Monte de Teso dos Bichos

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Cerâmica marajoara.

O Monte de Teso dos Bichos ou Tesos Marajoaras localizado na Ilha de Marajó, é o local onde haveria nascido uma das mais elaboradas civilizações da Amazônia pré-cabralina, ocupando 2,5 hectares.[1][2]

Antropogênese[editar | editar código-fonte]

Uma das características marcantes das sociedades complexas do Marajó é o uso dos "tesos", grandes aterros artificias construídos para a colocação de habitações, visando evitar inundações. A grande escala dessas estruturas teria necessitado de uma quantidade de trabalho condizente com sociedades de organização complexa.[1][2]

Estimou-se que a civilização responsável pela obra teria uma população de 500 mil pessoas. Os habitantes dessa civilização pertenceriam a uma sociedade de tuxauas, senhores da foz do rio Amazonas. Haveria divisão do trabalho entre homens e mulheres, uma dieta rica em proteína (animal e vegetal) e refrescos fermentados (como o aluá).[1][3]

Sedimentação fluvial[editar | editar código-fonte]

Em outubro de 2009, um grupo de geólogos alegou que os "tesos" poderiam ser essencialmente estruturas naturais, por processos semelhantes a formação fluvial de montes em outros lugares, havendo evidências de atividade humana apenas em camadas mais superficiais.[4] Por terem necessitado de significativamente menos atividade humana para sua formação, sociedades complexas não teriam sido necessárias para o acúmulo monumental de trabalho.[4] Essa hipótese invalidaria parcialmente as interpretações acerca da existência de sociedades complexas na Amazônia.[5] No entanto arqueólogos responsáveis pela escavação e hipótese antropogênica questionaram a metodologia da equipe, mas admitem que a falta de evidência de agricultura na região corrobora com a nova descoberta.[5]

Referências

  1. a b c Roosevelt, Anna Curtenius. (1991). Moundbuilders of the Amazon : geophysical archaeology on Marajo Island, Brazil. [S.l.]: Academic Press. OCLC 318175173 
  2. a b «IstoÉ Amazônia» 
  3. Márcio Souza. «Breve história da Amazônia» 
  4. a b Rossetti, Dilce de Fátima; Góes, Ana Maria; Toledo, Peter Mann de (2009). «Archaeological mounds in Marajó Island in northern Brazil: A geological perspective integrating remote sensing and sedimentology». Geoarchaeology (em inglês) (1): 22–41. ISSN 1520-6548. doi:10.1002/gea.20250. Consultado em 15 de setembro de 2020 
  5. a b «Povos antigos não fizeram aterros no Pará, diz grupo». Folha de S. Paulo. 19 de outubro de 2009