Katana

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Katana
Daisho katana and wakizashi 1.jpg

Informações gerais
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Historicamente, kataná (刀) é o nome de uma das muitas espadas japonesas tradicionalmente manufaturadas (日本 刀nihonto ) que foram usadas pelos samurais do Japão feudal . As versões modernas do kataná às vezes são construídas valendo-se de materiais e métodos não tradicionais, contudo, estas n. A kataná se caracteriza pela sua aparência distinta : um a lâmina de gume único, ligeiramente curva, relativamente grossa, com um guarda circular ou quadrada e longo cabo/empunhadura para acomodar duas mãos. [1]

O primeiro uso do termo "katana" (gatana) como uma palavra para descrever uma longa espada que era diferente de um tachi ocorre já no período de Kamakura (1185-1333). Estas referências à "uchigatana" e "tsubagatana" parecem indicar um estilo diferente de espada, uma espada possivelmente menos onerosa para os guerreiros de hierarquia inferior. A evolução de tachi pata kataná parece ter começado durante o período Muromachi (1337-1573). Por volta do ano 1400, espadas assinados com a palavra "katana" foram começam à aparecer. Isto foi em resposta ao samurai vestindo sua espada tachi presa ao obi (faixa na cintura) da forma que hoje é chamada de "estilo katana" (Espada com a ponta para cima). Espadas japonesas são tradicionalmente usadas com a assinatura de costas para o portador. Quando um tachi era preso ao obi no mesmo estilo de uma katana, com a ponta para cima, a assinatura do tachi ficaria voltada para o lado errado. O fato de que armeiros passaram a assinar espadas no estilo katana mostra que alguns samurai desse período de tempo haviam começado a usar suas espadas de uma maneira diferente. [2]


História e tipologia[editar | editar código-fonte]

O aumento da popularidade do katana entre a classe samurai surgiu devido à mudança da natureza dos combates com o fim das guerras. O saque mais rápido da espada era mais adequado para combater onde a vitória dependia fortemente de resposta rápida. A katana por ser usada presa ao obi com o gume voltado para cima. Idealmente, samurai poderia sacar a espada e atacar o inimigo em um único movimento. Anteriormente, as espadas muito mais curvadas, tachi, eram usadas com o gume virado para baixo e suspensos a partir de uma correia.[3]

Os comprimentos da lâminas de katana variaram consideravelmente durante o curso de sua história. No final do século 14 e início do século 15, as lâminas de katana tendiam a ter comprimentos entre 70 e 73 cm. Durante o início do século 16, o comprimento médio aproximou-se de 60 cm. Até o final do século 16, o comprimento voltou para cerca de 73 cm. O katana era muitas vezes usada em conjunto de uma espada semelhante menor, como uma wakizashi, ou também poderia ser usado com o tanto, um tipo de adaga ou punhal em forma semelhante à da katana. O conjunto de uma katana com uma espada menor é chamado de daishō (literalmente "grande-pequeno"). Apenas a classe samurai poderia ostentar os daisho:. Representava o poder, privilégio social e honra pessoal dos samurais.[4]

Tipologia: partes da katana tradicional[editar | editar código-fonte]

Cada peça da espada tem um nome. Saber o que quer dizer cada um é fundamental para descrevê-la, apreciá-la e mesmo entender sua forma.

Ficheiro:Katana (1).jpg
Esquema de montagem e peças de uma katana

Toshin: É o nome próprio da espada como um todo, da ponta da lâmina até a extremidade do cabo.

Kami: A lâmina propriamente dita. Vai da ponta da espada até onde ela se encaixa no cabo.

Nakago: A área da espada não polida que se insere dentro do cabo.

Nakagogiri: A ponta do nakago.

Kissaki: Ponta da espada

Munesaki: Ponta da Kissaki

Mune: Dorso da espada

Hasaki ou Ha: Parte cortante da Lâmina; o gume.

Machi: Região da intersecção entre o kami e o nakago. É a parte onde se encaixa o colarinho da espada quando ela é montada por completo. O lado que se situa no dorso da espada é o Mune Machi. O lado que se situa na frente da espada é chamado Há Machi

Mekugi Ana: Furo onde se insere o pino que prende a espada ao cabo e estabiliza a montagem da espada.

Yasurime: Marcas de lima feitas pelo artesão no Nakago. Sua forma é característica de cada escola/ artesão.

Mei: Assinatura do artesão no Nakago.

Hamon: Linha de têmpera da lâmina. Assume diversas formas e desenhos de acordo com o artesão e escola.

Boshi: O hamon da kissaki

Shinogi: Linha que aparece entre o Hamon e o Mune

Koshinogi: Linha entre o Mune da Kissaki e o Boshi

Yokote: Linha que divide a kissaki do resto da lâmina

Mitsukado: É o ponto de intersecção de todas estas linhas: Shinogi, Koshinogi e Yokote.

Ji: Espaço compreendido entre o Mune e o Hamon. É a “carne” da espada, onde podemos observar o trabalho e a atividade do processo da forja. Divide-se entre Shinogi Ji (entre o Mune e o Shinogi) e Hira Ji (entre o Shinogi e o Hamon). No Shinogi Ji podemos encontrar gravações (Horimono) ou sulcos (Hi).


Curiosidades: As espadas ocidentais são apreciadas em montagem completa (cabo, guarda, pomo) e toda sua assinatura e gravações se encontram na lâmina. Quando falamos de espadas japonesas, desconsideramos sua montagem (bainha, cabo, guarda). A apreciação da espada japonesa diz respeito apenas à sua lâmina despida. A montagem da espada japonesa pode mudar de dono para dono ou mesmo ser perdida no decorrer dos anos, sem que isto altere a classificação da lâmina.

Cronologia[editar | editar código-fonte]

A importância em se conhecer a cronologia da espada japonesa (nihon-to) está no fato de que a evolução da forma e processo de fabricação levaram a criação de espadas com características semelhantes. Apesar de diferenças individuais de cada artesão, o conhecimento da cronologia das nihon-to permite apreciar os detalhes das diversas espadas. [5]

Jokoto[editar | editar código-fonte]

Início do Período Heian (794 – 1099 DC) Espadas muito antigas, antes da evolução e forma características das espadas japonesas. Geralmente lâminas retas, às vezes de dois gumes. Só são vistas em templos ou em museus e sítios arqueológicos. Pouquíssimos espécimes. [6] [7] [8]

Koto[editar | editar código-fonte]

Final do Período Heian (1100) até o Período Momoyama (1600). São as espadas consideradas antigas. Neste período já podemos observar a evolução da metalurgia e manufatura das espadas japonesas até sua forma atual familiar. As bases da forja, têmpera e polimento já estão desenvolvidos. As mais antigas são todas Tachi (espadas longas muito curvas carregadas com o gume voltado para baixo e com a ponta mais fina que a base). Por volta de 1573 é que aparece a Katana, cuja forma e nome populariza a espada japonesa, utilizada enfiada dentro do obi com o gume voltado para cima. Lentamente a Katana substitui a Tachi como espada japonesa. [9] [10] [11] [12]



Shinto[editar | editar código-fonte]

Shinto: Período Edo (1600) até o reinado do imperador Tenmei (1781). Consideradas novas espadas. As espadas deste período são quase exclusivamente katanas e wakisashis. Como nesta época apenas samurais podiam portar espadas e o Japão passava por um período de paz, espadas forjadas neste período eram destinadas para a elite. Do mesmo modo que sua fabricação chegou ao ápice da técnica, seu mercado diminuiu.[13] [14] [15]



Shin Shinto[editar | editar código-fonte]

Do período Edo, por volta de 1781 até o Período Meiji (1867). As novas espadas novas deste período pouco diferem do aspecto das Shinto, porém o seu custo era cada vez mais elevado e seu mercado cada vez menor, antevendo as dificuldades pelas quais os artesãos passariam no período posterior.[16] [17] [18]


Gendaito[editar | editar código-fonte]

Período Meiji (1867) até a Segunda Guerra (cerca de 1940). Com o decreto de Hatorei que proibia o uso em público de espadas pelos samurais chega o fim das Shin Shinto. A fabricação de espadas sofre um duro golpe e poucos armeiros mantém-se no ramo. O mercado de espadas fica cada vez mais restrito.[19] [20] [21]

Showato[editar | editar código-fonte]

Na Segunda Guerra surge a necessidade da produção em massa de espadas para suprir as forças armadas. Espadas produzidas neste período são de baixa qualidade e não são nem classificadas como katana. Algumas são verdadeiros híbridos de sabre militar ocidental e espadas japonesas. Muitas foram destruídas pelo próprio governo japonês ou levadas para os EUA por militares, como troféus de guerra.[22] [23] [24]


Shinsakuto[editar | editar código-fonte]

Após a segunda guerra, tanto a morte de vários armeiros quanto a proibição imposta ao Japão em fabricar armas quase destruiu a arte da fabricação de espadas. Apenas em 1953 é que se recomeçou a forjar nihon-to. Para diferenciá-las da categoria de armas e classificá-las como manifestação artística única, foi cunhado o termo shinsakuto. A diferenciação é tênue e o termo gendaito também é usado para denominar as espadas modernas. A principal diferença é que as espadas atuais reapresentam formas e padrões de escolas mais antigas. Consideradas objetos artísticos únicos, apresentam as mesmas características e capacidades marciais das antigas nihon-tos.[25] [26] [27]




Referências

  1. Kanzan Sato (1983). The Japanese Sword: A Comprehensive Guide (Japanese arts Library). Japan: Kodansha International. p. 220. ISBN 978-0-87011-562-2.
  2. Kōkan Nagayama (1997). The Connoisseur's Book of Japanese Swords. Kodansha International. p. 28. ISBN 978-4-7700-2071-0
  3. Leon Kapp, Hiroko Kapp, Yoshindo Yoshihara (1987). The Craft of the Japanese Sword. Japan: Kodansha International. p. 167. ISBN 978-0-87011-798-5.
  4. Oscar Ratti and Adele Westbrook (1991). Secrets of the Samurai: The Martial Arts of Feudal Japan. Tuttle Publishing. p. 484. ISBN 978-0-8048-1684-7.
  5. Marco Araujo Poli. Cronologia da Katana - A história das espadas japonesas Instituto Niten - Artigos. Visitado em 27.fev.2008.
  6. http://www.niten.org.br/penaespada/penaartigos/katana.htm
  7. Thomas A. Green; Joseph R. Svinth (2010). Martial Arts of the World: An Encyclopedia of History and Innovation. ABC-CLIO. pp. 120–121. ISBN 978-1-59884-243-2.
  8. Kokan Nagayama, trans. Kenji Mishina (1997). The Connoisseur's Book of Japanese Swords. Tokyo, Japan: Kodansha International Ltd. ISBN 4-7700-2071-6.
  9. Kanzan Sato (1983). The Japanese Sword: A Comprehensive Guide (Japanese arts Library). Japan: Kodansha International. ISBN 978-0-87011-562-2.
  10. http://www.niten.org.br/penaespada/penaartigos/katana.htm
  11. Thomas A. Green; Joseph R. Svinth (2010). Martial Arts of the World: An Encyclopedia of History and Innovation. ABC-CLIO. pp. 120–121. ISBN 978-1-59884-243-2.
  12. Kokan Nagayama, trans. Kenji Mishina (1997). The Connoisseur's Book of Japanese Swords. Tokyo, Japan: Kodansha International Ltd. ISBN 4-7700-2071-6.
  13. http://www.niten.org.br/penaespada/penaartigos/katana.htm
  14. Thomas A. Green; Joseph R. Svinth (2010). Martial Arts of the World: An Encyclopedia of History and Innovation. ABC-CLIO. pp. 120–121. ISBN 978-1-59884-243-2.
  15. Kokan Nagayama, trans. Kenji Mishina (1997). The Connoisseur's Book of Japanese Swords. Tokyo, Japan: Kodansha International Ltd. ISBN 4-7700-2071-6.
  16. http://www.niten.org.br/penaespada/penaartigos/katana.htm
  17. Thomas A. Green; Joseph R. Svinth (2010). Martial Arts of the World: An Encyclopedia of History and Innovation. ABC-CLIO. pp. 120–121. ISBN 978-1-59884-243-2.
  18. Kokan Nagayama, trans. Kenji Mishina (1997). The Connoisseur's Book of Japanese Swords. Tokyo, Japan: Kodansha International Ltd. ISBN 4-7700-2071-6.
  19. http://www.niten.org.br/penaespada/penaartigos/katana.htm
  20. Thomas A. Green; Joseph R. Svinth (2010). Martial Arts of the World: An Encyclopedia of History and Innovation. ABC-CLIO. pp. 120–121. ISBN 978-1-59884-243-2.
  21. Kokan Nagayama, trans. Kenji Mishina (1997). The Connoisseur's Book of Japanese Swords. Tokyo, Japan: Kodansha International Ltd. ISBN 4-7700-2071-6.
  22. http://www.niten.org.br/penaespada/penaartigos/katana.htm
  23. Thomas A. Green; Joseph R. Svinth (2010). Martial Arts of the World: An Encyclopedia of History and Innovation. ABC-CLIO. pp. 120–121. ISBN 978-1-59884-243-2.
  24. Kokan Nagayama, trans. Kenji Mishina (1997). The Connoisseur's Book of Japanese Swords. Tokyo, Japan: Kodansha International Ltd. ISBN 4-7700-2071-6.
  25. http://www.niten.org.br/penaespada/penaartigos/katana.htm
  26. Thomas A. Green; Joseph R. Svinth (2010). Martial Arts of the World: An Encyclopedia of History and Innovation. ABC-CLIO. pp. 120–121. ISBN 978-1-59884-243-2.
  27. Kokan Nagayama, trans. Kenji Mishina (1997). The Connoisseur's Book of Japanese Swords. Tokyo, Japan: Kodansha International Ltd. ISBN 4-7700-2071-6.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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