Dia de São Silvestre

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Dia de São Silvestre
São Silvestre e o imperador Constantino, o Grande
Celebrado por Anglicanismo, Catolicismo, Ortodoxia Oriental, Luteranismo, Reformados
Tipo Cristão
Data 31 de dezembro
(Cristianismo ocidental)
2 de janeiro
(Cristianismo oriental)
Significado Festa do Papa São Silvestre I
Último dia do calendário gregoriano
Frequência Anual
Relacionado(s) Véspera de Ano Novo, Natal, Dia de Ano Novo, Festa do Nome e Circuncisão de Jesus, Solenidade de Maria, Mãe de Deus

O Dia de São Silvestre é o dia da festa do Papa Silvestre I, um santo que serviu como papa (bispo de Roma) de 314 a 335. A lenda medieval o responsabilizou pela conversão do imperador Constantino. Entre as igrejas ocidentais, a festa é celebrada no dia da morte de Silvestre, 31 de dezembro, data que, desde a adoção do calendário gregoriano, coincide com a véspera de Ano Novo. Para essas denominações cristãs, o dia de São Silvestre marca liturgicamente o sétimo dia de Natal.[1] As igrejas ortodoxas orientais celebram a festa de Silvestre em um dia diferente das igrejas ocidentais, ou seja, em 2 de janeiro. As celebrações do Dia de São Silvestre são marcadas por comparecimento à igreja na Missa da Meia-Noite ou em um culto noturno, bem como fogos de artifício, festas e banquetes.[2]

São Silvestre[editar | editar código-fonte]

Sob o reinado do Papa Silvestre I, várias das magníficas igrejas cristãs foram construídas, incluindo a Basílica de São João de Latrão, a Igreja de Santa Croce e a Antiga Basílica de São Pedro, entre outras.[3] Durante o papado de Silvestre, o Credo Niceno, que é recitado pelos comungantes da vasta maioria das denominações cristãs do mundo, foi formulado.[3] Diz-se que São Silvestre curou, em nome de Cristo, o imperador Constantino, o Grande, da lepra.[3] Depois de morrer, São Silvestre foi enterrado em 31 de dezembro na Catacumba de Priscila.[3]

Tradições regionais[editar | editar código-fonte]

Vários países, principalmente na Europa, usam uma variante do nome de Silvestre como o nome preferido para o feriado; esses países incluem Áustria, Bósnia e Herzegovina, Croácia, República Tcheca, França, Alemanha, Hungria, Israel, Itália, Liechtenstein, Luxemburgo, Polônia, Eslováquia, Suíça e Eslovênia.[4]

Áustria e Alemanha[editar | editar código-fonte]

Na capital da Áustria, Viena, as pessoas levam os porcos para passear em coleiras para a celebração do Dia de São Silvestre na esperança de ter sorte no ano seguinte.[5] Muitas famílias cristãs na Alemanha marcam o dia de São Silvestre praticando o costume do Bleigiessen usando Silvesterblei (chumbo de Silvestre), em que este é derretido sobre uma chama em uma colher velha e jogado em uma tigela de água fria; o destino de uma pessoa no próximo ano é determinada pela forma do chumbo.[6] Se o chumbo formar uma bola (der Ball), a pessoa terá sorte, enquanto a forma de uma estrela (der Stern) significa felicidade.[7]

Bélgica[editar | editar código-fonte]

Os cristãos da Bélgica têm a tradição de que uma jovem solteira que não termine seu trabalho até o pôr do sol no dia de São Silvestre não se casará no ano seguinte.[5]

Brasil[editar | editar código-fonte]

Junto com a queima de fogos de artifício, a Corrida de São Silvestre, a mais antiga e prestigiada prova de corrida do Brasil, acontece no Dia de São Silvestre e é dedicada a ele.[8]

Holanda[editar | editar código-fonte]

O último que acorda neste dia chama-se "Silvestre". Quem cochilar será obrigado, segundo a tradição do feriado, a pagar uma multa. Antigamente, as holandesas se esforçavam muito para ser diligentes e fazer todo o trabalho doméstico antes do anoitecer. Acreditava-se que tal zelo ajudaria na busca por um noivo, e no próximo ano uma jovem diligente certamente se tornaria uma noiva.[9]

Israel[editar | editar código-fonte]

Em Israel, o Papa Silvestre é amplamente considerado um antissemita.[10] Por esta razão, ex-judeus soviéticos que celebram a véspera de Ano Novo (chamado Novy God para distingui-lo de "Silvestre") às vezes têm sido criticados por celebrar um feriado antissemita, embora com o tempo a aceitação de Novy God como um feriado secular tem crescido.[11]

Itália[editar | editar código-fonte]

No Dia de São Silvestre, "comem-se lentilhas e rodelas de salsicha porque se parecem com moedas e simbolizam a boa sorte e a riqueza da vida para o ano que se inicia".[12]

Portugal[editar | editar código-fonte]

As festas mais grandiosas acontecem na ilha da Madeira. Das 20h00 até a manhã seguinte, um feriado grandioso continua. 250 mil lanternas multicoloridas iluminam o Funchal - o centro administrativo da ilha portuguesa.[9]

República Tcheca[editar | editar código-fonte]

Neste país, a carpa com maçã, raiz-forte e lentilha é preparada neste dia. Conta-se que tal prato é para desejar boa sorte e felicidade no ano que vem. Um pássaro não é bem-vindo na mesa festiva, pois acredita-se que a felicidade pode "voar para longe" como aquele pássaro.[9]

Rússia[editar | editar código-fonte]

Na Rússia, o "Dia de Silvestre" é comemorado de acordo com os costumes populares em 2 de janeiro (15 de janeiro no calendário juliano). Este dia é considerado o feriado das galinhas: se limpa galinheiros e poleiros, fumigam as paredes com fumaça de erva-campeira ou esterco de vaca com carvão. Em vários lugares do galinheiro havia sempre um "deus das galinhas" pendurado para que os kikimors não estrangulassem as galinhas. No início da manhã, as mulheres idosas lavavam as vergas da porta com água para proteger a entrada da cabana contra doenças febris.[13]

Suíça[editar | editar código-fonte]

Na manhã do dia de São Silvestre, os filhos de uma família cristã competem entre si para ver quem consegue acordar mais cedo; a criança que levnata por último é zombada de maneira brincalhona.[5] Os homens, por séculos, se disfarçaram de Silvesterklaus no dia de São Silvestre.[14]

Referências

  1. Watts, Isaac (1 de novembro de 2013). Joy to the World: The Forgotten Meaning of Christmas (em inglês). [S.l.]: Paraclete Press. p. 49. ISBN 9781612615301 
  2. Berkmoes, Ryan Ver; Cole, Geert; Berry, Oliver; Else, David (2009). Western Europe (em inglês). [S.l.]: Lonely Planet. p. 551. ISBN 9781741049176. The German New Year's Eve is called Silvester in honour of the 4th-century pope under whom the Romans adopted Christianity as their official religion; there's partying all night long. 
  3. a b c d Kathy Coffey; Donna M. Crilly; Mary G. Gox; Marry Ellen Hynes; Julie M. Krakora; Corinna Laughlin; Robert C. Rabe (16 de fevereiro de 2012). Companion to the Calendar, Second Edition (em inglês). [S.l.]: LiturgyTrainingPublications. p. 154. ISBN 9781568542607 
  4. Cohen, Ariel (31 de dezembro de 2014). «Celebrating an anti-Semitic pope on Sylvester». The Jerusalem Post. Consultado em 31 de dezembro de 2014. Cópia arquivada em 31 de dezembro de 2014 
  5. a b c Crump, William D. (25 de abril de 2014). Encyclopedia of New Year's Holidays Worldwide (em inglês). [S.l.]: McFarland. p. 215. ISBN 9781476607481 
  6. «SILVESTER - NEW YEAR'S EVE». mrshea.com. Consultado em 31 de dezembro de 2015 
  7. «2.0 Silvesterbraeuche - Neujahrsbraeuche». silvestergruesse.de. Consultado em 31 de dezembro de 2015 
  8. Cau, Jean; Bost, Jacques Laurent; Chambry, D.; Wagret, Paul (1979). Brazil (em inglês). [S.l.]: Nagel Publishers. p. 214. ISBN 9782826307273. On New Year's Eve there are fireworks in the streets, and at midnight begins the marathon known as the 'St Sylvester's Day race'. 
  9. a b c «Новый год — 1 января. История и особенности праздника в проекте Календарь Праздников 2010» (em russo). Consultado em 31 de dezembro de 2021 
  10. Kershner, Isabel (30 de dezembro de 2018). «New Year's Fete From Russia Irks Some in Israel: 'It's Not a Jewish Holiday'». The New York Times 
  11. Kershner, Isabel (30 de dezembro de 2018). «New Year's Fete From Russia Irks Some in Israel: 'It's Not a Jewish Holiday'». The New York Times 
  12. dePaola, Tomie (18 de outubro de 2011). Strega Nona's Gift (em inglês). [S.l.]: Penguin Books. p. 33. ISBN 9781101653159 
  13. Apollon Korinfsky (1901). Narodnaya Rus: Lendas, crenças, costumes e provérbios do povo russo durante todo o ano. Moscou: [s.n.] p. 114 
  14. Spicer, Dorothy Gladys (1973). Festivals of Western Europe (em inglês). [S.l.]: Library of Alexandria. p. 253. ISBN 9781465579997 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]