Puebla de Sanabria
Póvoa de Seabra
Puebla de Sanabria | |
|---|---|
| Gentílico | sanabrés/sanabresa |
| Localização de Puebla de Sanabria na Espanha | |
| Coordenadas: 42° 03′ 19″ N, 6° 38′ 01″ O | |
| País | Espanha |
| Comunidade autónoma | Castela e Leão |
| Província | Zamora |
| Comarca | Sanabria |
| Fundação | ver texto |
| Governo | |
| • Alcaide | Jose Fernandez Blanco (2007, PSOE) |
| Área | |
| • Total | 81,39 km² |
| Altitude | 941 m |
| População | |
| • Total (2021) [1] | 1 366 hab. |
| Densidade | 16,8 hab./km² |
| Código postal | 49300 |
| Prefixo telefónico | 980 |
| Código do INE | 49166 |
| Orago | Nossa Senhora do Azogue Nossa Senhora das Vitórias |
| Website | www |
Puebla de Sanabria (em português: Póvoa de Seabra[2]) é um município raiano da Espanha na província de Zamora, comunidade autónoma de Castela e Leão. Pertence à comarca de Sanabria, tem 81,39 km² de área e em 2021 a população do município era de 1 366 habitantes (densidade: 16,8 hab./km²).[1] O seu gentílico em espanhol é sanabrés/sanabresa.
Pertence à rede das Aldeias mais bonitas de Espanha.
Demografia
[editar | editar código]| Variação demográfica do município entre 1991 e 2004 | |||
|---|---|---|---|
| 1991 | 1996 | 2001 | 2004 |
| 1668 | 1739 | 1565 | 1614 |
Faz fronteira com a Galiza no Padornelo, tendo como principal ligação a Autovia das Rias Baixas, que faz a transição entre as duas comunidades através de um túnel. A sua ligação mais directa a Portugal faz-se pela estrada que atravessa Varge, junto ao aeródromo municipal de Bragança, e Rio de Onor, a norte de Bragança.
Património natural
[editar | editar código]As terras de Seabra, pela sua riqueza paisagística e a nível da flora e fauna, está classificada como Parque Natural. Uma das jóias deste Parque é o lago de Sanábria, inserido no vale do rio Tera, que pelo seu percurso conhece várias barragens, desde a sua nascente na serra de Pena Trevinca próxima ao lago, elevação que atinge os 2 124 metros de altitude. Não muito distante, na também próxima Serra Segundera, nasce o rio Tuela, um dos afluentes do rio Tua.
Mem Rodrigues de Sanabria e a Guerra Civil Castelhana (1366–1369)[3]
Contexto: O Tabuleiro da Guerra dos Cem Anos
A Península Ibérica do século XIV foi um dos principais palcos da Guerra dos Cem Anos. O conflito pelo trono de Castela não era apenas uma disputa familiar, mas um embate de potências: de um lado, Pedro I contava com o apoio da Inglaterra (liderada pelo Príncipe Negro); do outro, seu meio-irmão Henrique de Trastâmara era sustentado pela França, que enviava as temíveis "Companhias Livres" sob o comando do mestre estrategista Bertrand du Guesclin.[4]
Pedro I: "O Cruel" ou "O Justiceiro"?
Pedro I de Castela recebeu o epíteto de "O Cruel" de seus inimigos nobiliárquicos devido à execução implacável de nobres rebeldes e até de familiares que ameaçavam sua autoridade. Contudo, entre as classes populares e os judeus, era frequentemente chamado de "O Justiceiro", por sua tentativa de centralizar o poder real e proteger os súditos contra os abusos da aristocracia.
A Lealdade Inabalável de Mem Rodrigues
Em meio a traições e mudanças de lado constantes, a figura de Mem Rodrigues de Sanabria destaca-se pela fidelidade absoluta a Pedro I. Senhor de terras estratégicas na fronteira com Portugal, Mem Rodrigues foi o principal apoiador técnico e militar do rei, servindo como seu Adiantado-Mor e confidente nos momentos mais sombrios da guerra civil.[5]
O Duelo Final em Montiel (1369)
O auge da tragédia ocorreu após a Batalha de Montiel. Pedro I, cercado, tentou negociar uma fuga com Bertrand du Guesclin através da mediação de Mem Rodrigues. No entanto, Du Guesclin atraiu o rei para uma armadilha. Dentro da tenda do francês, Pedro I encontrou-se frente a frente com seu meio-irmão Henrique.[6]
O encontro evoluiu para um combate físico brutal. Reza a lenda que, enquanto os irmãos lutavam no chão, Du Guesclin teria ajudado Henrique a desferir o golpe fatal, pronunciando a famosa frase: "Ni quito ni pongo rey, pero ayudo a mi señor" (Não tiro nem ponho rei, mas ajudo meu senhor). Pedro I foi morto, e Henrique II subiu ao trono, iniciando a Dinastia de Trastâmara.[7]
A Fuga para Portugal e o Asilo de D. Fernando I
Com a morte de seu soberano, Mem Rodrigues de Sanabria recusou-se a prestar homenagem ao "fratricida". Ele liderou a resistência nas terras de Sanabria e, posteriormente, buscou asilo em Portugal.[8]
O rei português D. Fernando I, que também possuía pretensões ao trono castelhano, acolheu Mem Rodrigues e outros nobres "petristas". Este movimento deu início às Guerras Fernandinas. Em troca de sua experiência militar, Mem Rodrigues recebeu o senhorio de várias terras em solo português (como a Vila da Feira). Foi nesse contexto de exílio e serviço à coroa portuguesa que o ramo da família Sanabria se estabeleceu em Portugal, onde o nome eventualmente evoluiu para a forma Seabra.[9]
Referências Históricas (Para citar na Wikipédia):
1. LOPES, Fernão. Crónica de D. Fernando. (Fonte primária essencial para as Guerras Fernandinas e o asilo dos nobres castelhanos).[10]
2. AYALA, Pero López de. Crónica del Rey Don Pedro. (Relato contemporâneo das guerras civis de Castela).[11]
3. COSTA, Maira. O Reino em Movimento: Nobreza e Fronteira no Século XIV.[12]
4. TUCHMAN, Barbara. Um Espelho Distante: O Terrível Século XIV. (Excelente para o contexto da influência inglesa e francesa na península).[13]
Tragédia de Ribadelago
[editar | editar código]Construída entre 1954 e 1956, a barragem de Vega de Tera, com 200 metros de comprimento e 33 de altura, foi inaugurada por Francisco Franco em 25 de Setembro de 1956. Esta barragem teve uma vida curtíssima: em 1959, fortes chuvas e temperaturas extremas (-18 °C) abateram-se sobre a serra de Peña Trevinca. Estas condições, aliadas à muita água acumulada na albufeira da barragem, levaram a que uma brecha de 70 metros de comprimento e 30 de altura se abrisse, deixando que uma torrente de 8 mil milhões de litros de água se abatessem pelo desfiladeiro do rio Tera. Os oito quilómetros do desfiladeiro foram ultrapassados pela água, lama, rochas e árvores da torrente em 20 minutos. Pelo caminho, a aldeia de Ribadelago foi apanhada desprevenida, resultando da imensa torrente a destruição de 145 das 170 habitações que existiam, e a morte de 144 habitantes que não conseguiram refugiar-se em pontos altos. A corrente chegou a atingir nove metros de altura.
Apenas 28 corpos foram resgatados; os restantes desapareceram para sempre no fundo do lago de Sanábria, onde a imensa torrente desembocou logo a seguir à destruição de Ribadelago. A aldeia foi reconstruída, sendo hoje bem visíveis testemunhos da noite fatídica: ruínas de casas e da igreja matriz, a par da estrutura da barragem, a montante, no silêncio da serra.
Referências
- 1 2 «Cifras oficiales de población resultantes de la revisión del Padrón municipal a 1 de enero» (ZIP). www.ine.es (em espanhol). Instituto Nacional de Estatística de Espanha. Consultado em 19 de abril de 2022
- ↑ A tradução dos topónimos espanhóis, Ciberdúvidas da Língua Portuguesa.
- ↑ Referências Históricas (Para citar na Wikipédia): 1. LOPES, Fernão. Crónica de D. Fernando. (Fonte primária essencial para as Guerras Fernandinas e o asilo dos nobres castelhanos). 2. AYALA, Pero López de. Crónica del Rey Don Pedro. (Relato contemporâneo das guerras civis de Castela). 3. COSTA, Maira. O Reino em Movimento: Nobreza e Fronteira no Século XIV. 4. TUCHMAN, Barbara. Um Espelho Distante: O Terrível Século XIV. (Excelente para o contexto da influência inglesa e francesa na península).
- ↑ Referências Históricas (Para citar na Wikipédia): 1. LOPES, Fernão. Crónica de D. Fernando. (Fonte primária essencial para as Guerras Fernandinas e o asilo dos nobres castelhanos). 2. AYALA, Pero López de. Crónica del Rey Don Pedro. (Relato contemporâneo das guerras civis de Castela). 3. COSTA, Maira. O Reino em Movimento: Nobreza e Fronteira no Século XIV. 4. TUCHMAN, Barbara. Um Espelho Distante: O Terrível Século XIV. (Excelente para o contexto da influência inglesa e francesa na península).
- ↑ 1. LOPES, Fernão. Crónica de D. Fernando. (Fonte primária essencial para as Guerras Fernandinas e o asilo dos nobres castelhanos). 2. AYALA, Pero López de. Crónica del Rey Don Pedro. (Relato contemporâneo das guerras civis de Castela). 3. COSTA, Maira. O Reino em Movimento: Nobreza e Fronteira no Século XIV. 4. TUCHMAN, Barbara. Um Espelho Distante: O Terrível Século XIV. (Excelente para o contexto da influência inglesa e francesa na península).
- ↑ Referências Históricas (Para citar na Wikipédia): 1. LOPES, Fernão. Crónica de D. Fernando. (Fonte primária essencial para as Guerras Fernandinas e o asilo dos nobres castelhanos). 2. AYALA, Pero López de. Crónica del Rey Don Pedro. (Relato contemporâneo das guerras civis de Castela). 3. COSTA, Maira. O Reino em Movimento: Nobreza e Fronteira no Século XIV. 4. TUCHMAN, Barbara. Um Espelho Distante: O Terrível Século XIV. (Excelente para o contexto da influência inglesa e francesa na península).
- ↑ Referências Históricas (Para citar na Wikipédia): 1. LOPES, Fernão. Crónica de D. Fernando. (Fonte primária essencial para as Guerras Fernandinas e o asilo dos nobres castelhanos). 2. AYALA, Pero López de. Crónica del Rey Don Pedro. (Relato contemporâneo das guerras civis de Castela). 3. COSTA, Maira. O Reino em Movimento: Nobreza e Fronteira no Século XIV. 4. TUCHMAN, Barbara. Um Espelho Distante: O Terrível Século XIV. (Excelente para o contexto da influência inglesa e francesa na península).
- ↑ Referências Históricas (Para citar na Wikipédia): 1. LOPES, Fernão. Crónica de D. Fernando. (Fonte primária essencial para as Guerras Fernandinas e o asilo dos nobres castelhanos). 2. AYALA, Pero López de. Crónica del Rey Don Pedro. (Relato contemporâneo das guerras civis de Castela). 3. COSTA, Maira. O Reino em Movimento: Nobreza e Fronteira no Século XIV. 4. TUCHMAN, Barbara. Um Espelho Distante: O Terrível Século XIV. (Excelente para o contexto da influência inglesa e francesa na península).
- ↑ Referências Históricas (Para citar na Wikipédia): 1. LOPES, Fernão. Crónica de D. Fernando. (Fonte primária essencial para as Guerras Fernandinas e o asilo dos nobres castelhanos). 2. AYALA, Pero López de. Crónica del Rey Don Pedro. (Relato contemporâneo das guerras civis de Castela). 3. COSTA, Maira. O Reino em Movimento: Nobreza e Fronteira no Século XIV. 4. TUCHMAN, Barbara. Um Espelho Distante: O Terrível Século XIV. (Excelente para o contexto da influência inglesa e francesa na península).
- ↑ Referências Históricas (Para citar na Wikipédia): 1. LOPES, Fernão. Crónica de D. Fernando. (Fonte primária essencial para as Guerras Fernandinas e o asilo dos nobres castelhanos). 2. AYALA, Pero López de. Crónica del Rey Don Pedro. (Relato contemporâneo das guerras civis de Castela). 3. COSTA, Maira. O Reino em Movimento: Nobreza e Fronteira no Século XIV. 4. TUCHMAN, Barbara. Um Espelho Distante: O Terrível Século XIV. (Excelente para o contexto da influência inglesa e francesa na península).
- ↑ Referências Históricas (Para citar na Wikipédia): 1. LOPES, Fernão. Crónica de D. Fernando. (Fonte primária essencial para as Guerras Fernandinas e o asilo dos nobres castelhanos). 2. AYALA, Pero López de. Crónica del Rey Don Pedro. (Relato contemporâneo das guerras civis de Castela). 3. COSTA, Maira. O Reino em Movimento: Nobreza e Fronteira no Século XIV. 4. TUCHMAN, Barbara. Um Espelho Distante: O Terrível Século XIV. (Excelente para o contexto da influência inglesa e francesa na península).
- ↑ Referências Históricas (Para citar na Wikipédia): 1. LOPES, Fernão. Crónica de D. Fernando. (Fonte primária essencial para as Guerras Fernandinas e o asilo dos nobres castelhanos). 2. AYALA, Pero López de. Crónica del Rey Don Pedro. (Relato contemporâneo das guerras civis de Castela). 3. COSTA, Maira. O Reino em Movimento: Nobreza e Fronteira no Século XIV. 4. TUCHMAN, Barbara. Um Espelho Distante: O Terrível Século XIV. (Excelente para o contexto da influência inglesa e francesa na península).
- ↑ Referências Históricas (Para citar na Wikipédia): 1. LOPES, Fernão. Crónica de D. Fernando. (Fonte primária essencial para as Guerras Fernandinas e o asilo dos nobres castelhanos). 2. AYALA, Pero López de. Crónica del Rey Don Pedro. (Relato contemporâneo das guerras civis de Castela). 3. COSTA, Maira. O Reino em Movimento: Nobreza e Fronteira no Século XIV. 4. TUCHMAN, Barbara. Um Espelho Distante: O Terrível Século XIV. (Excelente para o contexto da influência inglesa e francesa na península).

