Freamunde

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
 Portugal Freamunde  
—  Freguesia  —
Rua Dona Mercedes Barros na freguesia de Freamunde, Paços de Ferreira
Rua Dona Mercedes Barros na freguesia de Freamunde, Paços de Ferreira
Brasão de armas de Freamunde
Brasão de armas
Freamunde está localizado em: Portugal Continental
Freamunde
Localização de Freamunde em Portugal
Coordenadas 41° 17' 19" N 8° 20' 21" O
País  Portugal
Concelho PFR1.png Paços de Ferreira
Administração
 - Tipo Junta de freguesia
 - Presidente Armanda Isabel Pinto Taipa Pereira Fernandez (PS)
Área
 - Total 4,68 km²
População (2011)
 - Total 7 789
    • Densidade 1 664,3 hab./km²
Gentílico: Freamundenses
Código postal 4590 Freamunde
Sítio www.jf-freamunde.pt

Freamunde é uma freguesia portuguesa do concelho de Paços de Ferreira, com 4,68 km² de área e 7 789 habitantes (2011). A sua densidade populacional é 1 664,3 hab./km².

Freamunde é um nome milenário, genitivo de “Fredemundus”, de origem germânica. Raiz para a paz "Frea" (de FRIJUS) e associação para protecção (de MONDE) aglutinar-se-iam para formar Freamunde. O topónimo "Freamunde" , passou a denominar este recanto, a "terra de paz e protecção" ou "apoio na paz", a paz necessária aos Suevos que por cá se fixaram, por volta, de 410, vindos da Germânia aquando das invasões bárbaras.[1] Freamunde é uma cidade conhecida a nível nacional pela “Feira dos Capões”, mas também pela Festas Sebastianas e pelo “Grupo Teatral Freamundense” que recebeu vários prémios a nível nacional e representou Portugal no estrangeiro. É uma terra rica em patrimónios e salienta-se em manifestações populares, feiras, teatro, columbófila, pesca, música, futebol, rancho e caça.

A famosa feira dos capões realiza-se todos os anos, no dia 13 de Dezembro, para além da feira quinzenal, sempre aos dias 13 e 27 de cada mês.

Realizam-se também as Festas Sebastianas, onde ocorre o ritual da vaca de fogo, sempre no segundo fim de semana de Julho.

História e Património[editar | editar código-fonte]

Freamunde : Um Nome Milenar[editar | editar código-fonte]

Cansados dos movimentos migratórios e bélicos que lhes endureciam a existência, os primeiros grupos que se fixaram, neste pedaço de terra teriam nele encontrado condições privilegiadas de fertilidade, beleza e frescura natural que os atraíram e depois os prenderam aqui.

Procuravam ou fizeram aqui a sua Paz (Frea) e acoitaram-se à sua Protecção (Munde), a protecção duma natureza afável, a proporcionar-lhes condições e garantias para a fixação.

Aglutinar-se-iam, mais tarde, os dois termos de origem germânica – Frea (de FRIJUS) e Munde (de MONDE) – para surgir o topónimo Freamunde, um genitivo de Fredemundus, e cognominar este recanto, como “terra de paz e protecção”.

A Origem Suévica[editar | editar código-fonte]

Alguns vestígios da cultura castreja parecem confirmar a tese da instalação, na actual área de Freamunde de núcleos, de que o Castro dos Mortórios (repartido por Freamunde e Covas) é o mais elucidativo. É dessa época, uma ponta de bronze de possível lança ou punhal aí encontrado que se pode ver no Museu do Seminário Maior do Porto.

Com estilos de vida mais avançados, os romanos invasores destruiriam muitos dos habitats lusitanos (ou galaicos), para introduzir novas técnicas de cultivo, novas formas de organização administrativa, política e militar. Mas, no início do Séc. V, o declínio do grande império romano, chegou à Hispânia.

Uma nova vaga de invasores suceder-se-ia e neles convém destacar os suevos, por serem os fundadores de Freamunde, “Uma povoação suévica da chã de Ferreira”, como consignava o Coronel Baptista Barreiros, na sua comunicação em Junho de 1957, no Colóquio Bracarense de Estudos Suévico-Brizantinos.

Era um povo bárbaro que se estendeu por toda a região de Entre–Douro–e–Minho, estabelecendo em Braga, a capital do seu reino.

Convertidos ao catolicismo no tempo do rei Recaredo, (em Fevereiro de 587) filho de Leovigildo, por influência de S. Martinho de Dume, fixaram um bispado em Meinedo (Lousada). O Apóstolo dumiense teria por cá passado e influenciado a adopção de S. Martinho de Tours, por quem tinha uma enorme devoção, para patrono ou orago de Freamunde.

O rei suévico era também um chefe militar e tinha um poder sacralizado, o que lhe concedia prestígio, autoridade e orgulho. Sob a sua égide, o seu povo influenciou muito a vida colectiva de então, onde conviviam os invasores e os dominados em harmonia. Valorizavam o poder eclesiástico, deram uma componente guerreira mais forte ao poder político, consideraram a economia como base real e deixaram influenciar toda a sua vida pelo sagrado.

E A História Evolui[editar | editar código-fonte]

Na Idade Média, a economia agrária repousava em duas vertentes fundamentais – a existência de casais e a pertença de grande parte das terras à Igreja.

Pelas Inquirições de D. Afonso III de 1258 percebe-se a antiguidade de Freamunde. Inserida no Couto de Ferreira, a maior parte dos casais da freguesia pertencia ao Mosteiro, embora sobressaíssem já os descendentes de D. Urraca Fernandes e D. Egídio com vários casais. Em 1346, o delegado régio Aparício Gonçalves que entra em Freamunde para de novo inquirir, cita Gil Vasques e Martim Anes também como grandes proprietários.

Os Soverosa, de origem galega, deram origem à Honra de Soverosa (Sobrosa) que depois adquiriu o estatuto de vila, por foral de D. Manuel I. Os casais passaram a depender de Sobrosa, excepto os que pertenciam ao Couto de Ferreira, o que colocava Freamunde numa posição curiosa. Era Couto e era Honra.

Integrada no Julgado de Aguiar de Sousa, de que já fazia parte em 1346 como atesta o Coronel Barreiros, porque também no Couto de Ferreira, a freguesia de Freamunde assim permanece até que, em 1836, com a reforma administrativa de D. Maria II se constitui o concelho de Paços de Ferreira que juntou freguesias desse julgado e algumas do de Refojos, julgados que eram separados pelo Rio Ferreira… Entretanto tinha sido prestimónio ou comenda da Ordem de Cristo, no senhorio dos marqueses de Vila Real, cujos bens passaram depois para a Casa do Infantado, em 1641…

De S. Martinho a S. Salvador[editar | editar código-fonte]

Nas Inquirições de D. Afonso III, a freguesia de Freamunde era citada já, como tendo como orago S. Salvador “Hic incipit Ecclesiae Sancti Salvatoris de Fremundi”.

Tendo nascido no Oriente, acredita-se que a devoção a S. Salvador se tenha disseminado pelo Ocidente, através das Cruzadas, isto é, a partir do Séc. XI.

É no Séc. XIII que aparece a paróquia de Freamunde devotada a S. Salvador, relegando o patrono de séculos, S. Martinho. Não surpreenderá esta mudança que o Coronel Barreiros justifica por a freguesia ter estado sujeita, como muitas outras, às oscilações, incertezas e vicissitudes comportadas pela Reconquista e à “influência do entusiasmo das Cruzadas”. A população, ao descer de S. Martinho, para outros lugares, teve de erigir uma nova igreja paroquial, o que teria contribuído também para a escolha doutro patrono, mudança que a Igreja Católica permitia e até apoiava.

De Aldeia a Cidade[editar | editar código-fonte]

No início do Séc. XX e por via dum trabalho denodado da sua população, Freamunde já se distinguia no contexto concelhio. Havia um grande dinamismo económico, já um certo movimento associativo e vontade comum de dotar a freguesia dos melhores equipamentos e da melhor qualidade de vida.

Com um progresso assinalável e evidente, a Junta de Freguesia conseguiria a sua elevação a Vila pelo Dec-Lei N.º 22656 de 13 de Junho de 1933, motivo mais que suficiente para uma grande festa popular.

Já lá vão muitos anos, mas o ânimo e o espírito de iniciativa não esmoreceram. À medida do sonho que sempre marcou presença e norteou a vida desta gente, Freamunde tem vindo a crescer a vários níveis, a tal ponto que foi reunindo os requisitos necessários e teve a ascensão a cidade com aprovação unânime na Assembleia da República a 19 de Abril de 2001.[2]

Património[editar | editar código-fonte]

Capela S. Francisco[editar | editar código-fonte]

Trata se dum conjunto edificado no século XVIII. Em 1734 foi demolida uma pequena Capela que ali existia e em 1737 já estava em obras a actual capela, a avaliar por uma data inscrita na padieira da porta principal. Em 1743 foi sagrada a capela. Em 1878, foram remodelados os estatutos da Confraria de São Francisco. Nos anos 80 do século XX recebeu um lambrim de azulejos e em 1992 o Cruzeiro do Adro.Quanto á Residência Hospício, foi construída logo a seguir à capela por decisão da Ordem Terceira de São Francisco. A Construção do Coro, da varanda alpendrada e da torre sineira foi iniciativa do Capitão Mor Francisco Moreira Carneiro.[3]

Capela S. António[editar | editar código-fonte]

Tem uma só nave, com altares neoclássica. No corpo da nave, venera-se Santa Luzia com dia de romaria a 13 de Dezembro. Em 1720 já existia a capela de Santo António e parece ter sucedido a um anterior oratório muito singelo ligado a um ermitão de seu nome António Dias Penedo. Estava junto à feira, beneficiando do seu movimento. E foi lá que se iniciou a vida desta Confraria em 7 de Julho de 1729. O Papa Urbano VIII concedeu-lhe a carta de indulgência datada desse mesmo dia. Em 1751 a confraria de Santo António dava sinais de grande dinamismo. À volta da capela surgia grande devoção. Os próprios rendimentos da feira ajudaram à sua pujança. Aí esteve até 1936, altura em que foi cuidadosamente deslocada, pedra por pedra para o sítio actual, permitindo o arranjo urbanístico do centro da cidade.

População[editar | editar código-fonte]

População da freguesia de Freamunde [4]
1864 1878 1890 1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011
1 090 1 257 1 557 1 633 2 001 2 035 2 333 2 808 3 096 3 783 4 163 5 554 6 116 7 452 7 789
Distribuição da População por Grupos Etários
Ano 0-14 Anos 15-24 Anos 25-64 Anos > 65 Anos 0-14 Anos 15-24 Anos 25-64 Anos > 65 Anos
2001 1 567 1 149 4 039 697 21,0% 15,4% 54,2% 9,4%
2011 1 365 1 043 4 436 945 17,5% 13,4% 57,0% 12,1%

Geografia[editar | editar código-fonte]

Freamunde é uma cidade com uma área de 515 km2, o que corresponde a 7.25% do território do concelho.

Freamunde, encontra-se por razões históricas, identificada internamente em vários lugares que funcionam tipo divisões administrativas dentro da cidade. Pela sua longa história e tradições são ainda hoje referências para todos habitantes.  Os lugares de Freamunde são os seguintes:

• Abrute • Além do Rio • Boavista

• Cachopadre • Calvário • Carvalhal

• Cerca • Freamunde de Cima • Gandarela

• Lama • Leigal • Madões • Matos

• Outeiro • Panelas • Pessô • Plaina

• Santa Cruz • Talhô

Festas e Feiras[editar | editar código-fonte]

Resultados eleitorais[editar | editar código-fonte]

Eleições autárquicas (Junta de Freguesia)

Partido % M % M % M % M % M % M % M % M % M % M % M
1976 1979 1982 1985 1989 1993 1997 2001 2005 2009 2013
FEPU/APU/CDU 31,0 3 31,0 4 35,1 5 27,1 2 30,1 3 22,9 2 15,4 2 9,4 1 11,7 1 10,0 1 8,0 1
PPD/PSD 30,2 3 47,2 7 49,5 7 48,6 5 32,0 3 28,5 3 43,1 6 62,7 9 48,4 7 43,1 6 41,5 6
PS 24,8 2 15,0 2 8,9 1 19,6 2 30,6 3 10,1 1 37,5 5 24,6 3 35,2 5 42,5 6 47,7 6
CDS-PP 8,8 1 5,3 - 3,7 - 2,5 - 5,3 - 1,9 - 1,1 - 1,5 - 2,2 -
IND 1,9 - 36,2 3

Referências

  1. «Freamunde». ’’CM Paços de Ferreira’’. Consultado em 6 de Setembro de 2013 
  2. Freamunde, Junta. «História de Freamunde» 
  3. DINIS, Manuel Vieira (1985). Ermidas e Capelas de Paços de Ferreira. [S.l.: s.n.] 
  4. Instituto Nacional de Estatística (Recenseamentos Gerais da População) - https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Ícone de esboço Este artigo sobre freguesias portuguesas é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.