Fred Kradolfer

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Fred Kradolfer
Fred Kradolfer, c. 1939
Nascimento 1903
Zurique
Morte 1968 (65 anos)
Lisboa
Nacionalidade Suíço
Ocupação Pintor, ilustrador, artista gráfico

Fred Kradolfer (Zurique, 12 de junho de 1903Lisboa, 16 de julho de 1968), foi um pintor, ilustrador, artista gráfico e decorador de origem suíça.[1].

Figura chave na introdução das linguagens gráficas modernas em Portugal na década de 1920, Fred Kradolfer é considerado um "protagonista incontornável da história do design português".[2]

Vida / Obra[editar | editar código-fonte]

Portugal - Praia de Espinho (cartaz turístico), 1931
Cidade, óleo sobre platex, 47,5 x 33 cm

Iniciou sua vida acadêmica estudando ourivesaria na Escola de Artes Aplicadas de Zurique. Posteriormente, foi para a Alemanha estudar Artes Gráficas na Escola de Belas Artes de Berlim e arquitetura na Academia de Munique (não chegou a finalizar este último curso). No entanto, antes de se mudar da sua cidade natal, foi chamado para pintar grandes painéis para a Catedral de Zurique.[3] No período seguinte passou por diversas cidades europeias, como Roterdão, Bruxelas e Paris, onde trabalhou na decoração de montras de estabelecimentos comerciais. Até que, em 1 de agosto de 1924, estabeleceu-se em Portugal, mas sem nunca deixar de acompanhar atentamente a evolução das artes gráficas suiças.[4][5][6][7]

Com conhecimentos adquiridos fora de Portugal, foi desde cedo uma referência para todos os que se empenhavam na modernização das linguagens das artes gráficas. Fred Kradolfer "é um dos plásticos que mais arejaram a atmosfera artística do nosso país" [8]. "Portador de uma diversificada formação académica, [ele] trouxe os conhecimentos, experiência e exemplos que permitiram a divulgação da linguagem moderna na comunicação gráfica"[9].

A sua ação renovadora a nível da publicidade é determinante. "Alternativa gráfica à exploração do lado narrativo e anedótico da mensagem, opõem-lhe a sua consciência de síntese, e a própria noção de grafismo que ela contém". Irá procurar uma maior eficácia da comunicação através da supressão de elementos secundários ou acessórios, de uma estilização poderosa das imagens e de uma sugestiva articulação entre a imagem e a palavra.[10]

Artista multifacetado, dedicou-se ao longo dos anos a diversas atividades artísticas, das artes gráficas (veja-se, por exemplo, o seu cartaz turístico Portugal - Praia de Espinho, 1931) ao vitral, à cerâmica, aos anúncios luminosos, sem esquecer a sua importante ação como decorador. Colaborou nos primeiros ateliers de design e publicidade desenhando materiais gráficos, montras e stands (Atelier Arta, de Jorge Barradas; ETP – Estúdio Técnico de Publicidade, de José Rocha). Em 1927, passa a assinar suas primeiras montras em Lisboa, sob a encomenda do Instituto Pasteur. Nos anos seguintes, colaborou com o Atelier Arta e o Atelier Publicitas desenhando projetos gráficos, montras e desenvolvendo stands para marcas como Philips, Nestlé, Instituto Pasteur, Renaul e diversas outras[11]. Como pintor participou em diversas mostras coletivas, nomeadamente em Salões da Sociedade Nacional de Belas Artes (1932, 1933, 1934, 1935, 1960), no I Salão de Independentes (SNBA, 1930), na Exposição de Artistas Ilustradores Modernos, (S.P.N., 1943), na II Exposição de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian (Lisboa, 1961), etc.[12][13]

Trabalhou como decorador no pavilhão de Portugal na Exposição Internacional e Colonial de Vincennes, Paris, 1930-31. Entre 1937 e 1939 integrou, juntamente com Bernardo Marques, Carlos Botelho, Emmerico Nunes, Thomaz de Mello, Paulo Ferreira e José Rocha, a equipe de decoradores do S.P.N. (Secretariado de Propaganda Nacional) encarregues da realização dos pavilhões de Portugal nas seguintes exposições internacionais: Exposição Internacional de Artes e Técnicas, Paris, 1937; Feira Mundial de Nova Iorque, 1939; Exposição Internacional de S. Francisco, 1939. Em 1940 integrou a equipa de decoradores da Exposição do Mundo Português e, nesse mesmo ano, foi agraciado com as insígnias de Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada.[14][15]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. França, José Augusto - A Arte em Portugal no Século XX: 1911-1961 [1974]. Lisboa: Bertrand Editora, 1991, p. 216.
  2. José Bártolo (2012). «Fred Kradolfer» (PDF). Imprensa Nacional-Casa da Moeda, S. A. Consultado em 6 de setembro de 2013 
  3. HENRIQUES, Ana Rita Luís (Junho de 2011). «Fred Kradolfer: Designer Gráfico influenciador e influenciado em Portugal» 
  4. NOTA: a data de fixação de Fred Kradolfer em Portugal deverá ter acontecido em 1924, embora algumas publicações indiquem o ano de 1927
  5. A.A.V.V – II Exposição de Artes Plásticas. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1961
  6. José Bártolo (2012). «Fred Kradolfer» (PDF). Imprensa Nacional-Casa da Moeda, S. A. Consultado em 6 de setembro de 2013 
  7. Fragoso, Margarida - Design Gráfico em Portugal: Formas e expressões da cultura visual do século XX. Lisboa: Livros Horizonte, 2012, p. 109. ISBN 978-972-24-1716-7
  8. Queirós, Carlos, Revista de Portugal, nº7, Abril de 1939. Citado in: França, José Augusto - A Arte em Portugal no Século XX: 1911-1961 [1974]. Lisbon: Bertrand Editora, 1991, p. 216.
  9. Fragoso, Margarida - Design Gráfico em Portugal: Formas e expressões da cultura visual do século XX. Lisboa: Livros Horizonte, 2012, p. 109. ISBN 978-972-24-1716-7
  10. Freitas, Helena de; Faria, Fernando – Eletricidade e modernidade. Lisboa: EDP, Eletricidade de Portugal, 2000
  11. BÁRTOLO, José (2012). Fred Kradolfer: design de comunicação e expositivo. Lisboa: Publisher. pp. Página 9 
  12. A.A.V.V – II Exposição de Artes Plásticas. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1961
  13. José Bártolo (2012). «Fred Kradolfer» (PDF). Imprensa Nacional-Casa da Moeda, S. A. Consultado em 6 de setembro de 2013 
  14. A.A.V.V. – Os Anos Quartenta na Arte Portuguesa (tomo 1). Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1982, p. 55, 146
  15. A.A.V.V – II Exposição de Artes Plásticas. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1961