Grammy Award para Best Disco Recording

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Grammy Award para
Best Disco Recording
Descrição Prémio atribuído pela qualidade a canções do género disco.
País  Estados Unidos
Primeira cerimónia 1980
Última cerimónia 1980
Detentor National Academy of Recording Arts and Sciences
Sítio oficial

Best Disco Recording foi uma categoria apresentada na cerimónia dos prémios Grammy, cerimónia esta estabelecida em 1958 e originalmente denominada de prémios Gramophone.[1] Esta categoria presenteia artistas pela excelente qualidade em canções do género musical disco. As várias categorias do prémio Grammy são apresentadas anualmente pela National Academy of Recording Arts and Sciences (NARAS) dos Estados Unidos em "honra da realização artística, proficiência técnica e excelência global na indústria da gravação, sem levar em conta as vendas de canções ou posições nas tabelas musicais."[2] Pelo seu trabalho na canção "I Will Survive" (1978), a cantora Gloria Gaynor e os produtores Dino Fekaris e Freddie Perren foram anunciados como vencedores em 1980. Todavia, devido a um movimento anti-disco, a NARAS decidiu descontinuar a categoria antes que a cerimónia do ano seguinte acontecesse. Em 1998, uma categoria similar que honorificava tanto faixas vocais quanto instrumentais de música dance foi introduzida ao prémio, apesar do receio por parte da NARAS da mesma seguir o caminho de Best Disco Recording.

História[editar | editar código-fonte]

Um evento que teve no lugar no Comiskey Park (imagem) em 1979, posteriormente conhecido como Disco Demolition Night, tornou-se na maior evidência de que a popularidade da música disco se estava a desvanecer rapidamente.

O disco é um género musical que emergiu nos Estados Unidos na década de 1970. A mistura experimental de canções, combinada com uma habilidade então recente de reproduzir faixas mais longas, resultou em um género que se enquadrava perfeitamente em festas de dança. Ao longo de 1973 e 1974, "Love Is the Message", do grupo de músicos MFSB, mostrou "os primeiros ruídos do som de disco" e, pouco tempo depois, as canções "Never Can Say Goodbye" de Gloria Gaynor, "The Hustle" de Van McCoy, e "Love to Love You Baby" de Donna Summer foram sendo lançadas. Em 1977, a inauguração do clube nocturno Studio 54 em Manhattan, Nova Iorque, acompanhado pelo sucesso do filme musical Saturday Night Fever – que continha obras musicais gravada pela banda Bee Gees – incrementou a popularidade do género disco. No ano seguinte, a discoteca Paradise Garage abriu em Manhattan, a estação de rádio nova-iorquina WKTU tornou-se "completamente disco", e o número de clubes nocturnos nos EUA subiu para quase 20 mil.[3] Na cerimónia dos prémios Grammy de 1979, Saturday Night Fever: The Original Movie Sound Track (1977) venceu a categoria Album of the Year, e os Bee Gees venceram Best Pop Vocal Performance by a Duo or Group pelo seu contributo para o álbum.[4][5] Até ao fim desse ano, o valor da indústria do disco havia sido estimado em mais de 4 mil milhões de dólares americanos, "mais ... do que a indústria dos filmes, televisão ou desporto profissional."[6]

Todavia, o movimento do disco rapidamente começou a entrar em declínio. A 12 de Julho de 1979, apenas alguns meses após a revista Newsweek ter feito uma reportagem sobre o "domínio" deste género musical, um evento promocional "tongue-in-cheek" posteriormente conhecido como Disco Demolition Night teve lugar no Comiskey Park em Chicago, Illinois.[7] Durante o intervalo de um conjunto de dois jogos de basebol, o disc jockey (DJ) Steve Dahl atiçou fogo a um recipiente cheio de discos de música disco, causando assim um motim entre a plateia do estádio e alcançando repercussão internacional.[6][8][9] Aproximadamente 10 mil unidades de discos foram destruídas, e cerca de 50 mil amotinadores participaram do evento, permanecendo no campo e impedindo os jogadores do Chicago White Sox de continuarem com o segundo jogo.[10]

A nível nacional, um "contra-ataque" aconteceu, visto que o apoio por parte do público começou a desvanecer.[6][11] De acordo com o autor Craig Warner, segundo o citado no jornal britânico The Independent, o "movimento anti-disco representou uma aliança ímpia de amantes de funk e feministas, progressivos e puritanos, amantes de rock e reaccionários. Não obstante, os ataques ao disco deram espaço para que os tipos mais feios de racismo, sexismo e homofobia não-reconhecidos se desenvolvessem." Até 1980, o "disco dominante" já havia perdido a sua força; até 1985, a WKTU havia retornado a tocar apenas música rock; e até ao fim da década de 1980, clubes noccturnos famosos como o Studio 54, o Paradise Garage e ainda o Clubhouse haviam todos fechado as suas portas.[3]

Prémio[editar | editar código-fonte]

A cantora Gloria Gaynor foi a única vencedora da categoria Best Disco Recording, premiada em 1980 pelo seu trabalho em "I Will Survive".

Em 1979, a NARAS tomou a decisão de adicionar a categoria Best Disco Recording para a vigésima segunda cerimónia anual dos prémios Grammy, bem no momento em que o disco se "estava a preparar para morrer". Trabalhos nomeados incluíam "Boogie Wonderland" de Earth, Wind & Fire, "I Will Survive" de Gloria Gaynor, "Don't Stop 'til You Get Enough" de Michael Jackson, "Da Ya Think I'm Sexy?" de Rod Stewart, e "Dim All the Lights" de Donna Summer.[11][12] Na noite de 27 de Fevereiro do ano seguinte, durante a transmissão ao vivo da cerimónia em directo do Shrine Auditorium em Los Angeles, Califórnia, Gaynor foi anunciada como a vencedora. Pelo seu trabalho como produtores, Dino Fekaris e Freddie Perren também foram premiados.[4][13]

No entanto, devido à popularidade decrescente da música disco, a NARAS acabou por eliminar a categoria antes que a cerimónia de 1981 acontecesse.[11] De acordo com a Academia, a música disco "já não era um formato musical facilmente distinguível", embora a sua influência se tenha "espalhado por todos os tipos de música pop".[14] Apesar da curta duração da categoria, ela ajudou a definir Gaynor como uma das artistas femininas de música disco mais populares dos anos 1970, e contribuiu para que "I Will Survive" fosse internacionalmente reconhecida como uma das canções mais comercializadas deste género.[15][16]

Outra categoria de dança não foi introduzida aos prémios Grammy até 1998, quando a Best Dance Recording começou a honorificar faixas de música dance tanto vocais quanto instrumentais,[17] embora houvesse preocupações que a categoria também teria vida curta, tal como a Best Disco Recording.[18] Em 2003, a NARAS moveu a categoria da secção "Pop" para a nova secção "Dance", que actualmente contém também a categoria Best Electronic/Dance Album.[19]

Notas de rodapé

  1. «Grammy Awards at a Glance». The Envelope (Los Angeles Times) (em inglês). Tribune Company. Consultado em 4 de Fevereiro 2011 
  2. «Overview» (em inglês). National Academy of Recording Arts and Sciences. Consultado em 16 de Março de 2011 
  3. a b «As the Ball Turns». The Washington Post (em inglês). The Washington Post Company. 16 de Dezembro de 2007. p. 1–2. Consultado em 23 de Julho de 2010 
  4. a b «Of Note». The Washington Post (em inglês). The Washington Post Company. 28 de Dezembro de 2004. Consultado em 23 de Julho de 2010 
  5. «Grammy Awards: Best Pop Vocal Performance by a Duo or Group». Rock on the Net (em inglês). Consultado em 23 de Julho de 2010 
  6. a b c «Disco inferno». The Independent (em inglês). Independent News & Media. 11 de Dezembro de 2004. Consultado em 23 de Julho de 2010 
  7. «Disco night in Chicago a 'turn-on'». Sarasota Journal (em inglês). Lindsay Newspapers Inc. 13 de Julho de 1979. p. 1C. Consultado em 19 de Outubro de 2010 
  8. Lapointe, Joe (4 de Julho de 2009). «The Night Disco Went Up in Smoke». The New York Times (em inglês). The New York Times Company. Consultado em 23 de Julho de 2010 
  9. «Fans Have A Blast In Chicago». The Gettysburg Times (em inglês). Gettysburg Times Publishing LLC. 13 de Julho de 1979. p. 13. Consultado em 19 de Outubro de 2010 
  10. Stephen, Williams (27 de Fevereiro de 2005). «Burn, baby, burn: Disco inferno at the library». The Boston Globe (em inglês). The New York Times Company. Consultado em 23 de Julho de 2010 
  11. a b c «"I Will Survive" wins the first—and last—Grammy ever awarded for Best Disco Recording» (em inglês). The History Channel. Consultado em 23 de Julho de 2010 
  12. «Grammys Draw a Variety of Nominees». The Hour (em inglês). Hearst Media Services. 11 de Janeiro de 1980. Consultado em 23 de Julho de 2010 
  13. «Past Winners Search» (em inglês). O utilizador deve seleccionar a categoria "Disco" como o género na secção de procura. National Academy of Recording Arts and Sciences. Consultado em 4 de Março de 2010 
  14. Arar, Yardena (14 de Janeiro de 1981). «Streisand, Sinatra head conservative Grammy nomination list». Anchorage Daily News (em inglês). The McClatchy Company. Consultado em 23 de Julho de 2010 
  15. «Gloria Gaynor» (em inglês). Allmusic (Rovi Corporation / All Media Guide). Consultado em 23 de Julho de 2010 
  16. «Gloria Gaynor still survives». The Age (em inglês). Fairfax Media. Consultado em 23 de Julho de 2010 
  17. «49th Annual Grammy Awards Winners List» (em inglês). National Academy of Recording Arts and Sciences. Consultado em 23 de Julho de 2010 
  18. «Grammys finally realize dance music will survive». Sun Journal (em inglês). Sun Media Group. 23 de Fevereiro de 1998. Consultado em 23 de Julho de 2010 
  19. Paoletta, Michael (1 de Fevereiro de 2003). «Beat Box». Billboard (em inglês). Nielsen Business Media, Inc. p. 37. Consultado em 25 de Junho de 2010. For the first time, the best dance recording category is broken out into its own dance field. In previous years, this category was in the pop field... 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]