Igrejas Reformadas Liberadas

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Igrejas Reformadas Liberadas
Classificação Protestante
Orientação Reformada
Teologia Confessional, Conservadora e Calvinista
Política Presbiteriana
Associações Conferência Internacional das Igrejas Reformadas[1] e Conferência Europeia das Igrejas Reformadas[2]
Área geográfica Holanda
Origem 1944 (74 anos)
Separado de Igrejas Reformadas na Holanda (que se uniu em 2004 a Igreja Protestante da Holanda)
Separações 1967: Igrejas Reformadas Neerlandesas

2003: Igrejas Reformadas na Holanda (Restauradas)

Congregações 277[3]
Membros 120.688[4]
Site oficial www.gkv.nl

As Igrejas Reformadas Liberadas ou Igrejas Reformadas na Holanda (Liberadas) (em Holandês: Gereformeerde Kerken Vrijgemaakt ou Gereformeerde Kerken in Nederland (vrijgemaakt)) formam uma denominação reformada, conservadora na Holanda desde 1944, quando um grupo deixou as Igrejas Reformadas na Holanda.

História[editar | editar código-fonte]

No início do século XX, surgiram discordâncias dentro das Igrejas Reformadas na Holanda sobre a visão da Aliança de Abraham Kuyper, de forma que vários pastores discordavam da mesma. Esta disputa veio à tona durante a Segunda Guerra Mundial, quando o Sínodo Geral decidiu em favor da visão de Kuyper que, essencialmente, questionava a inclusão dos filhos dos crentes no Pacto. Muitos teólogos e pastores não concordaram com esta decisão, alegando que ela contrariava os fatos simples das Escrituras, e tentaram recorrer da decisão.[5]

O Sínodo Geral reforçou esta visão estritamente, exigindo, entre outros, que os novos licenciados (recém-formados do Seminário Teológico) que procurassem subscrever o ponto de vista Kuyperiano. Os manifestantes também alegaram que o Sínodo Geral estava abusando de sua autoridade funcional, permanecendo por mais tempo do que os três anos permitidos pela legislação da Ordem Igreja. Em 1944 muitos pastores e teólogos que se opunham a visão de Abraham Kuyper foram excomungados pelo Sínodo Geral. Assim sendo, um grande número de congregações locais separaram-se das Igrejas Reformadas na Holanda, lideradas pelo Prof. Dr. Klaas Schilder entre outros, para formar sua própria denominação, as Igrejas Reformadas (Liberadas). Este evento foi chamado de Libertação (Vrijmaking). Desde então não houve tentativas sérias de reconciliação por nenhum dos dois lados. Em 1967 uma controvérsia sobre a exclusividade das Igrejas Reformadas Liberadas, como igreja cristã verdadeira na Holanda, levou a formação de um grupo dissidente, as Igrejas Reformadas Neerlandesas.

Em 2003 as Igrejas Reformadas na Holanda (Restauradas) também se separaram da denominação por discordarem da decisão do Sínodo Geral sobre o divorcio e o descanso dominical. Em 2003 a igreja teve 127.000 membros e desde então está em declínio. Muitos de seus membros foram para a maior Igreja Protestante da Holanda, outros para as menores Igrejas Cristãs Reformadas na Holanda, Igrejas Reformadas Neerlandesas, entre outras igrejas evangélicas.[6]

Em 2015 as IRL tinham 120.688 membros em 277 congregações.[4]

Governo[editar | editar código-fonte]

As Igrejas Reformadas Libertadas seguem o sistema de governo presbiteriano, com forte ênfase na autoridade investida a cada congregação. As congregações locais são governados por um conselho da igreja ou consistório, composto pelo(s) pastor (es) e pelos presbíteros. A maioria das reuniões do conselho da igreja estão abertas para os membros, exceto quando questões de disciplina da igreja são discutidas. Todas as congregações também têm um número de diáconos que ajudam o conselho da igreja com questões mais práticas. Presbíteros e diáconos são eleitos para mandatos limitados.

As Igrejas Reformadas Libertadas estão organizados em três níveis hierárquicos. Um grupo de congregações locais são organizados em um presbitério. Atualmente existem 31 presbitérios na denominação. As decisões do conselho da igreja local pode ser objeto de recurso para o presbitério. Um número de presbitérios são agrupadas em um Sínodo Regional. O órgão máximo é o Sínodo Nacional ou Sínodo Geral, que se reúne a cada três anos e tem jurisdição limitada. As Igrejas Reformadas Libertadas mantêm o seu próprio seminário, a Universidade Teológica em Kampen (Broederweg).

Doutrina[editar | editar código-fonte]

As Igrejas Reformadas Libertadas formam uma denominação protestante ortodoxa Neo-Calvinista. Elas subscrevem a Inerrância Bíblica, o Credo de Niceia, Credo dos Apóstolos, Credo de Atanásio e as Três Formas de Unidade (Catecismo de Heidelberg, Confissão Belga e os Cânones de Dort).[5][7]

O batismo nas Igrejas Reformadas Liberadas é admitido para crentes adultos convertidos , assim como para os filhos dos crentes. As crianças são ensinadas os princípios da fé e encorajados a professar publicamente sua fé (geralmente no final da adolescência), pelo qual elas tornam-se professantes (e votantes), membros da igreja. A Ceia do Senhor é tipicamente "fechada", o que significa que apenas os membros professos estão autorizados a participar, embora muitas congregações permitem aos visitantes participar, se avisadas previamente (através do uso das chamadas cartas de comunhão) ou uma prova satisfatória de uma vida conforme a fé verdadeira. As crianças que não professaram sua fé estão excluídos da participação na Ceia do Senhor.

As Igrejas Reformadas Libertadas são conservadoras na doutrina e prática. Elas não permitem que as mulheres ocupam cargos especiais (presbíteros, diáconos e pastores), mas na década de 1990 elas aprovaram que as mulheres votem nas eleições da igreja. Elas rejeitam a moderna crítica textual da Bíblia. Liturgicamente, favorecem o uso do Saltério de Genebra em seus cultos, embora na última década uma série de hinos clássicos também foram aprovados para uso no culto de adoração.

Nos últimos anos as influências do Evangelicalismo tornaram-se mais forte (por exemplo, um estilo mais contemporâneo da adoração, incluindo novas canções e hinos). Por outro lado, uma pequena minoria dos membros e ministros estão questionando algumas das doutrinas ortodoxas, e estão pedindo uma abordagem diferente em questões como a ordenação de mulheres no cargo, relações homossexuais, etc. Todavia, o grupo majoritário quer manter o calvinismo clássico.[8]

A Igreja e a Sociedade[editar | editar código-fonte]

Depois da Libertação, foram fundadas várias instituições políticas e culturais relacionadas com a Igreja. O jornal diário Nederlands Dagblad originou-se dentro das Igrejas Reformadas (Libertadas), e embora agora sirva a uma audiência cristã e reformada mais amplo, ainda tem fortes laços com a denominação.

As IRL organizaram também, um partido político, a Aliança Política Reformada ( em Holandês: Gereformeerd Politiek Verbond - GPV). Tradicionalmente, este foi sempre um pequeno partido conservador com aproximadamente 2 dos 150 assentos no parlamento Holanda. Em 1980 e 1990, o partido tornou-se mais progressista. Este partido muitas vezes colaborou com o RPF e PEC, dois partidos políticos semelhantes de tamanho comparável, organizados por outras denominações ortodoxas reformada. Em 2001, o VBP e RPF fundiram para formar a União Cristã (ChristenUnie). Nas eleições de 2006 este partido ganhou 6 assentos no parlamento, bem como um papel fundamental no governo resultante da coalizão.

As Igrejas Liberadas também mantem um número de escolas primárias e secundárias, e uma Universidade Teológica[9] com cursos de Bacharelado em Teologia[10] e Mestrado em Divindade.[11]

Estas escolas privadas gozam de proteção especial por um Decreto Real, o que significa que elas não podem ser forçadas a aceitar alunos de origem que não são incompatíveis com as suas visões reformadas. Em parte como resultado deste decreto real, eles só podem empregar funcionários que são membros das Igrejas Reformadas (Libertadas), embora elas possam matricular alunos de famílias dispostas a respeitar as doutrinas reformadas.

Relações inter-Eclesiásticas[editar | editar código-fonte]

Em nível nacional as IRL possuem contatos intensos com as Igrejas Cristãs Reformadas na Holanda e Igrejas Reformadas Neerlandesas. Com a primeira existe uma uniformidade doutrinária e prática de forma que as duas denominações estão trabalhando para uma união. A segunda foi formada por um grupo dissidentes das Igrejas Reformadas Liberadas por questões de subscrição confessional, mas esta diferença já não existe mais, o que possibilita o diálogo.

Algo que ainda separa as Igrejas Reformadas Liberadas das Igrejas Reformadas Neerlandesas é o fato da última adotar uma forma de governo congregacional e aceita a Ordenação Feminina.[12]

Em nível internacional as Igrejas Reformadas Liberadas, formam um membro da Conferência Internacional das Igrejas Reformadas[1] e da Conferência Europeia das Igrejas Reformadas[2].

As IRL mantêm relações fortes com muitas igrejas Reformadas e Presbiterianas de todo o mundo e possuem comunhão eclesiástica plena com a:[12]

Possui contatos ecumênicos com:[12]

Referências

  1. a b «Conferência Internacional das Igrejas Reformadas: Membros». Consultado em 02 Jan. 2016.  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  2. a b «Conferência Europeia das Igrejas Reformadas: Membros». Consultado em 04 Jan. 2016.  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  3. «Congregações das Igrejas Reformadas Liberadas». Consultado em 02 Jan. 2016.  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  4. a b «Número de membros das Igrejas Reformadas Liberadas». Consultado em 02 Jan. 2016.  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  5. a b «Reformed Online: Igrejas Reformadas Liberadas». Consultado em 02 Jan. 2016.  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  6. «Declínio do número de membros das Igrejas Reformadas Liberadas». Consultado em 02 Jan. 2016.  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  7. «Doutrina das Igrejas Reformadas Liberadas». Consultado em 02 Jan. 2016.  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  8. «Decisões das Igrejas Reformadas Liberadas». Consultado em 02 Jan. 2016.  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  9. «Universidade Teológica das Igrejas Reformadas Liberadas». Consultado em 02 Jan. 2016.  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  10. «Universidade Teológica das Igrejas Reformadas Liberadas: Bacharelado em Teologia». Consultado em 02 Jan. 2016.  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  11. «Universidade Teológica das Igrejas Reformadas Liberadas: Mestrado». Consultado em 02 Jan. 2016.  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  12. a b c «Relações inter-Eclesiásticas das Igrejas Reformadas Liberadas». Consultado em 02 Jan. 2016.  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  13. «Relatório da Comissão de Relações Inter-Eclesiásticas da Igreja Presbiteriana do Brasil de 2013» (PDF). Consultado em 02 Jan. 2016.  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
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