Esmeraldo de Situ Orbis

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de Esmeraldo de situ orbis)
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Capa da 1a edição (1892).

...a experiencia he madre das cousas, por ella soubemos rradicalmente a verdade...
("A experiência é a madre de todas as
cousas, per ela soubemos redicalmente
a verdade...")

Esmeraldo de Situ Orbis, p. 196

O Esmeraldo de situ orbis é um manuscrito de autoria do cosmógrafo português Duarte Pacheco Pereira.

Dedicada ao rei D. Manuel I de Portugal (1495-1521), a obra foi montada em cinco partes, com um total de duzentas páginas, em 1506. Conforme descrito nas próprias palavras do autor, trata-se de uma obra de "cosmografia e marinharia". Apesar do título em latim, foi escrita em língua portuguesa, contendo as coordenadas geográficas de latitude e longitude de todos os portos conhecidos no seu tempo.

Quatro Livros[editar | editar código-fonte]

A obra está dividida em quatro livros, ainda que seja impressa num único volume:

  • Prólogo
  • Primeiro Livro : (inclui Descobrimentos do Infante D. Henrique) - 33 capítulos
  • Segundo Livro : Descobrimentos de D. Afonso V - 11 capítulos
  • Terceiro Livro : Descobrimentos de D. João II - 9 capítulos
  • Quarto Livro : Descobrimentos de D. Manuel - 6 capítulos

Duarte Pacheco Pereira faz referência a vários mapas inclusos, mas que desapareceram por completo.

Estudo de Jorge Couto[editar | editar código-fonte]

De acordo com a recente pesquisa do historiador português Jorge Couto, da Universidade de Lisboa, a obra esteve perdida durante quase quatro séculos, devido à natureza das suas informações. O seu título encontra-se cifrado:

  • "Esmeraldo" -, é um anagrama onde se encontram associadas as iniciais, em latim, dos nomes de Manuel (Emmanuel), o soberano, e Duarte (Eduardus), o cosmógrafo.
  • "De situ orbis" pode ser traduzido como "Dos sítios da Terra", título da obra de Pompônio Mela, o mais científico dos geógrafos romanos, que terá inspirado Duarte Pacheco Pereira.[1]

O título "Esmeraldo de situ orbis", significa, dessa forma, "O tratado dos novos lugares da Terra, por Manuel e Duarte".

O soberano, entretanto, considerou tão valiosas as informações náuticas, geográficas e econômicas reunidas na obra que jamais permitiu que ela viesse a público. A obra consistiria num minucioso relato de viagens não só às Américas como à costa de África, principal fonte da riqueza comercial de Portugal no século XV.

Sobre o Brasil[editar | editar código-fonte]

Em relação ao Brasil, apresenta informações no segundo capítulo da primeira parte. Resumidamente, o trecho relata:

"Como no terceiro ano de vosso reinado do ano de Nosso Senhor de mil quatrocentos e noventa e oito, donde nos vossa Alteza mandou descobrir a parte ocidental, passando além a grandeza do mar Oceano, onde é achada e navegada uma tam grande terra firme, com muitas e grandes ilhas adjacentes a ela e é grandemente povoada. Tanto se dilata sua grandeza e corre com muita longura, que de uma arte nem da outra não foi visto nem sabido o fim e cabo dela. É achado nela muito e fino brasil com outras muitas cousas de que os navios nestes Reinos vem grandemente povoados."[2]

É, assim, o primeiro roteiro de navegação português a mencionar a costa brasileira e a abundância de pau-brasil (Caesalpinia echinata) nela existente. No Atlântico Sul, entre as ilhas oceânicas, apresenta, com suas "ladezas" (latitudes) conhecidas à época:

Ainda no Atlântico Sul, omite, nessa lista, a ilha de Santa Helena e a atual Ilha de Ascensão.

Um manuscrito secreto[editar | editar código-fonte]

O manuscrito era, de fato, tão precioso, que, em 1573, uma cópia foi remetida secretamente para Filipe II da Espanha por um espião italiano, Giovanni Gesio, a serviço na embaixada espanhola em Lisboa. Pela missão, Gesio foi regiamente recompensado, encontrando-se o recibo do pagamento pelos seus serviços atualmente na biblioteca do Mosteiro do Escorial, na Espanha.

O manuscrito só veio a ser publicado em 1892, a partir da localização de duas cópias: a primeira numa biblioteca de Lisboa e a outra na cidade portuguesa de Évora.

De acordo com um dos mais importantes biógrafos de Duarte Pacheco Pereira, o historiador português Joaquim Barradas de Carvalho, que viveu exilado no Brasil na década de 1960, o "Esmeraldo de situ orbis", mais do que um roteiro de viagem, é uma obra de erudição e uma síntese de todos os conhecimentos de navegação acumulados pelos portugueses nos séculos XIV e XV.

Notas

  1. Diffie, Bailey (1977). Foundations of the Portuguese Empire, 1415–1580. [S.l.]: University of Minnesota Press. ISBN 0816607826. Consultado em 16 de junho de 2011 
  2. Original: Bemauenturado Príncipe, temos sabido e visto como no terceiro anno de vosso Reinado do hanno de nosso senhor de 1498, donde nos vossa alteza mandou descobrir a parte oucidental, passando alem ha grandeza do mar oceano, onde he achada a navegada hûa tão grande terra firme, com muitas e grandes ilhas ajacentes a ella, que se estende a setente graaos de ladeza da linha equinoçial contra ho pollo artico e posto que seja asaz fora, he grandemente pouorada, e do mesmo circulo equinocial torna outra vez e vay alem em vinte e oito graaos e meo de ladeza contra ho pollo antartico, e tanto se dilata sua grandeza e corre com muita longura, que de hûa parte nem da outra foy visto nem sabido ho fim e cabo della; pello qual segundo ha hordem que leua, he certo que vay en cercoyto por toda a Redondeza.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]