Parque das Ruínas

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Centro Cultural Municipal Parque da Ruínas
Tipo Galeria de arte e espaço para apresentações musicais
Inauguração 1997 (20–21 anos)
Website http://www.museusdorio.com.br/joomla/index.php?option=com_k2&view=item&id=18:centro-cultural-municipal-parque-das-ru%C3%ADnas#top
Geografia
Localidade Rua Murtinho Nobre, 169, em Santa Teresa, no Rio de Janeiro, no  Brasil.[1]

O Centro Cultural Municipal Parque das Ruínas é um parque público e centro cultural localizado no bairro de Santa Teresa, na cidade do Rio de Janeiro, no Brasil. Localiza-se nas ruínas do prédio que foi a casa da grande mecenas da Belle Époque carioca, Laurinda Santos Lobo. Conhecida como a "marechala da elegância", ela costumava reunir intelectuais e artistas nas dependências do palacete, hoje um projeto premiado do arquiteto Ernani Freire, que manteve a estrutura das ruínas agregando contemporaneidade à casa durante os trabalhos de renovação. As ruínas do antigo palacete passaram por um processo de restauro e impermeabilização minucioso.

O espaço apresenta programação cultural variada.[2] O local apresenta uma vista panorâmica para a Baía de Guanabara, de um lado, e para o Centro da cidade, do outro lado. Com a cidade aos seus pés, o mirante é um bom local para se entender a geografia da cidade, do alto do bairro de Santa Teresa.[3]

História[editar | editar código-fonte]

O Parque e as ruínas são os resquícios do Palacete Murtinho Nobre, erguido entre 1898 e 1902, e local de residência de Laurinda Santos Lobo, dama da sociedade e herdeira de uma rica e poderosa família, que dividia-se entre Rio de Janeiro e Paris.[4] Laurinda nasceu em 1878 na cidade de Cuiabá e era herdeira do grupo Mate Laranjeira. Exercia atividades de mecenato, e chegou a presidir o conselho da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino. Em sua homenagem, Villa-Lobos compôs a peça Quattour - impressões da vida mundana.[4]

Seu casarão foi, durante a década de 1920, o ponto de encontro do modernismo no Rio de janeiro,[5] e um dos pontos mais badalados da vida cultural carioca durante as duas próximas décadas, sendo um local de festas que reuniam famosos e figuras proeminentes da época, como Villa-Lobos, Tarsila do Amaral[6] e a bailarina Isadora Duncan,[7] até a morte da anfitriã.[8] Laurinda morreu em 16 de julho de 1946, e não deixou filhos. Em seu testamento, deixou a casa para a Sociedade Homeopática, que, porém, nunca chegou a tomar posse do bem.[4] Depois, o local foi abandonado e invadido, saqueado e ocupado por moradores de rua e até mesmo por traficantes de drogas. Há relatos de que até as maçanetas, que eram feitas de ouro, formam roubadas nesse período de abandono, assim como o seu piano.[4]

Em 1993, o governo do estado do Rio de Janeiro tombou o que sobrava da propriedade e, em 1997, foi inaugurado, no local, o Parque das Ruínas. As ruínas apresentam, hoje, um estilo que mistura tijolos aparentes, combinados com estruturas metálicas e estruturas em vidro.[3]

Parede do Parque das Ruínas, decorada com avencas. Ao fundo, a Estação Central do Brasil.

Estrutura e Eventos[editar | editar código-fonte]

Durante os trabalhos de restauro do palacete, foram recolhidos fragmentos originais da mansão, os quais foram colocados em redomas, criando, assim, um acervo arqueológico permanente do parque. O projeto do local, realizado por Ernâni Freire e Sônia Lopes, foi premiado pelo IAB (Instituto dos Arquitetos do Brasil).[9]

O parque possui sala de exposições, auditório para 100 pessoas, um palco de 88 metros quadrados,[4] e cafeteria, que funcionam sob programação especial. Nas áreas ao ar livre, há shows e uma programação especial para as crianças nos finais de semana.[3] Além de oferecer programação cultural, o Parque das Ruínas é um mirante da cidade do Rio de Janeiro: de lá, é possível se ver o Centro, o Pão de Açúcar, parte da orla e os Arcos da Lapa.

Vista da zona sul desde o Parque das Ruínas.
Commons
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Referências

  1. Google maps. Disponível em https://www.google.com.br/maps/place/Centro+Cultural+Municipal+Parque+das+Ru%C3%ADnas/@-22.9188589,-43.1857429,17.04z/data=!4m5!3m4!1s0x0:0x4c4595030fc7d91c!8m2!3d-22.9176802!4d-43.1823809. Acesso em 9 de abril de 2017.
  2. Pura Comunicação LTDA. «Rio Guia Oficial - O Que Fazer». rioguiaoficial.com.br 
  3. a b c Editora Dansville do Brasil Ltda. «Parque das Ruínas». Time Out Rio de Janeiro 
  4. a b c d e Ladeira, Leonardo (30 de maio de 2012). «Parque das Ruínas – Uma ponte entre passado e presente em Santa Teresa». Coluna Patrimônio Histórico. Rio & Cultura. Consultado em 23 de junho de 2015 
  5. Simone Bessa. «Centro Cultural Municipal Laurinda Santos Lobo». MUSEUS DO RIO.COM.BR 
  6. «Parque das Ruínas em Santa Teresa no RJ». Me joguei no Mundo 
  7. «Parque das Ruínas». Kids In. Consultado em 23 de junho de 2015 
  8. «As Ruas do Rio - Blog para aqueles que gostam de desbravar a capital fluminense.: O caminho para a Chácara do Céu». asruasdorio.blogspot.fr 
  9. «Guia de Arquitectura e Interesse Cultural» (PDF). Consultado em 23 de junho de 2015