Rio Jelum

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Jelum
em urdu: جہلم
em panjabi: ਜਿਹਲਮ
em caxemiriano: व्यथ / ویتھ
Jelum fotografado no Paquistão, c.  2006
Mapa mostrando o curso de água do Jelum
Mapa mostrando o curso de água do Jelum
Comprimento 725 km
Nascente Duru-Verinag
Caudal médio 887,6 m³/s
Caudal máximo 26,419,13 m³/s
Caudal mínimo 234,19 m³/s
Foz Rio Chenab
Bacia hidrográfica Rio Indo
Afluentes
esquerda
Rio Poonch
Afluentes
direita
Lider, Nelum, Sinde, Cunhar
Países Índia e Paquistão

O rio Jelum[1] (Jhelum; em hindi: झेलम; em sânscrito: वितस्ता; em urdu: جہلم; em panjabi: ਜਿਹਲਮ / جہلم; em caxemiriano: व्यथ / ویتھ), historicamente conhecido como Hidaspes (em grego clássico: Ὑδάσπης; romaniz.: Hydáspēs)[2] ou Bidaspes[3] pelos historiadores de Alexandre, o Grande, Vitasta no Rigueveda,[4] Viete (Vyeth) no sânscrito, Biate (Bihat), Uiate (Wihat) e Biatabe pelos historiadores muçulmanos do início da expansão islâmica, Biata (Biyatta) e Jailam na Índia de Albiruni,[5] é um rio do noroeste da Índia e do Paquistão, que nasce em Vernaz tem 725 km de extensão. É um afluente do rio Chenab, que por sua vez é afluente do rio Indo. O Jelum também passa por Caxemira até o lago Wular desaguando no golfo de Omã.

Desenvolvimento[editar | editar código-fonte]

A situação apresentada pelo Paquistão se tornou uma crise política muito complicada, pois o Paquistão, país que faz fronteira com a Índia, depende consideravelmente do sistema hídrico do Jelum. A Índia tem uma posição estrategicamente vantajosa com relação ao controle do fluxo de água. O conflito na Caxemira se desenrola devido a população de origem islâmica almejar uma união com o Paquistão, à revelia do governo da Índia. O Paquistão apresenta um dilema para o mundo, pois depende consideravelmente do Jelum, que ao contrário da Índia, todo o país depende totalmente do sistema hídrico do Jelum. Ao longo dos anos, o rio foi uma questão diretamente ligada a Caxemira, líderes políticos, e a elite militar do Paquistão, enfatizaram que se forem forçados a abrir mão de sua reivindicação em caxemira significaria abrir mão da fontes de Jelum e Chenab ficarão a mercê da Índia para obter água, resultando na queda do PIB em 2%.

O governo paquistanês desenvolveu uma agenda de reforma para o setor de energia, que inclui o aproveitamento de seus ricos recursos hídricos para geração de energia renovável. E uma parte significativa desses recursos está localizada na bacia de Jelum-pooch. A IFC (International Finance Corporation) e os acionistas trabalharam para manter o equilíbrio entre a necessidade de fornecer eletricidade a milhões de pessoas e proteger os ecossistemas locais, incluindo estruturas sociais.

História[editar | editar código-fonte]

Em 326 a.C. o Jelum (antigamente conhecido como Hidaspes) foi palco de uma das batalhas mais importantes do grande conquistador Alexandre, o Grande. Alexandre, após dias e dias de incursões, havia subjugado diversas tribos em combates ferozes, recebendo a rendição de alguns reis, como o rei de Taxila e outros. No entanto, o rei Poro, rei do reino de Paurava, se recusou a se tornar vassalo do rei da Macedônia. Em uma breve reunião entre Alexandre e Poros ficou claro que Poros não se renderia aos gregos, montando uma base com seus homens no outro lado do Hidaspes. Após Alexandre cruzar o rio com seus homens travou-se a Batalha de Hidaspes. Alexandre comandava uma força de 47 000 homens, contra 54 000 de Poro, incluindo 200 elefantes de guerra, (algo inédito para os gregos até então). Alexandre derrotou o rei Poros, que perdeu cerca de 12 mil homens. E Alexandre permite que Poros se torne seu Sátrapa, governando Paurava como solicitou á Alexandre.[6] O cavalo de Alexandre, Bucéfalo, que acompanhará Alexandre durante todas as conquistas do rei, morreu após a batalha devido a exaustão e os ferimentos. Alexandre homenageou seu cavalo dando seu nome a uma cidade, que se chamou Bucéfala próxima a Taxila, no Paquistão.

Mitologia[editar | editar código-fonte]

O Hidaspes (Jelum) é mencionado em diversos textos literários devido a sua beleza e importância. Poetas como Nuno, mencionaram o Hidaspes em suas obras literárias como a Dionisíaca. Muitos poemas épicos também enaltecem a existência deste rio. A mitologia que envolve o Jelum apresenta uma importância cultural para os povos que habitavam a região de Punjab, sendo considerado um rio divino. Na obra de Nuno, Dionisíaca, o Hidaspes é mencionado como um Titã filho do deus Taumas (um deus marítimo) e de Electra (deusa que habitava as nuvens), sendo também irmão de íris (deusa do arco-íris) e harpias (ventos fortes).

Referências

  1. EBM 1967, p. 15.
  2. Elphinstone 1816, p. 170.
  3. Bakshi 1996, p. 110.
  4. Rapson 2011, p. 171.
  5. Naqvi 2013, p. 10.
  6. Fernandes.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Bakshi, S. R. (1996). Kashmir through ages. Nova Déli: Sarup & Sons. p. 110. OCLC 42330018 
  • Enciclopédia Brasileira Mérito Vol. 11. Rio de Janeiro: Mérito S. A. 1967 
  • Elphinstone, Mountstuart (1816). «An Account of the Kingdom of Caubul and its Dependencies in Persia, Tartary, and India; comprizing a View of the Afghaun Nation and a History of the Dooraunee Monarcy». Londres. The Quarterly Review 
  • Naqvi, Saiyid Ali (2013). Indus waters and social change: the evolution and transition of agrarian society in Pakistan. Carachi: Imprensa da Universidade de Oxônia no Paquistão. OCLC 827231927 
  • Rapson, Edward James (2001). Ancient India : from the earliest times to the first century A.D. Cambrígia: Imprensa da Universidade de Cambrígia. OCLC 754970372 
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