Luisa Cunha
| Luisa Cunha | |
|---|---|
| Nascimento | 1949 Lisboa |
| Morte | 6 de julho de 2026 (76–77 anos) Lisboa |
| Cidadania | Portugal |
| Alma mater | |
| Ocupação | artista plástica, artista de instalações, pintora, desenhista, artista |
| Página oficial | |
| http://www.luisacunha.com/ | |
Luisa Cunha (Lisboa, 1949 - Lisboa, 6 de julho de 2026) foi uma artista plástica portuguesa.
Em 2020 foi seleccionada para representar Portugal na 34ª Bienal Internacional de Arte de São Paulo.[1] No ano seguinte, ganhou o Grande Prémio de Arte Fundação EDP.[2]
Biografia
[editar | editar código]Licenciou-se em Filologia Germânica (1972) pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.[3]
O seu percurso artístico inicia-se aos 37 anos, ao completar o Curso Avançado de Escultura no Ar.Co - Centro de Arte e Comunicação Visual, instituição onde irá leccionar até 1997.[3][4]
Faleceu a 6 de julho de 2026, no Hospital de São José, em Lisboa, vítima de doença oncológica.[5]
Obra
[editar | editar código]Luisa Cunha desenvolveu, desde os anos 1990, uma prática artística que atravessa a fotografia, o desenho, o vídeo, a performance e a instalação. Nestas, a palavra e a voz - quase sempre a sua, em loop - são visualmente ancoradas em objectos escultóricos ou dispositivos tecnológicos analógicos discretos. As suas mensagens procuram interpelar o ouvinte, sob a forma de um murmúrio ou segredo, rompendo a fronteira entre público e privado.[6][7]
A sua primeira retrospectiva teve lugar no MAAT. Com curadoria de Isabel Carlos, cobriu o arco temporal de 1992 a 2022 e todos os meios com que trabalhou.[8] A exposição permitia ao visitante mergulhar num percurso caracterizado pela colocação de obras em espaços inusitados, pela interpelação performativa, pela palavra como matéria escultórica e pela criação de situações insólitas: um universo artístico intrigante, enigmático e subversivo.[8] A inauguração da exposição Hello! Are You There? é também ocasião para o lançamento do mais completo catálogo da obra de Luisa Cunha até à data.
Foi uma das artistas escolhidas para figurar na exposição Tudo O Que Eu Quero, parte da programação cultural da Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia.[9][10] Esta iniciativa do Ministério da Cultura teve lugar na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, e no Centre de Création Contemporaine Olivier Debré, em Tours, no âmbito do programa geral da Temporada Cruzada Portugal-França. Teve curadoria de Helena de Freitas e Bruno Marchand.
Expôs individualmente na Galeria Miguel Nabinho, no Quartel Municipal de Abrantes, no Colégio das Artes, na Culturgest, no CCB – Centro Cultural de Belém, no Museu de Arte Contemporânea de Serralves, na Casa da Músicae no CAV – Centro de Artes Visuais de Coimbra, entre outros.[11][12]
As suas obras podem ser encontradas em várias colecções públicas e privadas, entre elas: Fundação de Serralves, Fundação Calouste Gulbenkian, Colecção António Cachola, Ministério da Cultura, Caixa Geral de Depósitos, Fundação PLMJ, Museu das Comunicações, Colecção Figueiredo Ribeiro, Fundação EDP, entre outras.[13][14][15]
Prémios e Reconhecimento
[editar | editar código]Em 2020 foi seleccionada para representar Portugal na 34ª Bienal de São Paulo.[1] Foi "Artista do Mês" no Projecto Studio Visits, que contou com o apoio do Governo Português, da Direcção-Geral das Artes (DGARTES) e da Fundação Calouste Gulbenkian.[16][17] O projecto foi pela criado pela Bienal de São Paulo para dar visibilidade aos artistas participantes. Numa série de vídeos, os artistas dava a conhecer o seu trabalho e respondiam a desafios e provocações lançados pelos curadores Jacopo Crivelli Visconti, Paulo Miyada, Carla Zaccagnini, Francesco Stocchi e Ruth Estévez.
No ano seguinte, foi galardoada com o Grande Prémio de Arte Fundação EDP, pelo seu pioneirismo, ousadia experimental e originalidade.[18][19] Luisa Cunha foi escolhida por unanimidade pelo júri, que destacou a sua influência nas gerações mais jovens e a forma como trabalha o espaço e o som a partir da linguagem verbal, num permanente jogo de construção e desconstrução de significados.[2]
Foi vencedora do Prémio AICA 2022 de Artes Visuais, pela exposição Partitura #4, na Galeria Miguel Nabinho, e pela intervenção no Espaço Gabinete do MAAT - Museu de Arte, Arquitectura e Tecnologia, com a peça “Não”.[20]
Referências
- 1 2 «Luisa Cunha | Galeria Miguel Nabinho». Galeria. Consultado em 6 de julho de 2026. Cópia arquivada em 14 de janeiro de 2026
- 1 2 «Luisa Cunha». Fundação EDP. Consultado em 6 de julho de 2026. Cópia arquivada em 13 de abril de 2026
- 1 2 Renascença (8 de abril de 2021). «Luisa Cunha distinguida com o Grande Prémio EDP Arte 2021 - Renascença». Rádio Renascença. Consultado em 15 de outubro de 2022. Cópia arquivada em 26 de novembro de 2024
- ↑ «Luisa Cunha destacada pela Bienal de São Paulo». www.dn.pt. Consultado em 15 de outubro de 2022. Cópia arquivada em 19 de janeiro de 2025
- ↑ Lusa, Agência. «Morreu a artista plástica Luísa Cunha aos 77 anos». Observador. Consultado em 6 de julho de 2026
- ↑ «Luisa Cunha. Senhora!». Centro de Arte Moderna. Consultado em 6 de julho de 2026
- ↑ «Luisa Cunha». Google Arts & Culture. Consultado em 6 de julho de 2026
- 1 2 «LUISA CUNHA. HELLO! ARE YOU THERE?». MAAT. 8 de julho de 2023. Consultado em 6 de julho de 2026. Cópia arquivada em 10 de maio de 2026
- ↑ «Tudo o que eu quero – Artistas Portuguesas de 1900 a 2020». Fundação Calouste Gulbenkian. Consultado em 15 de outubro de 2022
- ↑ «Luisa Cunha». Google Arts & Culture. Consultado em 15 de outubro de 2022
- ↑ «Luisa Cunha». www.luisacunha.com. Consultado em 6 de julho de 2026. Cópia arquivada em 9 de setembro de 2025
- ↑ «Luisa-cunha corpo imagem som palavra». www.publico.pt. Consultado em 6 de julho de 2026. Cópia arquivada em 9 de março de 2026
- ↑ Porto, Universidade Católica Portuguesa-. «Luisa Cunha · O Som pode ser um objeto». Universidade Católica Portuguesa - Porto. Consultado em 15 de outubro de 2022. Cópia arquivada em 27 de novembro de 2024
- ↑ «Luísa Cunha». Centro de Arte Moderna. Consultado em 15 de outubro de 2022. Cópia arquivada em 21 de fevereiro de 2025
- ↑ «Luísa Cunha « Colecção António Cachola». col-antoniocachola.com. Consultado em 15 de outubro de 2022
- ↑ «Luisa Cunha é "Artista do Mês" na Bienal de São Paulo | DGARTES». www.dgartes.gov.pt. Consultado em 15 de outubro de 2022. Cópia arquivada em 26 de outubro de 2025
- ↑ «34ª Bienal de São Paulo». 34.bienal.org.br. Consultado em 15 de outubro de 2022
- ↑ Renascença (8 de abril de 2021). «Luisa Cunha distinguida com o Grande Prémio EDP Arte 2021 - Renascença». Rádio Renascença. Consultado em 15 de outubro de 2022. Cópia arquivada em 26 de novembro de 2024
- ↑ Oliveira, Luísa Soares de. «Luísa Cunha, um prémio para uma obra que enfim se ouve». PÚBLICO. Consultado em 15 de outubro de 2022. Cópia arquivada em 19 de fevereiro de 2026
- ↑ «Luísa Cunha e Ricardo Carvalho vencem Prémios AICA 2022 | DGARTES». www.dgartes.gov.pt. Consultado em 4 de maio de 2023. Cópia arquivada em 3 de dezembro de 2024
Ligações externas
[editar | editar código]- «Escola das Artes - UCP Porto». Luisa Cunha: O som pode ser um objecto (2021)
- «Entrevistas». Galeria Miguel Nabinho