Rubus chamaemorus
| Amora-ártica Amora-branca-silvestre Framboesa-amarela | |||||||||||||||||
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| Classificação científica | |||||||||||||||||
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| Nome binomial | |||||||||||||||||
Rubus chamaemorus | |||||||||||||||||
| Distribuição geográfica | |||||||||||||||||
A amora-ártica, também conhecida como amora-branca-silvestre ou framboesa-amarela[1] (Rubus chamaemorus) é uma espécie circumboreal de crescimento lento do género Rubus e que produz um fruto particularmente saboroso. O seu nome científico provém do grego chamai ("anã") e morus ("amora").
A amora-ártica atinge entre 10–25 cm de altura. As suas folhas são alternadas, frágeis, palmadas e dispõem-se em caules erectos sem ramos. Após a polinização, as suas flores brancas (por vezes com laivos avermelhados) formam amoras do tamanho de framboesas, unindo em si de 5 a 25 pequenas drupas, inicialmente dum vermelho pálido que se torna num intenso laranja, cor de âmbar, no início do outono.
Distribuição
[editar | editar código]As amoras-brancas-silvestres são espontâneas no hemisfério norte entre os 55°N e os 78°N, dispersando-se a sul até aos 44°N, principalmente em áreas montanhosas. Na Europa e na Ásia, crescem nos países nórdicos, ao longo do Norte da Rússia, Urais, Sibéria, Kamchatka no Oceano Pacífico, e Hokkaido, no Norte do Japāo. Com menor frquência, encontram-se nalguns brejos da Escócia, países Bálticos, e na Polónia setentrional.

Pequenas populações vulneráveis ainda de encontram mais a sul, como marca das eras glaciares, nos vales alemães do Weser e do Elba, onde são protegidas por lei. Na América do Norte, existem no Canadá e Alasca e, com menor incidência, no norte dos estados do Minnesota, New Hampshire, Maine, além da pequena população de Long Island, Nova Iorque.
Crescem em pântanos e outros terrenos alagadiços, como estuários e brejos musgosos, requerem exposição solar e solo ácido (entre 3,5 e 5 de pH). Suportam facilmente temperaturas baixas (até menos de - 40 °C), mas são suscetíveis ao sal e à falta de água. Num recenseamento em 2016, a IUCN listou Rubus chamaemorus nos seguintes países: Noruega, Canadá, Finlândia, Groenlândia, Coreia do Norte, Rússia, França (São Pedro e Miquelão), Suécia, Reino Unido, Estados Unidos. Não é considerada ameaçada ("LC), embora os seus habitats, zonas húmidas interiores, sofram constante declínio[2].
Propagação
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Ao contrário de muitas espécies do género Rubus, a amora-branca-selvagem não procede à auto-polinização, havendo variedades masculinas e femininas (espécie dioica). A disseminação de sementes resulta do consumo das amoras por animais locais (principalmente aves) seguido pela excreção das sementes, não digeríveis. Também se propagam assexuadamente através de extensões do seu rizoma.
Apesar da crescente demanda comercial no mercado dos frutos silvestres, principalmente na Noruega, a amora-ártica permanece essencialmente, uma planta selvagem.
Desde meados da década de 1990 que a amora-branca-silvestre é objecto do Projecto de Pesquisa "Northberry". O governo norueguês, em cooperação com a Finlândia, Suécia e Escócia, têm prosseguido o objectivo de incrementar a produção comercial de vários frutos silvestres. A Noruega importa cerca de 200 a 300 toneladas de amoras-árticas por ano, da Finlândia. Desde 2002 que algumas cultivares estão à disposição de produtores agrícolas, principalmente as variedades "Apolto" (macho), "Fjellgull" (fêmea) e "Fjordgull" (fêmea).[3] A planta é principalmente cultivada na região ártica, onde um reduzido número de espécies pode ser cultivado- é o caso da costa setentrional da Noruega, nas regiões de Nordland, Troms e Finnmark.
Uso
[editar | editar código]Os frutos maduros têm uma cor âmbar, amarelo-dourado, são suaves e suculentos. São particularmente ricos em vitamina C. Quando comidos frescos, têm um sabor picante distinto.

Na Noruega a compota da amora-ártica é muito popular ao pequeno-almoço, com iogurte, creme, bolos, tartes. É parte integrante da dieta sazonal, e acompanha várias especialidades culinárias do povo Sámi, nomeadamente em sopa e como acompanhamento com rena ou alce fumado.[4]
São usados na produção de compotas, sumos, tartes e licores. Na Finlândia são comidas com "Leipäjuusto" (um tipo de queijo regional) e muito açúcar. Na Suécia, são usadas em compotas ou coberturas em gelados. No Canadá também são usadas para compota, mas em menor escala que na Escandinávia.
Devido ao seu elevado conteúdo em vitamina C, o fruto é muito estimado por marinheiros nórdicos e pelos Inuit, como protecção contra o escorbuto. São ainda ricos em ácido benzoico que age como um conservante natural.
Na medicina tradicional escandinava, as folhas são utilizadas em chás, benéficos no caso de infecções do tracto urinário.
A planta serve ainda de alimento a algumas larvas de lepidópteros, como é o caso da traça-imperial.
Referências
- ↑ «Rubus Chamaemorus (site zipcodezoo.com)». Consultado em 4 de novembro de 2010
- ↑ «Rubus chamaemorus» (em francês e inglês). 2016. Consultado em 18 de março de 2016
- ↑ Eivind Uleberg; Kajetan Trost; Jon Anders Stavang; Gunnlaug Røthe; Inger Martinussen (2011). «Evaluation of cloudberry (Rubus chamaemorus L.) clones for selection of high-quality varieties» (em inglês). Acta Agriculturae Scandinavica, Section B — Soil & Plant Science, Volume 61, Issue sup1. pp. 18–26
- ↑ «Sámi food culture:The Arctic Gastronomy of Sápmi» (em inglês). thenordicdish.com. Consultado em 7 de Maio 2026
