Décio Freitas

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Décio Bergamaschi Freitas (Encantado, 6 de setembro de 1922Porto Alegre, 9 de março de 2004[1]) foi jornalista e historiador brasileiro. A parte de suas publicações em livros, escrevia no jornal Zero Hora de Porto Alegre, de cujo corpo editorial fazia parte.

Décio Freitas estudou no Colégio Rosário em Porto Alegre, formou-se pela Faculdade de Direito da Universidade do Rio Grande do Sul, onde entrou no Partido Comunista Brasileiro. Ainda na faculdade, Décio iniciou sua carreira como jornalista.[2]

Após o Golpe de 1964, Décio fugiu para São Paulo e no Rio de Janeiro, e finalmente refugiou-se em Montevidéu.

Foi historiador marxista, com extensa obra em livros. Em Palmares - A Guerra dos Escravos, retrata Zumbi dos Palmares e contou a história da confederação dos quilombos de Palmares. Não se limitava a compilar informações bibliográficas, mas ia às primitivas fontes. Buscava novas óticas e possibilidades de interpretação dos fatos.

Renunciando ao marxismo, nos últimos anos, publicou obras como O Maior Crime da Terra sobre os crimes da Rua do Arvoredo e o quotidiano de Porto Alegre do início do século XX; e O Homem que Inventou a Ditadura no Brasil, crítica a Júlio de Castilhos e elogio a Gaspar Silveira Martins, produção que se encontra entre a história e a ficção literária.

Colocou todos os seus instrumentos e armas - os conhecimentos jurídicos, o jornalismo, a sedução, a capacidade de diálogo, o gosto pela política, a convivência com os grandes políticos nacionais - a serviço da pesquisa e da narrativa da história. Os jornais Folha de S. Paulo e Globo, o denominaram como o "historiador dos vencidos".[3]

Acusações de fraudes[editar | editar código-fonte]

O jornalista Leandro Narloch, no Guia Politicamente incorreto da História do Brasil (2009), acusa Décio Freitas de haver forjado documentos históricos relativos a Zumbi dos Palmares: "No livro Palmares: A Guerra dos Escravos, Décio afirma ter encontrado cartas mostrando que o herói cresceu num convento de Alagoas, onde recebeu o nome de Francisco e aprendeu a falar latim e português. Aos 15 anos, atendendo ao chamado do seu povo, teria partido para o quilombo. As cartas sobre a infância de Zumbi teriam sido enviadas pelo padre Antônio Melo, da vila alagoana de Porto Calvo, para um padre de Portugal, onde Décio as teria encontrado. Ele nunca mostrou as mensagens para os historiadores que insistiram em ver o material. A mesma suspeita recai sobre outro livro seu, O Maior Crime da Terra. O historiador Cláudio Pereira Elmir procurou por cinco anos algum vestígio dos registros policiais que Décio cita. Não encontrou nenhum. ”Tenho razões para acreditar que ele inventou as fontes e que pode ter feito o mesmo em outras obras”, disse-me Cláudio no fim de 2008. O nome de Francisco, pura cascata de Décio Freitas, consta até hoje no Livro dos Heróis da Pátria da Presidência da República."

Referências

  1. «Morre o historiador gaúcho Décio Freitas». Terra - Literatura. Consultado em 11 de maio de 2008 
  2. http://guiadoestudante.abril.com.br/estudar/historia/grande-decio-freitas-433657.shtml
  3. Juremir Machado da Silva. «Décio Freitas». Página do Gaúcho. Consultado em 11 de maio de 2008. Os jornais Folha de S. Paulo e 0 Globo, em notas sobre a sua morte, destacaram a perda do historiador dos vencidos. 

Publicações[editar | editar código-fonte]

  • Palmares - La Guerrilha Negra, Montevidéu, Nuestra América, 1971.
  • Palmares - A Guerra dos Escravos, Porto Alegre, Movimento, 1971.
  • Insurreições Escravas, Porto Alegre, Movimento, 1975.
  • Escravos e Senhores-de-Escravos, Porto Alegre, Escola Superior São Lourenço de Brindes/UCS, 1977.
  • Cabanos - Os Guerrilheiros do Imperador, Rio de Janeiro, Graal, 1978.
  • O Escravismo Brasileiro, Porto Alegre, Escola Superior São Lourenço de Brindes/Vozes, 1980.
  • O Capitalismo Pastoril, Porto Alegre, Escola Superior São Lourenço de Brindes, 1980.
  • Escravidão de Índios e Negros no Brasil, Porto Alegre, Escola Superior São Lourenço de Brindes/UCS, 1980.
  • O Socialismo Missioneiro, Porto Alegre, Movimento, 1982.
  • A Revolução dos Malês, Porto Alegre, Movimento, 1985.
  • Brasil Inconcluso, Porto Alegre, Escola Superior São Lourenço de Brindes, 1986.
  • A Comédia Brasileira, (crônicas) Porto Alegre, Sulina, (1994).
  • O Maior Crime da Terra, (Ensaio - História) Porto Alegre, Sulina, (1996).
  • O Homem que Inventou a Ditadura no Brasil, (Ensaio - História) Porto Alegre, Sulina, (1999).
  • República de Palmares: pesquisa e comentários em documentos históricos do século XVII, Edufal, 2004.
  • A Miserável Revolução das Classes Infames, Rio de Janeiro, Record, 2005.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]