Pablo Dorado

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Dorado antes da final da Copa do Mundo FIFA de 1930: foi dele o primeiro gol.

Pablo Dorado (Montevidéu, 22 de junho de 190818 de novembro de 1978) foi um futebolista uruguaio que jogava como ponta-direita, vencendo a Copa do Mundo FIFA de 1930. Foi o autor do primeiro gol da histórias das finais da competição.[1]

Ídolo no Bella Vista[editar | editar código-fonte]

Dorado era o jogador mais jovem entre os titulares campeões da primeira Copa do Mundo; havia acabado de completar 22 anos. Na época da competição, Dorado jogava no Bella Vista, não sendo muito famoso nem no próprio país.[1] Foi convencido a atuar na ponta-direita por José Nasazzi, colega no clube e na seleção. Era veloz e tinha boa técnica para cruzamentos, sendo considerado um ponta clássico.[2] O Bella Vista era na década de 1920 o maior concorrente do Nacional,[3] bem como foi o segundo clube mais representado entre os uruguaios titulares na final da Copa do Mundo FIFA de 1930.[1] Na maior parte da década, o Nacional e o Peñarol ficaram em ligas separadas;[4] o Nacional (e o Bella Vista) permaneciam naquela reconhecida pela FIFA, o que privou os jogadores aurinegros de integrarem em maior escala a seleção uruguaia.[5]

Copa do Mundo de 1930[editar | editar código-fonte]

Dorado estreou pelo Uruguai em 16 de junho de 1929,[6] data de derrota de 2-0 para a Argentina em Buenos Aires.[7]

No ano seguinte, na estreia da seleção uruguaia na Copa do Mundo, na vitória de 1-0 sobre o Peru, o titular foi Santos Urdinarán. O resultado magro contra um oponente cuja seleção havia sido criada apenas três anos antes foi uma grande decepção,[8] e Urdinarán, jogador do Nacional, foi criticadíssimo pela imprensa. Assim, Dorado entrou já na segunda partida, no 4-0 sobre a Romênia.[1] Nela, ele, já aos sete minutos, abriu o placar de vitória por 4-0.[9]

Dorado também abriu o placar na final do torneio. O primeiro gol da história das finais da Copa do Mundo FIFA veio em chute cruzado entre as pernas do goleiro argentino Juan Botasso. A jogada começou com Lorenzo Fernández, que passou a bola a José Pedro Cea, que então a entregou a Héctor Castro. Castro repassou a Héctor Scarone, que chutou. A bola rebateu nas pernas do adversário Fernando Paternoster e voltou para perto de Castro e Cea, que, atraindo marcadores, se preparava para chutar a bola. Mas Castro notou que Dorado estava desmarcado, antecipou-se ao arremate de Cea e passou a bola ao ponta. Botasso e os demais esperavam que Dorado devolvesse a bola para alguns dos consagrados campeões olímpicos à espreita - Scarone, Castro ou Cea -, mas o jovem ponta surpreendeu com um chute cruzado.[2][10]

"Peguei cheio e Botasso não pôde abaixar a 'cortina metálica'", contaria Dorado, em referência ao apelido do goleiro argentino. Eram 12 minutos do primeiro tempo e aquele foi o primeiro lance de perigo da partida.[2] Em contra-ataque, Dorado também fez o cruzamento para o último gol do jogo, do próprio Castro, já no penúltimo minuto, abafando a contínua pressão dos argentinos, que dominavam ocasionalmente a partida em busca de um empate - o resultado até então estava em 3-2 para o Uruguai.[2][11]

Dorado jogou pela última vez pela Celeste em 18 de maio de 1932, totalizando sete jogos oficiais e três gols marcados.[6]

Após a Copa[editar | editar código-fonte]

Apesar da boa exibição, Dorado não conseguiu maior sucesso clubístico. Foi contratado em 1931 pelo River Plate, que até então tinha um único título no campeonato argentino. O clube contratara naquele mesmo ano também Carlos Peucelle, outro a marcar gol na final da Copa de 1930. Essas e outras contratações inspiraram o apelido de Millonarios para a equipe. Os investimentos renderam no título de 1932, o primeiro que o River conseguiu na era profissional,[12] mas Dorado atuou apenas onze vezes na campanha,[13] em torneio que teve 34 rodadas além de um jogo-extra entre River e Independiente para definir o título - partida da qual o uruguaio não participou.[14]

Em 1935, Dorado voltou a Montevidéu para defender o Nacional, mas só teve espaço em equipes menores, regressando ao Bella Vista em 1937 para seu último ano de carreira.[1][2] Considerado um grande ser humano, chegou a doar sua medalha de ouro de campeão argentino pelo River para ajudar um amigo endividado que corria o risco de perder a casa. Após parar de jogar, trabalhou na inspeção geral da prefeitura de Montevidéu. Casou-se com Irma Callejas e teve três filhos: Susana, Luis e Graciela, além de vários netos, um dos quais, Pablito, veio a falecer com oito anos de idade em famoso acidente de helicóptero na praia Pocitos em 1971.[2]

Títulos[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e GEHRINGER, Max (set. 2005). Os campeões. Placar Especial "A Saga da Jules Rimet fascículo 1 - 1930 Uruguai". São Paulo: Editora Abril, p. 43
  2. a b c d e f g h «Pablo Dorado». Bella Vista. Consultado em 29 de setembro de 2017 
  3. MELOS PRIETO, Juan José (2012). 1924. El Padre de la Gloria. Montevidéu: Ediciones El Galeón, pp. 48-49
  4. ABBINK, Dinant; TABEIRA, Martín (11 de fevereiro de 2006). «Uruguay - List of Final Tables 1900-2000». RSSSF. Consultado em 10 de setembro de 2017 
  5. MELOS PRIETO, Juan José (2012). 1921 - El Cisma. El Padre de la Gloria. Montevidéu: Ediciones El Galeón, pp. 42-43
  6. a b PASSO ALPUIN, Luis Fernando (11 de maio de 2017). «Appearances for Uruguay National Team». RSSSF. Consultado em 29 de setembro de 2017 
  7. TABEIRA, Martín (15 de junho de 2017). «Uruguay - International Results». RSSSF. Consultado em 29 de setembro de 2017 
  8. GEHRINGER, Max (set. 2005). Festa e decepção. Placar Especial "A Saga da Jules Rimet fascículo 1 - 1930 Uruguai". São Paulo: Editora Abril, p. 37
  9. GEHRINGER, Max (set. 2005). Time de veteranos. Placar Especial "A Saga da Jules Rimet fascículo 1 - 1930 Uruguai". São Paulo: Editora Abril, p. 38
  10. GEHRINGER, Max (set. 2005). Os gols da final. Placar Especial "A Saga da Jules Rimet fascículo 1 - 1930 Uruguai". São Paulo: Editora Abril, p. 42
  11. GEHRINGER, Max (set. 2005). Os gols da final. Placar Especial "A Saga da Jules Rimet fascículo 1 - 1930 Uruguai". São Paulo: Editora Abril, p. 42
  12. BRANDÃO, Caio (20 de novembro de 2012). «80 anos da primeira taça profissional do River». Futebol Portenho. Consultado em 8 de setembro de 2017 
  13. Los planteles campeones del profesionalismo (2001). River - El Campeón del Siglo - Todo su fútbol. Buenos Aires: Oceano Temas, pp. 429-432
  14. GORGAZZI, Osvaldo José (24 de setembro de 2009). «Argentina 1932». RSSSF. Consultado em 8 de setembro de 2017 


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