Jerónimo de Azevedo

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D. Jerónimo de Azevedo
Retrato de D. Jerónimo de Azevedo. In Ásia portuguesa de Manuel de Faria e Sousa. Parte III. Lisboa 1675
Vice-rei da Índia Flag of Portugal (1521).svg
Período 16121617
Antecessor Rui Lourenço de Távora
Sucessor João Coutinho, 5.º Conde de Redondo
Dados pessoais
Nascimento 1540
Morte 1625 (85 anos)
Progenitores Mãe: Violante Pereira
Pai: D. Manuel de Azevedo, Comendador de São João de Alpendurada

Dom Jerónimo de Azevedo (cerca de 1540Lisboa, 1625) foi um fidalgo português.

Era filho de D. Manuel de Azevedo, comendador de São João de Alpendurada e senhor das Honras de Barbosa e de Ataíde, neto paterno de D. João de Azevedo, Bispo do Porto, e irmão do Beato Inácio de Azevedo.

Partiu muito jovem para a Índia, onde fez toda a sua carreira. Foi nomeado governador de Ceilão (atual Sri Lanka) em 1594. Anos antes, em 1580, o Rei de Kotte, Dharmapala, convertido ao cristianismo, tinha deixado todo o seu Reino como legado ao Rei de Portugal. Mas a decisão provocou forte resistência no reino vizinho de Kandy, de maioria budista. Os portugueses tiveram assim que subjugar pela força o reino de Kandy, num processo que foi completado por D. Jerónimo de Azevedo no período do seu governo com sede em Colombo, que durou até 1612. Os portugueses impuseram entretanto em Ceilão uma estrutura administrativa liderada por um capitão-general.

Azevedo foi nomeado 39.º Governador e 20.º Vice-Rei da Índia em 1611, tendo rumado para Goa em 1612. Segundo o historiador A. R. Disney o período de novo expansionismo português na Ásia do Sul e Sudeste atingiu o seu ápice precisamente por volta do ano em que D. Jerónimo de Azevedo tomou posse do governo em Goa[1]. Entretanto, esse auge não durou muito tempo e já estava em retração quando D. Jerónimo deixou a Índia, em 1617. Durante o seu governo, entretanto, houve várias demonstrações desse ativismo: por exemplo, em 1615 Azevedo apoiou uma expedição a Pegu que tentou, sem o conseguir no final, capturar o tesouro imperial em Mrauk-U. E em 1616, Azevedo comandou uma grande frota de navios portugueses que tentou, sem sucesso, expulsar de Surat os navios da Companhia Inglesa das Índias Orientais que, sob o comando de Nicholas Downton, lá faziam comércio em detrimento do monopólio português[2].

Quando regressou à corte, em 1617, D. Jerónimo de Azevedo teve seus bens confiscados, por suspeita de enriquecimento ilícito. Faleceu em 1625 em Lisboa, no Castelo de S. Jorge e foi sepultado na Igreja de São Roque.

O Forte de São Jerónimo, em Damão (Nani Daman) teve a sua construção iniciada durante o seu governo na Índia e recebeu esse nome em sua homenagem. D. Jerónimo de Azevedo foi também responsável pela reconstrução do Palácio do Hidalcão (Adilshahi) em Goa.


Fontes[editar | editar código-fonte]

Precedido por
Rui Lourenço de Távora
Vice-Rei da Índia Portuguesa
16121617
Sucedido por
João Coutinho, 5.º Conde de Redondo

  1. Disney, A. R. (2009). A History of Portugal and the Portuguese Empire: From Beginnings to 1807 (Volume 2). Cambridge: Cambridge University Press. p. 167 
  2. Danvers, Frederick Charles (1894). The Portuguese in India: Being a History of the Rise and Decline of Their Eastern Empire: Volume 2. Londres: W. H. Allen & Co. p. 198