Jacinto (Minas Gerais)

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Município de Jacinto
"Jaça"
Vista parcial da cidade

Vista parcial da cidade
Bandeira desconhecida
Brasão desconhecido
Bandeira desconhecida Brasão desconhecido
Hino
Fundação 31 de dezembro de 1943
Gentílico jacintense
CEP 39930-000
Prefeito(a) Carlos Dantez Ferraz de Mello (PR)
(2013–2016)
Localização
Localização de Jacinto
Localização de Jacinto em Minas Gerais
Jacinto está localizado em: Brasil
Jacinto
Localização de Jacinto no Brasil
16° 08' 38" S 40° 17' 34" O16° 08' 38" S 40° 17' 34" O
Unidade federativa  Minas Gerais
Mesorregião Jequitinhonha IBGE/2008 [1]
Microrregião Almenara IBGE/2008 [1]
Municípios limítrofes Almenara, Jordânia, Salto da Divisa, Santa Maria do Salto, Santo Antônio do Jacinto e Rubim
Distância até a capital Não disponível
Características geográficas
Área 1 390,518 km² [2]
População 12 134 hab. Censo IBGE/2010[3]
Densidade 8,73 hab./km²
Altitude 180 m
Clima Não disponível
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,632 médio PNUD/2000 [4]
PIB R$ 58 158,806 mil IBGE/2008[5]
PIB per capita R$ 4 523,86 IBGE/2008[5]
Página oficial
Prefeitura Site oficial da prefeitura
Câmara Site oficial da câmara

Jacinto é um município brasileiro do estado de Minas Gerais. Localiza-se a uma latitude 16º08'40" sul e a uma longitude 40º17'36" oeste, estando a uma altitude de 180 metros. Está localizado na zona geográfica do Médio Baixo Jequitinhonha, situado a 830 km da capital Belo Horizonte. Sua população estimada em 2007 era de 12.422 habitantes. Possui uma área de 1395,3 km².

Tem como tradição as suas festas juninas no mês de junho, com as tradicionais quadrilhas e barraquinhas na casa paroquial, além de suas folias de reis. A alta temporada turística em Jacinto se concentra nos meses de junho-julho e dezembro-janeiro.

Turismo[editar | editar código-fonte]

Com privilegiada fauna e flora presente em toda a mata atlântica, a região de Jacinto é presenteada com inúmeras atrações turísticas e naturais. Com a presença de riachos, matas e montanhas, muitas atividades são pouco exploradas pelas pessoas, mas alguns moradores e visitantes fazem bom uso destas belezas naturais como a pática do motocross e caminhada ecológica que são atividades comuns aos moradores, sem contar ao fundo da cidade a presença marcante e inspiradora do velho e bom Rio Jequitinhonha, que enche os olhos dos moradores de admiração e orgulho. Há algumas esporádicas práticas de rapel e montanhismo por visitantes, que descobriram um ótimo ambiente para descontrair e apreciar a mãe natureza.

Terra de povo sofrido, trabalhador e hospitaleiro, Jacinto tem um futuro promissor no que diz respeito a atividades ecológicas e turísticas mas ainda pouco explorado pelas pessoas, devido à baixa exposição do município no âmbito nacional e a falta de políticas públicas que versem sobre este tema. Mas nada que impeça aos visitantes de poder visitar a cidade e tomar aquele café com biscoito famoso por todos que por lá passaram.

História e Formação[editar | editar código-fonte]

As pesquisas indicam que possivelmente no final do século XIX residiu nas margens do córrego hoje denominado JACINTO, um posseiro de nome Jacinto, daí o nome do córrego. Em decorrência, a cidade que se formou na foz de referido córrego recebeu também o nome de CIDADE DE JACINTO.

Além de outras, as seguintes pessoas residiram nas redondezas da atual cidade, antes de se formar o Povoado: Hilário Bispo de Souza, falecido em 1912, e dono de uma fazenda na margem esquerda do rio Jequitinhonha; a família Lúcio, chefiada pelo velho Cesário Lúcio, com os filhos José Lúcio, Miguel Lúcio, e outros, estabelecidos em fazenda adquirida na margem direita do rio, no local onde se situa a atual cidade, em 1913; Pedro Araújo (conhecido por Pedro Feio), sua mulher dona Maria, e seu filho Dely, em 1919; Belizário de Tal, com uma fazenda na margem esquerda do rio; Horácio Soares da Cunha; Luiz de Deus; Reduzino Bispo dos Santos; Ladislau Alves de Souza; Sabino Antônio de Oliveira.

Segundo informações do senhor Dely Antunes de Araújo, testemunha pessoal da fundação do Arraial da Barra do JACINTO, a primeira casa foi construída por seu pai Pedro Araújo, conhecido por Pedro Feio, já no final do ano de 1919. Conta que ele tinha oito anos de idade naquela época, mas sua memória é bastante lúcida para lembrar-se de tudo que aconteceu naquele tempo. No ano 2000, Dely tem a idade de 89 anos.

Lembra que seu pai, com a família, decidiu descer margeando  o  rio  Jequitinhonha,  a procura  de  um  bom local para se fixar. Aqui chegando, e gostando do lugar, propôs a compra  da  posse  do  terreno ao seu ocupante em área maior, senhor José Lúcio, um homem que já residia em sua fazenda há alguns anos. Feito o negócio, tratou seu pai de construir sua casa, constituindo-se esta, na primeira casa de Jacinto, no final do ano 1919. Então, convidou seu amigo Sabino (Sabino Antônio de Oliveira), morador na fazenda de Ladislau Alves de Souza, no córrego Enxadão, e outras pessoas, inclusive José Lúcio, para fundarem o Povoado.

Iniciado este, contou-se como primeiros moradores, Pedro Feio e sua mulher, dona Maria, o filho Dely, mais Sabino (que veio a ser conhecido por Sabino Ruim), José Lúcio e outros. Não houve um fundador, mas vários fundadores, todos trabalhadores da região, homens pacatos. Assim, em 1920, nascia o Arraial, sendo construídas algumas casinhas, margeando o Rio Grande, feita de enchimento e pintadas a cal, de piso batido. Naquele tempo o córrego já carregava o nome de “Córrego do Jacinto”, em virtude de ter morado às suas margens um posseiro de nome Jacinto.

Com a chegada de mais pessoas, formaram-se ruas e uma praça, sendo separada uma área no centro da praça, para a construção de uma Capela. O Povoado foi criado, então, sob a influência da Igreja Católica. Surgiram as primeiras vendas, onde vendiam a cachaça, o sal e cereais, indispensáveis em todos os arraiais, tendo a cachaça e o sal como principais mercadorias.

Para o Arraial vieram outros moradores da região, alguns comerciantes, e poucos forasteiros. Em 1928 já podia ser notada a formação do Povoado. Estavam delineadas as ruas, cujos nomes atuais: Ruas Martinho José dos Santos, Expedicionário Hugo Macedo, Olegário Silva, Pedro Celestino Abreu, José Solimão e a Praça Mário Martins. No centro da praça foi construída a Capela, e na esquina da praça com a rua Expedicionário Hugo Macedo, foi construído um modesto Mercado. Hoje  não mais existe a Capela nem o mercado. Do outro lado do rio morava o velho Joaquim Catuá.

No princípio ninguém se arvorou em ser chefe do lugar, entendendo que o chefe não era imprescindível. Todos os moradores eram homens pacatos e trabalhadores. Mas as desordens viriam certamente. Entretanto, ninguém queria aventurar-se à posição de chefe, em um lugar isolado, como o Povoado. Todos, contudo, sabiam que mais cedo ou mais tarde alguém viria a ser o chefe, alguém mais destemido, levado talvez por futuros acontecimentos.

A notícia do nascimento do Arraial, em terras férteis e promissoras, espalhou-se, atraindo várias pessoas para o lugar. Com homens bons e ao lado deles, vieram alguns valentões, bebedores de cachaça, bagunceiros, destemidos, arruaceiros, oriundos principalmente do vizinho Estado da Bahia. Entre todos, destacou-se um bandido que se denominou Capitão Cândido. Ele veio das bandas de Ilhéus, na Bahia. Era um facínora temido pelas suas façanhas na sua região de origem. Aqui chegando, adquiriu uma gleba em terras situadas na margem esquerda do rio Jequitinhonha, alguns quilômetros  acima do Arraial, passando a frequentá-lo constantemente. Percebendo-o desprotegido, passou a arvorar-se de Chefe, amedrontando a todos os pacatos moradores do lugar e redondezas, que passaram a temê-lo e respeitá-lo, sobretudo pelas notícias de suas façanhas no Estado da Bahia, e pelas suas ações iniciais nesta região. Foi o primeiro chefe de Jacinto, embora por pouco tempo. A sua chefia trouxe um péssimo conceito para o Povoado na região.

Diz o escritor e jornalista José de Cortes Duarte, fazendeiro na região, em sua obra “Vultos sem História”, que ninguém tentou opor-se ao Capitão Cândido, pois faltava coragem aos pacatos moradores do lugar. O Capitão, como era conhecido,   iniciou  suas  atividades  de  “autoridade  imposta”, usando os métodos tradicionais, para implantar o medo: matar porcos no terreiro do vizinho, matar cachorros na porta do vizinho, prender animais de um confinante, em tudo mandando recados desaforados, atrevidos, para os donos; fazer cercas e valos prejudicando o vizinho, etc. Espalhava o terror, impondo respeito, com objetivos premeditados, como se assenhorear de posses de vizinhos, nas terras que lhe interessassem , e outros.

A sua primeira investida, visando a conquista de terras, foi na fazenda do “Velho Belizário” homem pacífico, mas matreiro, fino, político, inteligente. Ali o Capitão Cândido matou porcos, prendeu animais do vizinho em seus currais, fez ameaças. Era uma época em que a comunicação era difícil; os únicos meios eram através do rio ou do animal, proliferava a Lei  dos mais fortes. Os cidadãos de bem se sentiam desprotegidos e fracos; a Lei estava ausente, quando era urgente a sua proteção. O que podia fazer o “Velho Belizário”, numa situação dessa?... Não reagiu às agressões do vizinho perverso . Parecia não reagir. Mas a verdade é que arquitetava um plano, e montando no seu cavalo, seguiu viagem até VIGIA (hoje Almenara), e alguns dias depois regressou e postou-se em um local pouco distante de suas terras, e ali, paciente, esperou o resultado de seu plano. Dizia ter vendido a sua posse para um tal Teodorão, um homem valente,  que  morava lá pelas bandas de Pedra Grande. No mesmo dia de sua volta, outras pessoas ocuparam a Fazenda de Belizário – um preto forte, de nome Sebastião – com a mulher e os filhos, como empregados do novo dono da Fazenda de Belizário. Sebastião trouxera uma carta de Teodoro para o Capitão Cândido, mas a redação foi reconhecida pelo Capitão como do próprio Belizário. Depois de lê-la, o Capitão disse ao Sebastião que responderia pessoalmente a Teodoro, quando ele aparecesse.

Alguns dias depois Teodoro Peão chega ao Povoado de Barra do Jacinto, e entrando na única venda do lugar pediu um “trago”, momento em que surgiu ali a pessoa do Capitão Cândido, que foi perguntado: - Quem se chama aqui Teodoro Peão? Ao que Teodoro Peão respondeu: - Sou eu. A seguir Cândido perguntou: -Foi você que escreveu uma carta ao Capitão Cândido? – Fui eu mesmo, respondeu. Cândido então disse: - Pensei que se tratava de um homem, e vejo que não passa de um negro a toa. Sorrindo, Teodoro respondeu: - Eu posso ser negro a toa, só não sou capitão, se fosse de sua terra tinha patente, porque lá até cachorro é capitão; e deu um murro no rosto do Capitão Cândido. – Eu já volto, disse o capitão, e saiu fazendo ameaças. – Eu fico esperando, disse Teodoro. Eram dois homens valentes, destemidos. O Capitão, usando de um escaler, subiu o rio, atravessou-o,  e  foi  até  sua  pequena  Fazenda, que ficava do outro lado, mais acima, com a intenção de voltar. Algumas pessoas aconselharam Teodorão a sair dali, alegando que o Capitão voltaria com os seus jagunços. Mas Teodorão esperou, não saiu, e Cândido voltou mais tarde, com dois jagunços armados, de nomes José Grosso e José Cotia. Com a chegada dos três, estando Teodoro em local aberto, estabeleceu-se o tiroteio. Teodoro acertou o Capitão Cândido, e os jagunços acertaram em Teodoro. Ambos morreram.

Assim morreu o primeiro chefe do Arraial da Barra do Jacinto, que naquela época pertencia ao Município de Jequitinhonha. E o tempo passou.

Em 1930, o Povoado já estava formado, mas os jagunços aterrorizavam o povo do lugar e adjacências, protegidos pelos mais poderosos; bebiam cachaça, provocavam brigas, matavam, tudo à revelia da justiça. As festas eram bagunçadas, sem segurança, frequentadas pelo “povinho”. As melhores famílias resguardavam-se, principalmente as mulheres.

É certo que poucos participaram da formação do Povoado. É sempre assim. E os nomes dos principais deles já foram referidos. Entretanto, com o passar do tempo, outras pessoas se juntaram a eles, com suas famílias, quase todas mais  evoluídas, atraídas talvez pelo valor  das terras, sabidamente férteis e produtivas, fazendo com que tudo fosse melhorando paulatinamente, na área urbana e na área rural.

Muitos chegaram e saíram, obedecendo ao ciclo natural das migrações, mas outros chegaram e ficaram definitivamente, deixando sua influência ligada ao lugar. Assim, podemos registrar presenças que, de uma maneira ou de outra, foram importantes, ou por si ou seus descendentes, sobressaindo  na  vida política,  econômica  e social do lugar, colaborando para que a sociedade se projetasse de maneira positiva no cenário da região.

Uma vez estruturado o Povoado se estabeleceram outros e se juntaram aos filhos da terra, e muitos deles sobressaíram-se. Na época de sua formação, em 1920, o Povoado situava-se em área pertencente ao Município de Jequitinhonha, e quando da sua emancipação do Município de Vigia, atual Almenara, desmembrado do Município de Jequitinhonha, o Povoado da Barra do Jacinto passou à condição de Vila, em 08 de dezembro de 1938, e a pertencer ao Município de Vigia.

Em 31 de dezembro de 1943, pelo Decreto Lei N°1.058/43, a Vila foi elevada à categoria de CIDADE, criando-se assim o Município de Jacinto, com sua área abrangendo o atual Município,  e  mais  os atuais Municípios de Jordânia, Salto da Divisa, Santa Maria do Salto e Santo Antônio do Jacinto, emancipados posteriormente.

No ano 2000, o Município constitui-se dos Distritos de Avaí e Jaguarão, dos Povoados de Bom Jardim e Conceição, além de várias Comunidades Rurais organizadas, tudo com uma população em torno de 13 mil habitantes, nas zonas rural e urbana.

Referências

  1. a b Divisão Territorial do Brasil Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2008). Visitado em 11 de outubro de 2008.
  2. IBGE (10 out. 2002). Área territorial oficial Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Visitado em 5 dez. 2010.
  3. Censo Populacional 2010 Censo Populacional 2010 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (29 de novembro de 2010). Visitado em 11 de dezembro de 2010.
  4. Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil Atlas do Desenvolvimento Humano Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2000). Visitado em 11 de outubro de 2008.
  5. a b Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Visitado em 11 dez. 2010.
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