Manuel de Melo Cardoso Barata

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Manuel de Melo Cardoso Barata
Nascimento 4 de agosto de 1841
Belém
Morte 14 de outubro de 1916
Cidadania Brasil
Alma mater
Ocupação político, historiador

Manuel de Melo Cardoso Barata (Belém do Pará, 4 de agosto de 184114 de outubro de 1916) foi um político e historiador brasileiro. Era filho de ricos fazendeiros da ilha de Marajó e formou-se pela Faculdade de Direito do Recife. Participou das campanhas abolicionista e republicana. Senador pelo Pará, foi membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.[1]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Manuel Barata nasceu em Belém no dia 4 de agosto de 1841, filho de Manuel José de Melo Freire Barata e de Jacinta Maria de Melo Freire Barata. Como seu pai era um abastado fazendeiro na ilha de Marajó, grande proprietário de imóveis na cidade de Belém e capitão da Guarda Nacional, teve as condições necessárias para sair de Belém e cursar a Faculdade de Direito do Recife, pela qual se formou em 1872 em ciências jurídicas e sociais.

Em 1878 foi subdelegado do 1º Distrito de Belém e entre 1879 e 1882 foi vereador na Câmara Municipal da mesma cidade.

Em 1886 participou da fundação do Clube Republicano do Pará, associação criada com o intuito de propagar os ideais republicanos na província. Foi seu vice-presidente em 1887 e presidente em 1888, quando também fez parte da comissão de elaboração do estatuto do Clube.

República[editar | editar código-fonte]

Logo após a proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, foi deposto o então presidente da província do Pará, o monarquista Antônio José Ferreira Braga. Dois dias depois foi empossada uma junta governativa provisória, chefiada pelo doutor Justo Leite Chermont e composta pelo tenente-coronel Bento José Fernandes Júnior e pelo capitão-de-fragata José Maria do Nascimento.

Em 17 de dezembro Justo Chermont e Manuel Barata foram nomeados pelo governo provisório chefiado pelo marechal Deodoro da Fonseca, respectivamente, governador e vice-governador do Pará.

Realizadas as eleições para o Congresso Nacional Constituinte em setembro de 1890, Manuel Barata foi eleito senador pelo Pará. Assumiu o mandato em 15 de novembro e foi um dos signatários da Constituição de 24 de fevereiro de 1891. Sucessivamente reeleito, permaneceu no Senado até 1906, quando decidiu afastar-se da vida política a fim de dedicar-se à pesquisa histórica.

Morte[editar | editar código-fonte]

Faleceu em Belém do Pará, no dia 13 de outubro de 1916.

Legado[editar | editar código-fonte]

Foi sócio honorário do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), onde se encontram depositadas sua biblioteca de obras raras sobre o Brasil e, especialmente, sobre a Amazônia, além de sua opulenta coleção de mapas.

Para homenageá-lo, o IHGB colocou na antessala de consulta seu retrato a óleo, como guardião dos amantes da literatura histórica. Foi membro, também, dos Institutos Históricos de São Paulo, Bahia e Ceará. Escreveu diversos manuscritos de cunho genealógico referentes ao Pará, o que lhe valeu o título de patrono da cadeira número 20 do Colégio Brasileiro de Genealogia.

Obras[editar | editar código-fonte]

Entre as suas publicações, destacam-se os seguintes trabalhos: Formação histórica do Pará: obras reunidas (reeditado em 1973), Fundação de Belém: estudo da história paraense com documentos inéditos (1904), A jornada de Francisco Caldeira de Castello Branco (1904), A Confederação dos Tamoios (1905) e Antiga produção e exportação do Pará (1915).[2]

  • Formação histórica do Pará: obras reunidas. Belém: Universidade Federal do Pará, 1973. 376 p. il. Edição comemorativa do sesquicentenário da adesão do Pará a independência política do Brasil.
  • Fundação de Belém: estudo da história paraense com documentos inéditos. Rio de Janeiro: Companhia Tipográfica do Brasil, 1904.
  • A jornada de Francisco Caldeira de Castello Branco. Rio de Janeiro: Companhia Tipográfica do Brasil, 1904.
  • Apontamentos para as Efemérides Paraenses - com diversos verbetes de interesse genealógico;
  • Jornada de Francisco Caldeira Castello Branco – Fundação de Belém – Estudo da História Paraense com documentos inéditos – 1904;
  • A Antiga Produção e Exportação do Pará - estudo histórico-econômico - 1915 - com apontamentos genealógicos dos donatários;
  • A Capela de Santo Cristo - Anuário de Belém;
  • As Principais Ruas de Belém;
  • A Primeira Loja Maçônica no Pará - Folha do Norte – 1911;
  • O Clube Republicano do Pará - O Estado do Pará - 1912;
  • Nome das ruas e numeração das casa de Belém - Folha do Norte - 1915;
  • A Capitania de Camutá – com apontamentos genealógicos dos donatários;
  • A Iluminação Pública - Folha do Norte – 1915;
  • Val-de-Cães - Folha do Norte – com apontamentos genealógicos dos proprietários;
  • Apontamentos Genealógicos do Coronel Francisco José Rodrigues Barata - Códice do final do século XIX. Manuscrito. Coleção particular da Família Barata;
  • Apontamentos Genealógicos do Coronel Manuel Joaquim Pereira de Souza Castilho Fey - Códice do final do século XIX. Manuscrito. Coleção particular da Família Barata;
  • Apontamentos Genealógicos do Visconde de Cabo Frio - Códice do final do século XIX. Manuscrito. Coleção do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro;
  • Apontamentos Genealógicos do Visconde de Cabo Frio - Códice do final do século XIX. Manuscrito. Coleção particular da família Campos da Paz;
  • Apontamentos Genealógicos da Família Chermont - Códice do final do século XIX. Manuscrito. Coleção da Família Campos da Paz;
  • Origine de La Famile Guérin de Chermont, Paris, 1900 - conde de Cardez. Este trabalho foi levantado pelo conde de Cardez, em 1900, a pedido do Senador e Historiador paraense Manuel de Mello Cardoso Barata. Manuscrito. Coleção da Família Chermont de Miranda.

Referências

  1. «Perfil de Manuel de Mello Cardoso Barata». Senado Federal Brasileiro. Consultado em 14 de outubro de 2013. Arquivado do original em 24 de setembro de 2015 
  2. Setemy, Adrianna. «BARATA, Manuel.» (PDF). Consultado em 6 de abril de 2021 

Fontes[editar | editar código-fonte]

  • Dicionário prático ilustrado Lello de 1964 de José Lello e Edgar Lello editado por LELLO & IRMÂOS, pág. 1434.