Luis Vicente de Sousa Queirós

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Luís Vicente de Sousa Queirós[nb 1] (São Paulo, 12 de junho de 1849São Paulo, 11 de junho de 1898) foi um proprietário de terras, agrônomo e empresário brasileiro, mais conhecido por ser o idealizador da Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" (ESALQ)[1].

Era o quinto dos quinze filhos de Vicente de Sousa Queirós, o Barão de Limeira e de Francisca de Paula Sousa, sua prima. Neto do brigadeiro Luís Antônio de Sousa, um dos maiores proprietário de terras da província de São Paulo, conhecido normalmente como "Brigadeiro Luís Antônio", e de Genebra Pais de Barros Leite.[2]

História[editar | editar código-fonte]

Em 1857, aos oito anos de idade, seguindo o costume da época, foi mandado à Europa, na companhia de um irmão mais velho, para realizar seus estudos, cursando as Escolas de Agricultura de Grignon, na França, e a de Zurique, na Suíça Alemã. Aos 24 anos retornou ao Brasil, em decorrência da morte de seu pai. Tomou posse de sua herança, que incluía, entre as principais propriedades, a Fazenda Engenho d'Água, em Piracicaba.

A sua primeira iniciativa empresarial foi a fábrica têxtil "Fábrica de Tecidos Santa Francisca", nome dado em homenagem à sua mãe, uma tecelagem de algodão, aproveitando parte das águas do salto do rio Piracicaba como potencial hidráulico para mover suas máquinas, construída em 1874. Com 50 teares, a fábrica, logo de início, emprega 70 operários, tendo a capacidade produtiva de 2 400 metros de pano por dia. Em pouco tempo, com a fazenda fornecendo o algodão e a fábrica produzindo tecidos, alcançou apreciável fortuna.

Foi responsável pela primeira linha telefônica de Piracicaba. Em 1882, instalou postes e fios telefônicos que ligavam a tecelagem à Fazenda Santa Genebra, de sua propriedade. Também foi responsável pelo uso da eletricidade na iluminação pública de Piracicaba: a cidade conheceu a iluminação elétrica muito antes da capital paulista.

Abolicionista militante, Sousa Queirós alforriou todos os escravos de duas fazendas, além de receber e proteger escravos fugidos de outras propriedades.

Em 1880 casou-se com Ermelinda Ottoni (21 de março de 1856 — 7 de abril de 1936), filha do conselheiro e senador do Império, Cristiano Ottoni. O casal não deixou filhos.

Em 1889, arrematou em hasta pública, a Fazenda São João da Montanha, cuja propriedade, medindo 319 hectares, que pertencia a João Florêncio da Rocha, foi doada ao governo de São Paulo sob a condição de que, em dez anos, ali fosse construída uma escola, inspirada nas escolas agrícolas em que estudou na Europa. Em 1892 a doação foi aceita e, em 3 de junho de 1901, após quase três anos da morte de seu proponente, foi inaugurada a Escola Agrícola Prática de Piracicaba.

Em 1934 foi criada a Universidade de São Paulo, à qual passa a integrar a Escola Agrícola Prática de Piracicaba, agora chamada de Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz", conhecida pelo acrônimo ESALQ.

No dia 11 de junho de 1898, morre repentinamente, em plena atividade. Foi sepultado no dia 12 de junho, dia em que completaria 49 anos de idade, no Cemitério da Consolação na capital paulista, no jazigo dos Barões de Limeira, à Rua 8, sepultura 38 e 39.

Anos mais tarde, no dia 12 de junho de 1964, foi erigido um mausoléu no gramado, entre os mastros das bandeiras, em frente ao Edifício Central do campus da ESALQ, projetado pelo artista piracicabano Archimedes Dutra, para onde seus despojos e de sua esposa foram transladados, onde encontram-se atualmente sepultados sob a inscrição: "A Luiz Vicente de Souza Queiroz… O teu monumento é a tua escola".

Referências

  1. ESALQ-USP. «Histórico da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo». Consultado em 10 de dezembro de 2018 
  2. http://www.ospaesdebarrossaopaolo. blogspot.com.br/2011/11/luiz-vincente-de-souza-queiroz.html Os Paes de Barros, São Paulo.

Notas[editar | editar código-fonte]

  1. A grafia original do nome do biografado, Luiz Vicente de Souza Queiroz, deve ser atualizada conforme a onomástica estabelecida a partir do Formulário Ortográfico de 1943, por seguir as mesmas regras dos substantivos comuns (Academia Brasileira de Letras – Formulário Ortográfico de 1943). Tal norma foi reafirmada pelos subsequentes Acordos Ortográficos da língua portuguesa (Acordo Ortográfico de 1945 e Acordo Ortográfico de 1990). A norma é optativa para nomes de pessoas em vida, a fim de evitar constrangimentos, mas após seu falecimento torna-se obrigatória para publicações, ainda que se possa utilizar a grafia arcaica no foro privado (Formulário Ortográfico de 1943, IX).

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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