Iaido

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Espada japonesa mostrando a lâmina manga habaki e a mão guarda tsuba


Iaidô (em japonês: 居合道, iaidō) é a arte marcial japonesa do desembainhar da espada. Consiste em conjuntos de katas, técnicas ou movimentos que permitem ao praticante reagir de forma apropriada a determinadas situações.

É também chamado de iaijutsu (居合術), battōjutsu (抜刀術), saya-no-uchi (鞘ノ内), nuki (抜き・居合) e yore (乱曲).[carece de fontes?] Não se deve confundir iaidō com kendō (剣道) ou kenjutsu (剣術).

História[editar | editar código-fonte]

Origens[editar | editar código-fonte]

A tradição e história do iaidō remontam cerca de 500 anos. A arte japonesa de desembainhar a espada começou provavelmente com Iizasa Choisai, o fundador do estilo Tenshin shōden Katori shintō-ryū. Essa escola incluía em seu currículo a prática com vários tipos de armas, desde o uso da katana e do bastão ao arremesso de faca e de naginata. Uma parte de seu currículo consistia na técnica de desembainhar rápido e golpear imediatamente com o uso de espadas, ou seja, o iai. Essa técnica era usada para autodefesa ou ataque preventivo.

Ao longo da história diferentes expressões foram utilizadas para se referir às técnicas do saque da espada durante o combate. Durante o período Muromachi (1392-1572) era chamado de battōjutsu. No período Edo ficou conhecido como iaijutsu.[1]

É reputado a Hayashizaki Jinsuke Shigenobu (1542-1621), como em toda arte marcial, ter recebido inspiração divina para o desenvolvimento de sua técnica, assim como Iizasa Choisai. Inspiração essa que o levou a desenvolver um conjunto de técnicas que denominou Musō shinden jushin-ryū battōjutsu. Aqui, a palavra battō significa simplesmente desembainhar a espada.

O fator comum relevante em ambas às tradições (escolas) ou ryū, assim como em muitas outras tradições que lidavam com katana, era que suas práticas envolviam somente o uso de katas, sempre preconizando adversários imaginários em seus treinos.

A origem do termo iaidô[editar | editar código-fonte]

A criação do termo iaidō é atribuída à Nakayama Hakudo (1869-1952), o fundador do estilo Musō shinden-ryū.

A denominação atual de iaidō é amplamente usada no meio marcial, em publicações especializadas japonesas[2] e em eventos oficiais para se referir genericamente à todas escolas, antigas e modernas, que ensinam o iai. Porém existem críticos à esta denominação, como o mestre Nakamura Taizaburo (1912-2003) considerando mais correto utilizar o termo battodo, ou iai-battodo.[1]

Ainda assim, atualmente o termo iaidō é amplamente usado para referenciar a prática do iai tanto nos koryū quanto nos sistemos modernos, como Seitei iai (制定居合) e Toho iai.

Iaidô no Brasil[editar | editar código-fonte]

O início da prática do iaidō no Brasil é incerta. Porém, um "marco" do início da era moderna do iaidō no Brasil foi a chegada de dois senseis do Japão no Brasil. Primeiramente Asahi Sensei, em meados da década de 1970, e posteriormente Nakakura Sensei. Este último realizou o primeiro exame de graduação de iaidō no Brasil.

O Seitei iaidō é praticado no Brasil a partir da década de 1980, destacando os Dojos filiados à CBK, como ACEP e Saga. Nesses Dojos podemos destacar o trabalho realizado pelos Senseis Tadashi Tamaki, Yoshiaki Kishikawa, Mitiko Kishikawa.

1º Campeonato Brasileiro de Iaido

Em 1993, o Sensei Jorge Kishikawa funda e inicia a divulgação do iaidō através do Instituto Cultural Niten, chegando posteriormente até a Argentina e Chile. Os principais estilos praticados atualmente são suiō-ryū, Musō shinden-ryū, tenshin shōden Katori shintō-ryū e sekiguchi-ryū. Sensei Jorge Kishikawa (7° Dan Kyoshi em Kendō, Menkyo Kaiden no estilo niten ichi-ryū e Shidosha no estilo tenshin shōden Katori shintō-ryū) estudou por mais de uma década, durante idas anuais ao Japão, com os Senseis Tadatoshi Haga e Tsunemori Kaminoda. Sensei Haga é 8º dan Hanshi de Kendō, 8º dan Hanshi de iaidō e mestre do Musō Shinden-ryū.

A partir do final da década de 1990, a CBK passa a receber senseis japoneses no Brasil. Destacando-se entre eles Tomoharu Ito Sensei (8º Dan Kyoshi de kendō e de Seitei iaidō), que desde então já esteve no Brasil três vezes para ministrar treinamentos e participar de bancas examinadoras.

Pela Confederação Brasileira de Kobudô (CBKob), esteve no Brasil em duas ocasiões (2002 e 2005), o Sensei Kaminoda Tsunemori (Presidente da Nihon Jodokai e 8º Dan Hanshi de Jodô e Iaidô).

Em 2003, veio morar no Brasil o sensei japonês Toshihiko Tsutsumi (6º Dan Renshi em Iaidô e 5° Dan em Kendô), sendo atualmente o praticante reconhecido pela ZNKR (Zen Nippon Kendo Renmei) e pela FIK (International Kendo Federation) mais graduado no Brasil em Iaidô, mestre em Musō shinden-ryū. Seu Sensei foi Hakuo Sagawa (9° Dan Hanshi Iaido e 8º Dan Kyoshi Kendo), aluno direto de Hakudo Nakayama (fundador do estilo Musō shinden-ryū).

A partir de 2004, através do trabalho realizado pelo Sensei Ichitami Shikanai diversos Dojos filiam-se à CBK para a prática exclusiva do Iaidō. O Sensei Ichitami Shikanai, ainda no Japão, foi apresentado a Omura Tadaji, discípulo de Hakudo Nakayama, com quem estudou durante 3 anos. Atualmente o Sensei Ichitami Shikanai é Presidente e Supervisor do ARJ (Aikido Rio de Janeiro) e estudioso dos estilos shintō Musō-ryū Jo (okuiri) e Musō shinden-ryū.

A partir de 2007, o Sensei Jorge Kishikawa, não mais ligado à CBK, passa a focar na divulgação dos estilos de koryū, na CBKob.

Também a partir de 2007, com a ajuda de Tsutsumi Sensei, a CBK passa a realizar anualmente seminários e ao menos um exame de Iaidō, em especial com a prática do Seitei Iaido (Zen Ken Ren Iai), do Muso Shinden Ryu e do Muso Jikiden Eishin Ryu.

Em 2013 a CBK realizou o 1º Campeonato Brasileiro de Iaido, sendo o primeiro torneio de Iaido realizado no Brasil reconhecido pela ZNKR e pela FIK. As categorias foram: Aspirantes e Ikkyu; 1º; 2º e 3º Dan.

Prática[editar | editar código-fonte]

Sensei Cook

A prática do iaidō se reveste de grande profundidade pois o iai tem como objetivo o autodomínio do praticante e a derrota do adversário sem a necessidade de desembainhar a katana. Em outras palavras, a conquista psicológica do adversário sem que haja necessidade do uso da espada.

A prática é feita visualizando-se os inimigos de acordo com os princípios de cada kata, não tendo necessariamente um oponente físico. Para fins didáticos, podem-se executar os movimentos com oponentes reais.

Um iniciante na arte utiliza uma espada de madeira (bokutō) ou uma iaitō (espada com lâmina de liga metálica). Os praticantes mais avançados utilizam shinken, espadas de aço com fio.

Além dos katas, alguns estilos praticam também técnicas executadas com espadas desembainhadas (geralmente chamadas de kumitachi 組太刀). Outros estilos praticam também o tameshigiri 試し斬り ou o suemonogiri 据え物切り, que é o corte de rolos de palha de larguras equivalentes a partes do corpo humano.

Estrutura do kata[editar | editar código-fonte]

Cada kata segue a mesma estrutura básica de quatro partes: Nukitsuke (desembainhar e cortar) Kirioroshi (corte principal com o uso das duas mãos) Chiburi (retirada do sangue da lâmina) e Noto (embainhar a espada); existem dentro desse formato variações consideráveis. Dentro das mais comuns encontram-se: golpear para frente com o tsuka (empunhadura da katana) antes de desembainhá-la, puxar a bainha (saya) para trás e golpear imediatamente girando-se para trás, cortar em ângulos diferentes de horizontal e vertical, e.g.: diagonalmente de baixo para cima e de cima para baixo ou pela lateral, entre outros.

Formato de uma seção de treino[editar | editar código-fonte]

Iaidô - reishiki (etiqueta)
Iaidô - prática

O formato do treino varia enormemente de acordo com o estilo a ser praticado. A diferença vai desde detalhes básicos, como a forma de amarrar o sageo, até grandes diferenças, como a proibição de todo e qualquer tipo de alongamento, para buscar o máximo realismo dentro da prática.

No Seitei iaidō, um seção típica de treino começa com aquecimento e alongamento. Em seguida faz-se o rito de etiqueta de abertura, que consiste de:

  • Kamiza ni rei (curvar-se para o lugar sagrado)
  • Sensei ni rei (curvar-se para o instrutor)
  • To rei (curvar-se para o katana)

Em seguida inicia-se uma seção de suburi (prática dinâmica de cortes) e kihon incluindo chiburi e noto. A depender do tamanho e nível da turma, outras técnicas derivadas dos katas são exercitadas antes da prática dos katas propriamente dita ser iniciada. A série de katas, freqüentemente, se inicia com o sensei explicando algum ponto que deve ser especialmente observado pela classe ou por algum subgrupo específico da mesma. A isso se segue a pratica formal, em que todos praticam os katas em conjunto sob o comando do líder do dojo ou um treino livre quando os katas são praticados sem sincronismo e individualmente, cabendo ao instrutor a observação e correção de pontos de cada praticante de forma individual. Ao final da seção, todos fazem a etiqueta de fechamento em conjunto.

Keiko[editar | editar código-fonte]

Esse termo é traduzido como treino ou prática, mas seu significado em japonês abrange mais que isso. É o estágio em que os movimentos são aperfeiçoados por repetição lenta, dividindo-se o kata em suas partes componentes e pela contextualização da técnica em situações e confronto real. Com o tempo, o praticante começa a entender os princípios de Metsuke (correto uso dos olhos), Seme (pressão sobre o adversário) com o objetivo de controlar o adversário. Durante o keiko também são apreendidos os conceitos de maai (distância de combate) e ma (tempo - timing).

Organizações[editar | editar código-fonte]

Por ser iaidō um termo amplo que abrange uma ampla gama de práticas, estilos e associações, existem diversas organizações que congregam os praticantes.

Graduações[editar | editar código-fonte]

As graduações no iaidō dependem do estilo que se pratica.

Escolas[editar | editar código-fonte]

Seitei iaidō[editar | editar código-fonte]

Instituído no ano de 1968 pela ZNKR (Zen Nippon Kendo Renmei - Federação Japonesa de Kendô), com demonstração pública no Kyoto Taikai, e atualmente regulamentado em âmbito internacional pela FIK, o Seitei iai é um conjunto de katas estabelecido para a prática do iai. Recebeu novos Katas em 1980 e 2001.

A ZNKR, foi fundada em 1952, imediatamente seguindo a restauração da independência japonesa e o fim do banimento das artes marciais no país. Para popularizar o Iaido e tornar mais simples o aprendizado dos praticantes de Kendo, um comitê de mestres foi estabelecido. O comitê selecionou técnicas básicas do currículo das principais escolas de Iaido para criar o ZNKR Iaido. Em 1969, a ZNKR apresentou o currículo do Seitei com sete Katas de Iaido. Esses Katas foram baseados em diversas entre as escolas mais tradicionais, em especial Musō Jikiden Eishin-ryū (無双直伝英信流), Musō Shinden-ryū (夢想神伝流) e Hōki-ryū (伯耆流). Mais três Katas foram adicionados em 1981 e mais dois em 2000, formando a série atual de doze Katas. Esses Katas são conhecidos oficialmente como "ZNKR Iai", ou Zen Ken Ren Iai e normalmente chamado Seitei ou Seitei-gata. O termo Seitei significa simplesmente "Padrão" ou "Uniforme".

1969: ZNKR Comitê (7 primeiros Katas): - Danzaki Tomoaki, 9º Dan Hanshi, Muso Shinden Ryu - Yamatsuta Jukichi, 9º Dan Hanshi, Muso Shinden Ryu - Yamamoto Harusuke, 9º Dan Hanshi, Muso Jikiden Eishin Ryu - Masaoka Kazumi, 9º Dan Hanshi, Muso Jikiden Eishin Ryu - Muto Shuzo, Hanshi, 9º Dan Hanshi, Hasegawa Eishin Ryu - Kamimoto Eichi, 9º Dan Hanshi, Hasegawa Eishin Ryu - Yoshizawa Ikki, 9º Dan Hanshi, Hoki Ryu - Tsumaki Seirin, 8º Dan Kyoshi, Tamiya Ryu - Suetsugo Tomezo 8º Dan Kyoshi, Muso Shinden Ryu - Nukada Hisashi, 8º Dan Kyoshi, Muso Shinden Ryu - Ohmura Tadaji, 8º Dan Kyoshi, Muso Shinden Ryu - Sawayama Shuzo 8º Dan Kiyoshi, Hoki Ryu

1980: ZNKR Comitê (3 Katas adicionais): - Danzaki Tomoaki, 9º Dan Hanshi, Muso Shinden Ryu - Kamimoto Eichi, 9º Dan Hanshi, Muso Shinden Ryu - Hashimoto Masatake, 9º Dan Hanshi, Muso Jikiden Eishin Ryu - Wada Hachiro, 8º Dan Hanshi, Muso Shinden Ryu - Mitani Yoshisato, 8º Dan Hanshi, Muso Jikiden Eishin Ryu - Sawayama Shuzo, 8º Dan Hanshi, Hoki Ryu

Katas[editar | editar código-fonte]

A lista dos katas do Seitei iai são, em ordem:

  1. Mae 前 (frente)
  2. Ushiro 後 (trás)
  3. Uke-nagashi 受け流し (receber e deixar fluir)
  4. Tsuka-ate 柄当て (atingir com o cabo da espada)
  5. Kesa-giri 袈裟切り (corte ao kesa) *kesa ⇒ estola budista
  6. Morote-zuki 諸手突き (estocada com duas mãos)
  7. Sanpō-giri 三方切り (corte em três direções)
  8. Ganmen-ate 顔面当て (atingir o rosto)
  9. Soete-zuki 添え手突き (estocada com a mão apoiada)
  10. Shihō-giri 四方切り (corte em quatro direções)
  11. Sō-giri 惣切り (corte contínuo)
  12. Nuki-uchi 抜打ち (saque cortante)

Os katas de nº1 a nº3 são realizados em seiza 正座, ou seja, sentado formalmente. O kata nº4 é realizado em tatehiza 立膝, a forma de se sentar quando se está com armadura (yoroi-kacchû 鎧甲冑). Os demais katas são feitos em pé.

Campeonatos[editar | editar código-fonte]

Os campeonatos, são feitos como os campeonatos de kata de caratê, ou seja, dois competidores executam cinco katas. Para até o 3º Dan são realizados apenas Katas do Seitei Iaido escolhidos pela banca para cada categoria e podendo ser alterados nas disputas finais, mas para praticantes a partir do 4º Dan são realizados dois do koryū que praticam de escolha pessoal e três de Seitei iaidō escolhidos pela banca. Três juízes (sendo um principal e dois auxiliares) dão o veredito levantando as bandeiras da cor representativa (vermelha ou branca) do competidor que cada um entendeu que executou melhor os Katas. A prova deve durar um mínimo de cinco e um máximo de seis minutos, sempre dentro de uma área retangular demarcada preciamente, sendo que qualquer coisa fora disso acarreta em desclassificação automática.

Organizações[editar | editar código-fonte]

As atividades do Seitei iaidō são mundialmente regidas e regulamentadas pela FIK (Federação Internacional de Kendô), fundada em 1970 e sediada no Japão. Até 2008 havia, filiadas na FIK, 47 entidades representantes de países.[3]

No ano de 2006 a FIK passou a ser membro da General Association of International Sporting Federations (GAISF), entidade máxima do esporte mundial, que inclui outras entidades como FIFA, FIBA, FIVB, Federações Internacionais de Aikido, Judo, Jujitsu, Karate.[4]

No Brasil o representante da FIK é a CBK (Confederação Brasileira de Kendô), reconhecida também pelo Ministério dos Esportes[5] como entidade reguladora da prática do iaidô, kendô e jodô.[5]

Nos últimos anos vem crescendo muito a prática do iaidō em dojos de kendō filiados à CBK em diversos estados do Brasil, como São Paulo, Rio de Janeiro, Pará, Bahia, Espírito Santo, entre outros.[6] Existem também entidades filiadas à CBK exclusivamente para a prática do iaidō, como a Aizen no DF.

Em Portugal a representante da FIK é a Associação Portuguesa de Kendô (APK), que também promove a prática do iaidō.

Em todos os dojos de entidades ligadas à FIK é amplamente estimulado que os praticantes aprendam também estilos tradicionais (koryū), visto que nos exames é obrigatória a demonstração de ao menos dois katas de iaidō koryū, além dos katas de Seitei iaidō. Um dos estilos mais praticado é o Musō shinden-ryū, devido a sua estreita ligação com o Seitei iaidō, mas no Brasil também existem muitos praticantes de Muso Jikiden Eishin Ryu.

Graduações[editar | editar código-fonte]

No seitei iaidō, a graduação obedece aos ditames da FIK com uma banca examinadora, sendo regulamentado no Brasil pela CBK. Atualmente, a graduação segue a seguinte progressão:1º kyu e em seguida 1º dan ao 8º dan (o grau mais alto). Paralelamente, existem títulos que podem ser conferidos de acordo com as contribuições do praticante à arte.

Atualmente, existem três: Renshi (praticante avançado), Kyôshi (praticante professor) e Hanshi (praticante modelo). O título de Renshi pode ser conferido para praticantes a partir do 6º dan, o de Kyôshi a partir do 7º dan e o de Hanshi, o mais elevado, pode ser conferido apenas para praticantes que atinjam o 8º dan. Todos os títulos japoneses marciais são inspirados no passado do espada: Hanshi, por exemplo, corresponde a "Grão-Mestre de Armas". A partir do século 17, os títulos marciais da espada foram adotados para o conjunto das Artes Guerreiras (Sobujutsu) e depois para as "Artes Marciais Verdadeiras" (Sobudo).

Nos exames cada praticante deve se realizar 5 Kata. Até a graduação de 3º Dan são realizados Katas apenas do Seitei Iai, e a partir do 4º Dan os dois primeiros Katas devem ser do Koryu que o praticante treina e os três seguintes do Seitei Iai. No dia do exame a banca examinadora escolhe e anuncia os Katas de Seitei Iai a serem executados por cada graduação, não obrigatoriamente os mesmos para todas as graduações.

Toho iaido[editar | editar código-fonte]

A Federação Japonesa de Iai (ZNIR, Zen Nihon Iaido Renmei) possui um conjunto padronizado de cinco katas denominado Toho iaidō. É, em essência, o equivalente desta federação ao Seitei iaidô da FIK. Os cinco katas citados acima advém de cinco diferentes estilos:

  • Maegiri - Musō Jikiden Eishin-ryū
  • Zengogiri - Mugai-ryū
  • Kiriage - Shindō Munen-ryū
  • Shihôgiri - Suiō-ryū
  • Kissakigaeshi - Hoki-ryū

Organizações[editar | editar código-fonte]

O Toho iaidō é organizado pela Federação Japonesa de Iaidô (ZNIR, Zen Nihon Iaidō Renmei, fundada em 1948).

Iaidō koryū[editar | editar código-fonte]

Refere-se aos estilos estabelecidos antes de 1868, o ano da restauração Meiji e que possuem técnicas de iai em seu currículo.

As técnicas de iai vinham de séculos antes, estando presentes em estilos mais antigos como o tenshin shōden Katori shintō-ryū, fundado no século XV.

Porém a importância de Hayashizaki Jimsuke Minamoto-no-Shigenobu, no século XVI, é inegável, dada a grande popularidade que o iai alcançou no período Edo (1603-1867). Grande parte dos estilos existentes ainda hoje de iai tem como raiz o Musō Hayashizaki-ryū, seu estilo original.

As técnicas de saque da espada são bastante antigas, mas a maior parte das conhecidas atualmente foram (re)concebidas por Hayashizaki. Assim sendo, é comum se aceitar que ele foi o "criador" do iai, mas o mais correto seria afirmar que ele é o Chûkō no So (em japonês: 中興の祖; lit. revitalizador da arte).

Dentre estilos anteriores Hayashizaki que possuem técnicas de iai merece destaque o tenshin shōden Katori shintō-ryū, o mais antigo estilo existente. A existência de técnicas no Katori shintō-ryu atesta sua antiguidade e importância ainda antes do período Edo.

Os dois estilos mais difundidos na atualidade são:

Outros estilos difundidos no Japão e no ocidente são:

Demonstração (Comemoração do Dia do Samurai - São Paulo/2007)

Escolas[editar | editar código-fonte]

Tenshin shōden Katori shintō-ryū[editar | editar código-fonte]

O tenshin shōden Katori shintō-ryū (em japonês: 天真正伝香取神道流) é o mais antigo estilo de kobudo existente. Foi fundado por Iizasa Chosai Ienao há aproximadamente 700 anos.

Possui 16 katas de iai em seu currículo, divididas em três conjuntos:

  1. Omote no iai : 6 katas
  2. Tachiai battōjutsu : 5 katas
  3. Gokui no iai: 5 katas

O Sensei Jorge Kishikawa é Shidosha (mestre) e representante do estilo na America do Sul..[7]

Estes katas são demonstrados anualmente ao publico em geral, no Dia do Samurai (24 de abril),instituído em São Paulo e Paraná, na data de seu aniversário.

Suiō-ryū[editar | editar código-fonte]
Suio Ryu

O suiō-ryū iai kenpō (em japonês: 水鷗流 居合 剣法) foi fundado por Mima Yoichizaemon Kagenobu (1577-1665), que em sua juventude estudou o estilo Musō Hayashizaki-ryū, além de técnicas de naginata dos Yamabushi (guerreiros das montanhas).

No suiō-ryū, além das técnicas de iai executadas solo, também se pratica o kumi iai, katas de iai executados em duplas. Visa a aplicação direta do iai em combate.

O 15° Soke é o mestre Katsuse Yoshimitsu. Atualmente o estilo continua sendo praticado no Japão, Brasil, Argentina, Chile, Estados Unidos e Europa.

Na America do Sul o estilo é representado por Jorge Kishikawa, discípulo do Soke Katsuse Yoshimitsu.[8]

Sekiguchi-ryū[editar | editar código-fonte]

O sekiguchi-ryū iai (em japonês: 関口流) é um estilo de kobudo desenvolvido no Japão feudal há 400 anos.

Foi fundado orinalmente como um estilo de jujutsu (técnicas de combate desarmadas) por Sekiguchi Yarokuemon Ujishin. Seu filho mais velho, Sekiguchi Ujinari, foi seu sucessor, e adicionou as técnicas de espada, que constituíram o iai do estilo.

Durante o período Tokugawa, o sekiguchi-ryū se difundiu por todo o Japão. Posteriormente, o estilo se dividiu, sendo que o sekiguchi-ryū jujutsu mantém as técnicas de mãos vazias (mas ainda praticando uma pequena parte das técnicas de espada) e o sekiguchi-ryū iai, que ensina o currículo completo das técnicas armadas da escola.

O sekiguchi-ryū iai chegou ao século XX através do 14° Soke (grão mestre), Aoki Kikuo (também Soke do estilo niten ichi-ryū).

Atualmente o estilo se encontra representado por discípulos de Aoki Soke, como o Shihan Gosho Motoharu, Yoshimoti Kiyoshi e Yonehara Kameo (15° Soke).[9]

O estilo se encontra razoavelmente bem difundido no Japão e no Ocidente. No Brasil é ensinado pelo Sensei Jorge Kishikawa, que é discípulo do Shihan Gosho Motoharu nos estilos niten Ichi-ryu[10] e Sekiguchi Ryu.[11]

Musō shinden-ryū[editar | editar código-fonte]

Esta escola descende diretamente de Hayashizaki Jinsuke Minamoto no Shigenobu, por ser uma derivação do estilo Musō jikiden eishin-ryū.

O Musō shinden-ryū (em japonês: 夢想神伝流) foi um estilo criado por Nakayama Hakudō (1869-1952) no início do século XX, foi originalmente chamado Musō hayashizaki-ryū. Pode-se traduzir Musō shinden como uma escola "transmitida em sonho por divindade." ou "inspirada por sonho divino." ou "transmitida por visão divina."

Sensei iaido-rework.jpg

Hakudo Nakayama, devido a sua diversificada experiência em técnicas de esgrima, seu estilo, inicialmente, ostentou um desorientador arranjo de técnicas. Então ele desenvolveu um currículo estruturado dividido em shoden (curso primário), chuden (curso intermediário) e okuden* (curso superior) e nakayma-sensei franqueou as técnicas a todas as pessoas interessadas. (antes só pessoas altamente recomendadas poderiam estudar seu estilo).

Ela se divide em três níveis:

  • Shoden (básico)- Ômori-ryū - com 12 Katas
  • Chuden (intermediário) - Hasegawa Eishin-ryū - com 10 Katas
  • Okuden (avançado), este subdivide-se em:
    • Tate Hiza no Bu com 8 formas
    • Tachi no Bu com 10 formas
    • Seiza No Bu 3 formas.

No Brasil um dos grandes conhecedores desse estilo é o Sensei Toshihiko Tsutsumi, que treinou com alunos diretos de Nakayama Hakudō. Outro expoente importante é Jorge Kishikawa, discípulo direto de Kaminoda Tsunemori (8° Dan Hanshi Iaidô),[12] .

Outros koryū[editar | editar código-fonte]
  • Tamiya-ryū 田宮流
  • Hōki-ryū 伯耆流
  • Kageyama-ryū 影山流
  • Kanshin-ryū 貫心流
  • Mugai-ryū 無外流
  • Rikishin-ryū 力信流
  • Risshin (Tatsumi)-ryū 立身流
  • Seigō-ryū 制剛流
  • Shinkage-ryū 新影流
  • Shinmusō Hayashizaki-ryū 神夢想林崎流
  • Suihasu-ryū 水蓮流

Organizações[editar | editar código-fonte]

Cada estilo possui sua própria organização. No Japão existe a Nihon Kobudō Kyokai, que congraga os praticantes dos etilos clássicos não só de iaidô, mas do kobudô em geral. A Nihon Kobudō Kyokai tem também o objetivo de validar os dados históricos dos estilos, certificando ou não a linhagem das escolas em questão.

No Brasil existem diversos membros da Nihon Kobudō Kyokai associados à Confederação Brasileira de Kobudô. São membros do estilo suiō-ryū.

Na Confederação Brasileira de Kobudo (CBKob), são ensinados estilos tradicionais (principalmente Suiō-ryū, Musō shinden-ryū, tenshin Katori shintō-ryū e sekiguchi-ryū).

Estilos tradicionais também são ensinados na Sociedade Brasileira de Bugei (SBB) e no Aizen Dojo.

A Nihon Kobudō Kyokai não reconhece alguns estilos como koryū, embora sejam amplamente praticados. Dentre esses estilos destacam-se shintō-ryū ensinado no Dojo Shokakukan e o kaze no-ryū ensinado na SBB.

Dentro dos Dojos filiados à CBK também é amplamente estimulado o estudo de iaidō koryū, havendo a prática de estilos variados, considerando inclusive a obrigatoriedade da demonstração de ao menos dois Katas de koryū nos exames de graduação.

Na América do Sul há grupos conhecidos na Argentina, Brasil e Chile. Entre os estilos praticados se destacam Seitei iai, suiō-ryū, sekiguchi-ryū, tenshin shōden Katori shintō-ryū, Musō shinden-ryū e Musō jikiden eishin-ryū.

Graduações[editar | editar código-fonte]

A graduação nos koryū varia muito dependendo do estilo. Cada estilo possui um currículo diferente de técnicas e a graduação representa o grau de conhecimento das técnicas.

Antes disto, a maioria das escolas de artes japonesas tradicionais utilizavam o complicado sistema Menkyo como uma forma de licenciar os estudantes aos níveis técnicos de habilidades particulares.

O estudo técnico é comumente dividido em quatro den:

  • Shoden 初伝 – Ensinamentos Prelimilares.
  • Chuden 中伝 – Ensinamentos Intermediários (título: Shidoshi).
  • Okuden 奥伝 – Tradição Oral de Mestre para Discípulo (título: Shiran).
  • Hiden – Ensinamentos Secretos.

Os certificados de graduação técnica costumam ser:

  • Meikyo – Após ser aprovado no Shoden.
  • Kaiden – Após comprovado conhecimento místico e superior. Título raro, que significa "Igual ao Mestre". Esse termo é muitas vezes utilizado em vez de "Menkyo-Kaiden", espécie de certificado concedido pelo Mestre no qual declara por escrito ter "ensinado todo seu saber ao portador". Raramente um Mestre concedia um Kaiden, por vezes um ou dois em toda sua vida. Por outro lado, sem um Menhyo-Kaiden de seu precedente mestre, era impensável ao discípulo ser aceito por outro Mestre de igual ou maior valor.
  • Meikyo Kaiden – após comprovado maestria e domínio.

Nos estilos antigos (koryū) são em forma de makimono (pergaminhos), onde a graduação máxima se completa com o Menkyo e Menkyo Kaiden. Não há dan ou kyu e dependem exclusivamente do mestre Shihan, responsável pelo estilo.

Embora seja incomum, algumas escolas adotam o sistema de graduações modernas ("kyu" e "dan"). Existem estilos que possuem as duas formas de graduações coexistindo.

Aspecto filosófico[editar | editar código-fonte]

A espada no iaidō é um instrumento espiritual, sem dimensão material. As horas de treinamento dedicadas para que se possa atingir o domínio da técnica são horas em que o praticante entra em contato com seu eu interior (espírito).

O iaidō é uma mistura única de ética Confucionista, de métodos introspectivos do Zen-budismo e da filosofia Taoísta, tudo isso temperado pelo rigor do bushido. O Iai proporciona um estado mental focado e sereno ao praticante, podendo ser entendido como uma disciplina meditativa.

Como uma arte marcial pode ser efetiva quando é praticada somente com o uso de katas contra oponentes imaginários? Essa questão é mais profunda e difícil de responder do que pode parecer inicialmente. O problema começa na definição de 'efetiva' e que efeito se deseja obter. Claro que nos katas não existe oportunidade de comprovação da técnica do praticante em combate, como existe no kendō. O rigor na repetição dos movimentos do kata não deixa também espaço para adaptações em resposta às ações de um adversário real.

Além do estudo das técnicas, existe também o aspécto filosófico que envolve cada um dos diversos estilos de iaidô, influenciando inclusive na forma como as técnicas são executadas. Um praticante de um estilo tradicional (koryū) deve conhecer tais influências.

Como uma arte marcial contextualizada no mundo atual, é muito fácil enxergar, superficialmente, o iaidō e outras formas de esgrima como extemporâneas, simplesmente por não ser usual nem esperado que alguém saia pelas ruas portando uma espada.

O que deve ser notado no entanto é o que está por baixo dessa observação superficial. O que deve ser observado é o modo como o praticante deve se portar para evitar conflitos. Isso foi explicado milênios atrás por Sun Tsu em sua obra A Arte da Guerra e, posteriormente, por muitos estrategistas. O praticante que treina com dedicação e correção e com a orientação de um Sensei, desenvolve a habilidade de reconhecer situações difíceis e de como evitá-las antes que se tornem problemas de fato. Mesmo sendo inevitáveis ele aprende a enfrentá-los antes que atinjam grandes proporções. Mesmo algumas sendo inevitáveis, o praticante aprende a manter um estado de espírito e postura corporal e mental, que não oferece, ao adversário, oportunidade de agredi-lo. Essa é a essência do iaidô, do kendô e de outras artes-marciais que não se transformaram simplesmente em esportes comerciais.

O kanji 'I' também pode ser lido como 'itte' e 'ai' como 'awasu' na frase 'Tsune ni itte kyu ni awasu' que significa: seja onde e o que estiver fazendo, sempre esteja preparado. Como preparado entende-se não só estar alerta, mas também ter treinado rigorosamente para que, se necessário, uma técnica decisiva possa ser utilizada para terminar um conflito. Golpes com uma katana normalmente são cabais, mas esse não é o ponto. No mundo dos negócios a pessoa deve estar preparada e agir decisivamente quando necessário. Será que a pessoa está preparada, tem a autoconfiança necessária?

Quando um amigo desaponta uma pessoa, ela consegue lidar bem com esse tipo de situação, entendendo completamente as implicações e as conseqüências de suas ações? Ao cruzar uma rua e um carro aparecer como do nada ou algo cai sob sua cabeça enquanto está caminhando, seu corpo se encontra suficientemente equilibrado e sua mente suficientemente clara para lidar com esse tipo de situação e se colocar em segurança? Todos esses são exemplos práticos da aplicação do iaidô no mundo moderno.

A prática do iaidō é educativa tanto para jovens estudantes, como para executivos, gerentes e empresários, em resumo para todo aquele que precisa e quer aprimoramento nos principais valores humanos e de cidadania.

Na ficção[editar | editar código-fonte]

  • Kenshin Himura de Samurai X era conhecido como battousai (mestre do desembanhar da espada).
  • Vergil, o irmão do protagonista do jogo Devil May Cry, Dante, luta usando uma kataná e sua bainha em movimentos semelhantes aos do Iaido, repetindo muitas vezes o battou e o Nuki-uchi, no jogo Devil May Cry 3.
  • Kagero Sai, da série de anime e mangá Shijou Saikyou no Deshi Kenichi, é mestre em Iaidō.

Referências

  1. a b Nakamura, Taizaburo; Guy H. Power & Takako Funaya. Thoughts on Iaido (html) (em Inglês). ""The correct name for iai-do is "batto-do". In the Muromachi period (1392-1572) the term "batto-jutsu" was used; it was only from the middle of the Edo period (1730s) that "iai-jutsu" began to be used. The correct naming of iaido is a separate issue to be addressed; I earnestly desire the adoption of either "iai batto-do" or "batto-do" as the official name""
  2. (Japonês) Revista Kendo Nippon: Páginas 83,84, jul/2004 "Iaido Dojo"]
  3. FIK. Sobre a FIK (html) (em inglês).
  4. FIK. FIK na GAISF (html) (em inglês).
  5. a b Ministério do Esporte. Entidades do Desporto (html) (em português).
  6. CBK. Academias Filiadas na CBK (html) (em português).
  7. Tenshin Shoden Katori Shinto Ryu (html) (em Portugues).
  8. 水鴎流本部 碧雲舘道場 (Site oficial do Suio Ryu - Dojos) (html) (em Japonês). ""◎南米代表 代表 ジョージ岸川 稽古場所 サンパウロ、リオ、(他現在全35ヶ所)門下生 800名" Tradução Livre: Brasil: Representante Jorge Kishikawa 35 Lugares de treino, 800 alunos"
  9. (Japonês) Revista Kendo Nippon, Set/2007: Páginas 62-65 ""武の道 - 歩む歓び"; Ikeda Kiyonori
  10. Training (Site oficial do Hyoho Niten Ichi Ryu) (html) (em Japonês).
  11. O Livro dos Cinco Anéis, Gorin no Sho, Editora Conrad, 1ª Edição de Dezembro de 2006: Páginas 10-13,166-167, Miyamoto Musashi, com Apresentação do Shihan Gosho Motoharu, Introdução e Revisão Técnica do Sensei Jorge Kishikawa
  12. Instituto Niten. Sensei Kaminoda Tsunemori (html) (em Português). "Kaminoda Tsunemori"

Ligações externas[editar | editar código-fonte]