites.

Distribuição da População por Grupos Etários
Ano 0-14 Anos 15-24 Anos 25-64 Anos > 65 Anos 0-14 Anos 15-24 Anos 25-64 Anos > 65 Anos
2001 2 548 3 590 13 281 5 365 10,3% 14,5% 53,6% 21,6%
2011 2 108 2 016 12 028 5 925 9,5% 9,1% 54,5% 26,8%

Média do País no censo de 2001: 0/14 Anos-16,0%; 15/24 Anos-14,3%; 25/64 Anos-53,4%; 65 e mais Anos-16,4%

Média do País no censo de 2011: 0/14 Anos-14,9%; 15/24 Anos-10,9%; 25/64 Anos-55,2%; 65 e mais Anos-19,0%

Origens[editar | editar código-fonte]

Dos estudos realizados, tudo aponta para que as origens da freguesia estejam associadas ao primitivo povoado que nasceu, se desenvolveu e prosperou à sombra tutelar da antiga igreja românica, que ainda hoje existe no Largo do Priorado e que pertenceu a um convento de Cónegos Regrantes de Santo Agostinho. A construção da igreja é anterior à da própria Sé Catedral, sendo provavelmente a mais antiga igreja do Porto, construída quando Portugal ainda nem sequer existia politicamente.

Aqui ocorreu a conversão em massa do povo Suevo,anos antes dos Francos,com Clóvis.[carece de fontes?] Diz quem sabe destas coisas que a Norte do Douro a igreja românica de Cedofeita é o único monumento do género que nos ficou do período medieval.[carece de fontes?]

Missas garantidas com salvo conduto[editar | editar código-fonte]

Conta a tradição que a cidade do Porto foi fundada no ano 417 da nossa era. Pelo espaço de três séculos experimentou três diferentes possuidores: os suevos, que a fundaram; os godos que a conquistaram; e os mouros que dela se senhorearam até ao reinado de Afonso I de Leão.

Durante a vigência moura, a igreja de Cedofeita foi o único templo cristão da área de jurisdição sarracena em que, sem qualquer interrupção, sempre se celebrou o santo sacrifício da missa, mediante um tributo que os cónegos pagavam às autoridades mouriscas. Esse consentimento foi dado através de uma «Carta de Jusgo», palavra muito utilizada pelos antigos significando «Justiça», «Perfeita», «Observância total das leis», «Igualdade», «Sossego», «Paz».

Era do seguinte teor a referida «Carta de Jusgo»: "Abdelassis Abhrem Mahomet, por illah illalah senhor da cidade do Porto, e da gente da Nazareth, pela qual ordeno que os Presbíteros e Christâos do Mosteiro de Cedofeita que morão junto à dita cidade do Porto, e seu mosteiro possuão os seus bens em paz e quietação sem opressão, vexame. ou força dos Sarracenos; com a condição que não digão Missas senão com as portas fechadas e não toquem as suas campainhas; e paguem pelo consentimento 50 pesantes de boa prata anualmente e pos-são sair e vir à cidade com liberdade e quando quizerem, e não vão fora das terras do meu mando sem meu consentimento e vontade; assim o mando; e faço esta carta de salvo conduto, e a dou ao dito Mosteiro para que a possua para seu sossego…".

O Pesante era uma moeda de prata mais ou menos do tamanho da actual moeda de cinco escudos.

Inscrição apócrifa[editar | editar código-fonte]

Na frontaria do templo, mesmo por cima da porta principal, está gravada no granito uma inscrição latina que dá o ano de 559 como o da fundação da igreja. O teor da inscrição e, sobretudo, a indicação daquele ano como sendo o da fundação do templo suscitou e alimentou, durante anos, uma apaixonada discussão entre historiadores e investigadores que acabou com a conclusão de que a inscrição é apócrifa, por tanto não verdadeira, e que terá sido ali colocada aquando de uma remodelação feita no templo e redigida sem qualquer fundamento histórico.

Os mais antigos e fidedignos documentos que se conhecem, relacionados com o mosteiro de Cedofeita, remontam à Baixa Idade Média. São dois: uma bula do Papa Calisto II, datada de 1120, a qual apenas cita o mosteiro; e a carta de doação de D. Afonso II, do ano de 1218, na qual, com base em informações dos próprios abades e cónegos regrantes, o monarca faz saber que "D. Afonso, nosso senhor e avo (Afonso Henriques) reparara o dito mosteyro e anovadamente o dotara".

As lendas[editar | editar código-fonte]

A igreja românica de Cedofeita

«Ao longo dos séculos», desabafa Carlos de Passos, no seu precioso Guia Histórico, «este velhinho templo, venerável relíquia românica do velho burgo portucalense, suportou mais agravos dos homens do que dos elementos corroedores da própria Natureza». A sua existência milenária e a escassez, quando não a total ausência, de documentos escritos sobre a sua fundação deram azo ao aparecimento das mais variadas lendas, algumas de todo inverosímeis.

Pode dizer-se que há duas versões que são as mais correntes sobre a fundação da igreja de Cedofeita.

Uns sustentam que foi fundada pelo rei suevo Reciário, que reinou em 446 e que foi o primeiro dos reis suevos a abraçar o cristianismo. Outros dizem que a fundação da igreja se deve ao rei Teodomiro, também suevo, que a terá mandado construir em 14 de Janeiro de 459,e nela se fez baptizar conjuntamente com o seu filho Ariamiro,pela mão de São Martinho de Dume. Com este Santo Evangelizador,vieram as relíquias de São Martinho de Tours. Conservam-se num altar dedicado á sua devoção,na Igreja Nova,junto a outras de Martinho de Dume.

Consta que Teodemiro, não encontrando remédio para a enfermidade de seu filho Ariamiro, recorreu a S. Martinho de Tours aonde mandou embaixadores com ofertas de tanta prata e ouro quanto pesasse o filho enfermo. E com tanta fé Teodomiro acreditou neste milagre que logo a seguir à partida dos seus embaixadores ordenou que se começasse a construção de uma igreja em honra de S. Martinho.

O empenho posto no levantamento do templo foi tal que quando os embaixadores chegaram com as relíquias já ela estava concluída. E foi devido à rapidez da construção que veio a dizer-se «Cito Facta», o que significa «Feita Cedo» e que veio a dar CEDOFEITA.

O templo primitivo sofreu, ao longo dos séculos, muitas alterações e reparações. A actual igreja reflecte, sobretudo, as modificações introduzidas pelo prior D. Luís de Sousa Carvalho, em 1742. Não obstante, trata-se ainda de um dos mais belos exemplares românicos do Norte de Portugal.

A origem da colegiada[editar | editar código-fonte]

Depois de se ter introduzido nas igrejas catedrais o sistema da vida em comum, passou a ser tão grande o número de clérigos que procuravam servi-la, que em muitas igrejas paroquiais se estabeleceram Colégios clericais com organização semelhante à dos Cabidos. Certos mosteiros também se transformaram em colégios de cónegos por ser permitido aos monges que se apartavam da sua regra seguir o instituído por que se regiam os cabidos.

Esta foi a origem das colegiadas, que dos cabidos se distinguiam por serem presididas pelo pároco, com o título de Prior, ao passo que os cabidos eram presididos pelos bispos.

Desconhece-se a data da fundação da Colegiada de S. Martinho de Cedofeita. De 1221 existe um documento que a ela se refere. Mas é muito provável que a sua criação seja anterior àquela data.

D. Nicolau de Santa Maria diz que já antes de 1118 a Colegiada existia e que tinha Prior e Cónegos que viviam segundo a regra de Santo Agostinho. As Colegiadas no século XVI formavam dois tipos: o das insignes, ao qual pertenciam a de Cedofeita e a de Guimarães, por exemplo; e o das menores.

A Colegiada de Cedofeita distinguiu-se também pelos varões ilustres que nela serviram, entre os quais a figura cimeira do Prior D. Nicolau Monteiro, que foi bispo do Porto, doutor em cânones pela Universidade de Coimbra, confessor da rainha D. Luísa de Gusmão, bispo eleito de Portalegre e da Guarda, conselheiro d'Estado, mestre dos filhos de D. João IV, embaixador deste monarca ao pontífice Urbano VIII advogando eficazmente em Roma a justiça de Portugal contra as pretensões de Castela. Além desta grande figura da Igreja, também se notabilizaram na Colegiada de Cedofeita: S. Pascásio, discípulo do primeiro prior, S. Martinho de Dume; D. Beltrão de Monfaves, que foi prior e depois cardeal; D. Gonçalo Pereira, deão do Porto, arcebispo de Braga, avô do Condestável do reino, D. Nuno Álvares Pereira; D. Henrique (infante), irmão de D. João III, arcebispo de Braga e Évora, cardeal e depois rei de Portugal; D. Frei José Maria da Fonseca e Évora, prior comendatário e depois bispo do Porto.

O ermo de Cedofeita[editar | editar código-fonte]

Ao dobrar o ano de 1571, o prior e cónegos da Colegiada de S. Martinho de Cedofeita mandaram ao bispo do Porto uma petição: queriam sair do sítio onde estavam e sugeriam a mudança para junto da Porta do Olival. Diziam os da Colegiada, na referida petição: "Se há igreja que tenha necessidade mui urgente para se trasladar e mudar de êrmo e despovoado para povoado e lugar da cidade acomodado para isso, é esta igreja de S. Martinho de Cedofeita, por muitas razões…". E entre as razões invocadas alegavam que a «igreja não é bem servida, principalmente quando as cheias e tempestades do Inverno e as calmas do Verão tornam impossíveis ou difíceis as longas jornadas entre a Porta do Olival (na Cordoaria) e o longínquo lugarejo de Cedofeita…

Havia ainda outra razão. "A igreja estava num lugar ermo e despovoado e os fregueses, que eram pescadores e lavradores, moravam muito afastados dela e durante a semana ninguém assistia aos ofícios divinos e por vezes até havia dificuldade em arranjar quem ajudasse às missas…".

O couto[editar | editar código-fonte]

Não há dúvida de que existiu o «Couto de Cedofeita», apesar de alguns historiadores afirmarem que é falsa, que não existiu, a «Carta de Couto» que teria sido conferida por D. Afonso Henriques. Um documento datado de 1849 pormenoriza que o Couto começava no fim da Rua da Rainha (hoje de Antero de Quental), corria pelo Monte Pedral até ao Carvalhido, na Rua da Natária, e confrontava com Paranhos. Do Carvalhido seguia pela Rua da Carcereira até à Cova do Monte, fim da Quinta do Vanzeller, partia com Ramalde e com a estrada para Lordelo e vinha ao Douro. Acompanhava o rio até ao começo da Calçada de Monchique (que ficava já dentro do COUTO) e daí subindo à Rua dos Carrancas partia com Miragaia. Continuava até ao Adro dos Enforcados (traseiras do Hospital de Santo António) onde confrontava com Santo Ildefonso, seguia pelo Rua do Paço até à cerca dos frades do Carmo, Travessa do Carregal, chegava ao canto do Hospital do Carmo, circuitava a Praça dos Ferradores (hoje de Carlos Alberto) até ao cunhal do Palácio dos Balsemões, Rua das Oliveiras e Sovela, Campo de Santo Ovídio, Rua da Lapa e lado poente da Rua da Rainha até Paranhos. Todo este território, que hoje está incorporado no tecido urbano da cidade e intensamente povoado, era, ainda na segunda metade do século XVII, simples arrabalde campesino da cidade.

Era tudo quintas, casais, campos de cultivo, hortas e soutos. Apenas o lugar de Massarelos, habitado por pescadores e mareantes, tinha alguma importância…

Quando se terá verificado a integração do Couto de Cedofeita no tecido urbano da cidade do Porto? A resposta, pelas razões já atrás várias vezes referidas (escassez de fontes e falta de documentos) não é fácil de dar. Mas é muito provável que a integração se tenha feito na transição do século XVI para o século XVII. Ou talvez antes. De certeza, sabe-se que a Mesa Grande da Relação, em 9 de Outubro de 1710, ampliou a área limitada pela Muralha Fernandina com as das freguesias contíguas: Vitória, Miragaia e Santo Ildefonso; e também com as de Massarelos e Cedofeita. Esta medida da Mesa Grande, que fixava os novos limites da cidade, já abrangia a área do Couto de Cedofeita.[4]

Património[editar | editar código-fonte]

Fonte das Oliveiras
Quartel de Santo Ovídio
Edifício Parnaso
Companhia Aurifícia
Capela da Ramada Alta

Referênciado pelo IHRU[editar | editar código-fonte]

Religião[editar | editar código-fonte]

Ensino[editar | editar código-fonte]

Bairros[editar | editar código-fonte]

Arruamentos[editar | editar código-fonte]

A antiga freguesia da Cedofeita contém 173 arruamentos. São eles:

1Partilhada com as freguesias de Aldoar e Nevogilde.

²Partilhada com a freguesia da Lordelo do Ouro.

³Partilhada com a freguesia de Massarelos.

4Partilhada com a freguesia de Ramalde.

5Partilhada com a freguesia da Vitória.

6Partilhada com a freguesia de Paranhos.

7Partilhada com a freguesia do Bonfim.

8Partilhada com a freguesia de Santo Ildefonso.

9Partilhada com a freguesia de Miragaia.

Referências

  1. «População residente, segundo a dimensão dos lugares, população isolada, embarcada, corpo diplomático e sexo, por idade (ano a ano)». Informação no separador "Q601_Norte". Instituto Nacional de Estatística. Consultado em 22 de Março de 2014.. Cópia arquivada em 4 de Dezembro de 2013 
  2. Diário da República, 1.ª Série, n.º 19, Lei n.º 11-A/2013 de 28 de janeiro (Reorganização administrativa do território das freguesias). Acedido a 2 de janeiro de 2014.
  3. Instituto Nacional de Estatística (Recenseamentos Gerais da População) - https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes
  4. Junta de Freguesia de Cedofeita
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