Cemitério da Consolação

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Vista da capela a partir do portão principal.
Uma das alamedas do Cemitério da Consolação.

O Cemitério da Consolação é a mais antiga necrópole em funcionamento na cidade de São Paulo e uma das principais referências brasileiras no campo da arte tumular [1]. Localiza-se no distrito da Consolação, na região central da capital paulista. Primeiro cemitério público da cidade, foi fundado em 10 de julho de 1858 e inaugurado em 15 de agosto de 1858 com o nome de Cemitério Municipal e área de 76.340 m², com o objetivo de garantir a salubridade e evitar epidemias, substituindo o hábito então recorrente de sepultar os mortos nos interiores das igrejas [2]. Atualmente, é um dos 22 cemitérios públicos administrados pelo Serviço Funerário do Município de São Paulo.

Com a prosperidade advinda da aristocracia da cafeicultura e o surgimento de uma expressiva burguesia em São Paulo, o Cemitério da Consolação passou a abrigar obras de arte produzidas por escultores de renome, para ornamentar os jazigos de personalidades importantes na história do Brasil. Mantém visitas guiadas, por meio do projeto “Arte Tumular”.

História[editar | editar código-fonte]

A entrada no Dia de Finados, 1928.

Apesar de ter tido sua inauguração em 1858, a história do cemitério da Consolação já vinha se fazendo antes, em meados do ano de 1829, após o vereador Joaquim Antonio Alves Alvim ter defendido, pela primeira vez, a construção de um cemitério público na cidade.

Antes de sua construção os sepultamentos eram realizados nas igrejas e em seus arredores, pois esses eram considerados solos sagrados, o que gerava o entendimento de que a proximidade com os santos poderia ser um auxílio para a ingressão da alma em paz no Paraíso. No entanto, a prática trazia problemas de saúde pública e assim, com a aparição de ideias de sanitarismo e higiene, os governos das cidades criaram os primeiros cemitérios públicos.[3]

Em São Paulo, por força do Ato Institucional do Imperador, foi-se consolidando a ideia da construção de um cemitério público de uso geral pela população. Assim, Carlos Rath incumbiu-se da missão de arquitetar o projeto. Foram anos de discussão na Câmara Municipal antes de sua efetiva inauguração, que sofreu algumas alterações desde seu esboço inicial. A primeiro plano, o cemitério iria localizar-se ao lado da igreja da Consolação, segundo o próprio engenheiro Carlos Rath e os médicos Líbero Badaró e Cândido Gonçalves Gomide sendo, futuramente, deslocado para dois novos endereços: o bairro da Luz no ano de 1832 e Campos Elísios em 1984.

No ano de 1855, o escolhido desde o princípio para liderar o projeto, Carlos Rath, cria um novo estudo levando em conta a altitude da região da Consolação, a direção dos ventos dominantes e a qualidade do solo ali existente, chegando a conclusão de que o melhor local para a construção do cemitério público seria naquela localização, ficando então decidido o local final, sem posteriores alterações.

Apesar da placa colocada sobre o túmulo da Marquesa de Santos, dizendo que ela doou as terras do cemitério, na verdade a doação consistiu apenas de parte do dinheiro necessário à conclusão da capela e algumas benfeitorias para a inauguração.[4]

Quando da epidemia de varíola na cidade em 1858, os cadáveres ainda estavam sendo enterrados nas igrejas. O presidente da província ordena então à Câmara Municipal de São Paulo, em 07 de julho de 1858, que proibisse as práticas de enterramento nos templos. O Cemitério da Consolação passaria a receber os primeiros cadáveres das vítimas desta epidemia, antes mesmo que as obras do mesmo estivessem concluídas. Assim, no dia 15 de agosto de 1858, quando aconteceu o primeiro sepultamento no cemitério, deu-se por aberto o primeiro cemitério público de São Paulo, o Cemitério da Consolação.

Túmulo de Olívia Guedes Penteado, escultura de Victor Brecheret.

Em seus primeiros anos, o cemitério da Consolação era o lugar de sepultamento de pessoas de todas as classes sociais, incluídos os escravos, que foram posteriormente transferidos do cemitério dos Aflitos.

Já a partir do século XX, o cemitério passa a receber quase que exclusivamente pessoas da alta classe média,da Alta Burguesia, devido ao loteamento dos terrenos em jazigos perpétuos vendidos pela prefeitura. À época, um túmulo suntuoso era visto como sinal inequívoco de status social. Havia verdadeira competição entre as famílias abastadas, que construíam jazigos cada vez mais sofisticados, em materiais nobres como mármore e bronze. A ornamentação ficava a cargo de artistas de primeira grandeza, que tinham na arte tumular uma atividade com demanda estável e altamente lucrativa.

Desde então, o cemitério, que é tido por muitos como um museu a céu aberto, abriga túmulos de personalidades históricas e famílias ilustres da sociedade brasileira e paulista, como Monteiro Lobato, Mário de Andrade e Tarsila do Amaral e é também referência em arte tumular no Brasil, reunindo cerca de mais de 300 obras de arte de escultores como Victor Brecheret, Celso Antônio Silveira de Menezes, Nicola Rollo, Luigi Brizzolara e Galileo Emendabili e do arquiteto Ramos de Azevedo.[5]

Um dos destaques do cemitério é o colossal mausoléu da família Matarazzo, o maior da América Latina, que do subsolo ao pico possui 25 metros de altura. Tem o tamanho aproximado de um prédio de 6 andares, ocupando uma área de 150 metros quadrados. É ornamentado por um impressionante conjunto escultório em bronze italiano, obra de Luigi Brizzolara. Segundo jornalistas à época de sua construção, teria custado praticamente o mesmo que o Hospital Umberto I. Assim, o empreendedor italiano Matarazzo contrapunha-se ao elitismo da aristocracia cafeeira paulista, que ignorava abertamente os imigrantes recém-enriquecidos nos círculos sociais.

Além de personalidades históricas e centenárias da histórica do país, estão enterradas no cemitério pessoas como o compositor Paulo Vanzolini, da clássica música "Volta por cima", morto em 2013, e o ator Paulo Goulart, que faleceu em 2014.

Em 31 de julho de 2015, moradores, concessionários e líderes comunitários se reuniram para debater a condição em que está o Cemitério, e o que pode ser feito no intuito de colaborar com as autoridades, a administração do local e a população para preservar tão importante patrimônio religioso, histórico e cultural. Nessa reunião fundaram o MDCC - Movimento em Defesa do Cemitério da Consolação.

Em vista dessas melhorias podem ser encontrados hoje em cada túmulo do cemitério um totem com QR-code, que disponibiliza uma leitura para celular e direciona o visitante diretamente para uma página com o perfil do homenageado em questão. Assim como as visitadas monitoradas para estudantes, professores, pesquisadores, turistas e mais, que são de entrada gratuita e tem o interessante roteiro "Arte Tumular", organizado pela administração do cemitério para apresentar a história, os túmulos e obras de artes instaladas no local. Durante o mês de novembro de 2015 ocorreram algumas visitas experimentais noturnas, com possível implementação posterior, mas não vingou. Atualmente as visitas acontecem todas as terças e sextas-feiras em períodos diurnos com agendamento por meio da prefeitura municipal[1].

Algumas atividades que pretendiam ser inseridas no cemitério ainda enfrentam resistência, como o "Cinetério". O programa que surgiu de dentro do projeto Mês da Cultura Independente, da Secretaria Municipal de Cultura, tinha como objetivo exibir gratuitamente filmes de terror em telões instalados nos corredores do cemitério. Alguns eventos ocorreram e geraram uma grande procura do público, como o de 13 de setembro de 2014 que atraiu um público cinco vezes maior do que o esperado e formou uma fila de mais de 1.000 pessoas para fora do cemitério.[2]

No dia 12 de setembro de 2015 uma liminar da justiça apresentada por um concessionário proibiu as três sessões que ocorreriam no mesmo dia e obrigou que a organização mudasse o endereço para a rua lateral do cemitério. O MDCC acredita que eventos como o "Cinetério" violam a finalidade essencial do local e colocam em risco sua segurança de preservação, por isso luta contra o acontecimento desses eventos.[3]

Localização[editar | editar código-fonte]

Portão principal do Cemitério, na Rua da Consolação, projetado por Ramos de Azevedo.

Localizado inicialmente na periferia de São Paulo, no ponto mais distante, acaba depois de um crescimento da economia cafeeira cercado de casarões da elite paulista. Atualmente fica em uma das mais nobres áreas da cidade. Fica entre as ruas da Consolação, Sergipe, Mato Grosso e Cel. José Eusébio.

O cemitério tem acesso pela Rua da Consolação e Rua Mato Grosso.

Personalidades sepultadas[editar | editar código-fonte]

Túmulo do ex-presidente Campos Salles.
O mausoléu da Família Matarazzo, com 23 metros de altura e 2 subsolos, é considerado o maior túmulo da América do Sul.
Túmulo de Moacir Piza, e escultura de Francisco Leopoldo e Silva, intitulada "Interrogação".

No Cemitério da Consolação encontram-se os restos mortais de muitas personalidades importantes da História do Brasil, tais como:

Ver também[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • FIX, Reinaldo Guilherme. Os muros que separam os mortos: um estudo de caso dos cemitérios da Consolação, dos Protestantes e da Ordem Terceira do Carmo. Trabalho de Graduação Individual. USP, São Paulo, 2007. (disponível na biblioteca da FFLCH-USP e na administração do cemitério)
  • REZENDE, Eduardo Coelho Morgado. O Céu Aberto na Terra: Uma leitura dos cemitérios de São Paulo na geogrfia urbana. São Paulo: Necrópolis. 2006

Referências

  1. Robson Rodrigues (7 de outubro de 2010). «Cemitério da Consolação». São Paulo Turismo. Consultado em 21 de dezembro de 2011. 
  2. Paulo Toledo Piza (15 de agosto de 2008). «Cemitério da Consolação, marco histórico e turístico de SP, completa 150 anos». Folha Online. Consultado em 21 de dezembro de 2011. 
  3. «Prefeitura de São Paulo». www.prefeitura.sp.gov.br. Consultado em 2016-09-14. 
  4. «Cemitério Consolação - Segredos Revelados - Cemiterio.net». Consultado em 2015-09-28. 
  5. «Cemitério da Consolação». www.cidadedesaopaulo.com. Consultado em 2016-09-14. 
  6. «Corpo da atriz Geórgia Gomide é enterrado em SP». G1. 29 de janeiro de 2011. Consultado em 20 de agosto de 2014. 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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