Commelinaceae

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Callisia warszewicziana

Callisia warszewicziana
Classificação científica
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Liliopsida
Ordem: Commelinales
Família: Commelinaceae
Mirbel
Subfamílias
Cartonematoideae

Commelinoideae

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Commelinaceae Mirb é uma família de angiospermas monocotiledônia dentre as 5 presentes no clado das Commelinales, ordem que, juntamente com Zingiberales, Arecales, Poales, compõe o grupo das Comelinídeas. [1]

A família Commelinaceae conta com 38 gêneros e 620 espécies amplamente distribuídas de regiões tropicais às faixas de ambientes temperados da América, Europa e Leste da Ásia. No Brasil essas espécies estão presentes em todos os domínios, sendo até mesmo encontradas na caatinga, apesar de serem associadas preferencialmente a ambientes úmidos. [2]

Gêneros[editar | editar código-fonte]

Aetheolirion; Amischotolype; Aneilema (65 spp.); Anthericopsis; Belosynapsis; Buforrestia; Callisia; Cartonema; Cochliostema; Coleotrype; Commelina (170 spp.); Cyanotis (50 spp.); Dichorisandra; Dictyospermum; Elasis; Floscopa; Geogenanthus; Gibasis; Gibasoides; Matudanthus; Murdannia (50 spp.); Palisota; Pollia; Polyspatha; Pseudoparis; Rhopalephora; Sauvallea; Siderasis; Spatholirion; Stanfieldiella; Streptolirion; Thyrsanthemum; Tinantia; Tradescantia (70 spp.); Tricarpelema; Triceratella; Tripogandra; Weldenia.

Filogenia[editar | editar código-fonte]

Não há sustentações filogenéticas dentro da família, vez que as análises foram realizadas apenas com um marcador molecular e os autores não apresentam árvores de consenso.[3]

Modo de Vida[editar | editar código-fonte]

Se apresentam como lianas ou ervas perenes ou anuais, pequenas ou grandes, muitas vezes suculentas, com caules engrossados, comumente curtos e com célula de mucilagem ou com canais com rafídeos.

O grupo apresenta larga tolerância ecológica se tratando de habitat, o que justifica a colonização em diversos e diferentes ambientes. [4]

Distribuição Geográfica[editar | editar código-fonte]

Ampla distribuição geográfica, presente em climas tropicais, subtropicais e até mesmo regiões temperadas, sendo a maior biodiversidade encontrada na África.[4]

No Brasil ocorrem 13 gêneros nativos e a família é encontrada em todos os domínios, estando presente nos estados:

Norte: Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins

Nordeste: Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe

Centro-oeste: Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso

Sudeste: Espirito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo. [5]

Morfologia[editar | editar código-fonte]

Raízes[editar | editar código-fonte]

Raizes fibrosas ou tuberosas. [1]

Caule[editar | editar código-fonte]

Apresentam caule dividido em nós e entrenós e segundo Tomlinson [4], o caule apresenta um córtex estreito, sem vascularização, um cilindro central e frequentemente envolvido por esclerênquima, com sistema longitudinal de feixes vasculares que se conectam à região nodal e forma o plexo nodal. 

Folhas[editar | editar código-fonte]

No geral, as folhas podem se apresentar como alternas, dísticas ou espiraladas, simples, estreitas ou ligeiramente expandidas.

As folhas jovens possuem suas metades enroladas em direção à nervura média, por sua vez proeminente, com bainha fechada, estômatos tetracíclicos, estípulas ausentes e com venação paralela. [1]

Flores[editar | editar código-fonte]

As Flores do grupo são trímeras com corola efêmera, actinomórfica ou zigomórfica e com nectários ausentes. Geralmente as flores são bissexuais, mas podem ser unissexuadas (flores masculinas), radiais a bilaterais, com diferenciação entre cálice e corola.

As sépalas trímeras, comumente livres, mas podem ser unidas, imoricadas ou com estivação aberta.

As pétalas trímeras, podem livres ou unidas, deliquescentes e muitas vezes uma das pétalas se apresenta com diferente coloração e/ou reduzida, imbricada e com enrugamento próximo ao botão.

Apresentam 6 ou 3 estames, dispostos em 2 séries, filetes finos, livres a conatos e frequentemente com pelos moniliformes conspícuos (pelos arredondados).

Anteras com polos apicais e grãos de pólen as vezes monossulcados.

Carpelo trímero, conatos, com ovário súpero e placentação axial. De 1 a mais óvulos em cada lóculo. Apresenta 1 estigma capitado e de fimbriado a trilobado. [1]

Inflorescência[editar | editar código-fonte]

Apresentam inflorescência terminal e/ou axilar, subtendida por brácteas foliáceas.

Fruto[editar | editar código-fonte]

Geralmente o fruto se apresenta com cápsula deiscente ou raramente indeicente, muitas vezes similar ou uma baga propriamente dita. A semente possui um capuz cônico conspícuo, hilo linear dorsal, lateral, semi-lateral ou terminal. [1] 

Importância Econômica[editar | editar código-fonte]

As espécies possuem importância econômica vez que podem ser plantas ornamentais, medicinal e algumas são invasoras. [6]

Muitas espécies, devido ao rápido crescimento vegetativo, são usadas para forração em jardins e como plantas decorativas. Algumas de suas espécies possuem flores com pétalas de cores vibrantes, como exemplo a Erva - de - Santa – Luzia (Commelina erecta L.).

O chá de Trapoeraba (Commelina benghalensis L.) é uma de suas aplicações medicinais, sendo muito frequente em regiões de caatinga, cerrado e amazônia, atuando como um potente diurético. [7]

As ervas podem também se apresentar negativamente em culturas, como exemplo a de arroz irrigado em Roraima, tendo sua produção afetada pelo rápido e elevado crescimento de ervas – daninhas (Murdannia nudiflora L.) [8]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. a b c d e JUDD, W. S., CAMPBELL, C. S., KELLOGG, E. A., STEVENS, P. F., DONOGHUE, M. J. Sistemática Vegetal: Um enfoque filogenético. São Paulo: Artmed, 2009. 632 p. [S.l.: s.n.] 
  2. BARRETO, R. C. Commelinaceae. In: In: WANDERLEY, M.G.L., SHEPHERD, G.J., MELHEM, T.S., MARTINS, S.E., KIRIZAWA, M., GIULIETTI, A.M. Flora Fanerogâmica do Estado de São Paulo. São Paulo: 2005. v. 4.
  3. EVANS, T. M.; SYTSMA, K. J.; FADEN, R. B.; GIVNISH, T. J. 2003. Phylogenetic Relationships in the Commelinaceae: II. A Cladistic Analysis of rbcL Sequences and Morphology. Systematic Botany, v.28, n.2, p. 270-292. 
  4. a b c ELBL, P. M. Estudos em Commelinaceae (Monocotiledôneas): O papel da endoderme e do periciclo na formação do corpo primário. 2008. 167 p. Tese (Doutorado em Botânica) – Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo, São Paulo, 2008.
  5. «Detalha Taxon Publico». floradobrasil.jbrj.gov.br. Consultado em 1 de fevereiro de 2017 
  6. PEREIRA, T. S. 1987. Commelinaceae: estudo do desenvolvimento pós-seminal de algumas espécies. Acta Biologica Leopoldensia, v.9, n.1, p.49-80. 
  7. CAMPELO, C. R.; RAMALH, R. C. Plantas medicinais no Estado de Alagoas. In: CONGRESSO NACIONAL DE BOTÂNICA, nº 1., 1989. Anais... 1989. p. 67-72.
  8. CRUZ, D. L. S.; RODRIGUES, G. S.; DIAS, F. O.; ALVEZ J. M. A.; ALBUQUERQUE, J. A. A. Levantamento de plantas daninhas em área rotacionada com as culturas da soja, milho e arroz irrigado no cerrado de Roraima. Ci. Inf., Roraima, v. 3, n. 1, p. 58-63, jan./jun. 2009. Disponível em: <http://revista.ufrr.br/agroambiente/article/view/248/214>. Acesso em: jan. 2017 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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