Paio Peres Correia

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Paio Peres Correia
Nascimento 1205
Monte de Fralães
Morte janeiro de 1275 (70 anos)
Uclés ou Montalbán
Progenitores Mãe: Pero Pais Correia
Pai: Dordia Pires de Aguiar

Paio Peres Correia(em espanhol: Pelayo Pérez Correa; ca. 1205janeiro de 1275[1]) foi Mestre da Ordem de Santiago, tendo conduzido uma campanha militar contra os mouros no Algarve, que culminou com a tomada de Silves, deixando ao rei Afonso III de Portugal a tarefa de conquistar as últimas bolsas de resistência em 1249.[2]

Biografia[editar | editar código-fonte]

D. Paio Peres Correia, filho de Pero Pais Correia e Dordia Pires de Aguiar,[3] terá nascido no ano de 1205, possivelmente na Honra de Farelães (Monte de Fralães, Barcelos). As Inquirições assinalam a presença dos seus irmãos, de uma irmã e de outros parentes em freguesias da vizinhança.

No reinado de Sancho II de Portugal, encontramo-lo em Alcácer do Sal;[4] a partir de 1228 vai ter como primeiro palco da sua acção o Alentejo, conquistando Aljustrel e Mértola,[5] descendo depois até ao Algarve, conquistando Silves, Cacela e Tavira. De acordo com a Crónica da Conquista do Algarve, Tavira foi conquistada aos mouros, em Junho de 1239, por D. Paio Peres Correia, como represália pela morte de sete dos seus cavaleiros.

Em 1242, torna-se em Mérida o 17º Grão-Mestre da Cavalaria de S. Tiago[6] e passou então a estar ao serviço de Fernando III e de seu filho, o futuro Afonso X de Leão e Castela, vivendo naturalmente no reino de castela.

Segundo a Crónica da Conquista do Algarve, inserida na Crónica Portuguesa de 1419, Paio Peres voltaria ao Algarve em 1249, no reinado de D. Afonso III, e colaborou nas conquistas de Faro e Aljezur. Um dos pontos altos da sua acção militar aconteceu na tomada de Sevilha em 1248, onde teve uma acção de grande relevo, como o testemunha, por exemplo, a Crónica Geral de Espanha de 1344.

Morte e sepultura[editar | editar código-fonte]

O mestre morreu entre 11 e 17 de janeiro de 1275[1] em Uclés, segundo algumas fontes,[7] ou na comenda santiaguista de Montalbán em Aragão e os funerais foram celebrados no mosteiro de Uclés.[1]

Foi sepultado no claustro da igreja do Hospital em Talavera de la Reina.[8] Em 1511, seus restos mortais foram levados por ordem dos Reis Católicos para o mosteiro de Tentudía,[7] em Calera de León, que foi fundada como uma pequena capela por Paio Peres Correa em 1240, e foi a maior comenda da Ordem de Santiago. Circula a tradição que os seus restos estão enterrados na Igreja Matriz em Tavira junto com os Sete Cavaleiros que morreram na conquista da cidade aos mouros, mas é improvável.[9]

No mesmo ano, foi sucedido por Gonçalo Rodrigues Girão como mestre da Ordem de Santiago.

Referências a Paio Peres[editar | editar código-fonte]

A Crónica Geral de Espanha de 1344 narra o conselho em que Fernando III decide a estratégia a adoptar para submeter a cidade de Sevilha - e que foi a que Paio Peres Correia defendeu:

"E a esto cada huu dava sua divisa, segundo seu entender. Mas o meestre dom Paae Correa e outros boos cavaleiros e muy sabedores de guerra disseron a el rey que fosse cercar Sevilha e que, se a cobrasse, que per ella cobrarya todo o al e que seria mais sen trabalho e con mais pequena custa e sem muyta lazeira d’alguus. Mas esto contradisseron outros, dizendo que Sevilha era logar grande e muy pobrado e que non seria muy ligeiro de cercar mas pero se el rey tal cousa quisesse cometer, que primeiro compria correr e estragar a terra per alguas vezes e, depois que a bem quebrantada tevessem e os mouros bem apremados, que entõ seria bem de a hir cercar. Mas o meestre dõ Paae Correa e os outros que primeiro conselharon o cerco de Sevilha disserõ a el rey que o tempo que posesse em corrimentos e fazer cavalgadas e cercar outros pequenos logares que melhor era de o poer sobre Sevilha e que, tomandoa, cobrava todo o al e que, por esta razon, melhor era de acabar todo per huu afam e per huu tempo que por muytos. E demais que poderia seer, se lhes dessem tal vagar, que elles se avisariã de guisa que seria depois muy forte cousa de começar e que por esto melhor seria de começar esto cedo que tarde. E, ditas estas palavras e outras muytas, acordousse el rey con todolos outros en este cõselho."

E agora este passo, que fala das façanhas de Paio Peres Correia e dos seus homens:

"(...) o meestre dom Paae Correa e os outros ricos homees que com el estavon da outra parte do ryo, segundo ja ouvistes, cavalgarom sobre Golles e cõbaterõna e entrarõna per força e mataron todollos mouros que dentro acharom e levarõ muy grande algo que hy acharom. E, em se tornando per Tyriana, sayiu a elles gram cavalarya de mouros e muitos peõoes com elles e ouverõ com elles gram batalha. E foron os mouros vencidos e mortos muytos delles e os cristãaos tornarõsse muy hõrados pera seu arreal."

Uma enciclopédia espanhola refere-se a Paio Peres Correia nestes termos:

"Fantasías aparte, es innegable que su nombradía se asienta en una vida militar llena de gloriosos hechos, como lo demuestra el que se le confiase el mando de el ejército español en aquel período verdaderamente heroico de la Reconquista.
Fue Gran Maestre de la Orden de Santiago y tanto los monarcas portugueses como los castellanos, se disputaran el honor de tenerle à su servicio."

Luís Vaz de Camões recorda-o em duas estrofes d'Os Lusíadas (canto VIII, estrofes 26-27), Almeida Garrett baseou o seu poema épico D. Branca nos seus feitos algarvios, e Lope de Vega escreveu sobre ele na sua peça El Sol Parado. No Cancioneiro da Biblioteca Nacional existe uma cantiga que o critica.

Herança ao nível de arruamentos e localidades[editar | editar código-fonte]

D. Paio Peres Correia é lembrado na toponímia de várias cidades e vilas como: Lisboa, Setúbal, Silves (Portugal), Tavira, Sevilha (bairro de Triana), Samora Correia, entre outras. Setúbal, por exemplo, recebeu foral[10] em Março de 1249, concedido pela Ordem de Santiago, senhora desta região, e subscrito por D. Paio Peres Correia, Mestre da Ordem de Santiago, e por Gonçalo Peres, comendador de Mértola. A terra de Paio Pires (Seixal) reclama-o como seu fundador, sem qualquer fundamento histórico conhecido, assim como Samora Correia (Santarém), havendo ainda uma rua e uma estátua em homenagem ao seu fundador.

Referências

  1. a b c López Fernández 2003, p. 766.
  2. Lopes Pires Nunes 2005, p. 91.
  3. David & Sottomayor Pizarro 1990, pp. 139 e 146.
  4. Fernández Sánchez 1994, p. 102.
  5. Fernández Sánchez 2003, p. 103.
  6. Fernández Sánchez 1994, p. 108.
  7. a b Fernández Sánchez 1994, p. 158.
  8. López Fernández 2003, p. 769.
  9. López Fernández 2003, pp. 767–769.
  10. Cf. Portugaliae Monumenta Historica, Leges et Consuetudines, Lisboa, Academia das Ciências de Lisboa, 1856, vol I, p. 634 (consultar o texto)
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Bibliografia[editar | editar código-fonte]