Fritz Bleyl

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Cartaz de Fritz Bleyl para promover a primeira exposição de Die Brücke em 1906. Foi proibido pela polícia.

Fritz Bleyl (nascido como Hilmar Friedrich Wilhelm Bleyl; Zwickau, Alemanha, 8 de outubro de 1880Bad Iburg, 19 de agosto de 1966) foi um artista alemão da escola expressionista, e um dos quatro fundadores do grupo artístico Die Brücke. Fez design gráfico para o grupo, e para a primeira exposição, um cartaz que foi proibido pela polícia. Abandonou o grupo após dois anos, quando se casou, para cuidar a sua família, e não fez exposições públicas posteriormente.[carece de fontes?]

Vida e obra[editar | editar código-fonte]

Fritz Bleyl cresceu na região de Erzgebirge. Em 1901 começou a estudar arquitetura na Königliche Technische Hochschule (Universidade técnica) de Dresde, como desejavam os seus pais; porém, o seu desejo pessoal era ser pintor.[1] A instituição proporcionou-lhe um amplo conjunto de estudos além da arquitetura, como o desenho à mão alçada, e o estudo histórico da arte.[2]

Bleyl travou amizade com o seu companheiro estudante, Ernst Ludwig Kirchner, ao que conheceu o primeiro trimestre. Discutiam de arte e estudavam a natureza,[1], e tinham um ponto de vista radical em comum.[3]

Em 1905, Bleyl com Kirchner, e outros dois estudantes de arquitetura, Karl Schmidt-Rottluff e Erich Heckel, fundaram o grupo artístico Die Brücke ("A ponte"). O grupo visava a evitar o estilo acadêmico tradicional que prevalecia e encontrou um novo modo de expressão artística, que formaria uma ponte (daí o nome) entre o passado e o presente.[3] Respondiam tanto a artistas do passado como Albert Dürer, Matthias Grünewald e Lucas Cranach, o Velho, o mesmo que a movimentos de vanguarda internacional contemporânea.[3] O seu grupo foi um dos seminais, que viriam ter um grande impacto na evolução da arte moderna do século XX e criou o estilo do expressionismo.[4] Nesta época, Bleyl foi um membro entusiasta do grupo.[1] Reuniam-se inicialmente no primeiro estudo de Kirchner, que previamente fora um açougue. Bleyl descreveu-o assim:

aquele de um autêntico boêmio, cheio de quadros por todos os lados, desenhos, livros e materiais de artista— mais parecido à moradia romântica de um artista que à casa de um estudante de arquitetura bem organizado.[3]

O estudo de Kirchner coincidia com a descrição de Bleyl, sendo um local que desprezava as convenções sociais para permitir o sexo causal e a frequente nudez.[3] Sessões de grupo de pintura ao natural eram celebradas usando modelos do círculo social, mais que profissionais, e escolhendo poses de um quarto de hora para fomentar a espontaneidade.[3] Bleyl descreveu uma das modelos, Isabella, uma jovem de quinze anos do vizinhança, como "muito vivaz, belamente constituída, jovial, sem qualquer deformação causada pela estúpida moda do corpete e completamente adequada para a nossas demandas artísticas, especialmente na condição florescente dos seus juvenis brotos."[5]

O grupo compôs um manifesto, na maior parte autoria de Kirchner, que foi gravado em madeira e impunha "uma nova geração que quer liberdade na nossa obra e nas nossas vidas, independente das forças estabelecidas, mais velhas".[3]

Como parte da afirmação da sua herança nacional, reviveram meios antigos, particularmente a xilografia.[3] Bleyl especializou-se no design gráfico e criou vários cartazes significativos e entradas que apresentavam o grupo ao público em geral.[1]

Em setembro e outubro de 1906, foi celebrada a primeira exposição do grupo, focada no nu feminino, na sala de exposições de K. F. M. Seifert e companhia, em Dresde.[5] A partir de estudos do natural, Bleyl criou um cartaz em litografia para a mostra, impresso em tinta laranja sobre papel branco. Tem um estreito formato de retrato, mais próximo às xilografias japonesas do que às lâminas contemporâneas convencionais, e foi um distintivo contraste com o cartaz desenhado por Otto Gussmann para a III Exposição Alemã de Artes Aplicadas, que se inaugurara quatro meses antes em Dresde.[5] Bleyl omite iconografia tal e qual uma coroa, uma lâmpada e um vestuário aboiante, para mostrar um nu franco da modelo Isabella a tamanho natural sobre as letras. Os censores da polícia proibiram a mostra do cartaz em virtude do parágrafo 184, do Código Penal nacional, cláusula sobre pornografia, após perceber penugem púbica na sombra abaixo do estômago.[5]

Em 1905, Bleyl acabou os seus estudos universitários e, ao ano seguinte, começou a ensinar na Bauschule (escola de arquitetura) em Freiberg, Saxônia. Elegeu um estilo de vida burguês, casando-se em 1907. Preocupado por suster a sua família, abandonou o grupo.[1] Foi substituído por Max Pechstein e Otto Mueller[3].

Em 1916, completou a sua dissertação, e viajou à Itália e através dos Alpes. Durante o resto da sua vida, continuou ensinando e trabalhando como arquiteto. Também seguiu com a sua obra gráfica, mas manteve-se longe do escrutínio público e não celebrou exposições.[1] Residiu em Rostock, Neukölln em Berlim e Brandemburgo.[1]

Exposições[editar | editar código-fonte]

Fritz Bleyl expôs nas seguintes mostras de Die Brücke.[6] Die Brücke organizou exposições itinerantes, onde a mesma obra expor-se-ia novamente num local diferente.[6]

  • I Print Collection, Kunsthalle Beyer & Sohn gallery, Liepzig , novembro de 1905
  • julho de 1906, August Dörbant Art Salon, Braunschweig
  • I Print Collection 1906–1907, Georg Hulbe Kunstgewerbehaus, Hamburgo, setembro de 1906
  • Seifert Lamp Factory, Dresden-Löbtau, 24 de setembro – fim de outubro de 1906
  • I Print Collection 1906–1907, Galeria Katharinenhof, Frankfurt, novembro de 1906
  • II Print Collection 1906–19076, Städtische Vorbildersammlung, Chemnitz, dezembro de 1906
  • Seifert Lamp Factory, Dresden-Löbtau, 3 de dezembro – final de janeiro de 1907
  • I Print Collection 1906–1907, Friedrich Cohen Art Salon, Bonn, fevereiro de 1907
  • II Print Collection 1906–1907, Zwickau Kunstverein, Zwickau, janeiro – fevereiro de 1907
  • I Print Collection 1906–1907, Wilhelm Werner Art Salon, Göttingen, março – abril de 1907
  • II Print Collection 1906–1907, Otto Fischer Art Salon, Bielefeld, março de 1905
  • II Print Collection 1906–1907, Düsseldorf Städtische Kunsthalle, Düsseldorf, abril de 1907
  • I Print Collection 1906–1907, Leopold-Hoesch-Museum, Düren, junho de 1907
  • II Print Collection 1906–1907, Heidelberg Kunstverein, Heidelberg, junho de 1907
  • II Painting and Print Exhibition , Flensburg Gewerbemuseum, Flensburg, junho de 1907
  • II Print Collection 1906–1907, Würrtemberg Kunstverein, Stuttgart, julho de 1907
  • I Print Collection 1906–1907, Pfälzischer Kunstverein, Speyer, agosto de 1907
  • II Painting and Print Exhibition, Clematis Art Salon, Hamburgo, julho – agosto de 1907
  • II Painting and Print Exhibition, Emil Richter Art Salon, Dresden, setembro de 1907
  • I Print Collection 1906–1907, XV Kunstverein Exhibition, Rosenheim, outubro de 1907
  • II Painting and Print Exhibition, Kaiser Wilhelm Museum, Magdeburgo, outubro de 1907

Referências

  1. a b c d e f g "Fritz Bleyl (1880-1966)" Arquivado em 11 de maio de 2012, no Wayback Machine., Museu Brücke. Acesso 7 de setembro de 2007.
  2. "Os anos estudantis do Brücke e os seus professores", ingentaconnect.com (trecho do livro de Peter Lasko), de Art History, Volume 20, n.º 1, março de 1997, pp. 61-99. Acesso 7-9-2007.
  3. a b c d e f g h i "Kirchner - O expressionismo e a cidade" Arquivado em 26 de setembro de 2007, no Wayback Machine., Royal Academy, 2003. Acesso 7-9-2007.
  4. "A associação de artistas Brücke" Arquivado em 11 de maio de 2012, no Wayback Machine., Museu Brücke. Acesso 7-9-2007.
  5. a b c d Simmons, Sherwin. "Ernst Kirchner's Streetwalkers: Art, Luxury, and Immorality in Berlin, 1913-16", The Art Bulletin, março de 2000, de findarticles.com. Acesso 7-9-2007.
  6. a b Roller, Dianne Roller. "Die Brucke Data"[ligação inativa], Universidade de Kentucky, 23 de março de 2006. As datas das exposições citam-se tal e qual aparecem em Brücke: O Nascimento do Expressionismo Alemão. Acesso 7-9-2007.