Laurinda Santos Lobo

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Laurinda Santos Lobo
Nascimento 4 de maio de 1878
Cuiabá
Morte 16 de julho de 1946 (68 anos)
Cidadania Brasil

Laurinda Santos Lobo (Cuiabá, 4 de maio de 1878Rio de Janeiro, 16 de julho de 1946) foi uma mecenas da Belle Époque carioca, conhecida como a “marechala da elegância”[1], que costumava reunir intelectuais e artistas nas dependências do seu antigo palacete, erguido entre 1898 e 1902 no bairro de Santa Teresa, na cidade do Rio de Janeiro, cujos salões testemunharam transformações artísticas e políticas no país[2]. Laurinda Santos Lobo era uma dama da sociedade carioca e herdeira de uma rica e poderosa família, que dividia-se entre a cidade do Rio de Janeiro e Paris [3]. Com ela morava também seu tio, Joaquim Murtinho, Ministro da Fazenda no governo Campos Salles e médico de figuras importantes da época, políticos de renome e pessoas influentes na cidade[4]. Laurinda nasceu em 1878 na cidade de Cuiabá e era herdeira do grupo Mate Laranjeira. Exerceu ao longo da vida diversas atividades de mecenato, e chegou a presidir o conselho da Federação brasileira para o progresso feminino. Em sua homenagem Villa-Lobos compôs a peça Quattour - impressões da vida mundana[5].

Seu casarão foi durante a década de 1920 o ponto de encontro do Modernismo no Rio de janeiro[6], e um dos pontos mais badalados da vida cultural carioca durante as duas próximas décadas, sendo um local de festas que reuniam famosos e figuras proeminentes da época, como Villa-Lobos, Tarsila do Amaral[7] e a bailarina Isadora Duncan[8], até a morte da anfitriã[9]. Hoje o local abriga o Parque das Ruínas.

Já o Centro Cultural Municipal Laurinda Santos Lobo foi criado em 1979 por sugestão de um grupo de moradores do bairro carioca de Santa Teresa. Apesar do centro cultural receber o nome da principal mecenas do bairro, Laurinda nunca morou no casarão. A homenagem aconteceu em um período em que sua antiga residência, que abriga atualmente o Centro Cultural Municipal Parque das Ruínas estava abandonada. No espaço acontecem exposições e projeções fotográficas, oficinas de dança e de música, apresentações teatrais, atividades infantis, recitais de piano e eventos diversos ao ar livre.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Laurinda nasceu em Cuiabá no dia 4 de maio de 1878. Órfã de pai, seria criada pelo tio Francisco Murtinho, irmão de sua mãe. Especula-se que tenha sido criada em Paris, mas isso não foi provado. Aos 16 anos vai morar em Santa Teresa, na época o bairro mais aristocrático do Rio de Janeiro. Em 1911, Laurinda abre seu salão no palacete Murtinho, e herda a companhia Mate-Laranjeira. Era considerada pela sociedade como uma mulher muito elegante, e chamada de “parisiense de Saint-Germain” e “A Marechala da Elegância”. O Salão de Laurinda foi durante a década de 20 um ponto de encontro do Modernismo brasileiro. Organizava muitos bailes, e reuniões lítero-musicais com os músicos e poetas aos quais ajudava financeiramente. Villa Lobos era um dos seus protegidos, e foi ela quem financiou sua projeção na capital francesa, em 1924[1].

Seu aniversário era um evento anual concorrido em Santa Teresa, e dois presidentes da república participavam dos encontros: Nilo Peçanha e Epitácio Pessoa. Ela possuía um apartamento em Paris, na Place de la Madeleine, e ali passava dois meses por ano entre Outubro e Abril, onde continuava o seu "Salão", recebendo brasileiros e franceses. Durante a guerra seu salão teve menos encontros, e ela se dedicou mais aos negócios da família, inicialmente ajudada pelo marido. Após a morte deste, em 1941 ela assume momentaneamente os negócios sozinha, mas logo entrega a responsabilidade ao sobrinho, Amauri Santos Lobo[1].

Laurinda morre em 16 de julho de 1946, sem deixar filhos. Em seu testamento deixa a casa para a Sociedade Homeopática que nunca chegou a tomar posse do bem[10]. Depois, o local foi abandonado e invadido, saqueado e ocupado por moradores de rua e até mesmo por traficantes de drogas. Há relatos de que até as maçanetas, que eram feitas de ouro, formam roubadas nesse período de abandono, assim como o seu valoroso piano[11]. Em 1993, o Governo do Estado do Rio de Janeiro tombou o que sobrava da propriedade e, em 1997, foi inaugurado no local o Parque das Ruínas. As ruínas apresentam hoje um estilo que mistura tijolos aparentes, combinados com estruturas metálicas e estruturas em vidro[12].

Referências