Mateus 21

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Jesus expulsando os vendilhões, um dos episódios de Mateus 21.
Séc. XI. Mosaico na Catedral de Monreale, na Sicília.

Mateus 21 é o vigésimo-primeiro capítulo do Evangelho de Mateus no Novo Testamento da Bíblia e inicia a narrativa da Paixão.

Entrada triunfal em Jerusalém[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Entrada triunfal em Jerusalém

Este evento é relatado pelos quatro evangelhos canônicos e marca o início do período conhecido como Paixão, que culminará com a crucificação e ressurreição de Jesus.[1][2][3][4]

Em Mateus 21:1-11, Marcos 11 (Marcos 11:1-11), Lucas 19 (Lucas 19:28-44) e João 12 (João 12:12-19), quando Jesus vinha do Monte das Oliveiras em direção a Jerusalém, o povo atirou roupas no chão para receber Jesus, que entrou triunfante na cidade.

Segunda limpeza do Templo[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Segunda limpeza do Templo

Neste episódio, Jesus e seus discípulos viajam a Jerusalém para a Páscoa judaica e lá ele expulsa os cambistas do Templo de Jerusalém (o Templo de Herodes ou "Segundo Templo"), acusando-os de tornar o local sagrado numa cova de ladrões através de suas atividades comerciais.[5][6] A narrativa ocorre perto do final dos evangelhos sinóticos, em Mateus 21:12-17, Marcos 11 (Marcos 11:15-19) e Lucas 19 (Lucas 19:45-48) e perto do início do Evangelho de João, em João 2 (João 2:13-16), o que leva alguns acadêmicos a postularem que se tratam na verdade de dois eventos separados, uma vez que o João relata mais de uma Páscoa.[7]

Em Mateus 21:13, Jesus afirma que "Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração; vós, porém, a fazeis covil de salteadores", uma referência a Jeremias 7:11.

Depois deste evento, Jesus foi para Betânia e lá pernoitou.

Figueira amaldiçoada[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Jesus amaldiçoando a figueira
Iluminura de Jesus amaldiçoando a figueira".
1684. Por Ilyas Basim Khuri Bazzi Rahib, atualmente no Museu de Arte Walters.

Este é um dos milagres de Jesus e está relatado em duas partes de Marcos 11 (Marcos 11:12-14 e Marcos 11:20-25) e em Mateus 21:18-22. Em Marcos, a primeira parte, logo após a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém e antes da segunda limpeza do Templo, Jesus amaldiçoa uma figueira por estar sem frutos; na segunda parte, presumivelmente no dia seguinte, a árvore definhou, o que estimulou Jesus a falar sobre a eficácia da oração.[8] Mateus apresenta o milagre como um único evento:

«Pela manhã, ao voltar à cidade, teve fome. Vendo uma figueira à beira do caminho, dela se aproximou, e não achou nela senão folhas; e disse-lhe: Nunca jamais nasça fruto de ti. No mesmo instante secou a figueira. Vendo isto os discípulos, maravilharam-se e perguntaram: Como é que repentinamente secou a figueira? Respondeu-lhes Jesus: Em verdade vos digo que se tiverdes fé e não duvidardes, fareis não só o que foi feito à figueira, mas até se disserdes a este monte: Levanta-te e lança-te no mar, isso será feito; e tudo o que com fé pedirdes em vossas orações, haveis de receber.» (Mateus 18:22)

Autoridade questionada[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Autoridade de Jesus questionada

Este episódio aparece nos três evangelhos sinóticos, em Mateus 21:23-27, Marcos 11 (Marcos 11:27-33) e Lucas 20 (Lucas 20:1-8).[9] Segundo Mateus, quando Jesus estava ensinando no Templo, sacerdotes e escribas vieram questioná-lo sobre a autoridade que tinha para fazê-lo. Jesus respondeu-lhes com uma outra pergunta: «Donde era o batismo de João? do céu ou dos homens?» (Lucas 20:4). Depois de confabularem entre, os sacerdotes responderam que não sabiam, pois se dissessem que era do céu, teriam que explicar por que não acreditavam nele; se dissessem que era dos homens, temiam a reação do público, que o adorava. Desta forma, Jesus se recusou a responder-lhes.

Parábola dos Dois Filhos[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Parábola dos Dois Filhos

Esta parábola, encontrada apenas em Mateus 21:28-32, contrasta os cobradores de impostos e as prostitutas, que aceitaram a mensagem ensinada por João Batista, com os "religiosos", que não o creram.

Parábola dos Lavradores Maus[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Parábola dos Lavradores Maus

Esta é uma das parábolas de Jesus encontrada nos três evangelhos sinóticos, em Mateus 21:33-46, Lucas 20 (Lucas 20:9-19) e Marcos 12 (Marcos 12:1-12). Ela conta a história de um proprietário de terras que planta um vinhedo e o deixa aos cuidados de lavradores enquanto viaja. Nas diversas tentativas que o proprietário tentou descobrir como estavam as coisas através do envio de emissários, os lavradores reagiam com violência sem informar nada ao proprietário, geralmente espancando-os e insultando-os. Tentando alguma mudança, ele enviou seu filho amando, nas esperança de eles o respeitassem. Mas os lavradores o mataram na esperança de conseguirem para si a herança.

Jesus perguntou então: «Quando, pois, vier o senhor da vinha, que fará àqueles lavradores? Responderam-lhe: Fará perecer horrivelmente a estes malvados, e arrendará a vinha a outros, que lhe darão os frutos no tempo próprio.» (Mateus 21:40-41). Os escribas e religiosos não acreditaram nisso e então Jesus lançou mão de uma citação do Antigo Testamento, fazendo referência a Salmos 118:22:

«A pedra que os edificadores rejeitaram, Essa foi posta como a pedra angular; Isto foi feito pelo Senhor, E é maravilhoso aos nossos olhos? Portanto vos declaro que o reino de Deus vos será tirado e oferecido a uma nação que dará os frutos dele. O que cair sobre esta pedra, far-se-á em pedaços; mas aquele sobre quem ela cair, será reduzido a pó.» (Mateus 21:42-44)

Irados, as autoridades, compreendendo que a parábola era sobre eles, quiseram prender Jesus ali mesmo, mas ficaram com medo da reação da multidão.

Manuscritos[editar | editar código-fonte]

Papiro 104, com os versículos 21:34-37; 43 e 45.

Referências

  1. The people's New Testament commentary by M. Eugene Boring, Fred B. Craddock 2004 ISBN 0-664-22754-6 pages 256-258
  2. The Bible Knowledge Background Commentary: Matthew-Luke, Volume 1 by Craig A. Evans 2003 ISBN 0-7814-3868-3 page 381-395
  3. The Synoptics: Matthew, Mark, Luke by Ján Majerník, Joseph Ponessa, Laurie Watson Manhardt 2005 ISBN 1-931018-31-6 pages 133-134
  4. The Bible knowledge background commentary: John's Gospel, Hebrews-Revelation by Craig A. Evans ISBN 0-7814-4228-1 pages 114-118
  5. Sanders, E. P. The historical figure of Jesus. Penguin, 1993.
  6. Ehrman, Bart D.. Jesus, Interrupted, HarperCollins, 2009. ISBN 0061173932
  7. The Bible knowledge background commentary by Craig A. Evans 2005 ISBN 0781442281 page 49
  8. Kinman, Brent (1995). Jesus' entry into Jerusalem: in the context of Lukan theology and the politics of his day. [S.l.]: Brill. p. 123. ISBN 9789004103306 
  9. Luke by Mark Black 1996 ISBN 0899006302 page 319

Ver também[editar | editar código-fonte]


Precedido por:
Mateus 20
Capítulos do Novo Testamento
Evangelho de Mateus
Sucedido por:
Mateus 22

Referências[editar | editar código-fonte]