Frei Dolcino

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa

Dolcino foi um Frade da Igreja Católica que, no século XIV teve suas ideias consideradas heréticas pela Santa Sé e condenado à morte pela Inquisição, juntamente com seus seguidores pregavam o retorno da Igreja à pobreza e à simplicidade. A comunhão dos bens e das mulheres, o fim da eucaristia, da adoração da cruz como símbolo divino e o fim da confissão também eram pregados pela irmandade. Dentre as doutrinas dos dolcinianos, a que mais chama atenção é a de assassinar os padres que não concordassem com eles. Seu grito de reconhecimento era o "PENITENZIAGITE", ou penitencia-te, para todo aquele que fosse seguidor das doutrinas de Dolcino.

O frei herege Dolcino de Novara, criador do Movimento Dolciniano, em uma litografia de Michel Doyen (1809-1881).

Perseguido pelas forças do Papa Clemente V, encastelou-se nos arredores de Novara, onde resistiu durante um ano, juntamente com sua companheira Margaret de Trento, até que as forças da Igreja finalmente punham termo à irmandade. Dolcino e Margaret foram condenados e executados, mas apesar disso, seus ideais permaneceram vivos juntamente com alguns seguidores que secretamente escaparam do massacre de Novarra.

Há também relatos de fontes duvidosas, que dizem que os dolcinianos além de fazerem voto de pobreza, roubavam dos ricos para distribuir aos pobres.

Biografia[editar | editar código-fonte]

As fontes sobre a vida de Frei Dolcino são escassas e difusas, pelo que é difícil construir uma biografia exata. Algumas fontes referem-se ao seu nome verdadeiro como David Tornielli, mas a data e o lugar do seu nascimento ainda são desconhecidos.

Com certeza, o que se sabe era que Dolcino dispunha de um poder oratório e de uma atratividade muito grande, pelo que cedo começou a juntar um grupo de discípulos.

Dolcino, como São Francisco de Assis, pregava a pobreza, no entanto acreditava que a violência era um caminho viável para impor esta pobreza ao Clero da Igreja, acusando, inclusive, o Papa Bonifácio VIII e todos os membros da Igreja Católica de fugirem do ideal evangélico da pobreza como o caminho para a santidade, por isso tinham que ser mortos.

Pregava, também, contra a adoração da cruz, contra a intercessão dos santos e contra os sacramentos, como a ordenação, que Dolcino acusava de desnecessária para a pregação; e como a confissão, dado que os pecados só seriam remidos na outra vida, mas não na vida terrena. Pregava, também, contra a adoração da cruz e a intercessão dos santos.

Em 1304, Dolcino decidiu ocupar militarmente a cidade de Valsesia e ali formar um território franco de onde poderia expandir a sua comunidade e a sua pregação.

Essa ocupação foi proclamada uma verdadeira cruzada, mas Dolcino e os seus seguidores resistiram militarmente durante muito tempo até que em 1307, a própria população local se soblevou contra a sua ditadura e as tropas pontifícias conseguiram entrar na cidade na Semana Santa de 1307. Dolcino foi processado e sentenciado à morte, tendo a execução acontecida em 1 de Junho desse mesmo ano.

Frei Dolcino na literatura e cinema[editar | editar código-fonte]

Dante recorda Frei Dolcino na Divina Comédia.

Umberto Eco no seu livro "O Nome da Rosa" (adaptado ao cinema com Sean Connery no principal papel) também refere os Dolcineus devido ao Frade Salvatore que clama "penitentiagite".

O "mito" de Dolcino[editar | editar código-fonte]

Com a formação da nacionalidade Italiana no século XIX, Dolcino foi rebuscado como um herói em luta contra o poder temporal do Papa, um dos opositores à unificação Italiana.

Ver Também[editar | editar código-fonte]

Obras biográficas[editar | editar código-fonte]

  • Raniero Ornioli (cur.), "Fra Dolcino. Nascita, vita e morte di un'eresia medievale". Milano, Jaca Book, 2004.
  • Centro Studi Dolciniani, Fra Dolcino e gli Apostolici tra eresia, rivolta e roghi. Roma, DeriveApprodi, 2000. ISBN 88-87423-35-0.
  • Corrado Mornese. Eresia dolciniana e resistenza montanara. Roma, DeriveApprodi, 2002. ISBN 9788887423914.
  • Alberto Bossi, " Fra Dolcino, Gli Apostolici e la Valsesia " . Borgosesia, Ed. Corradini 1973.
  • Gabriella Pantò, "Contro fra Dolcino. Lo scavo delle postazioni vescovili nel Biellese", ed. DOCBI Centro Studi Biellesi, 1995.

Ligações externos[editar | editar código-fonte]