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Moïse Tshombe

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Moïse Tshombe
Nascimento10 de novembro de 1919
Mussumba (Congo Belga)
Morte29 de junho de 1969 (49 anos)
El-Biar
SepultamentoEtterbeek Cemetery
CidadaniaRepública Democrática do Congo
Filho(a)(s)Isabel Machik Tshombe
Irmão(ã)(s)Jerome Tshombe Nawej
Ocupaçãopolítico

Moïse Kapenda Tshombe, escrito por vezes Tshombé ou Tchombe (Mussumba, 10 de novembro de 1919 — El-Biar, 29 de junho de 1969), foi um contabilista, empresário e político quinxassa-congolês.

Biografia

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Filho de um homem de negócios, Joseph Kapend Tshombe, era o primogénito de 11 filhos e descendente directo da dinastia dos Muata Iamvo, os monarcas do Reino Lunda. Estudou numa escola de missionários vindos dos Estados Unidos, escolhendo a formação técnica em contabilidade. Na década de 1950, dirigiu uma cadeia de lojas em Catanga, e entrou na política, fundando o partido "Confederação das Associações Tribais de Catanga" (CONAKAT), que propunha a independência em Catanga.

Nas eleições legislativas de 1960, o CONAKAT assumiu o poder na província do Catanga. Tshombe e o CONAKAT declararam a secessão da província do resto do Congo em 11 de julho de 1960. Houve graves distúrbios étnicos e os catangueses expulsaram os imigrantes cassais, da etnia luba, os quais a administração colonial belga tinha levado para que trabalhassem nas minas. Houve muitas mortes violentas incitadas por Tshombe.

Ferrenhamente anticomunista e pró-ocidental, Tshombe foi eleito presidente de Catanga em agosto de 1960, anunciando que "nos separamos do caos" (referindo-se aos distúrbios produzidos no país após a proclamação da independência, justamente causados por ele). Alguns analistas creem que Tshombe proporcionou esta secessão ao não ser incluído no governo de Lumumba. Como pretendia manter relações privilegiadas com a Bélgica e em especial com a União Mineira do Alto Catanga, Tshombe solicitou ao governo belga ajuda para constituir e treinar um exército catanguês. A França, também desejosa de aproveitar o mineral catanguês, enviou como reforço o mercenário Bob Denard e alguns dos seus homens. O primeiro-ministro Patrice Lumumba e o seu sucessor Cyrille Adoula pediram a intervenção das Forças das Nações Unidas, que responderam letargicamente.

Quando Lumumba, depois das tensões com Joseph Kasa-Vubu e Joseph Mobutu, foi enviado ao Governo de Catanga em janeiro de 1961, foi torturado e assassinado. O próprio Tshombe supervisionou pessoalmente ,com seus ministros Kitenge, Munongo, Kibwe, e os belgas Gat e Verscheure, à execução de Lumumba.[1] Além de Lumumba, Tshombe também supervisionou, no mesmo dia, os assassinatos do Ministro da Juventude e Esportes, Maurice Mpolo, e do vice-presidente do Senado, Joseph Okito.

Em 1963, a tomada de Catanga por parte das forças das Nações Unidas obrigou Moïse Tshombe a exilar-se primeiro na Rodésia do Norte (actual Zâmbia), e depois na Espanha.

Em 1964, regressou ao Congo para fazer parte de um novo governo de coligação como primeiro-ministro. Decidiu expulsar de Quinxassa os congoleses de Brazavile (as duas capitais estão frente-a-frente, os seus habitantes estão bastante misturados e falam as mesmas línguas). Tal ato foi revogado um ano depois pelo presidente Joseph Kasa-Vubu. Em 1966, Joseph Mobutu acusou Tshombe de traição, pelo que teve que voltar a fugir para a Espanha.

Em 1967, foi condenado à pena capital, à revelia. Em junho, o avião em que viajava foi sequestrado e desviado para a Argélia, onde ficou preso no seu domicílio até à sua morte em 1969 por um ataque cardíaco.

Referências

Ligações externas

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Precedido por
Cyrille Adoula
Primeiro-ministro da República Democrática do Congo
1960
Sucedido por
Évariste Kemba
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