Matsia

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Matsia (em sânscrito: मत्स्य, lit. peixe) é o avatar de peixe do deus hindu Vixnu.[1] Muitas vezes descrito como o primeiro dos dez avatares primários de Vixnu, Matsia é descrito como tendo resgatado o primeiro homem, Manu, de um grande dilúvio.[2] Matsia pode ser descrito como um peixe gigante, muitas vezes de cor dourada, ou antropomorficamente com o torso de Vixnu conectado à metade traseira de um peixe.

O relato mais antigo de Matsia é encontrado no Shatapatha Brahmana, onde Matsia não está associado a nenhuma deidade em particular. O salvador de peixes mais tarde se funde com a identidade de Brama na era pós-védica e, ainda mais tarde, passa a ser considerado com Vixnu. As lendas associadas ao Matsia se expandem, evoluem e variam nos textos hindus. Essas lendas têm simbolismo embutido, onde um pequeno peixe com a proteção de Manu cresce para se tornar um grande peixe, e o peixe salva o homem que seria o progenitor da próxima raça da humanidade.[3] Em versões posteriores, Matsia mata um demônio chamado Hayagriva (filho do sábio Caxiapa e Diti) que rouba os Vedas, e assim é louvado como o salvador das escrituras.[4]

O conto é atribuído com o motivo dos mitos do dilúvio, comuns em todas as culturas.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

A divindade Matsia deriva seu nome da palavra matsya (em sânscrito: मत्स्य), que significa "peixe".[5] Monier-Williams e R. Franco sugerem que as palavras matsa e matsya, ambas significando peixe, derivam da raiz mad, que significa "regozijar-se, alegrar-se, exultar, deleitar-se ou deleitar-se". Assim, matsya significa o "alegre".[6][7][8] O gramático e etimologista sânscrito Iasca (por volta de 600 a.C.) também se refere à mesma afirmação de que os peixes são conhecidos como matsya como "eles se divertem comendo uns aos outros". Iasca também oferece uma etimologia alternativa de matsya como "flutuar na água" derivado das raízes syand (flutuar) e madhu (água).[9] A palavra sânscrita matsya é cognata com o prácrito maccha ("peixe").[10]

Referências

  1. Bandyopadhyaya, Jayantanuja (2007). Class and Religion in Ancient India (em inglês). [S.l.]: Anthem Press. 136 páginas. ISBN 978-1-84331-332-8 
  2. Valborg, Helen (2007). Symbols of the Eternal Doctrine: From Shamballa to Paradise (em inglês). [S.l.]: Theosophy Trust Books. 313 páginas. ISBN 978-0-9793205-1-4 
  3. Dalal, Roshen (18 de abril de 2014). Hinduism: An Alphabetical Guide (em inglês). [S.l.]: Penguin UK. ISBN 978-81-8475-277-9 
  4. Ninan, M. M. (23 de junho de 2008). The Development of Hinduism (em inglês). [S.l.]: Madathil Mammen Ninan. 234 páginas. ISBN 978-1-4382-2820-4 
  5. Mayrhofer, Manfred (1996). Entry “mátsya-”. In: Etymologisches Wörterbuch des Altindoarischen [Etymological Dictionary of Old Indo-Aryan] Volume II. Heidelberg: Carl Winter Universitätsverlag, 1996. pp. 297-298. (In German)
  6. «matsya/matsa». Monier-Williams Sanskrit-English Dictionary. 1899. p. 776 
  7. Franco, Rendich (14 de dezembro de 2013). Comparative etymological Dictionary of classical Indo-European languages: Indo-European - Sanskrit - Greek - Latin (em inglês). [S.l.]: Rendich Franco. pp. 383, 555–556 
  8. «mad». Monier-Williams Sanskrit-English Dictionary. 1899. p. 777 
  9. Yaska; Sarup, Lakshman (1967). The Nighantu and the Nirukta. [S.l.]: Delhi Motilal Banarsidass. p. 108 (English section) 
  10. «maccha». Monier-Williams Sanskrit-English Dictionary. 1899. p. 773 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]