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Região neotropical

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Região neotropical

A região neotropical é a região biogeográfica[1] que compreende a América Central, incluindo a parte sul do México e da península da Baja California, o sul da Florida, todas as ilhas do Caribe e a América do Sul.[2]

Apesar do seu nome, esta região biogeográfica inclui, não só regiões de clima tropical, mas também de climas temperado e de altitude. É uma região de grande biodiversidade,[2] com ecossistemas tão diversos como a floresta amazónica, a floresta temperada valdiviana do Chile, a floresta subpolar de Magalhães da Patagónia, o cerrado, a mata atlântica, o pantanal, os pampas e a caatinga.

A região Neotropical é delimitada em 57 províncias biogeográficas, organizadas em três sub-regiões principais: Antilhana, Brasileira e Chaquenha, além da Zona de Transição Mexicana e da Zona de Transição Sul-Americana. Essa regionalização baseia-se em padrões de endemismo associados a fatores climáticos, geológicos e ecológicos, permitindo integrar áreas com características ambientais semelhantes e relações evolutivas compartilhadas.

  • A Sub-região Antilhana compreende as Antilhas e as Ilhas Bahamas, sendo formada por sete províncias biogeográficas.
  • A Sub-região Brasileira abrange o centro e sul do México, a América Central e o noroeste da América do Sul, incluindo quatro domínios e 27 províncias.
  • A Sub-região Chaquenha ocupa o sudeste da América do Sul, com três domínios e 11 províncias.
  • A Zona de Transição Mexicana corresponde às áreas montanhosas do México, Guatemala, Honduras, El Salvador e norte da Nicarágua, reunindo cinco províncias.
  • A Zona de Transição Sul-Americana engloba as terras altas andinas entre o oeste da Venezuela e o Chile, além das áreas desérticas do litoral do Peru e norte do Chile e do centro-oeste da Argentina, totalizando sete províncias.[3]

História

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A definição do que seria região Neotropical iniciou com a divisão do mundo em seis regiões a partir da taxonomia de grupos de aves. A partir desta primeira aplicação, estudiosos passaram a aderir esse termo em outros estudos com vertebrados, delimitando essa região à América do Sul, América Central, se estendendo até o Centro do México. Entretanto, cientistas que trabalhavam com invertebrados delimitaram esta região aos trópicos do Novo Mundo: América do Sul (com exceção da porção andina), América Central, Sul do México e Índias Ocidentais[4].

Com o conceito de Região Neotropical já estabelecido, foram propostos sub-regiões e domínios para essa região. A primeira explanou a existência de quatro sub-regiões: Mexicana (Sul do México e América Central), Antilhana (Índias Ocidentais, Brasileira (América do Sul Tropical) e Chilena (América do Sul meridional ou temperada). Posteriormente, algumas áreas da América do Sul,  como Guiano-Brasileira, Andino-Patagônica e Argentina, foram reconhecidas como sub-regiões. Por algumas décadas, a regionalização dessas áreas foram baseadas exclusivamente em táxons vegetais ou animais, pesquisadores[5] propuseram uma integralização entre plantas e animais, chegando ao reconhecimento de cinco domínios dentro da região Neotropical: Caribenho (México, América Central e Antilhas), Amazônico, Guianense, Chaquenho e Andino-Patagônico.[5]

Mais recentemente, análises biogeográficas cladísticas passaram a revisar essa divisão tradicional. Diferentes estudos sugeriram que as sub-regiões Amazônica e Caribenha podem não representar áreas naturais únicas, indicando relações biogeográficas mais complexas entre os componentes da região Neotropical. Em uma análise posterior, baseada em cladogramas táxon-área de 36 grupos de plantas e animais, foi proposto um cladograma geral no qual as Antilhas aparecem como o primeiro grupo isolado. As áreas continentais foram então divididas em dois componentes principais: um componente noroeste, abrangendo Amazônia setentrional, Amazônia sudoeste, noroeste da América do Sul e Mesoamérica; e um componente sudeste, formado por Amazônia sudeste, Chaco e Paraná.[5]

As Américas Central e do Sul faziam parte do supercontinente Gondwana, juntamente com as regiões que são hoje a África, a Austrália, a Índia e a Antártida. Por essa razão, a região neotropical mantém ainda marsupiais e espécies da flora antártica. Quando este “novo” continente se juntou à América do Norte, há cerca de três milhões de anos, houve alguma troca de material genético com aquele continente, incluindo os antepassados dos actuais tatus e gambás, migrando para norte, e os antepassados dos actuais camelídeos sulamericanos, como a llama e a alpaca, migrando para sul e extinguindo-se na sua pátria de origem.[5]

Florestas Neotropicais Úmidas

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  • Mata Atlântica - A Mata Atlântica já recebeu diferentes nomes ao longo do tempo, mas atualmente é definida pelo  Manual Técnico de Vegetações Brasileira como um conjunto de fitofisionomias localizadas na região litoranea do Brasi .As formações mais predominantes são a Mata Atlântica Chuvosa, de clima quente e úmido sem estação seca, e a Mata Atlântica Semi-decidual, com clima sazonal e período seco. O bioma apresenta grande variação climática e de relevo, alta biodiversidade, elevado endemismo e forte impacto humano, sendo considerado um hotspot mundial de conservação. Sua origem remonta a cerca de 150 milhões de anos, durante a separação entre a América do Sul e a África. Ao longo do tempo, especialmente no Quaternário, a Mata Atlântica sofreu mudanças climáticas e geográficas que influenciaram sua distribuição e evolução. Estudos indicam diferenças biogeográficas entre as porções norte e sul do bioma, relacionadas principalmente às mudanças climáticas passadas e à barreira geográfica do rio Doce, o que contribuiu para a formação de áreas distintas de endemismo e diversidade de espécies.[6]
  • Amazônia - A Amazônia é um bioma definido pela bacia do rio Amazonas, abrangendo Brasil, Colômbia, Equador e Peru, com cerca de 6,3 milhões de km². Possui clima quente e úmido, com temperaturas médias entre 24°C e 26°C. É considerada um dos biomas mais biodiversos do planeta, concentrando grande número de espécies e áreas de endemismo, principalmente na região andina. A formação da Amazônia está relacionada a eventos geológicos antigos, como a separação entre América do Sul e África e o soerguimento da Cordilheira dos Andes. Antigamente, a região fazia parte de uma “pan-Amazônia” mais extensa, e os rios corriam em direção ao norte. Com a elevação dos Andes, houve mudanças climáticas, aumento das chuvas e alteração no fluxo da bacia amazônica, que passou a drenar para o Oceano Atlântico, formando a configuração atual do bioma.[6]

Trinta e uma famílias de aves são endémicas dos neotrópicos, duas vezes mais do que em qualquer outra região biogeográfica e incluem a ema (família Rheidae), a azulona e os inhambús (família Tinamidae), os mutuns (família Cracidae) e os tucanos. As famílias de aves originárias desta região incluem os colibris (família Trochilidae) e os pássaros da subfamília Troglodytinae).

Os mamíferos originários desta região incluem:

Fatores ambientais nas regiões tropicais

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As regiões tropicais úmidas ou áridas do mundo apresentam peculiaridades distintas das regiões temperadas no que concerne ao clima, ao solo, à vegetação e à ação antropomórfica. No que concerne ao clima deve ser dado destaque à chuva devido à grande variação de precipitação pluvial que ocorre dentro do período chuvoso bem como à existência de períodos de secas prolongadas, como aquele recentemente experimento no Nordeste brasileiro entre os anos de 1979 e 1983. Uma classificação do Nordeste baseada na quantidade e distribuição da chuva foi feita por Hargreaves (1974). As variações de solo e temperatura não são tão contrastantes quanto à precipitação pluvial, contudo a interação de tais fatores e da altitude chegam a causar mudanças de grande significação na vegetação, dando origem a formações vegetais distintas dentre as quais a mais extensa é a caatinga, com suas características próprias e com grandes implicações nas formas de utilização pelo homem.

Referências

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  1. «As miíases na região neotropical (identificação, biologia, bibliografia)». Revista Brasileira de Zoologia + SciELO Brasil. Consultado em 2 de setembro de 2016. Cópia arquivada em 2 de setembro de 2016
  2. 1 2 «Região Neotropical: Do México à Patagônia». Pesquisa Escolar / UOL Educação. 27 de julho de 2005. Consultado em 2 de setembro de 2016. Cópia arquivada em 2 de setembro de 2016
  3. Morrone, Juan J.; Escalante, Tania; RodríGuez-Tapia, Gerardo; Carmona, AylíN; Arana, Marcelo; Mercado-GóMez, Jorge D. (2022). «Biogeographic regionalization of the Neotropical region: New map and shapefile». Anais da Academia Brasileira de Ciências. 94 (1). ISSN 1678-2690. doi:10.1590/0001-3765202220211167. Cópia arquivada em 27 de agosto de 2025
  4. Morrone, Juan J. (25 de março de 2014). «Biogeographical regionalisation of the Neotropical region». Zootaxa. 3782 (1). ISSN 1175-5334. doi:10.11646/zootaxa.3782.1.1. Cópia arquivada em 15 de maio de 2026
  5. 1 2 3 4 CABRERA, A. L.; WILLINK, A. Biogeografía de América Latina. Washington, D.C.: OEA, 1973. 120 p. (Monografía 13, Serie de Biología).
  6. 1 2 SOBRAL-SOUZA, Thadeu; LIMA-RIBEIRO, Matheus Souza. De volta ao passado: revisitando a história biogeográfica das florestas neotropicais úmidas. Oecologia Australis, v. 21, n. 2, 2017.

Ligações Externas

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  • BRASIL. SUDENE, 1972