Patoá

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"Fale francês, seja limpo", cartás numa escola francesa, onde se proibiu falar catalão.

Patoá[1] (do francês “patois”) é uma palavra que, mesmo não tendo uma definição formal no campo da linguística, foi inventada e é usada em França para desqualificar uma língua, catalogando-a de dialeto sem literatura, rebaixando-a a uma simples categoria de dialeto familiar que não pode, de nenhuma maneira, ser língua.[2] [3] [4] [5] [6] [7] [8] [9] [10] [11]

Durante a época colonial a França tratava as línguas africanas que se falavam no território ocupado de “patoá negreiro”. Os colonos franceses consideravam que eles falavam “a língua da civilização” e por isso tinham o dever de suprimir o “patoá negreiro”. São conhecidas as políticas do Ministro da Educação Francês, Jules Ferry, principal apoiante da colonização e que pronunciava habitualmente discursos racistas. Hoje o nome dele pode-se encontrar ainda em nomenclaturas de centros escolares. Naquela época, e ainda hoje, a República Francesa justificava estas medidas pela necessidade de "instrução da povoação" e a "laicisidade do Estado".[12] [13] [14] [15] [16] [17] [18] [19] [20] [21]

As línguas que são habitualmente alvo deste desqualificativo são o catalão, o basco, bretão, córsega, alemão falado na zona francesa da Alsácia-Lorena (comumente conhecido como alsaciano), neerlandês… No final da Segunda Guerra Mundial apenas 40% das comunas francesas falavam francês. Foi então quando nos anos 1950 e 1960 que o Estado francês decidiu reprimir a povoação obrigando-a a falar francês nas escolas e nas ruas. Este episódio é conhecido pelo nome de “La Vergonha”, mas também pelo nome das campanhas propagandísticas do estado: “parlez français, soyez propres” (fale francês, seja limpo). No entanto, o termo deve as suas origens ao reinado dos reis Borbões, que já naquela época tentaram como puderam impor o francês.[22] [23] [24] [25] [26] [27] [28] [29] [30] [31]

Durante a Revolução Francesa os jacobinos radicalizaram esta atitude que veio alimentar a chamada Terreur. Hoje muitos franceses idosos que ainda falam occitano, por exemplo, estão convencidos de falar patoá ou, em caso contrário, têm uma certa vergonha de falar a sua própria língua materna em público. Também nos anos 1950 a povoação imigrante, como a portuguesa, foi alvo de desqualificativos como este. A povoação que não falava francês podia ser tratada de atrasada, rural ou com falta de cultura. A própria Academia da Língua Francesa mistura a propósito dialeto, ruralidade com língua: “variante de um dialeto, idioma próprio de uma localidade rural o de um grupo de localidades rurais”. Não podendo negar, a pesar disso, o significado real de patoá na atualidade, o estado francês decidiu catalogar as línguas em duas categorias: “língua regional” (para o caso das línguas que com anterioridade o estado chamava “patoá”) e “língua estrangeira viva”. Esta diferência é devida, em parte, a oposição crescente de muitos franceses que não aceitam ser tratados como gente incivilizada e, por isso, hoje é possível aprender na escola estas línguas, que continuam, no entanto, a ser tratadas como "patoá" ou "regionais".[32] [33] [34] [35] [36] [37] [38] [39] [40] [41] [42] [43] [44]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Joaquim Mattoso Câmara Junior grafa a palavra com u, cf. DUBOIS, Jean et al. Dicionário de lingüística Cultrix, 1997.
  2. Identité régionale, laquelle?, de Robert Marti, 1997, Editora L'Harmattan, ISBN 2-7384-6057-7
  3. http://www.enciclopedia.cat/EC-GEC-0130265.xml
  4. Patois: Variété d’un dialecte qui n’est parlée que dans une contrée de faible étendue, le plus souvent rurale. Diccionari de l'Acadèmia Francesa, Volum 2, 9a edição, 2005. ISBN 978-2-213-62143-2
  5. http://dcvb.iecat.net/
  6. Français, une langue qui défie les siècles (Alain Rey, editorial Collections-Gallimard, ISB 978-2-07-034526-7
  7. Em francês, a palavra patois é registrada em 1285 como "língua incompreensível, grosseira" (BRETEL, Jacques Tournoi Chauvenci, éd. M. Delbouille, 683); no início do século XIV, como "falar local" (Brunet Latin, Trésor, I, 1 var., éd. F. J. Carmody, p.18). Segundo JOHN ORR, em " Étymol. et sém. du mot patois" in Essais d'étymol. et de philol. fr., Paris, 1963, pp.61-75, patois seria um deverbal do francês antigo patoier, "agitar as mãos, gesticular (para se fazer compreender, como os surdos-mudos)", patois significando "gesticulação" e, depois, "comportamento; comportamento grosseiro" e "linguagem particular".
  8. Luso-Brazilian Linguistics, por Monica Rector (p.22).
  9. http://www.ecoledeconduitejulesferry.com/
  10. http://www.senat.fr/evenement/archives/D42/
  11. http://lewebpedagogique.com/histoire/documents/jules-ferry-discours-sur-la-colonisation-28-juillet-1885/
  12. Identité régionale, laquelle?, de Robert Marti, 1997, Editora L'Harmattan, ISBN 2-7384-6057-7
  13. http://www.enciclopedia.cat/EC-GEC-0130265.xml
  14. Patois: Variété d’un dialecte qui n’est parlée que dans une contrée de faible étendue, le plus souvent rurale. Diccionari de l'Acadèmia Francesa, Volum 2, 9a edição, 2005. ISBN 978-2-213-62143-2
  15. http://dcvb.iecat.net/
  16. Français, une langue qui défie les siècles (Alain Rey, editorial Collections-Gallimard, ISB 978-2-07-034526-7
  17. Em francês, a palavra patois é registrada em 1285 como "língua incompreensível, grosseira" (BRETEL, Jacques Tournoi Chauvenci, éd. M. Delbouille, 683); no início do século XIV, como "falar local" (Brunet Latin, Trésor, I, 1 var., éd. F. J. Carmody, p.18). Segundo JOHN ORR, em " Étymol. et sém. du mot patois" in Essais d'étymol. et de philol. fr., Paris, 1963, pp.61-75, patois seria um deverbal do francês antigo patoier, "agitar as mãos, gesticular (para se fazer compreender, como os surdos-mudos)", patois significando "gesticulação" e, depois, "comportamento; comportamento grosseiro" e "linguagem particular".
  18. Luso-Brazilian Linguistics, por Monica Rector (p.22).
  19. http://www.ecoledeconduitejulesferry.com/
  20. http://www.senat.fr/evenement/archives/D42/
  21. http://lewebpedagogique.com/histoire/documents/jules-ferry-discours-sur-la-colonisation-28-juillet-1885/
  22. Identité régionale, laquelle?, de Robert Marti, 1997, Editora L'Harmattan, ISBN 2-7384-6057-7
  23. http://www.enciclopedia.cat/EC-GEC-0130265.xml
  24. Patois: Variété d’un dialecte qui n’est parlée que dans une contrée de faible étendue, le plus souvent rurale. Diccionari de l'Acadèmia Francesa, Volum 2, 9a edição, 2005. ISBN 978-2-213-62143-2
  25. http://dcvb.iecat.net/
  26. Français, une langue qui défie les siècles (Alain Rey, editorial Collections-Gallimard, ISB 978-2-07-034526-7
  27. Em francês, a palavra patois é registrada em 1285 como "língua incompreensível, grosseira" (BRETEL, Jacques Tournoi Chauvenci, éd. M. Delbouille, 683); no início do século XIV, como "falar local" (Brunet Latin, Trésor, I, 1 var., éd. F. J. Carmody, p.18). Segundo JOHN ORR, em " Étymol. et sém. du mot patois" in Essais d'étymol. et de philol. fr., Paris, 1963, pp.61-75, patois seria um deverbal do francês antigo patoier, "agitar as mãos, gesticular (para se fazer compreender, como os surdos-mudos)", patois significando "gesticulação" e, depois, "comportamento; comportamento grosseiro" e "linguagem particular".
  28. Luso-Brazilian Linguistics, por Monica Rector (p.22).
  29. http://www.ecoledeconduitejulesferry.com/
  30. http://www.senat.fr/evenement/archives/D42/
  31. http://lewebpedagogique.com/histoire/documents/jules-ferry-discours-sur-la-colonisation-28-juillet-1885/
  32. Identité régionale, laquelle?, de Robert Marti, 1997, Editora L'Harmattan, ISBN 2-7384-6057-7
  33. http://www.enciclopedia.cat/EC-GEC-0130265.xml
  34. Patois: Variété d’un dialecte qui n’est parlée que dans une contrée de faible étendue, le plus souvent rurale. Diccionari de l'Acadèmia Francesa, Volum 2, 9a edição, 2005. ISBN 978-2-213-62143-2
  35. http://dcvb.iecat.net/
  36. Français, une langue qui défie les siècles (Alain Rey, editorial Collections-Gallimard, ISB 978-2-07-034526-7
  37. Em francês, a palavra patois é registrada em 1285 como "língua incompreensível, grosseira" (BRETEL, Jacques Tournoi Chauvenci, éd. M. Delbouille, 683); no início do século XIV, como "falar local" (Brunet Latin, Trésor, I, 1 var., éd. F. J. Carmody, p.18). Segundo JOHN ORR, em " Étymol. et sém. du mot patois" in Essais d'étymol. et de philol. fr., Paris, 1963, pp.61-75, patois seria um deverbal do francês antigo patoier, "agitar as mãos, gesticular (para se fazer compreender, como os surdos-mudos)", patois significando "gesticulação" e, depois, "comportamento; comportamento grosseiro" e "linguagem particular".
  38. Luso-Brazilian Linguistics, por Monica Rector (p.22).
  39. http://www.ecoledeconduitejulesferry.com/
  40. http://www.senat.fr/evenement/archives/D42/
  41. http://lewebpedagogique.com/histoire/documents/jules-ferry-discours-sur-la-colonisation-28-juillet-1885/
  42. http://eduscol.education.fr/cid45723/les-dispositifs-specifiques%A0-renforcer-l-apprentissage-des-langues-vivantes.html
  43. http://eduscol.education.fr/cid54741/langues-de-france-d-outre-mer-college-et-lycee.html
  44. http://www.lemonde.fr/societe/article/2008/07/31/l-entree-des-langues-regionales-dans-la-constitution-suscite-des-espoirs_1079043_3224.html
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