Rosaceae

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Como ler uma infocaixa de taxonomiaRosaceae
Prunus serrulata
Prunus serrulata
Classificação científica
Reino: Plantae
Clado: Magnoliophyta
Clado: Embryopsida
Ordem: Rosales
Família: Rosaceae
Subfamilias
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O Wikispecies tem informações sobre: Rosaceae

A família Rosaceae pode ser considerada uma das mais diversificadas no clado de angiospermas, possuindo cerca de 3000 espécies e 90 gêneros[1], representantes dessa grande família, que abrange plantas ornamentais, como as rosas (Rosa sp.), e frutíferas, como a maçã (Malus sp.).

O nome da família é derivado do gênero Rosa, cujas espécies são bem conhecidas, devido ao seu valor ornamental.

A família inclui desde espécies herbáceas (Fragaria), arbustivas até arbóreas (Prunus). A maioria das espécies é decídua, pois ocorre em climas com elevada sazonalidade. A maior parte das espécies é perene, inclusive entre as formas herbáceas, mas também há espécies anuais.[1]

Distribuição geográfica[editar | editar código-fonte]

A família Rosaceae tem distribuição cosmopolita, sendo encontrada em todos os continentes, possuindo maior diversidade no hemisfério Norte e na América. Tendo exceção em lugares de geleiras permanentes, como a Antártida e Groenlândia, e desertos, quentes e secos.[2]

Distribuição geográfica no Brasil[editar | editar código-fonte]

No Brasil, encontra-se um gênero endêmico com 10 espécies endêmicas, sendo que essa família é bem diversificada em grande parte do território brasileiro, tendo ocorrências confirmadas nas regiões:[3]

·        Norte (Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Tocantins) – Exceto Roraima

·        Nordeste (Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe)

·        Centro-Oeste (Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso)

·        Sudeste (Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo)

·        Sul (Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina)

Domínios fitogeográficos no Brasil[editar | editar código-fonte]

Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal.[3]

Tipo de vegetação no Brasil[editar | editar código-fonte]

Área Antrópica, Campo de Altitude, Campo Limpo, Campo Rupestre, Cerrado (lato sensu), Floresta Ciliar ou Galeria, Floresta Estacional Decidual, Floresta Estacional Semidecidual, Floresta Ombrófila (= Floresta Pluvial), Floresta Ombrófila Mista e Restinga[3].

Características Botânicas[editar | editar código-fonte]

Gerais[editar | editar código-fonte]

Podem ser encontradas em forma de arbustos, subarbustos, ervas ou árvores, sendo raro escandentes. Maioria dioicas e raro monoicas.[3]

Folhas[editar | editar código-fonte]

As folhas são geralmente arranjadas de forma espiral e alternas ao longo do caule, mas em algumas espécies observa-se folhas opostas. As folhas podem ser simples ou compostas, do tipo pinadas ou do tipo palmada, com folíolo terminal ímpar ou pareado. Folhas compostas ocorrem em cerca de 30 gêneros. A margem foliar é geralmente serreada possuindo uma glândula secretora em cada “dente”. Estípulas pareadas estão geralmente presentes e essa característica é considerada primitiva na família e foi independentemente perdida em muitos grupos de Amygdaloideae (previamente chamada Spiraeoideae). As estípulas às vezes são adnatas (aderidas) à base do pecíolo foliar, como, por exemplo, em Rosa.[3]

Glândulas secretoras ou nectários extraflorais podem estar presentes na margem das folhas ou pecíolos. Os ramos geralmente possuem acúleos e tricomas (simples ou estrelados) podendo estar presentes na nervura principal dos folíolos e na raque das folhas compostas.[3]

Flores[editar | editar código-fonte]

As flores são isoladas, axilares dispostas em tipos variados de inflorescências (racemos, espigas, cimeiras etc). As flores geralmente são hermafroditas, mas podem ocorrer formas andrógenas ou unissexuadas (Fragaria). São actinomorfas, ou seja, radialmente simétricas, diclamídeas, com hipanto plano em forma de taça ou cilindro (característica importante da família) e geralmente possuem cinco sépalas (cálice com perfloração valvar e dialissépalo), cinco pétalas (com perfloração imbricada e corola dialipétala) e números de estames múltiplos de cinco, arranjados de modo espiral. O ovário pode ser súpero ou ínfero e número de ovários pode variar de um a mais de uma centena dependendo do gênero. Geralmente há um ou dois óvulos por ovário. Os filetes podem ser unidos ao nectário ou livres, com anteras elipsoidais ou globosas, raramente poricidas. O pólen é tricolporado.[3]

Frutos[editar | editar código-fonte]

Podem ser dos mais diversos tipos, podendo ser simples ou compostos, havendo casos de participarem de sua formação não só os carpelos, mas todo o receptáculo. Alguns dos tipos de frutos que ocorre são folículos, cápsulas, nozes, aquênios ou agregados de aquênios (Fragaria), drupas (Prunus) e pseudofrutos (Malus).[3]

O desenvolvimento da semente pode ocorrer por apomixia, ou seja, formação de embrião a partir de tecido do óvulo com bagagem genética materna, sem fecundação. Alguns gêneros em que esse fenômeno é comum: Cotoneaster, Rosa, Sorbus, Crataegus, Alchemilla, Potentilla e Rubus. Essa característica dificulta a análise taxonômica e a subdivisão dos gêneros em espécies.[3]

Diversas das frutas utilizadas na alimentação humana são frutos de rosáceas. Nas sementes de diversas espécies ocorre amigdalina o que pode liberar cianeto durante a digestão, que pode causar envenenamento.

Sistemática[editar | editar código-fonte]

Em estudos moleculares recentes, a família Rosaceae foi relacionada como um grupo irmão às demais famílias que compões a ordem Rosales (Savolainen el al. 2000a, Wang et al., 2009), baseado em 12 genes específicos que permitiram a elaboração de hipóteses/relações entre as famílias, sendo que desses, 10 genes eram de plastídios, analisados em 25 táxons de Rosales. Em Rhamnaceae as relações não são muito claras, restando algumas incógnitas para a relação desse grupo com as demais famílias.[2]

Gêneros[editar | editar código-fonte]

Segue a lista de gêneros classificados de acordo com suas subfamílias, segundo Potter et al 2007[1]:

 Subfamília Rosoideae[editar | editar código-fonte]

Gêneros[editar | editar código-fonte]

  • Filipendula
  • Rosa
  • Rubus
  • Aremonia
  • Agrimonia
  • Hagenia
  • Leucosidea
  • Spenceria
  • Acaena
  • Cliffortia
  • Margyricarpus
  • Tetraglochin
  • Polylepis
  • Sanguisorba
  • Poteridium
  • Poterium
  • Bencomia
  • Marcetella
  • Dendriopoterium
  • Potentilla
  • Fragariinae
  • Comarum
  • Dasiphora
  • Drymocallis
  • Sibbaldia
  • Sibbaldiopsis
  • Chamaerhodos
  • Fragar
  • Alchemilla
  • Potaninia
  • Sibbaldianthe
  • Geum
  • Sieversia
  • Fallugia

  

Subfamília Dryadoideae[editar | editar código-fonte]

 Gêneros[editar | editar código-fonte]

  • Dryas
  • Chamaebatia
  • Urshia
  • Cercocarpus 

 Subfamilia Spiraeoideae[editar | editar código-fonte]

 Gêneros:[editar | editar código-fonte]

  • Lyonothamnus
  • Coleogyne
  • Kerria
  • Neviusia
  • Rhodotypos
  • Exochorda
  • Oemleria
  • Prinsepia
  • Prunus
  • Adenostoma
  • Sorbaria
  • Chamaebatiaria
  • Spiraeanthus
  • Aruncus
  • Kelseya
  • Luetkea
  • Petrophyton
  • Sibiraea
  • Spiraea
  • Xerospirae
  • Holodiscus
  • Physocarpus
  • Neillia
  • Gilenia
  • Kageneckia
  • Vauquelinia
  • Lindleya
  • Alemanchier
  • Malacomeles
  • Peraphyllum
  • Aronia
  • Photinia
  • Docyniopsis
  • Eriobotrya
  •  Eriolobus
  • Heteromeles
  • Malus
  • Stranvaesia
  • Pyrus
  • Rhaphiolepis
  • Sorbus
  • Aria
  • Chamaemespilus
  • Cormus
  • Torminalis
  • Chaenomeles
  • Cydonia
  • Docynia
  • Pseudocydonia
  • Chamaemeles
  • Cotoneaster
  • Crataegus
  • Hesperomeles
  • Mespilus
  • Osteomeles
  • Pyracantha
  • Dichotomanthes

 

Sinapomorfias[editar | editar código-fonte]

A monofilia do grupo é sustentada por pela presença de numerosos estames, sequências de DNA de cloroplastos e do gene GBSSI.[4]

O número cromossômico tem sido avaliado como caractere para separar as subfamílias, em Dryadoideae o número haplóide é 9, enquanto em Rosoideae é de sete com variado grau de poliploidia.[4]

Polinização[editar | editar código-fonte]

Como as flores das Rosáceas possuem uma forma grande, colorida, perfumada, além de produzir pólen e néctar, todas essas características servem para que polinizadores desfrutem de seus nutrientes e ajudam na proliferação e ciclo de vida dessas espécies, por exemplo: a Prunus serotina (cerejeira-negra) atraem grande número de abelhas pelo néctar que produz. Outras espécies produzem frutos que são muito procurados pelos pássaros, que também contribuem para a dispersão das espécies.

Bioquímica[editar | editar código-fonte]

Algumas espécies de Rosaceae apresentam características que não são compartilhadas por todo o grupo, tais como a fixação de Nitrogênio. A presença de nódulos junto com associação de bactérias filamentosas (Frankia sp.) tornam essas plantas capazes de fixarem nitrogênio no solo.[2]

Essa família é caracterizada por possuir fotossíntese do tipo C3, resumidamente falando, é uma via metabólica para a fixação do carbono, na qual o CO2 atmosférico entra diretamente no ciclo de Calvin.[2]

 

Importância econômica[editar | editar código-fonte]

A família Rosaceae pode ser considerada uma das famílias mais benéficas ao homem, principalmente devido à sua importância econômica, particularmente no interesse alimentar, ornamental e também na produção de madeira.

No caso de interesse alimentar, têm-se a Malus domestica (macieira), Prunus persica (pessegueiro), Eryobotria japonica (nespereira) e Fragaria x ananassa (morangueiro); com interesse ornamental os gêneros Cotoneaster (cotoneasteres), Pyracantha (piracantas), Rosa (roseiras), Spiraea (grinalda-de-noiva) e na produção de madeira, Prunus avium (cerejeira-brava).

 Por outro lado diversas espécies foram introduzidas como plantas daninhas em diferentes partes do mundo e o custo de seu controle é elevado. Essas espécies invasoras podem ter impacto negativo sobre os ecossistemas onde se estabelecem. Várias dessas espécies pertencem aos gêneros Acaena, Cotoneaster, Crataegus e Pyracantha. 

Referências[editar | editar código-fonte]

  1.   Potter, D., et al. (2007). Phylogeny and classification of Rosaceae. Plant Systematics and Evolution. 266(1–2): 5–43.
  2. Stevens, P. F. (2001 onwards). Angiosperm Phylogeny Website. Version 14, July 2017
  3. Rosaceae in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro.Disponível em: <http://floradobrasil.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB209>. Acesso em: 13 Dez. 2017
  4. Judd W. S., Olmstead R. G. (2004) A survey of tricolpate (eudicot) phylogenetic relationships. Amer. J. Bot. 91: 1627–1644

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Rosaceae

  • Angiosperm Phylogeny Website
  • Rosaceae at the Encyclopedia of Life
  • Rosaceae at the DELTA Online Families of Flowering Plants
  • Rosaceae at Chileflora Online
  • Rosaceae at the Online Flora of Western Australia
  • Genome Database for Rosaceae at Washington State University
  • Rosaceae at the University of Illinois.
  • Rosaceae Flowers in Israel
  • Rosaceae — Diagnostic photos of many different species at the Morton Arboretum.
  • Welcome to the Genome Database for Rosaceae | GDR
  • a b c Potter, D. (2007). «Phylogeny and classification of Rosaceae. Plant Systematics and Evolution.». Phylogeny and classification of Rosaceae. Plant Systematics and Evolution 
  • a b c d Stevens, P.F. (14 de julho de 2017). «Angiosperm Phylogeny Website» 
  • a b c d e f g h i «Rosaceae in Flora do Brasil 2020 em construção.» 
  • a b (Judd W. S., Olmstead R. G. (2004) A survey of tricolpate (eudicot) phylogenetic relationships. Amer. J. Bot. 91: 1627–1644 ), W. S (2004). «A survey of tricolpate (eudicot) phylogenetic relationships». American Journal of Botany