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Nanauatzin

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Na mitologia asteca, Nanauatzin (do náuatle, Nanaua senhor e tzin partícula que exprime respeito) era o deus que teria se lançado no fogo para transformar-se no sol. Na mitologia asteca, o deus Nanāhuātzin ou Nanāhuātl (ou Nanauatzin, o sufixo -tzin implica respeito ou familiaridade; Nanāhuātzin nanaːˈwaːtsin), o mais humilde dos deuses, sacrificou-se no fogo para que continuasse a brilhar na Terra como o Sol, tornando-se assim a divindade solar. Nanāhuātzin significa "cheio de feridas". De acordo com uma tradução da Histoyre du Mechique, Nanāhuātzin é filho de Ītzpāpālōtl e Cozcamiauh ou Tonantzin, mas foi adoptado por Piltzintecuhtli e Xōchiquetzal.[1] No Codex Borgia, Nanāhuātzin é representado como um homem que emerge de uma fogueira. Foi originalmente interpretado como uma ilustração de canibalismo. Tem provavelmente o aspecto de Xolotl.

Tradição asteca

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Os astecas tinham vários mitos sobre a criação, e Nanāhuātzin participa em vários deles. Na lenda de Quetzalcōātl, Nanāhuātzin ajuda Quetzalcōātl a obter os primeiros grãos, que serão o alimento da humanidade. Na mitologia asteca, o universo não é considerado permanente ou eterno, mas sim sujeito à morte, como qualquer ser vivo. No entanto, mesmo quando morre, o universo renasce numa nova era, ou "Sol". Nanāhuātzin é mais conhecido pela lenda dos Cinco Sóis, relatada por Bernardino de Sahagún.[carece de fontes?]

Nesta lenda, que constitui a base da maioria dos mitos nahuas, existiram quatro criações. Em cada uma delas, um deus assumiu a tarefa de servir de sol: Tezcatlipoca, Quetzalcōātl, Tlaloc e Chalchiuhtlicue. Cada era chegou ao fim porque os deuses não estavam satisfeitos com os humanos que tinham criado. Finalmente, Quetzalcōātl, com a ajuda de Xolotl, recupera os ossos sagrados dos seus antepassados, mistura-os com milho e o seu próprio sangue e consegue criar seres humanos aceitáveis. No entanto, nenhum outro deus deseja a tarefa de ser o Sol.[carece de fontes?]

Os deuses decidem que o quinto, e possivelmente último, sol deve oferecer a sua vida em sacrifício no fogo. São escolhidos dois deuses: Tēcciztēcatl e Nanāhuātzin. O primeiro é escolhido para servir como Sol por ser rico e forte, enquanto o segundo servirá como Lua por ser pobre e doente. Tēcciztēcatl, orgulhoso, vê o seu iminente sacrifício e transformação como uma oportunidade para alcançar a imortalidade. O humilde Nanāhuātzin aceita porque considera que é o seu dever. Durante os dias que antecedem o sacrifício, ambos os deuses passam por uma purificação. Tēcciztēcatl faz oferendas de ricos presentes e corais. Nanāhuātzin oferece o seu sangue e realiza atos de penitência.[carece de fontes?]

Os deuses preparam uma grande fogueira que arde durante quatro dias e constroem uma plataforma bem acima dela, de onde os dois deuses escolhidos devem saltar para as chamas. No dia marcado, Tēcciztēcatl e Nanāhuātzin sentam-se na plataforma, aguardando o momento do sacrifício. Os deuses invocam Tēcciztēcatl para que se imole primeiro. Após quatro tentativas de se atirar à pira, que já emanava um calor extremamente forte, a sua coragem falha e desiste. Desgostosos com a cobardia de Tēcciztēcatl, os deuses invocam Nanāhuātzin, que se levanta do seu assento e caminha calmamente até à borda da plataforma. Fechando os olhos, salta da borda, aterrando mesmo no centro do fogo. Com o orgulho ferido ao ver que Nanāhuātzin tinha a coragem que lhe faltava, Tēcciztēcatl salta sobre a pira em chamas atrás dele.[carece de fontes?]

Nada acontece ao princípio, mas eventualmente aparecem dois sóis no céu. Um dos deuses, irado com a falta de coragem de Tēcciztēcatl, apanha um coelho e atira-o para a cara de Tēcciztēcatl, fazendo-o perder o brilho. Tēcciztēcatl transforma-se na lua, que carrega a impressão de um coelho até aos dias de hoje. No entanto, o Sol permanece imóvel no céu, secando e queimando todo o solo que se encontra por baixo. Finalmente, os deuses percebem que também eles se devem deixar sacrificar para que os seres humanos possam viver. Apresentam-se a Ehecatl, que os oferece um a um. Depois, com o vento poderoso que surge como resultado do seu sacrifício, Ehecatl faz com que o Sol se mova pelo céu, nutrindo a terra em vez de a queimar.[carece de fontes?]

Nanāhuātzin e Xolotl

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Codex Borgia página 43 descreve um deus Sol com a pele irregular de Nanāhuātzin e o focinho canino de Xolotl. Sob este Xolotl/Nanāhuātzin portador do sol encontra-se a fonte do milho, uma divindade feminina nua que possui símbolos estelares no seu corpo. [2]

Existe uma estreita relação entre Xolotl e Nanāhuātzin.[3] Xolotl é provavelmente idêntico a Nanāhuātl.[4] Seler caracteriza Nanāhuātzin ("Pequeno Pústula-Coberto"), que é deformado pela sífilis, como um aspecto de Xolotl na sua capacidade de deus dos monstros, das doenças deformantes e das deformidades.[5] O deus sifilítico Nanāhuātzin é um avatar de Xolotl.[6]

Referências

  1. Garibay Kintana, Ángel María (1973). Teogonía e historia de los mexicanos: tres opúsculos del siglo XVI. [S.l.]: Porrúa 
  2. Boone, Elizabeth Hill (2013). Cycles of Time and Meaning in the Mexican Books of Fate. [S.l.]: University of Texas Press. ISBN 978-0-292-75656-4 
  3. Boone, Elizabeth Hill (1985). Arquitetura Pintada e Escultura Monumental Policromada na Mesoamérica. [S.l.]: Dumbarton Oaks Research Library and Collection. ISBN 0-884-02142-4  p.132
  4. Spence, Lewis (1994). The Myths and Legends of Mexico and Peru. [S.l.]: Senate; New edition. ISBN 1-85958-007-6  p.93
  5. Maffie, James (2013). Aztec Philosophy: Understanding a World in Motion. [S.l.]: University Press of Colorado. ISBN 978-1-45718-426-0  Olin e Xolotl
  6. Sweely, Tracy L. (1999). Manifesting Power: Gender and the Interpretation of Power in Archaeology. [S.l.]: Taylor & Francis. ISBN 0-415-17179-2  p.120


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