Casa da Xilogravura

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Casa da Xilogravura
Tipo museu
Geografia
Coordenadas 22° 43' 40.435" S 45° 35' 6.994" O
Localização Campos do Jordão - Brasil

A Casa da Xilogravura é um museu brasileiro localizado na cidade de Campos do Jordão, estado de São Paulo. É uma instituição privada sem fins lucrativos, mantida pela Editora Mantiqueira.[1] Foi fundada em 1987 por Antonio Fernando Costella, com o objetivo de divulgar e preservar a história da xilogravura no Brasil. Conserva cerca de 2000 obras, de mais de 300 artistas brasileiros e estrangeiros. É o único museu em seu gênero no país.[2]

Encontra-se localizado em um antigo edifício, onde funcionou o Mosteiro de São João, erguido em 1928, no bairro de Jaguaribe, o núcleo histórico de Campos do Jordão. Mantém biblioteca e arquivo especializados em artes gráficas, promove exposições temporárias e eventos culturais. Por disposição testamentária de Antonio Costella, o imóvel e todo o acervo serão legados à Universidade de São Paulo após a morte do fundador.[3]

Histórico[editar | editar código-fonte]

O museu foi fundado em junho de 1987 por Antonio Fernando Costella, professor da Escola de Comunicações e Artes da USP e da Faculdade Cásper Líbero, além de escritor, pintor e gravador. É mantido com todo o lucro proveniente da Editora Mantiqueira,[3] organização fundada por Costello em 1977, especializada em publicações sobre os direitos do animais, artes e turismo.

A Casa da Xilogravura foi instalada na então residência de Costello, o antigo Mosteiro de São João, que abrigou no passado as Monjas Beneditinas. Construído em 1928, possui 550 metros quadrados[1] divididos em dezessete salas.[4] O edifício, localizado no bairro do Jaguaribe, encontra-se situado em frente à praça da Igreja Nossa Senhora da Saúde, local onde surgiu a primeira capela da cidade, considerada o marco da fundação de Campos do Jordão. Nele também se encontra instalada a Editora Mantiqueira.[5]

Desde sua fundação, a Casa da Xilogravura realizou um grande número de exposições individuais e coletivas de gravadores do Brasil e de outros países, incluindo-se mostras de Aldemir Martins, Marcelo Grassmann, Lívio Abramo, Renina Katz e Maria Bonomi, entre outros.[6] Entre as mostras recentes, destacam-se a de Susumo Harada, ocorrida em 2006,[7] A Magia da Multiplicação, abordando as relações entre a xilogravura e outros ramos das artes gráficas, e Retrospecto de duas décadas, uma retrospectiva dos eventos produzidos pelo museu entre 1987 e 2007.[2]

Mantém um ateliê completo de xilogravura, administra cursos de arte, promove conferências e eventos culturais. Possui biblioteca especializada em artes gráficas, com aproximadamente 2000 livros, além de vídeos, jornais, revistas, folhetos de cordel, etc.[2] Por decisão do fundador, o imóvel, o acervo e todos os bens que compõem o patrimônio da Casa da Xilogravura serão legados post mortem à Universidade de São Paulo, que já fornece orientação técnica à instituição.[3]

No jardim do museu, há um pequeno monumento, onde se encontra enterrado o cão Chiquinho, mascote do fundador e "narrador" de sua série de livros Patas, editado pela Mantiqueira (cujo logotipo inspirou).[4] Uma cláusula da decisão testamentária de Costello estabelece que a USP perderá o direito à doação caso retire o monumento do local.

Acervo[editar | editar código-fonte]

A Casa da Xilogravura conserva uma coleção de aproximadamente 2000 peças de mais de 300 autores. Seu núcleo inicial corresponde ao acervo particular de Antonio Costello, gradualmente ampliado ao longo das últimas duas décadas.[1] É o único museu em seu gênero no Brasil, permitindo ao público contemplar a trajetória da xilogravura no país, de seus princípios aos dias atuais. Também conserva objetos relativos ao universo da impressão gráfica, como equipamentos de tipografia, linotipia, calcogravura, rotogravura, litografia, off-set, serigrafia, etc.[2]

Dentre os autores representados, destacam-se Aldemir Martins, Aldo Bonadei, Carlos Scliar, Darel Valença Lins, Emanoel Araújo, Fayga Ostrower, Francisco Stockinger, Gilvan Samico, Hansen Bahia, Ivald Granato, Lasar Segall, Lívio Abramo, Marcelo Grassmann, Maria Bonomi, Oswaldo Goeldi, Renina Katz, Roberto Burle Marx, Tarsila do Amaral e Yolanda Mohalyi, entre outros. Há um vasto conjunto de xilogravuras orientais, sobretudo da China e Japão. Por fim, há um pequeno núcleo de gravuras antigas publicadas por Hans Staden e Jean de Lery, além de reproduções de obras de Albrecht Dürer e Hiroshige Ando.[8]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c Comissão de Patrimônio Cultural da USP, 2000, pp. 381.
  2. a b c d «Casa da Xilogravura». História Viva. Consultado em 8 de junho de 2009 
  3. a b c «O que é». Casa da Xilogravura. Consultado em 8 de junho de 2009 
  4. a b «Salas». Casa da Xilogravura. Consultado em 8 de junho de 2009 
  5. «Casa da Xilogravura». Editora Mantiqueira. Consultado em 8 de junho de 2009 
  6. «Retrospectiva». Casa da Xilogravura. Consultado em 8 de junho de 2009 
  7. «Casa da Xilogravura exibe trabalhos de Susumo Harada». Universidade de São Paulo. Consultado em 8 de junho de 2009 
  8. «Visita ao Museu». Casa da Xilogravura. Consultado em 8 de junho de 2009 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Comissão de Patrimônio Cultural da Universidade de São Paulo (2000). Guia de Museus Brasileiros. São Paulo: Edusp. 381 páginas 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]