Constantino de Sá de Noronha
| Constantino de Sá de Noronha | |
|---|---|
| Nascimento | 1586 Lisboa |
| Morte | 25 de agosto de 1630 (43–44 anos) Ceilão Português |
| Cidadania | Reino de Portugal |
| Ocupação | governador, comandante militar, colonial governor |
| Lealdade | Império Português |
Constantino de Sá de Noronha foi o 6.º e o 8.º governador do Ceilão português,[1] tendo falecido em combate, na batalha de Randeniwela, em 25 de agosto de 1630.
Biografia
[editar | editar código]Nasceu muito provavelmente em Portugal, no ano de 1586,[2] filho legitimado de Martim Lourenço de Sá com Isabel Tomás.
O apelido Noronha vinha de sua bisavó, D. Joana de Noronha, neta paterna, em linha ilegítima, do 1.º conde de Odemira.[3]
Foi nomeado pela primeira vez em 1618, sob Filipe II de Portugal, sendo governador de Ceilão até 1622; e depois novamente nomeado em 1623, ficando no cargo até 1630.
Foi morto durante a Batalha de Randeniwela,[4] onde opôs resistência desesperada ao inimigo, tendo se recusado a abandonar as suas tropas.
Vários relatos, embora com versões algo divergentes sobre o que realmente se passou nos últimos instantes da sua vida, descrevem detalhadamente o momento de sua queda em combate.
Por examplo, no "Diário de Robert Knox" (1681), pode ler-se o seguinte:[5]
"Sá saqueou toda a província de Uva, mas no seu regresso foi abandonado por todos os cingaleses que tinha no seu exército, e atacado por três princípes que fizeram grandes estragos na sua retaguarda.
O general, vendo a sua derrota, e a probabilidade de ficar prisioneiro, chamou o seu escravo, para que lhe desse água para beber, e, arrebatando a faca que estava presa à cintura do rapaz, esfaqueou-se a si próprio com ela".
O "Diário de João Ribeiro" (1685),[6] diz o seguinte:
"O general, tendo cumprido o seu dever de chefe e de soldado, permaneceu na refrega, no meio do inimigo, e matou todos os que tinham a ousadia de permanecer perto dele, até que, perfurado por balas e flechas, caiu morto, sobre uma pilha de inimigos que ele próprio havia matado".
Mais recentemente, o autor sri lankês C. Gaston Perera, escrevendo em 2007, admite a possibilidade de Constantino de Sá ter sido abatido por "fogo amigo", de um arqueiro luso que, ao tentar derrubar um atacante dos exércitos cingaleses, acertou por engano no comandante das forças portuguesas, as quais na sequência se renderam.[7]
Sucederam-lhe no governo de Ceilão Jorge de Albuquerque e Filipe Mascarenhas, respectivamente.
Relações familiares, casamento e descendência
[editar | editar código]A sua varonia era a dos Sás, pois era tetraneto de João Anes de Sá, senhor de Baltar (filho segundogénito de João Rodrigues de Sá, senhor de Gaia),[8] pelo filho deste Fernão de Sá, que teve como filho ilegítimo Artur de Sá, casado com a acima referida D. Joana de Noronha, descendente dos condes de Odemira. Deste casal foi filho Francisco de Sá, falecido em 1565; do seu casamento com Joana de Vila Lobos foi filho Martim Lourenço de Sá.[3]
Constantino de Sá e Noronha era filho legitimado do relacionamento deste Martim Lourenço de Sá com Isabel Tomás.
Era assim parente de vários membros da família Sá que desempenharam papel relevante na expansão portuguesa, nomeadamente Garcia de Sá, Mem de Sá, Estácio de Sá e Salvador Correia de Sá.[3]
Casou com D. Luísa da Silva, filha de Duarte de Melo, 5.º senhor de Povolide, e de D. Margarida da Costa (que era filha de D. Duarte da Costa, 2.º governador do Brasil); com a seguinte geração:
- João Rodrigues de Sá e Meneses, casado com Mariana de Sousa, com geração, um filho, Artur de Sá, que não deixaria sucessão;
- D. Joana Maria de Noronha, que casou em LIsboa, Santos-o-Velho, em 15.03.1631, com D. Jorge Mascarenhas (bp. Lisboa, Sacramento, 20.07.1604), neto paterno de D. Francisco Mascarenhas, 1.º conde de Santa Cruz e 13.º vice-rei da Índia, não tendo havido geração deste casamento;
- D. Margarida de Mendonça, que foi a primeira mulher, sem geração, do historiador D. Agostinho Manuel de Vasconcelos.[9]
O filho primogénito deste casamento, o acima referido João Rodrigues de Sá e Meneses, escreveria sobre seu pai, em língua castelhana, o livro “Rebelión de Ceylan y los progressos de su conquista en el gobierno de Constantino de Saa y Noroña, escribela su hijo Juan Rodríguez de Saa y Menezes”, publicado em Lisboa por A. Craesbeck de Mello, no ano de 1681.[10]
Referências
- ↑ «Sri Lanka. Governors». www.worldstatesmen.org (em inglês). Consultado em 25 de dezembro de 2023
- ↑ Winius, George Davison (1 de outubro de 2013). «The Fatal History of Portuguese Ceylon: Transition to Dutch Rule». Harvard University Press (em inglês): 15. ISBN 978-0-674-86311-8. doi:10.4159/harvard.9780674863118. Consultado em 7 de janeiro de 2024.
Foi nomeado capitão-geral do Ceilão português em 1619, com a idade de 33 anos
- 1 2 3 Marques, Marisa Pires (3 de julho de 2017). «Mem de Sá: um Percurso Singular no Império Quinhentista Português»: 49, 227, 232. Consultado em 12 de abril de 2026
- ↑ Witharana, Thushara (1 de janeiro de 2019). «The Traditional Military Knowledge of Sri Lanka is Disclosed through Randeniwela Battle (The Concept of "Core Functions of War"». International Conference on Intangible Cultural Heritage. Consultado em 25 de dezembro de 2023
- ↑ Knox, Robert (1817). An Historical Relation of the Island of Ceylon in the East Indies. Together with an Account of the Detaining in Captivity the Author, and Divers Other Englishmen Now Living There; and of the Author's Miraculous Escape (em inglês). Londres: J. Mawman
- ↑ Ribeiro, João (1999). The historic tragedy of the island of Ceilāo. Public Resource 4th ed. Colombo: New Delhi : Asian Educational Services
- ↑ Perera, Gaston C. (1 de janeiro de 2007). Kandy Fights the Portuguese: A Military History of Kandyan Resistence [Paperback] [Jan 01, 2007] Gaston C. Perera (em inglês). Colombo: Vijitha Yapa Publications, Sri Lanka. p. 313
- ↑ Manuel Abranches de Soveral. «João Anes de Sá, senhor de juro e herdade de Baltar». roglo.eu. Consultado em 12 de abril de 2026
- ↑ Soveral, Manuel Abranches de (1 de janeiro de 2017). «CRISTÓVÃO MENDES DE CARVALHO História de um alto magistrado quinhentista e de sua família». "Fragmenta Historica" - Revista do Centro de Estudos Históricos da Universidade Nova de Lisboa: 77 - 78. Consultado em 25 de dezembro de 2023
- ↑ «Rebelión de Ceylan y los progressos de su conquista en el gobierno de Constantino de Saa y Noroña, escribela su hijo Juan Rodríguez de Saa y Menezes .. | WorldCat.org». search.worldcat.org. Consultado em 25 de dezembro de 2023
| Precedido por Nuno Álvares Pereira |
Governador do Ceilão Português 1ª vez 1618 — 1622 |
Sucedido por Jorge de Albuquerque |
| Precedido por Jorge de Albuquerque |
Governador do Ceilão Português 2ª vez 1623 — 1630 |
Sucedido por Filipe de Mascarenhas
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