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Cogumelo alucinógeno: diferenças entre revisões

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Revisão das 23h15min de 5 de outubro de 2021

Cogumelo psicodélico da classe Agaricomycetes

Os cogumelos alucinógenos, conhecido também como cogumelos psicodélicos (português europeu) ou cogumelos psicodélicos (português brasileiro) ou ainda cogumelos mágicos[1], são fungos com propriedades alucinógenas, utilizados por diversos povos em suas atividades culturais, bem como drogas recreativas, especialmente por jovens urbanos influenciados por diversos movimentos culturais.

É possível distinguir três grupos de cogumelos psicotrópicos:[2]

Normalmente são classificados como tóxicos, por ser essa a terminologia jurídica, e enteógenos ou psicodélicos devido aos efeitos que causam.

Psilocina
Psilocibina

No Brasil, nas décadas de 60 e 70, não era incomum ver jovens que buscavam determinada espécie destes cogumelos nos pastos dos estados do sul. Estes nasciam sobre o esterco do gado e eram colhidos para se fazer um chá: "chá de cogumelos", que devido à psilocibina e psilocina fazia com que se "abrissem" mais um pouco as portas da percepção. Porém, quando ingerido em sua forma natural, ou com algum ingrediente a fim de modificar seu gosto forte, os efeitos se mostram mais intensos, já que a alta temperatura usada no "chá" destrói parte de seu potencial, deixando as moléculas de seu elemento ativo instáveis, contudo com o risco das reações adversas dessa combinação (há referências de mistura com leite condensado por alguns experimentadores de próprio risco). Os mais antigos textos sobre o seu uso na cultura asteca, compilados pelo padre Bernardino de Sahagún, referem-se a uma mistura do cogumelo teonanacatl com mel.[6][7] Além disso, quando ingerido na forma sólida, o efeito vem de forma mais vagarosa, dando tempo ao usuário para perceber melhor o que está acontecendo, dentro e fora de sua mente. Experimentos de universidades geralmente utilizam espécimes secas ou cápsulas de seu elemento ativo.

Muscarina

Psilocybe semilanceata
Muscarina

Cogumelos sem psilocina e/ou psilocibina, a exemplo o Amanita muscaria do qual se extrai a muscarina, também são utilizados para fins considerados "recreativos", desde sua descoberta pelos exploradores europeus das práticas xamanicas dos povos siberianos. Seu efeito porém, é distinto da psilocibina, com perda de consciência (delírio, estupor) equivalente aos efeitos da Datura stramonium e atropina ambos potentes estimuladores do sistema nervoso autônomo, atuando os compostos da A. muscaria nos receptores muscarínicos da Acetilcolina. Pesquisas da distinção do efeito autonômico dos referidos nas experiências xamânicas e de viajantes europeus apontam para presença e efeito de outras substâncias nele contidas, mais especificamente o ácido ibotênico e muscimol com propriedades psicodislépticas.[8]

Uso étnico

Os astecas o chamavam genericamente de teonanacatyl ou carne dos deuses, os mazatecas o denominam ntsi-si-tho (ndi xi tjo) onde ntsi é um diminutivo carinhoso e o restante da palavra poderia ser traduzido como "aquele que brota".[9][10] O Psilocybe zapotecorum, cresce nos charcos e lugares alagados por isso são chamados de apipiltzin (filhos das águas) por sua relação com o Deus das Chuvas (Tlaloc).[11]

Segundo Escobar[12] Di-shi-tjo-le-rra-ja é o nome Mazateca dado ao cogumelo ‘mágico’ da espécie Psilocybe cubensis, que significa o cogumelo divino do estrume, provavelmente o mais cosmopolita dos fungos neurotrópicos, isto é, com efeitos psicodélicos. Gordon Wasson apud McKenna [13] interpretando as referências ao Soma dos antigos textos védicos atribuía ao A. muscaria as propriedades dessa mágica substância descrita, contudo cogitava a possibilidade de ser o P. cubensis por haver proibições específicas ao esterco de gado. Ainda segundo Escobar (oc.) O México é o país que apresenta a maior diversidade de usos rituais envolvendo diversas espécies, sendo a principal espécie utilizada o Teonanácatl ou ‘carne de Deus’ (Psilocybe mexicana) e não existe qualquer evidência do emprego cerimonial dos cogumelos ‘mágicos’ por culturas tradicionais na América do Sul, exceto achados arqueológicos no norte da Colômbia datando de 300-100 anos a.C..

Estátuas de cogumelos da Mesoamérica

Estatuetas de cogumelos são também encontradas além do México na Guatemala evidenciam seu uso pela civilização maia.[14] O aprendizado moderno sobre tais cogumelos originou-se no interesse da contracultura nas medicinas tradicionais, nesse caso o sistema etno-médico asteca da Mesoamérica motivados sobretudo pela leitura do trabalho de ficção com base etnográfica de Carlos Castañeda. Ainda hoje, em muitos lugares da América Central, este tipo de cogumelos psicodélicos também são utilizado em rituais religiosos e de curandeirismo. A curandeira Maria Sabina, do México, ficou conhecida em diversos países por seus rituais que faziam uso dos cogumelos mágicos.

Dosagem

O cogumelo alucinógeno mais comum, o P. cubensis, apresenta naturalmente uma dose baixa , entre 1,0 e 2,5 g de psilocibina,[15] enquanto que a versão seca do mesmo cogumelo apresenta 2,5 e 5,0 g, esta considerada uma dose forte. Doses acima de 5 g da psilocibina são consideradas fortes, sendo seu efeito, referido como "dose heroica".[16][17]

A concentração do composto varia, não só, de espécie para espécie, mas também de cogumelo para cogumelo e diferentes partes do mesmo. No P.cubensis, por exemplo, contém a maior parte da psilocibina na região superior, a "cabeça" ou "chapéu" do cogumelo, com quantidades entre 0,23%-0,90%. O Micélio contém diferentes valores, variando entre 0,24%-0,34%.[18]

Quantidade da microdose de cogumelos

A quantidade da microdose de um psicodélico é relativa à sua dose limiar. A dose limiar é a dose mínima de uma substância que produzirá um grau notável de qualquer efeito dado.

Uma vez que a microdosagem de cogumelos mágicos é o uso de doses sub-perceptivas, a dosagem da microdose está abaixo da dose limiar. Idealmente, uma microdosagem de cogumelos mágicos não vai causar efeito substancial sobre o humor, a disposição ou a mentalidade. Em vez disso, seu impacto será sutil, mas presente.[19]

Legalidade

Brasil

No Brasil, a Psilocibina e a Psilocina são substâncias controladas, de acordo com a portaria Portaria n.º 344, de 12 de maio de 1998. No entanto, o Cogumelos Psilocybe cubensis não estão listados explicitamente. Há um vácuo legal em relação aos fungos que contém Psilocibina: não existem leis que autorizem ou desautorizem o cultivo, porte, consumo ou distribuição de cogumelos alucinógenos para fins etnobotânicos e religiosos.[20] Isso pode deixar em aberto que o cultivo ou o porte de cogumelos alucinógenos contendo Psilocibina ou Psilocina poderia ser considerado uma atividade não-ilegal. Contudo, por ser um texto muito aberto, afirmar com clareza que portar espécimes alucinógenos não constitui crime é algo que necessita de uma análise legal mais aprofundada.

Portugal

Portugal descriminalizou o posse de qualquer droga recreativa[21] (isso inclui os cogumelos alucinógenos) desde que possua quantidades diárias até 10 g. Porém a distribuição e cultivo são considerado crimes.

Holanda

As trufas psicodélicas são legais na Holanda e são vendidas como "Trufas Mágicas".[22]

Galeria de fotos

Ver também

Referências

  1. de Sahagún, Bernadino. «COGUMELOS: CONHEÇA QUAIS SÃO SEUS TIPOS, SEUS EFEITOS E PRINCIPAIS USOS». Green.net. Consultado em 4 de outubro de 2021 
  2. Denis Richard, Jean-Louis Senon, Marc Valleur (2004). Dictionnaire des drogues et des dépendances. [S.l.]: Larousse. ISBN 2-03-505431-1 
  3. Treu, Roland; Adamson, Win. Ethnomycological Notes from Papua, New Guinea. McIlvainea 16 (2) Fall 2006 disponível em pdf
  4. Spooner, Brian. Lycoperdon perlatum (common puffball) Royal Botanic Gardens, Kew Arquivado em 12 de outubro de 2013, no Wayback Machine. Acesso out. 2013
  5. Schmull, Michaela et al. Dictyonema huaorani (Agaricales: Hygrophoraceae), a new lichenized basidiomycete from Amazonian Ecuador with presumed hallucinogenic properties. The Bryologist 2014 117 (4), 386-394 Abstract Acesso Fev. 2015
  6. Furst, Peter, E. Cogumelos psicodélicos, - tudo sobre drogas, SP, Nova Cultural, 1989
  7. de Sahagún, Bernadino. «General History of the Things of New Spain». www.wdl.org. Consultado em 6 de janeiro de 2021 
  8. Erowid Psychoactive Amanitas
  9. Estrada, Álvaro, A vida de Maria Sabina, a sábia dos cogumelos, SP, Martins Fontes, 1984
  10. «Hallucinogenic drugs in pre-Columbian Mesoamerican cultures». Neurología (English Edition) (em inglês) (1): 42–49. 1 de janeiro de 2015. ISSN 2173-5808. doi:10.1016/j.nrleng.2011.07.010. Consultado em 6 de janeiro de 2021 
  11. Heim, Roger. História da descoberta dos cogumelos alucinógenos no México. In Bailly, J.C.; Guimard (org) A experiência alucinógena (Mandala). RJ, Civilização Brasileira, 1969
  12. Escobar, José A. C. Observação e exploração da percepção visual e do tempo em indivíduos sob o estado ampliado de consciência após o consumo de cogumelos “mágicos” (Psilocybe cubensis). Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Psicologia Cognitiva da Universidade Federal de Pernambuco como requisito para a obtenção do título de Mestre em Psicologia Cognitiva. Disponível em PDF
  13. McKenna Terence. O alimento dos deuses. RJ. Record, 1995
  14. Folange, Émile As pedras cogumelo In Bailly, J.C.; Guimard (org) A experiência alucinógena (Mandala). RJ, Civilização Brasileira, 1969
  15. «Erowid Psilocybin Mushroom Vault : Dosage». www.erowid.org. Consultado em 3 de julho de 2020 
  16. Staff, WIRED (1 de maio de 2000). «Terence McKenna's Last Trip». Wired. ISSN 1059-1028 
  17. «Erowid Psilocybin Mushroom Vault : Dosage». www.erowid.org. Consultado em 3 de julho de 2020 
  18. Gartz, Jochen; Allen, John W.; Merlin, Mark D. (8 de julho de 1994). «Ethnomycology, biochemistry, and cultivation of Psilocybe samuiensis Guzmán, Bandala and Allen, a new psychoactive fungus from Koh Samui, Thailand». Journal of Ethnopharmacology (em inglês). 43 (2): 73–80. ISSN 0378-8741. doi:10.1016/0378-8741(94)90006-X 
  19. «Quantidade da microdose de cogumelos». Kosmic 
  20. «Os cogumelos mágicos são ilegais no Brasil?». Psy News. 16 de setembro de 2021. Consultado em 23 de setembro de 2021 
  21. «Drug policy of Portugal». Wikipedia (em inglês). 1 de maio de 2019 
  22. «Toelichting btw-tarief na vragen». www.belastingdienst.nl (em neerlandês). Consultado em 18 de outubro de 2020 

Ligações externas

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